In memoriam: urbanismo, literatura e morte

André Luiz Rosa Ribeiro · Capítulo 8 de 27

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In memoriam: urbanismo, literatura e morte

Urbanismo e modernidade

Entre as décadas de 1870 a 1890, Ilhéus começou a emparelharse com os principais núcleos urbanos do litoral e do interior da Bahia. As margens dos rios do seu município estavam densamente povoadas e contavam com grandes fazendas para a cultura do cacau, cuja colheita era, como já foi dito, exportada para Salvador. O constante crescimento econômico e populacional, trazido pela lavoura cacaueira, fez que os chefes políticos ilheenses pleiteassem, na Assembleia Provincial, no início da década de 1880, a elevação da vila à categoria de cidade.

O império estava, no período, sob a direção política do partido Liberal. O gabinete de ministros era chefiado pelo conselheiro baiano José Antônio Saraiva, e presidia a província o conselheiro João Lustosa da Cunha Paranaguá, futuro marquês de Paranaguá. O projeto de elevação foi apresentado pelo cônego Manoel Theodolindo Ferreira, e o subscreveram o vigário João Paranhos, o coronel J. J. de Almeida, o vigário Luís Batista, o dr. Virgílio de Carvalho, Elpídio Baraúna, o des. Euclides Requião, o tenente-coronel Ápio Medrado e o dr. Antônio Carneiro da Rocha.

A lei que elevou a vila de São Jorge dos Ilhéus à condição de cidade, com a mesma denominação, foi assinada pelo presidente da Bahia em 28 de junho de 1881. Poucos eram os núcleos urbanos da Bahia que, na época, possuíam o status de cidade. O fato de Ilhéus ter sido alçada a esta categoria foi uma demonstração inequívoca de reconhecimento, por parte do governo, da sua importância no contexto econômico do estado. O crescimento urbano estava diretamente relacionado com o desenvolvimento da lavoura do cacau, cuja produção anual era de centenas de milhares de arrobas.

Para adequar Ilhéus ao quadro de expansão econômica e populacional, a elite ilheense teve a pretensão de aproximá-la dos modelos de urbanização dos centros considerados civilizados, e produzir, na cidade de estilo antigo, uma imagem do progresso desejado. O sentido evolucionista e alegórico dos planos de remodelação urbana do período rejeitou a cidade de traços coloniais, ao destruir seus antigos logradouros e substituir os aspectos figurativos dos seus edifícios com a intenção de representar a modernidade.

 

Urbanismo e modernidade

A renovação urbana e a expansão da cidade de Ilhéus, em inícios do século passado, mudaram radicalmente a sua aparência, com a construção de novos edifícios com fachadas regulares, praças, alinhamento e alargamento das ruas, sob um novo plano elaborado e executado pelos administradores progressistas. O discurso urbanístico reformador se apoiou em certos princípios básicos. A questão urbana emergiu como transformação da vida social. Era preciso mudar a cidade para mudar a vida.

As representações do urbano, projetando a “cidade que se quer

sobre a cidade que se tem”114, expressam uma vontade política, uma intencionalidade no norteamento do real. Mediante as intervenções na cidade, grandes proprietários de terra e comerciantes, em especial os novos ricos do cacau, obtiveram a representatividade e o prestígio social que almejavam. As primeiras intervenções modernizantes, em Ilhéus, partiram de uma elite letrada. O plano da cidade ideal foi atribuição de um grupo de intendentes constituído por bacharéis, que administraram o município durante a República Velha e o Estado Novo. O plano da cidade ideal, a “Capital do cacau,” como era chamada pela imprensa baiana, foi levado a termo por esse grupo de administradores, a maioria deles com formação superior, influenciada por concepções

europeias de urbanização115.

