Era um garoto: o soldado brasileiro de Hitler
Sighetu marmatiei, romênia. 23 de maio de 2016.
VOLTEI PARA Moscou no fim de semana. Passei dois dias perambulando pela cidade, me distraindo em museus, como o gigantesco Museu da Segunda Guerra Mundial, que eles muito particularmente chamam de a Grande Guerra Patriótica. Peguei um trem no sábado à noite para Kiev, aonde chegaria no início da manhã seguinte.
Tomei um táxi na estação em Kiev, ciente de que teria uma corrida curta até o flat onde ficaria. Estranhei o taxista falar em valor antes de partirmos. Estranhei também quando ele, ao chegarmos, anunciou que a corrida ficara em 380 grívnias. Eu sabia que era muito, mas estava cansado para raciocinar. Quatrocentos “dinheiros” era tudo que eu tinha, tendo trocado, na estação, um resto de dinheiro polonês que guardara comigo. Paguei e subi; tomei um banho e parei para pensar melhor sobre o preço do táxi. Ele havia me cobrado oito vezes mais que o normal.
Fiquei apenas um dia em Kiev. Com receio, fui de táxi para a estação no dia seguinte, bem cedo. Desta vez paguei o valor correto. Parti para Lviv, onde teria algumas horas livres, antes de pegar outro trem noturno rumo a Solotvyno. Lviv é uma cidade charmosa no oeste da Ucrânia. Foi pouco afetada pela guerra, por isso tem muitos prédios antigos bem conservados. Ainda cismado, peguei outro táxi, um cacareco caindo aos pedaços, cujo chofer parecia ter acabado de aprender a guiar. Cheguei a salvo e a tempo de pegar o trem. Dormi a noite inteira e tão profundamente que quase perco a hora de desembarcar em Solotvyno.
O lugarejo é um pingado de pequenas casas com campos de agricultura familiar, às margens de um rio, na borda entre a Ucrânia e a Romênia. Anos atrás, a ferrovia cruzava o rio, chegando até Sighetu Marmaţiei, na outra margem. Hoje em dia, é preciso desembarcar em Solotvyno, pegar um carro e atravessar a fronteira por uma ponte.
Assim que desci do trem um sujeito alto e de boina acenou em minha direção oferecendo táxi. Entramos num velho Lada bordô, bati três vezes até a porta se fechar totalmente e partimos quicando por uma estradinha vicinal de asfalto ruim. “Sighetu”, eu disse. Ele confirmou incluindo uma outra palavra ao nome da cidade. Não me pareceu Marmaţiei, mas tudo bem. Seguimos aos solavancos, o velho Lada ganhando velocidade bravamente pelas ruazinhas desertas da cidade. Era ainda muito cedo, o Sol sequer aparecia no horizonte, mas, em algumas casas, os moradores já trabalhavam no roçado, famílias juntas num mesmo trecho de terreno, todos compenetrados, de cabeça baixa e enxada nas mãos.
O taxista era simpático e para variar me lembrava alguém parecido, mas eu não descobria quem. Ele apontou para o próprio peito e disse “Ucrânia”, ou algo muito parecido. Depois apontou para o meu peito. Eu entendi e disse: Brasil. Ele repetiu em voz alta, riu e disse algo que me fez compreender a distância entre os dois países. Pouco depois, bateu no painel do velho Lada e disse novamente: “Brasil!”. Eu confirmei com a cabeça e peguei um pedaço de papel. Escrevi três datas – 1960, 1970, 1980 –, tentando perguntar qual era o ano do carro. Ele fez sinal positivo com a cabeça quando apontei a primeira década – mas fez também para as outras duas. Percebi que não nos entendíamos. Logo depois nos reencontramos. “Presidente”, ele disse e apontou para mim antes de dizer “Brasil”. Concluí que voltávamos a nos entender.
