Erário mineral
8. Tratado I – Da cura das pontadas pleuríticas e suas observações
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
sangrias em escarros de sangue não convêm, e a razão por que
4. Entre as purgas que se devem usar neste caso tem o primeiro lugar as de resina de batata e, depois delas, as de maná, com esta diferença: que, se a tosse for grande, o doente tiver forças e os escarros muito pegajosos que muitas vezes parecem grude, se purgará com uma purga de resina que tenha uma oitava de peso e, se tiver menos forças ou pouca idade, a purga será de meia oitava ou de pouco mais; e, se for fraco de sua natureza e estiver debilitado, neste caso se purgará com purga de maná em cozimento peitoral, uma ou mais vezes; e a razão por que digo que se purgue em primeiro lugar com a resina é porque os humores que causam a tosse, a pontada e os escarros de sangue são viscosos, e estes só se podem arrancar e diminuir com medicamento forte e vigoroso, como é a dita resina; e, depois que com ela se tirar a maior carga dos humores, ficará a natureza mais forte e senhora para vencer o cozimento do resto deles; e advirto que, para purgar neste caso, se não espere que haja cozimento nos humores, como se usa nas mais doenças, porque não é fácil havê-lo nesta pela muito grande carga com que a natureza não pode sem a aliviarem, enquanto há forças; eu sempre assim o usei com bom sucesso, por não achar outro caminho melhor; cada um fará como melhor lhe parecer.
escarros viscosos só se arrancam com medicamento forte
5. Havendo pontada, sempre lhe mandei pôr o emplasto da erva-de-santa-maria que fica dito; e, se via que o doente com ele tinha alguma ânsia não estando ainda purgado, entendia que a tal ânsia lhe procedia de estar o corpo muito cheio de humores; tirava-lhe o emplasto e punha na parte alguma fomentação anódina, como é a enxúndia de galinha ou outra semelhante, e tratava logo de purgar o doente; e, se a dor era no peito, como também sucede, mandava-lhe fazer uma fomentação larga com o mesmo, e seu papel por cima, e por cima dele baeta, para ficar bem resguardado do ar; e o maior empenho que fazia era purgar, ou com resina ou com maná, conforme as forças davam lugar; e logo via melhoras no enfermo, por mais que o catarrão estivesse encruado, ou pegajoso, ou da cor que estivesse; porque uns escarros são brancos, outros são verdes como ervas, tão viscosos e pegajosos que os doentes os não podem arrancar e lançar, senão com muita dificuldade e trabalho; outros, como trazem mais sangue, se não podem julgar, mas sempre são crus, como tenho dito; e, se há algum doente que, por acaso, sucede que, estando bem nutrido com boa disposição e menos abundante de humores, neste caso poderão os escarros no princípio aparecerem com algum cozimento, e, então, sempre as purgas obram melhor, e, conseqüentemente, mais fácil a cura; e sempre mandava a estes enfermos beber água cozida com raiz de butua.
escarros verdes como ervas, e com sangue
6. Torno a advertir que ninguém tenha receio de purgar neste caso, porque só as purgas livrarão ao enfermo; e quando a pontada ou a tosse der com grande força, com a mesma se deve purgar logo o enfermo, enquanto há forças para isso, porque, assim, a grande carga dos humores, como a aflição da doença e a dor da pontada são causas bastantes para se diminuírem, e ficando o doente prostrado sem forças, se não pode fazer remédio algum e, conseqüentemente, se seguirá a morte; e no caso que algum tenha receio de purgar no princípio com resina e com a força que digo, o não faça com purga inteira, purgue com meia oitava dela, e depois com outra meia; e se ainda houver receio, purgue-se com maná em cozimento peitoral, ou pela melhor forma que a cada um parecer ou a necessidade o pedir, seguindo-se a ordem que fica referida a respeito das tais purgas; e, depois que com as tais purgas e alguns lambedores houver mais cozimento nos escarros, haja ainda sangue neles ou não, poderão, sem algum receio, purgar com a dita resina, e, tanto que a experiência lhe mostrar o que a mim me tem mostrado, então ficarão com desengano.
7. Muitas vezes tenho feito para esta doença com escarros de sangue o lambedor de raízes de capeba que fica referido na página 36, com tal condição que a febre não havia de ser grande, porque, como é quente, faria ao doente alguma fadiga ou ânsia; mas é de advertir que sempre fiz grande estimação deste lambedor pelos maravilhosos efeitos que com ele alcancei em alguns escarros de sangue que fariam temer ao mais perito médico falto de experiência neste clima na escolha do remédio; e para haver de purgar nesta doença, não reparava em que houvesse febre, porque esta sempre, pela maior parte, procede de abundância dos humores crus sem cozimento, e o remédio desta febre são purgas e não sangrias.