O primeiro administrador modernizante foi Domingos Adami de Sá (1904-1908), que iniciou as obras do antigo porto, a rede de esgotos, calçamento de ruas e construção de estradas para o interior do município. A administração posterior, de João Mangabeira (1908-1912), deu seguimento a essa política: instalou redes de água e esgoto; calçou as principais ruas com paralelepípedos; levou a termo, por meio de desapropriações, muitas demolições; inaugurou o primeiro trecho do cais do porto; e lançou as primeiras pontes de alvenaria nas estradas.

De acordo com um biógrafo de Mangabeira, esse período foi pleno de energia e espírito público, “cujas realizações transformaram a capital

do cacau”116. Nas construções e reformas postas em prática, tanto pelo poder público como por particulares, buscou-se um sentido monumental. O traçado urbano deveria ser testemunha das características socioeconômicas e culturais da cidade. A modernização, a infraestrutura e o saneamento foram combinados com os princípios estéticos, de maneira que expressassem os padrões burgueses de viver.

Os espaços urbanos que se formam, como resultado da expansão da lavoura cacaueira, distintos e hierarquizados, estão marcados por tensões sociais. O centro do núcleo, área socialmente privilegiada, era geralmente dominado pela igreja matriz, cujas proporções deveriam estar de acordo com a riqueza local. Em volta do largo da matriz e nas ruas adjacentes localizam-se, de preferência os principais prédios públicos e particulares. Esse é o espaço de maior visibilidade, em que as intervenções urbanas patrocinadas pela municipalidade e por particulares ocorrem com maior frequência. Em volta desse centro estão situadas as residências mais modestas e o pequeno comércio, zona de transição para a periferia mais afastada. Nesse espaço habitam as camadas mais pobres, à margem da cidade ideal, escondido e esquecido do poder pela municipalidade.

Na época das fortunas fugazes oriundas da lavoura do cacau, podia-se medir a fortuna dos coronéis, assim como a miséria dos trabalhadores, pelas casas que possuíam. Aos poucos os coronéis trocaram as sedes das fazendas pelos palacetes urbanos, símbolo de maior status na região. As antigas ruas estreitas e tortuosas ganharam alinhamento e alargaram-se “para abrigar os sobrados ajanelados dos fazendeiros abastados, advogados e membros da elite local,” bem

como as casas comerciais dos mais variados ramos117.

A reflexão histórica sobre a cidade moderna a expõe como manifestação recorrente da história do poder. As intervenções urbanas em Ilhéus permitiram à burguesia cacaueira dar materialidade aos símbolos de distinção relativos à sua nova condição no cenário econômico nacional. Os principais fazendeiros e comerciantes utilizaram a cidade como um lugar estratégico para representar seu prestígio político e social. As ruas e praças mais importantes de Ilhéus passaram a ser conhecidas pelos nomes dos seus moradores mais ilustres ou dos principais chefes políticos, o que inegavelmente dava uma maior visibilidade social e status ao homenageado, imortalizado em uma placa de mármore ou busto de bronze.

As ruas principais, como a Conselheiro Saraiva (atual Antônio Lavigne de Lemos), Pedro II, Coronel Adami (atual Jorge Amado) e Almirante Barroso, eram ainda “bastante estreitas e calçadas de pedras brutas já lisas dando notícias do seu arcaico passado.” Porém, os edifícios mais importantes eram construções recentes pertencentes aos maiores fazendeiros e comerciantes, como o Palácio das Figuras, assim chamado pelas estátuas nele existentes, do coronel Domingos Fernandes; duas casas gêmeas com frente de azulejo, de João e Alfredo Amorim; e as casas de José Gomes do Amaral Pacheco e Rodolfo Vieira. Desta época seria ainda possível citar entre as mais importantes edificações urbanas o Palácio da Intendência ou dos Grifos, iniciado em 1897, construído sobre as ruínas do colégio dos

jesuítas118.

Borges de Barros assim descreve o palácio:

 

internamente é bem disposto e mobiliado com luxo e elegância. No pavilhão superior fica o salão nobre, que é bem mobiliado e a pintura de muito gosto. As salas de audiência e do júri são as únicas no gênero e dignas de referência

em todo o estado, a principiar pelo mobiliário até as pinturas 119.

