Despedidas: 1895-1899
Capítulo V
Velha Lisboa, minha mae-madrinha!
Tu voltarás a ser o que já foste,
E não, não cuides que é illusão minha,
Pois nenhuma já tenho a que me encoste!
Não sei quê dentro em mim m'o adivinha
Não sei que voz m'o diz de que eu mais goste.
E bem no sabes de bem longe: os Poetas
Não se enganam—são bruxos, são Prophetas!
V
Lá onde escoa o Tejo, os Esculptores
De entre a agoa erguerão altos heroes
Poetas, Santos e Navegadores:
Nun'Alvares sorrindo aos seus does-does,
Feridas de Astros! admiraveis flôres!
(Com auroras e poentes como os soes...)
Luiz de Souza, scismatico, e Frei Gil,
Pedr'Alvares, a mão para o Brazil!...
VI
Vasco da Gama a apontar lá para onde
Nasce o sol, terra da sua India amada,
Outro a olhar lá, onde o sol se esconde,
Camões olhando triste a onda salgada;
Mas a onda passa, passa e não responde...
Que a leva o fado, vae muito apressada...
Todos tão vivos, os heroes colossos,
Que dir-se-ia que têm sangue e ossos.