Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 23 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo 22

 

O Senhor, cuja Lei é sempre justa,

Deu-me uma infortunada mocidade,

Talvez para eu saber (o que é verdade)

Quanto é bom ser feliz, mas quanto custa!

Feliz de quem no mundo sem piedade,

Encontrou alma que lhe entenda a sua,

Que o mesmo é que ter na mão a Lua

Tão longe n'essa triste Eternidade!

Os meus dias passavam tristemente

Quando encontrei o teu olhar ridente:

Foi a bençam de luz da Mãe de Deus!

Vaes deixar-me de novo, só na vida!

Ao cabo de viagem tão comprida

Talvez sintas mais perto os olhos meus!

Ilha da Madeira, janeiro de 1899.