Doença de Chagas: Manual para Experimentação Animal

Tania C. Araújo-Jorge · Capítulo 38 de 40

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Doença de Chagas: Manual para Experimentação Animal

18.2 Protocolos de cultura primária

Juntos, estes resultados mostram que o T. cruzi, ao invadir o músculo cardíaco, precisa do controle absoluto sobre seu hospedeiro e, para tanto, desliga a comunicação celular, altera a freqüência cardíaca e é o coordenador dos danos iniciais simultâneos que afetam a funcionalidade do coração na doença de Chagas experimental e humana.

 

18.2 Protocolos de cultura primária

Helene S. Barbosa; Mirian C. S. Pereira; Maria de Nazareth S. L. Meirelles

18.2.1. Células Musculares

Culturas primárias compreendem células derivadas diretamente de um órgão ou tecido. Basicamente, o tecido isolado é fragmentado em pequenas peças com bisturi e pinça, dissociado com enzimas proteolíticas, dando origem a células individualizadas que serão cultivadas em meio nutritivo, in vitro. Células musculares são dependentes de ancoragem, requerendo substrato sólido para promover a sua proliferação, metabolismo e diferenciação. O emprego de tecidos embrionários permite o acompanhamento do processo de miogênese, com a vantagem de serem estéreis desde o início do isolamento. Este tipo de tecido apresenta desagregação fácil e as células isoladas têm alta capacidade de adesão ao substrato, alta motilidade e excelente índice de multiplicação e diferenciação celular in vitro (Konigsberg, 1960, 1963; Harary & Farley, 1963; De Luca, 1966; Kasten, 1973; Yaffe, 1973).

18.2.1.1. Roteiro para obtenção de cultura primária de célula muscular cardíaca (Meirelles et al., 1986)

Material:

• fêmeas de camundongos suíços grávidas com 18 a 20 dias de

gestação

• Ringer

• PBS

• tripsina

• colagenase

• gelatina

• L-glutamina

• cloreto de cálcio (CaCl ) 2

• antibióticos: estreptomicina e penicilina

• meio Eagle modificado por Dulbecco (DMEM)

• soro fetal bovino

• soro de cavalo

• extrato embrionário de pinto

• bicarbonato de sódio (NaHCO ) 3

• placas de Petri de vidro (100 x 15 mm e 35 x 10mm)

• Erlenmeyer de 50 ml contendo barra magnética (8 x 3mm)

• pipetas Pasteur

• pipetas sorológicas de 2 e 5 ml.

• lamínulas redondas de vidro (15 x 0,13 mm)

• tubos cônicos de 15 ml

Obs: o material deve ser embalado apropriadamente e

esterilizado em autoclave a 1 atm (120ºC) por 20 min.

• pinças de ponta dente de rato (12 cm) e ponta curva (10 cm),

tesoura cirúrgica ponta curva ou reta (12 cm) e bisturi (15 cm)

• gaze estéril

• placa de cortiça e alfinete

• câmara mortuária

• material plástico para plaqueamento (garrafas de 25 cm2,

placas de 24 poços, placas de 35 mm)

Procedimento:

• anestesiar as fêmeas grávidas em câmara mortuária contendo

éter etílico. Levar o animal para o fluxo laminar, fixá-lo na placa

de cortiça e esterilizar a área de dissecção (área abdominal)

com álcool a 70%;

• abrir o abdômen expondo a membrana peritoneal. Com

material cirúrgico estéril, abrir a cavidade peritoneal e remover o

útero contendo os embriões, transferindo-os para uma placa de

Petri (100 x 15 mm) contendo solução de Ringer no gelo;

• decapitar os embriões e abrir a cavidade torácica na altura do

osso externo. Remover os corações e transferi-los para com

placa de Petri (35 x 10 mm) contendo solução de Ringer. Retirar

os átrios e os vasos da base de cada coração e fragmentar os

ventrículos sobre lâmina escavada, transferindo os fragmentos

para outra placa de Petri (100 x 15 mm) com placa de Petri (35

x 10 mm) contendo solução de Ringer no gelo;

• transferir os fragmentos para Erlenmeyer (50 ml) contendo

barra magnética, lavar 2x em solução de Ringer para remoção

das células sangüíneas e posteriormente lavar em PBS (sem

cálcio e magnésio) sob agitação por 5 min a 37º C;

