Doença de Chagas: Manual para Experimentação Animal
Capítulo 9 - Modelos animais para o estudo in vivo da doença de Chagas e de seus aspectos histopatológicos
Capítulo 9 - Modelos animais para o
estudo in vivo da doença de Chagas e
de seus aspectos histopatológicos
O uso de modelos animais para o estudo da infecção por Trypanosoma cruzi foi estabelecido desde o artigo original no qual Carlos Chagas descreveu a doença que leva seu nome (Chagas, 1909). Antes que a infecção fosse verificada nos humanos ou nos animais domésticos, Chagas enviou para Manguinhos os barbeiros infectados coletados na área endêmica de Minas Gerais onde estava trabalhando e, no Rio de Janeiro, Oswaldo Cruz alimentou esses hematófagos em macacos Callitrhrix penicillata, observando parasitemia patente nos animais vinte a trinta dias depois. Escreveu Carlos Chagas em 1922:
a verificação da doença precedeu aqui a descoberta do parasita
que a ocasiona, e quando no sangue periférico de uma criança
febril, observamos o flagelado patogênico, de sua biologia já
possuíamos noção completa, adquirida em demorados estudos
anteriores.
Até as décadas de 30-40, cobaias, cães, coelhos, outros macacos e também o camundongo branco, foram utilizados para o estudo da infecção experimental, tanto pelo próprio Chagas e sua equipe do Instituto Oswaldo Cruz, como por seus discípulos, em especial Emmanuel Dias. Ratos e camundongos foram também utilizados por outros grupos como os de E. Brumpt em São Paulo, A. Robertson e C. A. Kofoid nos EUA, e Henri Galliard na França. A partir da década de 60, provavelmente por influência do intenso uso do camundongo como modelo básico em estudos de imunologia geral, bem como pela facilidade e baixo custo da manutenção desses animais em biotério, os trabalhos com infecção experimental por T. cruzi acumularam-se cada vez mais no modelo do camundongo. A revisão comparativa mais recente sobre modelos animais para a doença de Chagas foi publicada por Cabeza-Meckert & Laguens (1994).