o mais perito médico havia de temer na escolha do remedio
8. Pelo método que fica referido, tenho curado inumeráveis enfermos de pontadas com escarros de sangue, os quais não nomeio por me não lembrarem os nomes; que, se eu presumira que havia de estar tantos anos nestas Minas e fizesse conta de escrever algumas notícias e observações de que logo do princípio fosse fazendo memória, ao menos dos casos mais principais que me passaram pelas mãos, faria um grandioso volume, aonde se achariam também boas notícias de ervas, raízes, coisas minerais e de animais que há pelas partes do Brasil e seus sertões, que não deixariam de agradar aos leitores e servirem de muito préstimo à saúde pública; mas como não fiz tal conta, cuidando faria minha fortuna em poucos anos, por isso me descuidei, e agora me não lembram para as fazer públicas, e só o faço do que me lembro e conforme o tempo me dá lugar.
Capítulo XXI
Das observações em pontadas pleuríticas sem
escarros de sangue
Observação I
De uma pontada procedida de lombrigas que mataram ao
doente
1. Esta observação fiz em um bom escravo do doutor ouvidor-geral da Vila Real do Sabará, Luís Botelho de Queirós, no ano de 1714, o que sucedeu na forma seguinte.
2. Vindo um seu escravo da lavra um dia de tarde, quase ao sol posto, me mandou chamar, por ser seu cirurgião, para o ver, ao qual achei com um pontada da parte esquerda, tão apertada que lhe fazia impedimento na respiração, com febre, mas não grande, porque tinha os pulsos mui delgados e submersos, ou sumidos, e, como vinha suado e cansado do caminho, o mandei descansar e que, depois, tomasse sua ajuda purgativa, e, depois de a lançar, tomasse seu banho por baixo para respeitar a corrupção-do-bicho e ver se a tinha, e, tendo-a, lhe metessem seus quartos de limão; na pontada lhe pusessem logo o emplasto da erva-de-santa-maria, que muitas vezes fica referido; isto mandei fazer por não ter ainda inteiro conhecimento destas enfermidades, que, se o tivera, como ao depois e como hoje, o mandara purgar, não no mesmo instante pela causa que fica referida, mas sim no mesmo dia, logo que ele estivesse descansado da jornada. Isto assim suposto, disse ao dito doutor que, pela manhã cedo, o iria ver para lhe aplicar, na mesma manhã, o remédio que parecesse mais acertado; e, indo de manhã cedo a procurá-lo na sua cama, fui o primeiro que dei com ele morto e já frio, caso que me deixou admirado, estando no dia antecedente, à noite, falando bem. Bati à porta do quarto do dito ouvidor e lhe disse que o seu enfermo estava na outra vida, de que ficou suspenso, não tendo mais sintoma que a dita pontada; e dizendo o dito ministro que, por se não fazer exame particular, morriam tantos escravos nestas Minas, lhe respondi que tinha visto fazer muitas anatomias no Hospital Real, e que, se desse licença, se faria também naquele defunto, para o que seria acertado mandar chamar o licenciado João da Rosa, húngaro de nação, peritíssimo cirurgião e de muitos anos, e que, ambos, faríamos a dita anatomia e exame para vermos se alcançávamos a causa da morte tão repentina. Assim se executou com o gosto de todos e, vendo toda a cavidade do peito aberta e todos os membros internos, coração, fígado, bofes e tudo o mais, nada se achou leso; fomos ao ventre e, fazendo o mesmo exame, não vimos coisa alguma, de que ficamos não menos admirados que confusos; nesses termos, deu o dito licenciado com um verdugo uma incisão, ou golpe, em um intestino ou tripa grossa, quase de agastado. Caso de admiração! Apareceram tantas lombrigas, umas unidas com as outras, como sardinhas em tigela; e o mesmo nas mais tripas, assim nas grossas, como nas delgadas, estando todas como recheadas, a que não era possível dar-se número, de que ficou o dito ministro admirado e nós advertidos para o futuro; e, desde então, fiquei atendendo sempre a elas em todas as curas que fazia, e, muito principalmente, aos escravos, misturando sempre nas purgas (ainda que não tivessem sinais de lombrigas) remédios contra estes adversários inimigos, pois viemos a inferir que as lombrigas o tinham sufocado; daqui se pode tirar muita doutrina para as curas das pontadas e das mais doenças.