• iniciar o procedimento de dissociação enzimática:

■ Solução de dissociação: 0,025% tripsina + 0, 01% de colagenase (solução estéril e previamente aquecida em banho-Maria) a 37ºC

■ expor os fragmentos do tecido à dissociação seqüencial por 5 min cada etapa a 37ºC, sob agitação magnética, até completa digestão do tecido

■ recolher o líquido de dissociação contendo as células isoladas e transferi-lo para tubos de centrífuga (15 ml) contendo 2 ml de meio DMEM completo, suplementado com 0,5 ml de soro fetal bovino. Manter os tubos no gelo a fim de inativar a atividade enzimática. Marcar os tubos a cada etapa da dissociação

■ controlar ao microscópio óptico de contraste de fase: o padrão morfológico, a viabilidade celular e o número de células obtidas, após cada dissociação

• centrifugar os tubos com células a 1800 rpm (500g) por 5 min.

Descartar o sobrenadante e ressuspender as células em DMEM

completo. Repetir este procedimento 2x, objetivando lavar as

células e eliminar a presença das enzimas proteolíticas. Manter

as células no gelo até o seu plaqueamento;

• utilizar uma alíquota da suspensão celular para avaliação do

número de células em câmara de Neubauer;

• iniciar o plaqueamento seqüencial para obtenção de culturas

ricas em mioblastos: plaquear as células (0,8-1x106 células) em

garrafas 25 cm2 previamente revestidas com gelatina 0,01%;

Obs: A gelatina é colocada nas garrafas por 15 min a 4 ºC e

posteriormente removida, sendo as garrafas mantidas em

estufa a 37ºC em atmosfera de 5% de CO até o momento do 2

plaqueamento. Este revestimento com gelatina propicia uma

melhor adesão das células ao substrato.

• após 15 a 30 min de plaqueamento, alta proporção de

fibroblastos irá aderir ao substrato, devido a sua velocidade de

adesão mais rápida do que os mioblastos. Recolher o

sobrenadante, rico em mioblastos, plaquear as células em

recipientes previamente revestidos com gelatina, como descrito

acima. A densidade celular de plaqueamento varia de acordo

com a área do substrato:

■ placas de 24 poços, com diâmetro de 18 mm: 15 x 10 5

■ garrafas de plásticos de 25 cm 2 6 : 2 x 10

■ placa de Petri com diâmetro de 35 mm: 0,8-1 x 106

• trocar o meio de cultivo após 24 horas, para remoção de

células mortas e "debris" celulares. Manter as células a 37ºC

em atmosfera de 5% de CO , sendo a troca do meio efetuada a 2

cada 2 dias

Características da cultura (Figs. 3 e 4):

A miogênese de células musculares cardíacas in vitro obedece etapas distintas: Nas primeiras 24 horas de plaqueamento existem 2 tipos celulares predominantes: pré-mioblastos e mioblastos que apresentam intensa multiplicação e motilidade celular. Após 24 horas, um percentual de mioblastos mantém a divisão celular e outros iniciam o processo de diferenciação celular com a organização das proteínas do citoesqueleto em miofibrilas e já se evidencia a presença de células diferenciadas, miócitos cardíacos, com contração espontânea. Após 48 horas, observa-se alto percentual de células diferenciadas. Estas células, cardiomiócitos, se caracterizam por estabelecerem contato com células vizinhas, apresentando interdigitações membranares formando o disco intercalar, além de apresentarem regiões de alta especialização de membrana com formação de gap-junctions, desmossomos e fascia adherens. Estas especializações favorecem o acoplamento celular, permitindo o sincronismo de contrações espontâneas. Ao final de 96 horas de cultivo, ocorre a formação de miofibras em virtude do alto índice de células acopladas.

Figura 3: Aspectos morfológicos da miogênese de células cardíacas,

in vitro. (A) Migração para alinhamento e acoplamento de células cardíacas após 48 h de plaqueamento. As setas indicam a possível direção do alinhamento, barra: 20 µm; (B) Evolução do acoplamento

celular para a formação da miofibra cardíaca, em culturas mantidas

por 5 dias, barra: 20 µm; (C) Células musculares cardíacas (4 dias

de cultivo) coradas com faloidina-FITC para detecção de filamentos

de actina. Evidenciação de cardiomiócitos apresentando uma

complexa organização do citoesqueleto em miofibrilas, barra: 10

µm.

