Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 51 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo II

N'aquelle Tejo sobre o mundo aberto,

Para dos grandes ventos descansarem,

Ó Lisboa (não são glorias chymericas)

Voltada sobre as Azias e as Americas!

 

II

 

Porque é que Deus aqui te poz á entrada

Senão para destinos imperiaes?

Do mar da India a viração salgada

Respiral-a tu, antes dos mais.

A vêr és tu, primeira, a alvorada

E a ultima o sol nos fins occidentaes.

Lisboa! quando eras pequenina

Houve uma fada que te leu a sina?

 

III

 

O que já foste tu, n'outras idades

Grande e famoza acima das Nações,

Tu de novo o serás, porque as cidades

Têm varias mortes e resurreições,

Outras infancias, novas mocidades,

Novas conquistas, outros galeões...

Ó coragens, ó coleras, tormentos,

Trovões, Indias, relampagos e ventos!

 

IV