Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 31 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Ares da Andaluzia

 

Ó formoza Andaluzia!

Terra de Nossa Senhora!

Ó formoza Andaluzia

Onde o luar parece dia

Onde é dia a toda a hora!

Ai eu tenho sete muzas

Quaes d'ellas prefiro eu?

Ai eu tenho sete muzas,

Trez d'ellas são andaluzas

Porque as outras são do céo.

Malaga, terra de encantos,

Terra das vinhas doiradas!

Malaga, terra de encantos!

Igrejas cheias de Santos,

E Virgens cheias de espadas!

Vossa bocca tem desejos

Que a bocca das mais não tem...

Vossa bocca tem desejos

E já morria por beijos

No ventre da vossa mãe!

Ó meninas de Sevilha

Sou doente, vinde amparar-me,

Ó meninas de Sevilha

Deixae-me a vossa mantilha

Que eu não quero constipar-me!

Ó menina, olá, a mais alta

Porque foge e me olha assim?

Ó menina olá a mais alta,

Se a belleza não lhe falta,

Não julgue que é mais que a mim.

Ai esta Vida é tão curta!

Ai o Amor dura um instante,

Ai esta Vida é tão curta!

Dormir, um dia, entre murta

Nos braços d'uma outra amante!...

Olhos de Cadiz tão pretos

(E o mar ao pé tão azul!)

Olhos de Cadiz tão pretos

De luto por Esqueletos

Que o mar traz com vento sul.

Já sorvi na minha bocca

Beijos de toda a Nação!

Já sorvi na minha bocca

Tanto mel, cabeça louca!

Mas assim como estes, não!

Menina das pandeiretas!

Que contente que hoje estaes!

Menina das pandeiretas!

Tão séria, de capas pretas,

Ao lado de vossos Paes.

Vem beber a mocidade

Com a tua trança solta.

Vem beber a mocidade

Não torna a vir esta idade

E o Amor como ella não volta.

Ó seios como pombinhos

Ó seios por quem bateis?

Ó seios como pombinhos

Tão alegres nos seus ninhos

Não sei eu, mas vós sabeis...