Figura 4: Aspectos ultra-estruturais de células musculares cardíacas

cultivadas in vitro. (A e B) Uma miofibra apresentando acoplamento

e exibindo disco intercalar (DI) com presença de regiões

especializadas de membrana, como desmossomas (D) e gap

junctions (GJ) (A). Detalhe de uma gap junction em (B). (C) Imagem

de dois miócitos acoplados, observa-se miofilamentos de actina e

miosina em cortes transversais (MF). (D) Aspecto de sarcômeros

organizados com evidenciação de linhas Z (Z) no citoplasma de um

miócito após 5 dias de cultivo. Observa-se também a riqueza de

grânulos de glicogênio distribuídos no citoplasma da célula,

revelados pela técnica de Thièry. Barras: 0,2 µm.

Características morfológicas dos tipos celulares presentes nas

culturas:

■ - células bem espalhadas Fibroblastos:

- freqüentemente na forma triangular

ou estrelada

- citoplasma transparente e pouco

refratário em microscopia de contraste

de fase

- uninucleados

- núcleo e citoplasma pouco corados

pelo Giemsa

- 2 ou mais inclusões densas

intranucleares

- arredondadas durante a divisão

celular

■ Mioblastos:- células bipolares

- altamente refratária em contraste de

fase

- núcleo com tendência a forma

alongada

- uninucleados

- núcleo bem corado pelo Giemsa

- citoplasma granular

■ Miócitos: - células volumosas (CARDÍACOS)- presença de estriações (miofibrilas)

18.2.1.2. Roteiro para obtenção de cultura primária de célula muscular esquelética (Araújo-Jorge et al., 1986)

Material:

• basicamente os mesmos utilizados para a obtenção de células

cardíacas

• solução de dissociação: tripsina associada à verseno

Procedimento:

• anestesiar as fêmeas grávidas em câmara mortuária contendo

éter etílico. Levar o animal para o fluxo laminar, fixá-lo na placa

de cortiça e esterilizar a área de dissecção (área abdominal)

com álcool a 70%;

• abrir o abdômen, expondo a membrana peritoneal. Com

material cirúrgico estéril, abrir a cavidade peritoneal e remover

o útero contendo os embriões, transferindo-os para uma placa

de Petri (100 x 15 mm) contendo solução de Ringer no gelo;

• remover as coxas traseiras dos embriões e transferi-las para

uma placa de Petri (100 x 15 mm) com placa de Petri (35x10

mm) contendo solução de Ringer. Dissecar o material, retirando

a pele, os ossos e a cartilagem. Fragmentar o tecido muscular

sobre lâmina escavada, transferindo os fragmentos para outra

placa de Petri (100 x 15 mm) com uma placa de Petri (35 x 10

mm) contendo solução de Ringer no gelo;

• transferir os fragmentos para Erlenmeyer (50 ml) contendo

barra magnética, lavar 2 vezes em solução de Ringer para

remoção das células sangüíneas e posteriormente lavar em

PBS (sem cálcio e magnésio) sob agitação por 5 min a 37ºC;

• dissociação enzimática:

■ Solução final (v/v): 0,05% tripsina + 0,01% de verseno em PBS (solução pré-aquecida, estéril, a 37ºC em banho-maria)

■ expor os fragmentos do tecido à dissociação seqüencial por 5 min cada etapa a 37ºC, sob agitação magnética, até

completa digestão do tecido

■ recolher o líquido de dissociação contendo as células isoladas e transferi-lo para tubos de centrífuga (15 ml) contendo 2 ml de meio DMEM completo, suplementado com 0,5 ml de soro fetal bovino. Manter os tubos no gelo a fim de inativar a atividade enzimática. Marcar os tubos a cada etapa da dissociação

■ controlar ao microscópio óptico de contraste de fase: o padrão morfológico, a viabilidade celular e o número de células obtidas, após cada dissociação

• centrifugar os tubos com células a 1800 rpm (500g) por 5 min.