anatomias no Hospital Real
anatomia que se fez
Observação II
De outra pontada pleurítica quase pelo mesmo modo, de que
livrou o doente com sucesso admirável
1. No ano de 1724, morando no arraial do Padre Faria, distrito de Vila Rica do Ouro Preto, me chamou o alferes Francisco Gomes da Silva e seu irmão, o sargento-mor Antônio Gomes da Silva, para lhe ver um escravo que no mesmo instante tinha chegado da faisqueira em uma tarde, o qual achei com tão grande ânsia e com uma pontada tão forte que não podia tomar a respiração, de tal modo que parecia se estava sufocando por instantes, e o que mais me fez temer perigo foi o ser a pontada da parte esquerda; tomei-lhe os pulsos e lhos achei delgados e submersos, com pouca febre; o senhor dele me perguntava com muita pressa se o havia de mandar sangrar ou se se havia de purgar, e, tornando eu a examinar o enfermo para ver se dizia o mesmo que tinha dito, respondeu o mesmo, por ser bem ladino e dos melhores que seu senhor possuía; e, tornando a tomar-lhe o pulso, o achei do mesmo modo, por estar já descansado do caminho, tendo vindo nos braços de dois seus parceiros. Estando eu examinando o doente muito devagar e consultando o melhor remédio que lhe poderia aplicar, para ver se o poderia livrar de tão grande perigo em que estava, o senhor dele me estava apertando que dissesse se se havia de sangrar ou purgar, e, vendo eu que o doente tinha pouca febre, os pulsos delgados e a modo de sumidos, me resolvi a dizer que nem se havia de sangrar, nem purgar, e só sim era de parecer que havia de tomar remédios contra lombrigas, por me parecer que estava cheio delas e eram a causa da tal pontada e do aperto na respiração; e, com efeito, me não enganei, assim por alguns sinais que tinha de lombrigas dos que ficam apontados, como pelos sinais dos pulsos, que acima digo. Custou-me a persuadir aos senhores dele estarem pelo que lhe dizia, vendo o seu escravo em tanto aperto, dizendo que só a sangria ou a purga o poderia livrar; enfim, vieram em que lhe aplicasse o que me parecesse. Disse-lhe, então, que mandasse a minha casa, que era perto, buscar o remédio contra lombrigas de fedegoso, que fica receitado, ou ensinado, no volume 1, página 238, por ser segredo meu em que sempre tive grande conceito, por me desempenhar em muitas ocasiões, o qual tomou o doente no mesmo dia antes de cear, e no mesmo lhe mandei pôr na pontada o emplasto da erva-de-santa-maria para confortar aquela parte e o doente tomar melhor a respiração, e que tomasse seu banho depois de um ajuda purgativa; pela manhã cedo o fui ver e me disse passara melhor de noite e dormira alguma coisa, e os pulsos não estavam já tão delgados, nem tão sumidos, e o senhor dele mais satisfeito; fui para casa fazer-lhe outro remédio e ordenei que, depois que o bebesse, lhe pusessem nas cadeiras e no embigo o emplasto da erva-de-santa-maria, e fel de boi, que fica ensinado no volume 1, página 239, por estar já com toda certeza de serem lombrigas, pelo doente ter passado melhor a noite e os pulsos estarem mais saídos; com efeito, tomou o dito remédio e se puseram os ditos emplastos, e, no mesmo dia, começou a lançar por baixo e pela boca algumas lombrigas; continuou a tomar dois remédios cada dia e, ao mesmo compasso que os ia tomando, ia lançando cada vez mais lombrigas e as melhoras em aumento, até que, no fim de três dias, lançou tantas que admirou, sendo de duas onças cada remédio; e, no mesmo tempo dos três dias, ficou de todo livre da pontada e com a respiração desimpedida, tomando, ao mesmo tempo dos remédios, todos os dias, à noite, ajudas purgativas, das que ficam apontadas no volume 1, página 253, lançando com elas pedaços de humores frios e corruptos de que as lombrigas se geram, juntos com algumas e outras que a natureza lançava por si, ou elas, obrigadas do remédio, buscavam a saída; ao depois de não lançar mais e o doente sem queixa alguma, lhe dei uma purga de resina com peso de uma oitava para lançar o resto delas, se as tivesse, e alimpar também os humores, de que todos os escravos superabundam, com a qual fez boa obra e ficou livre e são, sem mais queixa.
que não se havia de sangrar, nem purgar
2. Sem embargo que já tenho feito esta advertência, a torno a repetir, por ser de grande importância nos pretos, porque a perda de um posta em prata carrega outro; assim que, ainda que seja notado de alguém, torno a dizer que, quando se tirarem as informações das queixas dos pretos, se tirem com muito vagar e paciência, para ver se falam certos no que dizem ou se variam, para se vir em perfeito conhecimento do que é verdade, o que eu sempre observei e observo; e, para melhor clareza e satisfação do que digo, se veja a observação seguinte.