Rodamos mais do que eu esperava, e nada de chegar à tal ponte. Abri o mapa no celular e o taxista notou. Fez sinal de que não era necessário. Sighetu Marmaţiei, disse apontando para a frente. Eu não via a ponte. Dobramos à direita e, logo adiante, avistei a barreira da polícia de fronteira. Finalmente. Mas quando me preparava para tirar o passaporte do bolso, o táxi foi para o acostamento e parou. O sujeito de boina apontou para o ponto e fez sinal com dois dedos: eu teria que atravessar caminhando. Após pegar minha bagagem, nos despedimos com um aperto de mão. Ele apontou minha bolsa de mão, onde eu guardava meu computador e disse para eu ter atenção. “Ciganos” – ou algo parecido –, disse, enquanto fazia o gesto universal para roubo. Paguei a corrida. Menos da metade do que eu havia imaginado.
Sem escolha, me ponho a caminhar rumo à alfândega. Passo pela primeira, no lado ucraniano. Muitas caras e olhares em minha direção, o passaporte passando de mão em mão como de costume, o mesmo vira-folha-volta-página infindável até o momento em que eles aparentemente se dão por vencidos, metem um carimbo e me mandam seguir. Atravesso a ponte sobre o Rio Tisza e chego à alfândega romena. Nova averiguação no passaporte e, em inglês, as perguntas de praxe. Liberado, antes tenho que abrir minha bagagem. O sujeito me pergunta se há apenas roupas dentro delas. Digo que sim. Ele pergunta se tenho cigarros. Tiro o maço do bolso da jaqueta e o apresento. “Só este?” “Sim, só este.” “Então tudo bem.” Tomo a rua, tento pegar um táxi, mas ele não aceita dinheiro ucraniano. Sigo a pé para o hotel, a mochila nas costas, a alça da bolsa de mão cruzada no peito por segurança. Vou tentando identificar a distância algum cigano, mas a rua está quase vazia. São as primeiras horas da manhã e alguns comércios estão levantando suas portas. O tempo é fresco. Na praça principal, poucos quarteirões depois da estação, o dia ainda não começou, tudo está tranquilo demais na cidadezinha aonde só mesmo a história de Horst poderia ter me levado. Chego ao Hotel e nada de ciganos. No caminho, só pessoas normais.
Acordo duas horas depois, tomo banho e parto para a rua. A praça em frente ao hotel está ensolarada e apinhada de gente. Pencas passam pelas calçadas, carros seguem devagar, muitos comerciantes vendem comida e flores na rua. Sighetu Marmaţiei é uma longa e estreita praça que segue por um quilômetro e meio de norte a sul, margeada por sobrados de dois andares e cortada por igrejas, obeliscos, um velho cinema e pequenas ruelas para o retorno dos automóveis. A cidade ramifica para leste e oeste, com ruas estreitas e desordenadas. Com trinta e poucos mil habitantes, lembra qualquer pequena cidade do interior mineiro em dia de feira, quando todos estão na rua em um vaivém sem fim, debaixo de um sol abrasador.
Ando um pouco pela cidade, sem rumo certo. Atrás da praça, há uma feira de rua com todo tipo de frutas, verduras e comida que, à primeira vista, me parece típica. Sigo atento em busca dos ciganos, mas não os vejo. Caio novamente na praça e vou bater no museu histórico da cidade. Sem ter conseguido iniciar minha pesquisa a distância, uma vez que não tinha encontrado nenhum arquivo a que contatar, é ali que inicio meu trabalho.
Uma matrona me recebe e logo que me ouve falar em inglês me pede para esperar. Vai lá dentro e chama alguém para me atender. Gicu Manole tem um cabelo preto bem liso, olhos verdes e pequenos e uma pele queimada de sol. Já passa certamente dos cinquenta. Explico quem sou e meu intuito e ele me convida para entrar em sua sala. Em inglês, conversamos sobre as minhas possibilidades; sobre como posso encontrar o rastro de Horst Brenke naquela pequena cidade de Maramureş, nos confins da Romênia. Ele acha muito difícil conseguir alguma coisa, mas diz que não poderia lhe aparecer nada melhor do que aquela história. Gicu seria uma das melhores coisas que me aconteceriam nessa viagem.
