Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 17 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo 16

 

Ha vinte annos já, que andas na Terra,

Ha vinte dias só, que te conheço!

Eu andava perdido pela serra,

E o que eu era então, já não pareço.

Ha vinte dias só que te conheço,

Ó meu beijo de Luz! minha Chymera!

És a Graça de Deus (com qu'estremeço)

Talvez, o que no mundo, inda me espera.

Sonho da minh'alma! Ó meu ceu d'estio!

Pois não tens piedade d'este frio

Que sinto em mim, na minha solidão!

Minha bençam de Christo, promettida,

Não serás tu a Paz da minha vida?

Oh! não me digas não, que és Illuzão!

Quinta Almeida. Funchal, abril, 1898.