Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 14 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo 13

 

Pedi-te a fé, Senhor! pedi-te a graça,

Mas não te curvas nunca, p'ra me ouvir.

Tudo acaba no mundo... tudo passa,

Mas só meu mal se foi e torna a vir.

Não busco a morte com arma ou veneno,

Mas emfim póde vir quando quizer.

Eu estarei de pé, firme e sereno,

Sorrir-lhe-hei até, quando vier.

Tristes vaidades d'este pobre mundo!

Já me parecem taes como ellas são:

Tristes mizerias deste mar sem fundo.

Se tive algumas eu, na mocidade,

Não foram ellas mais que uma illuzão.

E um dia eu ri da minha ingenuidade!

Lisboa, janeiro, 1898.