 

O Palácio da Intendência, inaugurado durante a administração do coronel Domingos Adami de Sá, em estilo neoclássico, serviu de

inspiração para as futuras construções urbanas (Figura 2). A administração municipal, no período Mangabeira, tentou impor este estilo arquitetônico a todos os prédios da cidade, exigindo a construção de platibandas decoradas com acrotérios e relevos. Os exemplares máximos desse novo estilo arquitetônico em Ilhéus foram construídos entre as décadas de 1910 e 1920, símbolos evidentes do poderio social e econômico dos coronéis do cacau.

Figura 2 – Intendência Municipal de Ilhéus inaugurada na

década de 1900

 

Fonte: Foto Tacila Mendes.

 

Ao iniciar a sua administração, em 1924, o intendente Mário Pessoa empenhou-se nas chamadas obras de embelezamento e lançou as bases do planejamento urbano. Pessoa criou o código de posturas, “avançadíssimo para a época e um dos primeiros do Brasil,” e encarregou o engenheiro municipal Manoel Accioli Ferreira da Silva de levantar a planta cadastral da cidade e do Pontal de São João da

Barra, a primeira da Bahia 120. Ao remeter um exemplar da planta, orçada em doze contos de réis, ao governo do estado, o intendente afirmou que “em dias não muito remotos, ele e seus sucessores, obedecendo sempre ao trabalho que ora lhe fazia presente, teriam

apagado os últimos vestígios coloniais”121 da antiga capitania de São Jorge dos Ilhéus.

O código de posturas, criado pela Lei Municipal de 1 o de outubro de 1924, regulamentou a política municipal quanto às intervenções urbanas e dividiu a cidade em duas zonas: a urbana e a suburbana. A primeira englobava as ruas e praças da cidade em um raio de três quilômetros, no interior do chamado perímetro urbano, área prioritária para as reformas. A zona suburbana consistia numa faixa de também três quilômetros, entre a zona urbana e a zona rural. O capítulo referente às construções e reconstruções, na seção que trata do porte e do estilo dos prédios, proibia a edificação ou reedificação de prédios de um só pavimento, no perímetro central. Foram criados incentivos fiscais, com isenção de impostos para construção, recuo e reconstrução de prédios urbanos, alinhando-os conforme a planta cadastral, estendendo o benefício a todo prédio existente no perímetro

urbano que fosse completamente reconstruído122.

Durante a administração do intendente Mário Pessoa, foram alinhadas, com desapropriação de prédios particulares, “todas as ruas que ainda se ressentiam desse defeito.” Cogitou-se transformar Ilhéus num Rio de Janeiro em tamanho menor, seguindo modelos e denominações urbanas cariocas, como a Avenida Beira-Mar, também conhecida como Avenida Copacabana, “com seus passeios de quatro metros de largura, os seus belos bangalôs e os modernos e elegantes

postes de iluminação elétrica, com três luzes”123, estes últimos exatamente iguais aos da Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro.

Em sua segunda gestão (1938-1942), Mário Pessoa ergueu uma réplica do Cristo Redentor no prolongamento da avenida Beira-Mar, em frente à entrada do antigo porto. A conclusão das obras do porto foi uma das intervenções mais importantes da década de 1920. Este equipamento, ao lado da ferrovia ligando a cidade às principais zonas produtoras de cacau no interior, criou a base para que a cidade se tornasse o centro da região cacaueira, e a consolidou como um dos maiores centros agroexportadores do país.

A partir da Revolução de 1930 foram introduzidos novos modelos administrativos, cuja principal característica era a adoção do planejamento como elemento ordenador do desenvolvimento urbano. A administração de Eusínio Gaston Lavigne (1930-1937) foi responsável pela elaboração dos dois primeiros planos diretores da cidade: o Da Rin-Gonçalves e o Peltier de Queiroz, chamados pelos nomes de seus autores. Um dos principais problemas para efetivar a expansão urbana derivava da situação geográfica, que exigia a realização de obras de maior porte.

