Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 5 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo 4

 

Nossos amores foram desgraçados,

Desgraçada paixão! tristes amores!

Se Deus me dá assim tamanhas dores,

É porque grandes são os meus peccados.

Quando virão os dias desejados?

Quando virá Maio para eu vêr flores?

Nunca mais! ainda bem, santos horrores!

Que os pobres dias meus estão contados.

Passo os dias mettido no meu moinho,

E móe que móe saudades e tristezas,

Moleiro que no mundo está sósinho.

Os lavradores destas redondezas

Queixam-se até de que a farinha á data

Tanta é que «está de rastos de barata...»

St. Johann Am-Platz, 1896.