O simpático Manole começa a me mostrar fotos antigas da cidade e dispara a fazer ligações. Conversa em romeno, que, àquela altura, depois de tantos dias na Rússia e em outros países do alfabeto cirílico, já me soa como português. Consigo entender boa parte do que Gicu fala ao telefone. Depois, ele, especialista em projeções, amostragens e percentuais de procedência duvidosa, me explicaria que um falante de língua portuguesa consegue entender até 50% de uma conversa entre romenos. Gicu marca uma conversa com o diretor de um outro museu e me pede para esperar dez minutos, pois terminará seu trabalho e irá comigo. No caminho, vai me mostrar um lugar que pode ter sido o campo em que Horst ficou. Segundo se lembra, sua mãe comentou algo parecido sobre aquele lugar. Juntando todas as informações que Horst nos oferece no diário, aquela é uma boa possibilidade. Sabemos que o campo ficava em um ponto de onde se podia ver as pessoas caminhando por uma alameda. Sabemos que o campo era cercado, pois Horst ainda não estava em liberdade. Sabemos que havia ciganos acampados no mesmo lugar. E sabemos também que o campo ficava próximo ao rio. Essa última informação não ajuda muito, pois Sighetu está situada no encontro de três rios diferentes: além do Tisza, o quase homônimo Iza, e o menor deles, o Ronişoara.
O lugar que Gicu pensa ter sido o campo abriga hoje um monumento em homenagem às vítimas do comunismo, além de um pequeno campo de esportes inutilizado. Passamos por lá e, quase na esquina, encontramos o museu, que tem o mesmo nome do monumento. O diretor nos recebe e ele e Gicu conversam longamente. Consigo entender um pouco da fala de Gicu e fico impressionado com a quantidade de detalhes que ele repassa ao diretor – os mínimos detalhes da apresentação que eu havia feito para ele meia hora antes. Ele parece ter gostado do nome Horst Brenke, pois o fala com cuidado, olhando para mim como se esperasse alguma correção sobre a pronúncia. Eles chegam à conclusão de que o campo não poderia ter sido ali. Ligam então para outras pessoas e sentenciam que qualquer informação ou documento eu só encontraria em Baia Mare, a principal cidade da região. Mas, eles explicam, eu não precisarei ir até lá. Já contataram o responsável pelo arquivo e ele aguarda um e-mail meu para formalizar a busca.
Nesse meio-tempo, surgiu uma nova possibilidade: um terreno que serviu de abrigo, pouco depois do bairro que serviu de gueto para os judeus durante a guerra. Gicu nem permite que eu faça cerimônia e diz que obviamente irá comigo naquele mesmo instante ao local; “Sou divorciado”, esclarece.
O novo provável lugar para o campo é um terreno baldio. À frente dele, há um muro já pela metade cujas pedras têm certamente alguns séculos. Segundo Gicu, a informação de que ali houve um campo no tempo da guerra e nos anos seguintes é certa. Não cabiam dúvidas. Ele apontou em direção à praça e concordamos que, sim, quem chegasse até a entrada, até aquele velho muro, poderia ver as pessoas passeando pela praça. Ele aponta na outra direção e diz que em dez ou quinze minutos de caminhada chega-se ao Tisza. Tudo confere.
Começamos a caminhar de volta ao centro, mas dobramos numa esquina, ainda perto do campo onde Horst teria ficado. De frente a uma casa velha, Gicu diminui a passada e sem interromper a conversa bate sutilmente numa janela. Pouco depois um homem de cabelos brancos abre a janela e mete a cabeça para fora. Cumprimenta Gicu, me cumprimenta, enquanto meu companheiro conta minha história. Novamente perfeita, incluindo novos detalhes que eu havia contado no tempo de caminhada. O sujeito volta para dentro e fecha a janela. Olho para Gicu e pergunto se houve algo de errado. “Ele disse que isso merece um café”, explica. “Você pode?”