Descartar o sobrenadante e ressuspender as células em DMEM

completo. Repetir este procedimento 2x, objetivando lavar as

células e eliminar a presença das enzimas proteolíticas. Manter

as células no gelo até o seu plaqueamento;

• utilizar uma alíquota da suspensão celular para avaliação do

número de células em câmara de Neubauer;

• iniciar o plaqueamento seqüencial para obtenção de culturas

ricas em mioblastos: plaquear as células (0,8-1x106 células) em

garrafas 25 cm2 previamente revestidas com gelatina 0,01%;

• após 15 a 30 min de plaqueamento, alta proporção de

fibroblastos irá aderir ao substrato, devido a sua velocidade de

adesão mais rápida do que os mioblastos. Recolher o

sobrenadante, rico em mioblastos, plaquear as células em

recipientes previamente revestidos com gelatina, como descrito

acima. A densidade celular de plaqueamento varia com a área

do substrato:

■ placas de 24 poços, com diâmetro de 18 mm: 15 x 10 5

■ garrafas de plásticos de 25 cm 2 6 : 2 x 10

■ placa de Petri com diâmetro de 35 mm: 0,8-1 x 106

• trocar o meio de cultivo após 24 h, para remoção de células

mortas e "debris" celulares. Manter as células a 37ºC em

atmosfera de 5% de CO , sendo a troca do meio efetuada a 2

cada 2 dias.

Características da cultura (Figs. 3 - 7):

A miogênese de células musculares esqueléticas in vitro obedece a uma seqüência de transformações morfofisiológicas nas primeiras 24 horas de cultivo. Mioblastos dividem-se e migram na cultura, se alinhando a outros mioblastos. Após 24 horas, estes mioblastos são competentes para fusão e se transformam em miotubos jovens pela fusão de mioblastos, que não mais se dividem e são predominantemente binucleados. A partir de 48 horas formamse os miotubos maduros que se originam da fusão de vários miotubos jovens e ainda de mioblastos, sendo então multinucleados. Da fusão de miotubos maduros formam-se as miofibras em torno do quinto ou sexto dia de cultivo. A contração espontânea ocorre após 10 dias de cultivo.

Figura 5: Aspectos das etapas da dissociação e cultivo de células

musculares esqueléticas, in vitro. (A e B) Micrografias de mioblastos

durante sua dissociação parcial (A) e total (B), barras: 0,1 mm; (C)

Aspecto geral da cultura após 24 horas de plaqueamento. As células

são observadas em processo de alinhamento e alguns fibroblastos

destacam-se com núcleos volumosos (cabeças de seta), barra: 1

mm..

Figura 6: Aspectos morfológicos da miogênese de células

musculares esqueléticas. (A e B) Migração e alinhamento de

mioblastos após 48 horas de plaqueamento, para a posterior fusão

(A; cabeça de seta) e a formação de miotubo jovem binucleado (B);

(C-F) Crescimento do miotubo com multinucleação (3, 4 ou 7

núcleos) após 72 horas (C e D) e 96 horas de cultivo (E e F). Nota-

se que durante o processo de fusão, miotubos já multinucleados podem fundir-se, apresentando imagens de ramificação angular, (E);

(G) Miotubo maduro no 5o dia de cultivo in vitro, apresentando

multinucleação com disposição central e linear dos núcleos, barras:

20 µm.

 

Figura 7: Aspectos ultra-estruturais das células musculares

esqueléticas, in vitro. (A) Miotubo maduro com 4 núcleos; (B e C)

Aspectos do citoplasma de um miotubo no qual pode se observar

filamentos de actina e miosina em arranjos longitudinais ou

transversais (MF) , invaginações da membrana plasmática para a

formação de túbulos T (setas), mitocôndrias com cristas

longitudinais paralelas (M), barras: 0,2 µm.

18.2.2. Procedimento para Cultivo de Macrófagos Peritoneais de Camundongos (Araújo-Jorge & De Souza, 1986)

Este tipo de cultura primária dispensa o uso de enzimas para dissociação. São células obtidas da parede do peritôneo, que se soltam facilmente, após massagem do abdômen do animal.