Foram feitos os cortes nos morros da Conquista, Vitória e Boa Vista, que permitiram a abertura das avenidas Itabuna e Canavieiras. Data também do período a criação dos bairros da Cidade Nova, antiga fazenda Opaba, da família Pacheco; e do Malhado, na fazenda Velosa, pertencente à família Lemos. A avenida Itabuna foi construída em terrenos da fazenda Bela Visão, do coronel Miguel Alves Dias. A desapropriação e o loteamento dessas áreas motivaram uma intensa luta judicial entre a prefeitura e os proprietários dos terrenos citados, defendidos pelo desembargador Epaminondas Berbert de Castro, cuja família era proprietária de uma das áreas em litígio, a fazenda Pimenta, núcleo original do atual bairro da Conquista.

Com o desenvolvimento das atividades portuárias e industriais, os contingentes de trabalhadores que se incorporavam à vida urbana passaram a ocupar o morro da Conquista e os terrenos alagadiços entre a antiga estação ferroviária e os morros vizinhos, a antiga “ilha das Cobras”. Os extremos da cidade, a ponta da Pedra, ao sul, e a ponta de Areia, ao norte, sofreram o mesmo processo de ocupação e integraram o locus da pobreza. Com a progressiva ocupação e urbanização dessas áreas, os seus primitivos moradores foram deslocados para novas áreas periféricas, levando a que outros morros e vales fossem ocupados. Conforme a análise de Souza, os planos diretores do período tinham uma preocupação funcional e estética e ensaiaram um zoneamento com índices urbanos diferenciados, justamente por não incorporarem as áreas de ocupação informal, situadas além do perímetro urbano.

Nenhum deles teve uma preocupação efetiva, embora muitas vezes declarada, de trabalhar a cidade como um todo, isto é, incluindo, nas suas análises e proposições, soluções para os bairros periféricos habitados por feirantes, comerciários, ferroviários, prostitutas, pescadores, estivadores e pequenos lavradores e comerciantes. Esses espaços, que sempre se constituíram pela informalidade transitória, na medida em que os seus habitantes estão sempre se mudando e sendo expulsos pela especulação imobiliária, “como uma sombra, que se

move”124.

A política de renovação urbana de Ilhéus é uma das mais significativas entre as das cidades baianas do período, pelo seu caráter simbólico de ostentação e pela tentativa de criar um novo momento histórico e esquecer um passado recente. Os jornais locais anunciavam incessantemente as mudanças no perfil arquitetônico da cidade. A imprensa soteropolitana dava testemunhos dos “primores da

encantadora Princesa do Sul”125. Para Souza Brito, a Ilhéus do período

era “formosíssima e de estilo moderno”126. Quase todas as construções estavam reformadas, “podendo gabar-se de ser uma das primeiras

cidades do interior do Estado, em beleza de construções” 127. Não apenas a aparência dos palacetes públicos e particulares chamava a atenção do visitante, mas também o rigoroso asseio das ruas

principais128.

As intervenções imprimiram a monumentalidade e a grandiosidade ao espaço urbano. Esse processo trouxe, em seu bojo, a exclusão quando, ao produzir um espaço público, privilegiou o seu uso pelas elites e deixou de fora as camadas populares, relegadas a um território da exclusão e da não vigência de normas. A civilidade e a crença no progresso estão presentes nas intervenções e nos modelos construídos. Estes aspectos serão prodigamente enfatizados pelos jornais, cronistas, memorialistas e outros literatos quando procuram os indicadores de progresso e modernidade.