O novo amigo se chama Johnny Popescu. Enquanto esperamos, Gicu me explica que Johnny é jornalista, escreveu dois livros sobre a vida dos judeus em Sighetu Marmaţiei e é provavelmente o cara mais bem informado e culto da cidade. “Eu já havia planejado essa passada por aqui”, diz com um sorriso maroto. Johnny sai de casa com sua bicicleta e logo começamos a falar sobre minha investigação.
Johnny tem praticamente a mesma idade de Gicu. É mais alto, tem a pele clara e fala um inglês perfeito. Gicu faz um resumo das informações que temos e do que tínhamos feito até então. Johnny joga tudo por água abaixo. “Horst era um oficial?”, ele me pergunta. Digo que não. “Então definitivamente não foi ali que ele ficou”. O lugar onde estivemos tinha realmente sido um campo logo após a guerra, mas foi um campo para oficiais, que viviam em liberdade. “Alguns deles até se casaram por aqui”, Johnny me explica. “Infelizmente, nenhum vive mais na cidade”. Foi um balde de água fria, mas logo Johnny me anima. Ele explica, enquanto chegamos ao café, embaixo do meu hotel, que o campo em que Horst ficou está localizado na mesma rua do primeiro campo, mas cerca de quinhentos metros adiante, em direção ao rio. Gicu me olha surpreso. “Fica onde hoje é uma pequena estação meteorológica”, Johnny completa. Era ali que ficavam os soldados rasteiros. Mas e a tal vista das pessoas passeando pela alameda? Durante muitos anos houve um parque perto do campo, uma promenade com muitas rosas, onde os ricos da cidade costumavam passear. “Ele poderia ter escrito que as pessoas estavam bem vestidas”, fala Johnny. Pois ele escreveu. Eu havia me esquecido desse detalhe. Gicu me olha espantado. Johnny segue me enchendo de informações importantes.
Sighetu Marmaţiei foi o primeiro lugar de Horst fora da Rússia. Ucrânia, naquele tempo, era Rússia. Foi o primeiro lugar não exatamente militarizado por onde ele passou. Em Sighetu, abandonou o uniforme militar que havia usado todos os dias no último ano e ganhou roupas civis. Para tudo Johnny tinha detalhes: a boa comida, o sol abrasador, os ciganos acampados, o teatro dos ciganos, o temperamento intempestivo dos ciganos...
Conversamos por mais de hora no café. Gicu perguntou a que horas eu passaria no museu no dia seguinte, pois me levaria até o local do campo e também ao trecho do rio em que Horst deve ter se banhado. Acertamos um horário e nos despedimos. Agradeço e me despeço também de Johnny Popescu; ele garante que iremos nos ver novamente: “É como dizem: jornalistas e prostitutas estão sempre pelas ruas”.
Durmo mais do que deveria e quando acordo fico sabendo na recepção do hotel que Gicu já esteve à minha procura. Toco para o museu. Sempre animado, mas de uma animação extremamente cautelosa, como se receasse perturbar, Gicu me recebe e pede uns minutos para conseguir se desvencilhar do trabalho. Pouco depois ele me encontra na esquina e vamos para o campo. Mal havíamos deixado a rua principal, lá vinha Johnny Popescu em sua bicicleta.
– Eu não te falei que o Johnny está em todo lugar? – disse Gicu.
Johnny ia para o estúdio de rádio, onde apresenta um programa diário a partir das duas da tarde. Conversamos rapidamente e seguimos em direção ao campo. Antes, porém, Gicu e eu passamos pela Casa Memorial Elie Wiesel. O museu que leva o nome do Nobel da Paz fica na entrada de onde foi o bairro judeu durante a guerra. Wiesel viveu na casa onde funciona o museu e esteve no bairro judeu antes de ser enviado a Auschwitz. O gueto judeu em Sighetu Marmaţiei funcionou de 1943 a 1944 e abrigou quase treze mil judeus. No final de 1944, quase todos foram enviados para Auschwitz. Dois anos depois da guerra, restavam pouco mais de dois mil judeus na cidade. No início dos anos 2000, cerca de vinte.