Observação III
Em um escravo de João Gonçalves da Costa
1. No ano de 1714, morando na Vila Real do Sabará, me chamou o dito João Gonçalves da Costa para lhe ver um escravo que tinha uma pontada da parte esquerda com bastante aperto, e, como era bom e seu senhor fazia dele estimação, lhe disse, se queria chamar médico, o fizesse; e, chamando-o, lhe propus a doença, ao que respondeu era de parecer tomasse um vomitório de xarope emético, de que era afeiçoado, o que eu contrariei, dizendo que sim se purgasse, mas que havia de ser com purga solutiva; sobre isto tivemos várias palavras, sustentando cada um a sua opinião, até que, em conclusão, lhe perguntei aonde estava a causa daquela pontada, ao que respondeu que estava na segunda região; disse-lhe então: "Pois, senhor doutor, se vossa mercê diz que a causa desta tão grande enfermidade está na segunda região, aonde a tiram os vomitórios? E para onde fazem a sua operação?" Respondeu que tiravam da primeira região e faziam a sua obra puxando para a parte superior, ao que respondi: "Pois, senhor, diz vossa mercê que a causa está na segunda região, como é sem dúvida, e que os vomitórios puxam para cima; neste caso, entendia eu que não só o vomitório que vossa mercê aplica fará maior dano, mas que porá o doente em manifesto perigo, e a razão é porque o vomitório tira da primeira região, donde não está a causa da pontada, e, como a causa está na segunda, que fica mais acima da primeira, precisamente os humores hão de passar por ela, e, por esta razão, em lugar de aliviar a pontada, ficará mais ofendida". Disto se mostrou molestado e persuadia ao senhor do enfermo aceitasse a sua opinião, e, vendo-se o dito João Gonçalves da Costa perplexo e indeterminado, lhe adverti que, como senhor do escravo, podia escolher a opinião que melhor lhe parecesse. A isto respondeu o dito médico que a sua opinião era mais provável e pelo mesmo a devia aceitar, e muito mais por ser médico, ao que repliquei, dizendo: "Já que a sua opinião é mais provável, contemos os doentes que eu tenho livrado de pontadas com purgas solutivas e os que vossa mercê tem enterrado com vomitórios, morrendo sufocados, não tendo sinais de enchimento de estômago, como este". A isto, como o senhor do escravo sabia de alguns (nem eu o diria, se não fosse público) lhe respondeu que lhe assistisse eu e que pagaria ao senhor doutor o que lhe devesse da junta, o qual se despediu.
qual é a segunda região e qual a primeira
2. Dei ao enfermo a purga solutiva que foi uma oitava de resina de batata com seis grãos de calomelanos, por ter alguns sinais de lombrigas, e foi tão bom o sucesso que fez grande obra com ela, lançou bastantes lombrigas e ficou com muito alívio na pontada. Passados dois dias que lhe dei de descanso, tomou outra purga do mesmo e sarou da dita pontada, tendo sempre nela o emplasto da erva-de-santa-maria, e, ficando com algum catarrão, tomou os peitorais que ficam ditos e ficou radicalmente são, mandando-lhe beber água cozida com raiz de butua machucada a toda a hora que a quisesse, por pecar a doença em humores frios.
3. Deste mesmo modo curei a muitos doentes dos mesmos sintomas que, por me não lembrarem os nomes, os não repito; e do referido caso se pode considerar o como sucedería ao enfermo tomando o vomitório, porque não somente não tiraria os humores da segunda região, pela sua virtude ser dedicada para a primeira, que é o estômago, pois não tinha enchimento nele, mas os acrescentaria, suspendendo todos os humores do corpo para cima, e daria com eles na garganta, fazendo nela pigarro, e morreria sufocado, como vi alguns; e, o que mais é, morrerem sem fala para se poderem confessar.
Observação IV
De uma pontada e dor no peito com dificuldade na respiração
1. No ano de 1730, se queixou um escravo meu de uma pontada na parte esquerda e dor no peito; tomei-lhe os pulsos e lhe achei pouca febre, mas grossos, e também tinha algum cansaço na respiração; e
tinha mais o que o vulgo chama felga5 na garganta, ou pigarro, com alguma tribulação e ânsia; e como a dor era em todo o peito e estava em jejum, o mandei deitar de costas para o apalpar, e, carregando-lhe brandamente com os dedos na boca do estômago e seus arredores, se mostrou sentido, dizendo lhe doía muito e que, para a parte da pontada, lhe doía mais; e, perguntando-lhe se tinha amargores de boca, respondeu lhe amargava muito e pouca vontade de comer; nestes termos, como já pelas experiências de os apalpar, que é um dos melhores sinais para se conhecer que há enchimento de cóleras no estômago, sendo acompanhado com os dois que ficam ditos, entendi que a causa de todas as queixas referidas não era outra senão o dito enchimento, como outras muitas vezes tenho observado. Mandei-lhe tomar uma ajuda purgativa, por não serem horas de tomar vomitório e não ter perigo o enchimento, ainda que padecesse alguma moléstia mais; no outro dia lhe dei um vomitório de seis grãos de tártaro emético, com que fez uma copiosa obra por ser do perfeito, com que lançou uma bacia das ordinárias quase cheia de cóleras, e por curso também obrou bem, ficando no mesmo dia com mais alívio, e no outro se achou sem dor no peito e sem ânsia alguma; mas, daí a alguns dias, tornando-lhe a vir algumas relíquias das mesmas queixas com sinais de ter ainda algum enchimento no estômago, lhe dei segundo vomitório mais pequeno, com que fez boa obra e, ultimamente, lhe dei uma purga de resina, com que ficou de todo livre e sem mais queixa alguma.
