Doença de Chagas: Manual para Experimentação Animal

Tania C. Araújo-Jorge · Capítulo 28 de 40

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Doença de Chagas: Manual para Experimentação Animal

10.3 Planejamento de um experimento com infecção in vivo pelo Trypanosoma cruzi

Tabela 5 – Características do clone CL Brener, adotado no Projeto

Genoma

 

10.3 - Planejamento de um experimento com

infecção in vivo pelo Trypanosoma cruzi

Tania C. Araújo-Jorge

Um experimento in vivo, no qual vão ser sacrificados animais, está sujeito aos princípios éticos preconizados pelo Colégio Brasileiro de Experimentação Animal, Cobea (ver Anexo, Capítulo 20), precisa ser muito bem planejado. Para isso, sugerimos que seja seguido o roteiro de questões abaixo.

• Qual o objetivo do experimento? A definição clara da pergunta

que o experimento visa responder, e o que se quer testar, vai

definir os grupos a serem comparados. Quantos grupos

experimentais serão formados?

• Qual o modelo experimental (animal e parasita) que melhor

permite responder à pergunta formulada? Animal susceptível ou

resistente? De que linhagem genética? Macho ou fêmea?

Recém-nato, jovem ou adulto? Agrupados por idade, peso ou

ambos? Que cepa de parasita se adequa à pergunta

experimental? De baixa ou alta virulência? Com mortalidade na

fase aguda ou crônica? Que estágio do T. cruzi será utilizado

para o inóculo: epimastigota, tripomastigota metacíclico,

tripomastigota sangüíneo, de cultura de células, ou amastigota?

Que inóculo será utilizado? Por que via será administrado?

Recomendamos a leitura do Capítulo 9 como subsídio para a

escolha do modelo experimental.

• Qual o número de animais necessários? Quantos animais

serão analisados por grupo? Os animais serão estudados

individualmente durante todo o experimento ou serão

sacrificados num certo número por dia pós-infecção? Sangue

ou células serão obtidos e agrupados, ou não, em um pool?

Nesse caso, qual o número ideal para compor o pool? Em que

dia será coletado o material? Quantos animais por dia? Se

forem utilizados animais isogênicos, para análises individuais

cujos resultados serão avaliados em médias ou medianas,

recomendamos no mínimo quatro animais por ponto. Para

análises em pool, recomendamos no mínimo três animais por

ponto. Para análise de animais não isogênicos, onde se espera

maior variação individual, são necessários de oito a dez animais

por ponto.

• Há espaço e gaiolas no biotério? Quantas gaiolas precisarão

ser utilizadas? Há espaço no biotério para essas gaiolas? Por

quanto tempo está previsto o acompanhamento desses animais

e a conseqüente ocupação do espaço?

• Algum tratamento experimental será feito? Para o estudo da

administração de drogas ou de anticorpos precisam ser feitos

controles específicos referentes ao veículo de dissolução da

droga, ou ao isotipo do anticorpo, respectivamente. As datas e

as vias de administração do tratamento experimental precisam

ser previamente definidas, em função de critérios objetivos

como a farmacocinética do produto (velocidade de absorção,

concentração ativa, velocidade de inativação ou remoção do

produto da circulação e do órgão alvo, etc.). Todos esses

detalhes devem ser previamente conhecidos, seja por revisão

bibliográfica ou por ensaios experimentais preliminares ao

experimento propriamente dito. No caso do teste de efeito de

nifurtimox, Haberkorn & Gonnert (1972) estabeleceram que

doses de 15 ou 10 mg/kg para homens adultos equivalem a

doses de 180 or 120 mg/kg para camundongos ou ratos.

• Quais as características detalhadas do pedido de animais?

Em razão da data prevista para a infecção e da idade ideal do

animal quando da infecção, é preciso calcular a data ideal de

nascimento, a data para chegada ao biotério de

experimentação (pelo menos dez dias antes do início do

experimento), e especificar no pedido a linhagem, o número, o

sexo e a data de nascimento dos animais.

• Quais as providências necessárias para a obtenção do inóculo

na data prevista para a infecção? Se for ser utilizado

tripomastigota sangüíneo, há que se prever o número de

animais a ser sacrificados no dia do inóculo, para que estejam

no dia de pico da parasitemia. Se o inóculo será feito com

tripomastigota metacíclico ou de cultura de células, os

procedimentos de cultura deverão ser tomados com a

antecedência correta para a obtenção dos parasitas no número

e no estágio desejado.

• Qual o código do experimento? Sugerimos que seja dado um

código global do projeto (de até quatro dígitos) e que os

experimentos sejam numerados seqüencialmente. Desse modo

pode-se montar um diretório do projeto e arquivos ou planilhas

que levem o nome dos diferentes experimentos para digitação

dos dados obtidos (ver Anexo, Capítulo 20).

Na Tabela 6 estão listadas algumas das linhagens de camundongos mais utilizadas para estudos da doença de Chagas experimental e

suas principais características genéticas. Na Tabela 2 são apresentados alguns dos isolados de T. cruzi mais utilizados, com sua origem e padrão de linhagem, segundo tipagem dos genes de miniexon e rRNA.