Nas palavras de Agripino Grieco, “sem que isso importe em condição de inferioridade”, nada mais dessemelhante da capital do estado que a cidade de Ilhéus. “Quase nada se encontra aqui de palácios velhos, de tradicionalismo secular”. Quase tudo novo, “mal acabado de sair do prelo.” A cidade desdobra-se, recompõe-se, “vence o pântano, cresce sobre o mar […]. Falta uma igrejinha secular e a catedral a construir-se, não sei se não será um tanto desgraciosa e mastodôntica de proporções.” Notava-se “algum pitoresco na irregularidade das ruas que não foram previamente riscadas no papel[…], e as colinas de em torno, bastantes curiosas nos seus recortes assimétricos, abrigam em geral a população pobre.” Ilhéus encantava “com a sua segunda infância, com todas as suas loucuras, de criança pródiga, de fedelho que esbanja porque tem muito”. Para o jornalista, observava-se

“qualquer coisa de paulista” naquele fervedouro de atividades”129.

Os mais importantes fazendeiros e comerciantes de cacau passaram a investir nos imóveis erguidos nas principais ruas do centro urbano, cujas obras expulsaram dessa área a população mais modesta, que se alojou nas zonas periféricas como os morros de São Sebastião (Oiteiro) e da Conquista, e no Malhado. Novos loteamentos e especuladores apropriavam-se e privatizavam as áreas de expansão da cidade. Os preços dos terrenos foram aumentando, os espaços saneados foram se transformando em modernos e aprazíveis bairros residenciais e de veraneio, como a Cidade Nova e o Pontal.

Novos serviços e equipamentos eram reclamados, fato que não passou despercebido aos chefes políticos que passaram a incorporar o assunto aos seus discursos. Demoliam-se os símbolos do passado colonial, que deveria ser esquecido. Ao romper com o passado colonial, Ilhéus deixou de ser um local de encontros episódicos, marcados essencialmente pela vida administrativa, como nos dias de eleições, quando enchia-se de jagunços, e pelas festas religiosas. A partir daí, se desenvolveu vida regular, marcada pela diversidade de indivíduos, serviços e mercadorias. Além dos novos modelos arquitetônicos, o crescimento da cidade caracterizou-se pela construção de novos espaços e formas de lazer, pelo aparecimento de lojas comerciais, armazéns e teatros. Esse amplo processo de transformação urbana, aliado às mudanças impostas pela modernidade, criou novos costumes, como o passeio de automóvel pelas principais ruas alargadas ou o footing no fim de tarde.

Entretanto, a Ilhéus moderna, ao tempo em que passava por reformas que incluíam redes de esgotos, de abastecimento de água, ainda via passar pelas ruas calçadas as tropas de burros, trazendo o cacau das fazendas para os armazéns do porto. Em animais também se transportavam o leite e água potável, retirada das fontes pelos aguadeiros, vendidos nas residências. Mas Ilhéus desejava esquecer os resquícios desse passado. A separação entre duas épocas, em que dois tipos de cidade completamente desiguais se contrapõem, se encontra presente na maior parte dos relatos das memórias do período.

Os relatos remetem a uma cidade investida de marcos e lugares simbólicos, em um processo onde atuaram políticos, médicos, arquitetos e engenheiros. Nas primeiras décadas do século XX, a cidade de Ilhéus que aparece nas memórias, muitas das quais encomendadas, transforma-se em ritmo acelerado. Os seus antigos traços e características desaparecem da narrativa e fica patente, nas fotografias que as ilustram, a imagem do moderno apagando o antigo. Os memorialistas empenham-se em destacar os novos aspectos adquiridos, como os serviços de iluminação e abastecimento de água, e não só na cidade como também nos distritos mais importantes. As narrativas dão, ainda, ênfase à nova fisionomia urbana que se delineou com a abertura de novas ruas, o alargamento das antigas, as melhorias do porto. Para os memorialistas parece não haver qualquer vestígio do tempo anterior ao do cacau, e a Ilhéus colonial e barroca não se encaixava nas novas formas do viver moderno e progressista imaginado pelos cacauicultores.