2. Como este escravo era corpulento, estava gordo, bem nutrido, em boa idade e, suposto que a febre nos pulsos não era demasiada, estava esquentado bastantemente, e, vendo-se um doente nesta forma, não duvido que houvesse algum cirurgião ou médico que o mandasse sangrar, e, sangrando-se, se meteriam as cruezas do estômago nas veias e teria doença mui dilatada, quando não tivesse perigo.
cruezas do estômago se metem nas veias
Observação V
Em um escravo meu
1. No mesmo ano de 1730, se queixou um escravo meu de umas dores de ombros e costas; mandei-lhe fazer uma fomentação do mesmo óleo que fica dito no volume 1, página 265, feito de arruda e alecrim, que agora ensinarei a fazer, e se faz do modo seguinte:
2. Uma mão cheia de folhas de arruda, outra de folhas de alecrim,
tudo cortado a modo de salada 6 e lançado em meia medida de azeite doce, que corresponde, pouco mais ou menos, a uma canada de Portugal, com o qual ferverá a fogo brando até ficar a arruda e o alecrim bem seco e tostado; depois se coe e guarde para o uso.
3. Deste óleo mandei aquentar o que bastava para fazer fomentação nas partes doentes que ficam ditas, cobrindo-as com papéis e baetas, com sua atadura bem segura, e com a tal fomentação, por duas vezes feita, ficou com alívio; daí a vinte e quatro horas lhe dispararam as tais dores em outras por todo o peito, com que esteve bem ansiado; e, como a experiência me tem mostrado que estas pontadas não obedecem sem purgas, lhe dei uma de resina de batata de três quartos de peso, por ser boa, com que fez boa obra e ficou aliviado, e, tomando segunda, ficou de todo são. Daí a três dias lhe tornou a repetir, mas logo supus fora procedido de algum desmancho, como ordinariamente sucede nesta casta de gente, e a este assim sucedeu, porque, mandando-lhe pôr panos quentes a miúdo, se lhe foram as dores e ficou livre de todo.
Observação VI
De dores de peitos
1. No mês de agosto de 1730, se queixou um escravo meu de dores de peitos e costas, com febre; e, examinando eu se tinha amargores de boca, me disse lhe amargava muito e, mandando-o deitar de costas em jejum e carregando-lhe em cima do estômago, o não podia consentir; dizendo mais, que tinha fastio, e o comer na boca não estava doce, que é o modo com que eles se costumam explicar quando querem dizer que o comer lhes amarga; e persuadido eu que era enchimento de estômago pelos sinais que ficam referidos, lhe dei seis grãos de tártaro emético, com que fez dezessete vômitos de cóleras e poucos cursos; no outro dia de manhã, o fui ver e me disse estava sem dor alguma, e daí a poucos foi trabalhar.
2. É de advertir que todo o gênero de pontadas, ou sejam em alguma das ilhargas, ou no peito, afligem em grande maneira aos enfermos, por estarem em uma cavidade tão principal, como é o peito, aonde residem, e todos temos os membros tão principais, como são, principalmente, o coração e o bofe. Quando esta cavidade, ou segunda região, é ofendida de abundância de humores e não é logo socorrida com remédios prontos, além do doente padecer muito, corre perigo a sua vida, e como, principalmente os escravos, são mais sujeitos a estas enfermidades do peito que os brancos, e pela maior parte são mais as causas das tais enfermidades procedidas de humores frios que de quentes, de que já tratei em algumas partes deste tratado e dos sinais para se conhecerem as tais causas, por isso tenho por escuso dilatar-me nelas mais; e só digo que as que têm dificuldade na respiração tem muito perigo a sua vida, pelo bofe estar ofendido, se logo se lhe não acode a aliviá-lo para se ventilar melhor e fazer a sua operação.