Procedimento:

• anestesiar o camundongo (25 a 30g);

• ao fluxo laminar, prendê-lo sobre placa de cortiça;

• injetar, no peritôneo, 5-10 ml de solução salina (Hanks) ou

meio de cultivo (DMEM) com seringa estéril;

• massagear o abdômen;

• recolher o líquido do exudato peritoneal e controlar ao

microscópio a presença de bactérias e/ou protozoários, que se

presentes indicam perfuração do intestino, devendo ser

desprezado;

• manter o líquido em banho de gelo para evitar adesão das

células, principalmente macrófagos, à superfície do tubo de

vidro ou do plástico;

• centrifugar a 4ºC (500g por 10 min) e ressuspender as células

em DMEM contendo 5-10% de soro fetal bovino. Avaliar o

número de células obtidas em câmara de Neubauer;

• plaquear as células a uma densidade 1-2 x 104 2 células/mm,

por 20 min a 37ºC. Trocar o meio após esse período.

Características da cultura:

Os macrófagos se apresentam como células arredondadas, sendo dependentes de ancoragem ao substrato para o seu metabolismo. Aderidas ao substrato se apresentam em formato de estrela. São células já diferenciadas e portanto, não se multiplicam, e têm tempo limitado de manutenção in vitro (em torno de 3-4 dias), sob ótimas condições de pH, temperatura e nutrientes.

 

Anexo 18.1 - Soluções e meios de cultura

Todas as soluções e meios devem ter seu pH aferido antes de se iniciar a cultura.

Solução de Ringer pH 7,0

NaCl 154 9,0 g

mM

KCl 154 tomar 8,4 ml de solução

mM 5%

CaCl 154 tomar 5,0 ml de solução 2

mM 5%

Água tridestilada 1000 qsp ml

• esterilizar em autoclave (20 min/1atm)

Solução de PBS pH 7,0

NaCl 137,0 mM 8,0 g K Cl 2,7 mM 0,20 g

KH PO 0,88 mM 0,12 g 2 4

Na HPO 6,4 mM 0,91 g 2 4

Água tridestilada qsp 1000 ml

• esterilizar em autoclave (20 min/1 atm)

Solução de gelatina 0,01%

• dissolver 0,01 g em solução de Ringer pH 7,0, sob

aquecimento

• esterilizar em autoclave (20 min/1 atm)

Solução de L-glutamina 200 mM

• dissolver 2,9263 g em 100 ml de água tridestilada

• filtrar estéril em membrana com poro 0,2 µm

Solução de bicarbonato de sódio (NaHCO ) 333 mM 3

• dissolver 2,8 g em 100 ml de água tridestilada

• filtrar estéril em membrana com poro 0,2 µm

Solução de cloreto de cálcio (CaCl . 2 H O) 25 mM 2 2

• dissolver 0,3675 g em 100 ml de água tridestilada

• filtrar estéril em membrana com poro 0,2 µm

Solução de tripsina 0,1%

• solução estoque: dissolver 0,1 g em 100 ml de PBS pH 7,0

• deixar sob agitação por cerca de 7 h a 4ºC

• filtrar estéril em membrana com poro 0,2 µm

Solução de colagenase 0,8%

• preparar solução estoque dissolvendo 0,5 g em 60 ml de PBS

• filtrar estéril em membrana com poro 0,2 µm

Solução de EDTA ou Verseno 0.02%

• preparar solução estoque dissolvendo 0,02 g em 100 ml de

PBS

• filtrar estéril em membrana com poro 0,2 µm

Solução estoque de penicilina - estreptomicina

• 1 frasco de estreptomicina (1 g)

• 1 ml de penicilina (1000000 U/ml)

• 100 ml de água tridestilada estéril

• concentração final: 10 mg/ml de estreptomicina e 10000 U/ml

de penicilina

• concentração de trabalho: 0,1 mg/ml de estreptomicina e 1000

U/ml de penicilina

Meio Eagle (pH 6,8)

• meio Eagle MEM 13,4 g

• nitrato férrico (Fe(NO ) .9H O) 0,001 g/l diluir em 10 ml 3 2 2

• acrescentar 10 ml da sol. estoque de penicilina –

estreptomicina

• água tridestilada qsp 1000ml

• filtrar estéril em membrana com poro 0,2 µm

Meio Eagle Completo (pH 6,8)

• 73 ml de meio Eagle

• 10 ml de soro de cavalo (inativado por 30 min a 56ºC)

• 5 ml de soro fetal bovino (inativado por 30 min a 56ºC)