Gicu me apressa no papo com o diretor do museu, que ficou particularmente interessado em minha história. Outro amigo nos aguarda na porta para irmos de carro até o campo. Lá os dois começam a conversar com uma senhora que administra o lugar, hoje uma estação meteorológica. Ela nos convida para entrar e vai explicando quais casas ao redor de onde fora o campo ainda são daquela época. Ela vai explicando em romeno, Gicu traduz a cada frase que ela dá. Pouco tempo depois a conversa parece ter se encerrado. É quando a senhora se lembra de algo. A casa bem em frente à casa onde estamos também é daquela época, ela explica, e Gicu traduz para mim. Inclusive, a mesma família ainda mora lá. Ela diz e Gicu traduz, fazendo cara de que poderia ser uma boa possibilidade. A dona da casa, a mulher continua, tem noventa anos, mas tem uma cabeça boa. Gicu lança um olhar como quem diz “olha aí a sorte batendo à sua porta”. A mulher conta então que a velhinha é uma judia sobrevivente de Auschwitz. Gicu Manole arregala os olhos e de pronto levantamos todos para ir atrás da mulher.
Tocamos a campainha e esperamos alguns minutos, mas ninguém aparece. Gicu então bate na janela. Nada também. Viktor, o novo amigo, vai até o vizinho para ver se consegue notícias. Eu bato novamente na janela. Já fazíamos planos de voltar mais tarde quando ouvimos um barulho na janela, que se abre. Uma velhinha de cabelos brancos e curtos aparece e nos olha. Gicu já vai se desculpando e começa a apresentar os três homens desconhecidos que insistentemente atrapalharam a sesta de uma senhorinha de noventa anos.
Gicu então me diz que as informações estavam certas. A mulher à nossa frente tem noventa anos e viveu a vida toda naquela casa. Ele pergunta o que eu gostaria de saber. Primeiro, quando ela voltou de Auschwitz.
– Em 1945 – Gicu diz, olhando satisfeito para mim.
– Então ela já estava aqui em 1946?
– Ela disse que sim – Gicu me diz com os olhos novamente arregalados de satisfação.
– Pergunte então se ela se lembra do campo aqui do outro lado da rua.
Gicu faz a pergunta, a senhora responde com uma voz baixinha, e ele desta vez demora um pouco para se virar e traduzir.
– Ela disse que não se lembra dessa época.
Sholoman Golda, uma judia romena de noventa anos, viveu a vida inteira na mesma casa. Com exceção de um período em 1944, quando foi enviada para o mais famoso campo de concentração durante a Segunda Guerra. Voltou para casa com o fim da guerra, e lá estava em 1946, quando Horst Brenke desembarcou em um campo de prisioneiros do outro lado da rua. Mas ela não se lembra. Passou os últimos setenta anos tentando esquecer aquela época. Tive que aceitar. Agradecemos e fomos embora ver o rio, meio quilômetro depois dali.
Chegando perto, me embrenho por uma mata esperando conseguir uma boa vista do rio e dos velhos pilares por onde a estrada de ferro cruzava. Gicu me adverte que é melhor não andar por ali. Ele tem um semblante sério. Chegamos então por outro caminho e alcançamos a beira. A margem fica mais alta, e está repleta de pedras. Do outro lado, a água mal acaba e já começa uma floresta densa, com árvores altas e muito próximas. As pedras não são naturais, eles me explicam. Foram colocadas pelo governo para tentar evitar o contrabando. “A Ucrânia tem sua mata, a Romênia tem suas pedras”, conta Viktor. Ainda assim, o contrabando é diário e em grande volume. “O tempo todo tem cigano trazendo cigarro de lá pra vender aqui.” O maço de cigarros na Ucrânia custa quase dez vezes menos que na Romênia. Só então entendo a pergunta do guarda no momento em que eu cruzava a fronteira.