dificuldade na respiração
3. Se o doente tiver sinais de que a causa da dificuldade é procedida de abundância de humores frios, como atrás fica referido, o seu remédio mais pronto que a experiência me tem ensinado é o purgar logo sem demora; e um dos bons sinais que tenho alcançado para conhecer se as queixas de qualquer enfermo destas Minas procedem de causa fria é o apertarem mais de noite que de dia, e também o dormirem pouco, sinais em que sempre fiz observação e sempre me saiu certa, e, se havia falta na respiração, me parecia estarem os humores embebidos nos brônquios do bofe; e, se algum doente padecia estas queixas, tendo já doença larga, me parecia ser a causa o não serem bem purgados no princípio e não serem aplicados os remédios peitorais a seu tempo, para disporem e cozerem a matéria para se expelir por escarro, por cuja causa ficam com tosse, a qual necessita de muita despesa e de tempo para se curar, e, às vezes, com dificuldade, como sucedeu a um escravo de João Fernandes de Oliveira, além de outros, o qual, depois de uma larga doença, procedida de uma pontada, ficou com uma tosse tão ferina que, principalmente de noite, cruelmente o molestava, de que sarou, cuja observação é a seguinte:
queixas mais de noite que de dia é um bom sinal
Observação VII
De um escravo de João Fernandes de Oliveira que padecia de
noite uma cruel tosse
1. No ano de 1724, indo eu ouvir missa à capela do dito João Fernandes de Oliveira que tinha na sua fazenda, em Itacolomi, chamada a Vargem, me mostrou um seu escravo e me disse que, havia perto de um ano, padecia uma tosse tão grande que o fazia rebentar, principalmente de noite, porque nem dormia, nem deixava dormir a pessoa alguma, que se tinha curado na Vila do Carmo de uma pontada e bem assistido e que lhe tinha ficado aquela tosse; depois de bastante tempo de cura sem proveito, o mandara para a Vila do Ouro Preto e que nela se estivera curando com um médico e um cirurgião, e que, ao depois de largo tempo e larga despesa, enfadados com a tosse, o deixaram e lhe disseram o mandasse para a dita fazenda, que, talvez, com outros ares por ficar distante e outras águas, se achasse melhor.
2. Depois de me propor as referidas razões, me pediu que visse se saberia algum remédio para aquela tosse, porque era bom escravo e desejava curá-lo, ainda que a despesa que tinha feito lhe importaria pouco menos do seu valor. Apalpei-o em jejum para ver se tinha alguma obstrução, porque, se a tivesse, era mui factível que ela fosse a causa da tal tosse, como são de outras muitas enfermidades, pois havendo algum enfermo que tenha qualquer enfermidade que seja e tiver obstrução sem esta se curar, se não curará a tal enfermidade, e seja isto regra geral para todas elas.
obstruções são causa de muitas enfermidades e sem se curar a obstrução, se não pode curar a enfermidade
3. Vendo, pois, o enfermo acima, lhe não achei obstrução alguma, pelo que me persuadi a que os humores que causavam a tal tosse estavam embebidos no bofe e eram mais de natureza frios, que quentes, pelo enfermo ter mais queixas de noite, que de dia, como atrás fica referido; e, fundado nesta conjectura e ter experiência do remédio seguinte, lho receitei nesta forma: Recipe. Açafrão duas oitavas, sal de tártaro um escrópulo, água essencial de raiz de bardana uma libra; extraiam a tintura e, na coadura, se dissolva de espermacete três oitavas, xarope de mucilagens de semente de linho três onças, misture-se. Este remédio se divide em três partes, para tomar uma delas cada dia, sempre morno, e, se no fim deles a tosse perseverar, se acudirá logo ao enfermo com outro remédio, duplicando as quantidades, para o tomar duas vezes cada dia em jejum, e ao recolher na cama, ceando mais cedo, para que se não passem muitos dias sem o doente continuar com o remédio, porque, passando-se alguns, será mais dificultosa a tosse de vencer.
remédio excelentíssimo para tosse desesperada
4. O dito enfermo tomou este remédio uma só vez por dia em jejum e logo com o primeiro começou a ter melhora, e as duas porções que ficaram as tomou nos dois dias seguintes, com que ficou muito aliviado; e, indo-se buscar outro remédio à botica, o tomou em outros três dias sempre morno, e ficou com tantas melhoras que quase ficou sem tosse, e, indo-se buscar terceira receita, respondeu o boticário se lhe tinha acabado o espermacete; sem dúvida ficaria o doente de todo são se continuasse, o que não fez por se não achar o dito espermacete em todas as boticas da Vila do Carmo e da Vila do Ouro Preto; e é de advertir que estas receitas se foram buscar interpoladas, metendo-se algum tempo em meio, por ser longe da dita fazenda às duas vilas; e suposto o doente ficou com alguma tosse, passados alguns tempos, me disse seu senhor, ficara são, com admiração de quem o conheceu com tão terrível tosse. Mas, se acontecer que alguma tosse não obedeça a este e aos outros remédios, entenderemos que procede de soros delgados e, neste caso, se darão ao doente laranjas bicais azedas, para fixar e engrossar os tais soros, pois são remédio eficaz.
