Despedidas: 1895-1899
Capítulo II
N'aquelle Tejo sobre o mundo aberto,
Para dos grandes ventos descansarem,
Ó Lisboa (não são glorias chymericas)
Voltada sobre as Azias e as Americas!
II
Porque é que Deus aqui te poz á entrada
Senão para destinos imperiaes?
Do mar da India a viração salgada
Respiral-a tu, antes dos mais.
A vêr és tu, primeira, a alvorada
E a ultima o sol nos fins occidentaes.
Lisboa! quando eras pequenina
Houve uma fada que te leu a sina?
III
O que já foste tu, n'outras idades
Grande e famoza acima das Nações,
Tu de novo o serás, porque as cidades
Têm varias mortes e resurreições,
Outras infancias, novas mocidades,
Novas conquistas, outros galeões...
Ó coragens, ó coleras, tormentos,
Trovões, Indias, relampagos e ventos!