Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 52 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo V

Velha Lisboa, minha mae-madrinha!

Tu voltarás a ser o que já foste,

E não, não cuides que é illusão minha,

Pois nenhuma já tenho a que me encoste!

Não sei quê dentro em mim m'o adivinha

Não sei que voz m'o diz de que eu mais goste.

E bem no sabes de bem longe: os Poetas

Não se enganam—são bruxos, são Prophetas!

 

V

 

Lá onde escoa o Tejo, os Esculptores

De entre a agoa erguerão altos heroes

Poetas, Santos e Navegadores:

Nun'Alvares sorrindo aos seus does-does,

Feridas de Astros! admiraveis flôres!

(Com auroras e poentes como os soes...)

Luiz de Souza, scismatico, e Frei Gil,

Pedr'Alvares, a mão para o Brazil!...

 

VI

 

Vasco da Gama a apontar lá para onde

Nasce o sol, terra da sua India amada,

Outro a olhar lá, onde o sol se esconde,

Camões olhando triste a onda salgada;

Mas a onda passa, passa e não responde...

Que a leva o fado, vae muito apressada...

Todos tão vivos, os heroes colossos,

Que dir-se-ia que têm sangue e ossos.