Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 47 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo VIII

 

Romantica Lisboa de Garrett!

Ó Garrett adorado das mulheres,

Hei-de ir deixar-te, em breve, o meu bilhete

Á tua linda caza dos Prazeres.

Mas qual seria a melhor hora, ás sete,

Garrett, para tu me receberes?

O teu porteiro disse-me, a sorrir,

Que tu passas os dias a dormir...

 

IX

 

Pois tenho pena, amigo, tenho pena;

Levanta-te d'ahi, meu dorminhoco!

Que falta fazes á Lisboa amena!

Anda vêr Portugal! parece louco...

Que patria grande! como está pequena!

E tu dormindo sempre ahi no «choco».

Ah! como tu, dorme tambem a Arte...

Pois vou-me aos toiros, que o comboio parte!

 

X

 

Ó Lisboa vermelha das toiradas!

Nadam no Ar amores e alegrias.

Vêde os Capinhas, os gentis Espadas,

Cavalleiros, fazendo cortezias...

Que graça ingenua! farpas enfeitadas!