5. Também este grande remédio é bom para as asmas, para dor de costas e pulmonia, pois, além do espermacete ser singular para as tosses, leva o açafrão, a quem Escrodero chama "alma do bofe". Veja-se Cirurgia Methodica no capítulo do espermacete.
asmas e dor de costas
6. Também tenho observado que os doentes de pontadas que se sangram, quando não morrem, desamparam-se de forças e não há cozimento nos humores, prolongando-se a doença por muitos meses, por falta de calor natural que consiste no sangue; e por ter visto estes maus sucessos das sangrias, fujo muito delas, e também a respeito dos mantimentos serem de pouca sustância, pelo que é preciso poupar as ditas forças, que, sem elas, nem a natureza, nem a arte obra coisa alguma.
sangrias nas pontadas aumentam as doenças, ou desamparam de forças aos doentes
7. O que tenho dito, e o que direi daqui por diante, servirá de luz aos principiantes neste clima, que, se eu a tivera, me não enganara, como me enganei e se enganam todos; isto suposto, passo a tratar das obstruções conforme o tempo me der lugar, porque esta enfermidade é, nestas Minas, muito geral, assim em pretos, como em brancos, pelo clima e os sustentos assim o permitirem, e também tem dado e dá grande cuidado aos professores, como se verá nas observações que escreverei no fim do seguinte tratado.
8. Uma advertência quero fazer, por serviço de Deus e bem dos homens; sem embargo de ter já tocado esta matéria em parte, agora o farei com mais clareza, para que fiquem todos desenganados e os que errarem sem desculpa.
Advertência muito necessária
9. Alguns autores de boa nota defendem as muitas sangrias dizendo que o sangue é o tesouro da vida e o bálsamo da natureza, e os que se sangrarem com excesso, sem grande necessidade, como é a de um garrotilho, um pleuris sanguinho apertadíssimo, uma peripneumonia com a respiração presa, por serem doenças inflamatórias, uma supressão alta da urina e outros casos semelhantes de grande perigo que só as sangrias, repetidas três e quatro cada dia, poderão livrar aos doentes da sepultura; mas, podendo passar com poucas ou sem nenhuma, será erro gravíssimo darem-se muitas, porque ficam fracos de estômago, ficam fracos de nervos, trêmulos das mãos e cabeça, ficam com a vista curta ou sem ela; outros caem em apoplexias, outros em paralisias, outros em convulsões, outros em estupores, outros ficam hidrópicos, outros ficam padecendo flatos e ventosidades, outros se fazem héticos, outros tísicos, outros se fazem hipocondríacos, outros finalmente ficam opilados, o que tudo sucede pelos tempos adiante, ainda que com elas alcancem alívio. Isto é o que dizem os autores, e eu, pela razão e pela experiência que tenho, digo que assim sucede muitas e muitas vezes, e ainda digo mais, que os muito sangrados nestas Minas não só ficam muito expostos a todas as enfermidades referidas, senão que todos, ou quase todos, ficam opilados, de tal sorte que não podem bulir-se, nem arrastar as pernas; e muitos vi que, por causa das sangrias, perderam a vida; e quando assim não suceda e haja alguns que não fiquem muito opilados, ficam tão fracos de forças que é necessário muitos meses (ainda com bom trato) para se refazerem delas e irem para o trabalho; mas o ficarem obstrutos, ou opilados, e fraquíssimos, é o mais certo que eles hão de experimentar, por cuja causa mais despesa e menos lucro. E se isto assim sucede ou não, façam os moradores das Minas observação, e verão se falo verdade; o que não sucederá se as sangrias se derem com muita cautela e moderação.
sangrias três, quatro cada dia nas doenças em fronte
vejam-se os gravíssimos danos das muitas sangrias
10. E se em Portugal se recomenda que as sangrias se não façam com excesso, onde os mantimentos são de boa sustância, que sucederá nestas Minas e em todo o Brasil, aonde são tão diferentes, e os dos pretos com muita maior razão, porque habitam sempre, ou quase sempre, dentro da água, e depois que entram a trabalhar, andam expostos ao rigor da chuva, do frio e do sol? Ruins coberturas, ruins camas e ruim tratamento, como todos sabem os que habitam nestas partes; e, por estas razões e pelos maus sucessos que delas via, nunca fui devoto de mandar sangrar, senão com muita cautela; e pelas mesmas não mandei sangrar a muitos, que, na opinião de todos os professores modernos no tal clima, haviam de ser bem sangrados, como os quatro escravos meus que ficaram imprimidos e apertadíssimos entre duas paredes cobertos de terra e pedras, muito por cima da cabeça e com tantas contusões que, depois de saírem, não podiam articular as palavras, nem tomar respiração, senão com muita dificuldade, que esta observação folgarão de ver os curiosos como sucedeu e os remédios com que sararam, sem sangrias, dentro de dezenove dias, a qual se achará neste livro.