• 10 ml de CaCl a 25mM 2

• 1 ml de L-glutamina a 200 mM

• 1 ml de extrato embrionário

• ajustar o pH com bicarbonato de sódio (pH ácido) ou gás

carbônico (pH básico)

• filtrar estéril em membrana com poro 0,2 µm

Preparo de extrato embrionário a partir de embrião de pinto (10 dias) (Paul, 1975)

• limpar a casca do ovo com álcool

• quebrar a base da casca do ovo batendo levemente com

auxílio de uma pinça

• remover a casca sobre a câmara de ar para expor a

membrana

• soltar e remover a membrana com um outro par de pinças

estéreis

• introduzir uma terceira pinça estéril (ponta curva) abaixo do

pescoço do embrião, tomando cuidado para não exercer

nenhuma pressão. Extrair o embrião lentamente do ovo e

depositá-lo em uma placa de Petri

• após a remoção de todos os embriões, lave-os 3x em solução

salina balanceada (solução de Ringer) para remoção de todo

sangue e a gema de ovo

• colocar os embriões dentro de uma seringa e introduzir

lentamente o êmbolo

• inserir a extremidade da seringa em um tubo de centrífuga e

pressionar os embriões

• adicionar igual volume de solução de Ringer à massa

embrionária e homogeneizar sucessivamente o material com

auxílio de uma pipeta Pasteur

• centrifugar por 20 min a 2.000g, remover o sobrenadante e

distribuir em tubos. Fazer um teste de esterilidade pela adição

das 10 últimas gotas em um tubo contendo meio de cultura e

incubar este tubo em estufa a 37º C

• estocar no refrigerador caso o extrato seja utilizado no mesmo

dia. Para tempos longos de estocagem (6 meses), o extrato

embrionário deve ser mantido no freezer. Antes de usar,

descongelar lentamente e centrifugar por 10 min a 2.000g.

Recolher o sobrenadante e diluir em solução de Ringer na

proporção de 1:2 antes de adicionar ao meio de cultura DMES

Solução fixadora de Bouin

• solução estoque: solução saturada de ácido pícrico (filtrada)

diluída em formaldeído na proporção de 3:1 (300 ml ácido

pícrico + 100 ml de formol).

• solução de uso (1/20): solução estoque (19 ml) + ácido acético

(1 ml)

Coloração por Giemsa

• lavar as culturas 2x em PBS ou Ringer

• fixar em solução de Bouin por 5 min

• lavar 2x com álcool 70% (PA) por 30 min, para remoção do

excesso de fixador

• lavar com água destilada

• corar com Giemsa diluído de 1/10 por 60 min (1 ml de Giemsa

+ 9 ml H O destilada) 2

• lavar em água destilada

• desidratação:

■ acetona 100% (2x)

■ acetona 70% + xilol 30%

■ acetona 50% + xilol 50%

■ acetona 30% + xilol 70%

■ xilol 100% (2x)

• montar em Permount

Obs: Este procedimento pode ser interrompido na etapa do

álcool 70% e mantido overnight a 4ºC.

Processamento de lamínulas redondas para cultura de células

• cortar lamínulas de vidro em moldes circulares de 15mm

• ferver em banho de Extran ou sabão de coco

• lavar exaustivamente com água corrente para retirar todo o

resíduo de sabão

• ferver 3 vezes em banhos consecutivos de água destilada

• deixar pelo menos uma hora em álcool a 70% para remover a

gordura

• lavar exaustivamente em água destilada, para retirar todo o

resíduo de álcool

• ferver novamente em banho de água destilada

• secar cada lamínula em lenço de algodão limpo e com o

auxílio de uma pinça

• distribuir em placas de Petri (100 x 15 mm) revestidas com

papel de filtro

• embrulhar cada placa com papel pardo, identificar e esterilizar

em autoclave a 1 atm por 20min) ou em forno microondas por

15 min em potência máxima

Lavagem de vidraria para cultura de células

• ferver a vidraria usada em Extran ou sabão de coco

• ainda morna, lavar individualmente cada vidro utilizando

escovas apropriadas

• enxaguar bem cada vidro individualmente com água corrente

e colocar de molho em água por pelo menos 2 h

• enxaguar o material 3x em água destilada

• secar em estufa

• embalar e esterilizar em autoclave a 1atm por 20 min

 

Referências bibliográficas

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