ruim tratamento, ruins coberturas, ruins camas 11. É o sangue o azeite em que se conserva a luz da candeia da vida; quanto mais azeite tiver a candeia, tanto mais tempo durará a luz dela, e, pelo contrário, quanto menos azeite tiver, menos durará a sua claridade e resplendor. Isto quis advertir para descargo da minha consciência, porque faço grande escrúpulo de não dizer a todos o quanto importa sangrar pouco para viver muito.
sangue é a luz da candeia da vida
12. Por falar na página antecedente em peripneumonias, quero dizer alguma coisa a respeito delas. Assim como sucedem pleurises de causa fria, assim, pela mesma causa e da mesma sorte, sucedem peripneumonias nestas Minas, pois ambas estas doenças se formam no peito e ambas impedem a respiração, ambas têm quase os mesmos sinais, ambas grande perigo, suposto a peripneumonia o tem maior, por se formar no bofe e o pleuris na cavidade do peito e suas membranas, e ambas estas doenças se curam quase do mesmo modo, e, como fica dito, sendo originadas das mesmas causas. Quando os poros do corpo estiverem muito fechados, o corpo frio, a respiração muito presa e o doente não possa sossegar de um nem do outro lado, estando já purgado com vomitório, ou purga solutiva, conforme os sinais que tivesse ou estiver com algumas sangrias, se tiverem indicantes para ser sangrado, as quais devem ser no braço da mesma parte, é excelentíssima a bebida seguinte para retundir o fervor do sangue e refrigerar as partes internas inflamadas por causa dos humores reclusos no bofe: uma mão cheia de cevada pilada se coza solta em panela de barro com vinte quartilhos de água comum, até ficar em seis; então se deite na água uma onça de cascas de raiz de bardana, machucadas e um punhado de flores de papoulas, e com isto ferva por um quarto de hora; então se tire do fogo e, estando ainda quente, se deite na tal água seis esquíbalas, ou bonicos de esterco de cavalo fresco do mesmo instante, e, passadas duas horas, se coe a dita água por pano bem tapado, e, então, se lhe ajuntem duas onças de lambedor de papoulas magistral e três oitavas de pó de coral bem preparado. Deste cordial bem vascolejado se dará meio quartilho de seis em seis horas, que logo respirará o doente com liberdade, pois é indizível a virtude que tem para absorver e volatilizar os humores, descoagulando-os, e temperando as entranhas, por ser composto dos melhores absorventes que há na Medicina; assim o dizem graves autores dela, mas sempre se chame médico douto.
pleurises e peripneumonias
13. Tudo o que tenho dito não é por meter a foice na seara alheia, mas sim é para remediar alguns enfermos que viverem metidos pelos matos das Minas, aonde não é possível chegar médico, nem cirurgião perito. Este parágrafo seja o último deste tratado.
14. Tudo o que fica escrito a respeito das pontadas se entenderá, não só a respeito dos pretos, senão também a respeito dos brancos que exercitarem o mesmo ofício dos pretos, ou quase o mesmo, como é o serem feitores de lavras ou roças, ou andar em outros ministérios descalços, com má ordem de viver ou malcomidos, mal enroupados, molhados, suados, etc., que estes tais se curarão de pontadas pelo mesmo método que os pretos, porque é provável lhe procedam as pontadas das mesmas causas, só com uma diferença: que se atenderá a que os pretos são dotados de naturezas mais robusta, porque, os que são bons, quando chegam a dizer que estão doentes, estão meio mortos, como eu muitas vezes tenho visto; e destes há alguns que, pela maior parte, morrem, e outros custam muito a livrar. Os brancos que forem mais bem tratados, haverá neles bom exame para se saber como se hão de curar, se há de ser como fica referido ou não; mas, quando haja diferença, sempre se inclinará a cura ao mesmo método que fica referido, respeitando o clima e os mantimentos do país; os de nação cobus e os angolas nas doenças são muito moles, e os de nação minas muito duros.
1 Paralisia - Grafia atualizada da forma antiga parlesia, utilizada pelo autor.
2 Urina - Grafia atualizada da forma antiga ourina, utilizada pelo autor.
3 O autor usa, indiferentemente, o sinônimo câmara.
4 Altere - Na Medicina, alterar era usar de remédios alterantes, medicamentos que mudam insensivelmente o estado dos sólidos e líquidos. São medicamentos aplicados em pequenas doses, que se administram nas doenças crônicas das vísceras abdominais e do sistema linfático. O autor pode ter se referido ao altere como expressão substantivada do verbo alterar, referindo-se à propriedade alterante da planta de sene.
5 Felga - Torrões desfeitos ou miúdos. Provavelmente, por analogia, o autor utilizou a palavra para se referir a pigarros, como pequenos torrões desfeitos ou miúdos da garganta. Antes, o autor se utilizara da palavra filga ao se referir à mesma coisa, o que sugere que não conhecia a grafia correta da palavra.
6 Grafia atualizada da forma antiga celada, utilizada pelo autor.