In memoriam: urbanismo, literatura e morte

André Luiz Rosa Ribeiro · Capítulo 20 de 27

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In memoriam: urbanismo, literatura e morte

Os funerais dos coronéis Pessoa e Tavares: a apoteose do indivíduo

Os funerais dos coronéis Pessoa e

 

Tavares: a apoteose do indivíduo

 

Os necrológios de Antônio Pessoa e Misael Tavares são contundentes na ênfase dada à trajetória de ascensão de ambos aos mais elevados postos sociais, mediante o seu esforço pessoal. Os mais influentes chefes políticos originários do pessoísmo encarnaram o projeto republicano de sociedade, segundo o qual todos os cidadãos deveriam ter os mesmos direitos em relação às possibilidades de mobilidade social pelo trabalho. Um simples advogado provisionado e um pequeno negociante rural teriam se transformado, pela tenacidade, nos mais representativos exemplos individuais do poder social dos chamados “coronéis do cacau”.

O uso político dessa justificação dava-se pela construção da memória dos seus mais importantes líderes como representantes de uma nova era de transformações fundamentais, cujo resultado foi a consolidação da região cacaueira como um dos mais importantes núcleos econômicos do país. Este tópico é recorrente nos elogios fúnebres e na apreciação geral dos méritos desses mortos ilustres, o que passava, efetivamente, pelo silenciamento dos atos menos louváveis cometidos durante a sua ascensão social, como a utilização da violência física e jurídica típicas do período de desbravamento. A consagração de Pessoa e Tavares tinha como objetivo construir uma imagem compatível com a ideia de uma sociedade baseada nos valores individuais e na crença de que o trabalho honesto e perseverante possibilitava, aos de nascimento humilde, uma trajetória social ascendente.

Revestidas com as características essenciais de todo rito de passagem, as cerimônias fúnebres dos coronéis Pessoa e Tavares transformaram-se em acontecimentos apoteóticos que mobilizaram grande parte da população local. Como vimos, a feição militante incitava o comparecimento em massa dos correligionários dos mortos, o que dava aos funerais uma maior dimensão pública. Entre as camadas populares, os grandes funerais constituíam um espetáculo que impactava pelo simbolismo ostensivo de poder, ao traduzir os valores e as expectativas essenciais da elite cacaueira.

Os necrológios de Pessoa o enalteceram como um modelo de político que deveria servir de referência para as futuras gerações, o que revela a consciência das expectativas que norteavam os setores políticos. As evocações objetivavam delinear e perpetuar a imagem do coronel, conferindo inclusive seu nome a logradouros públicos e instituições de caráter filantrópico. Por conseguinte, os grupos profissionais ou políticos realizavam aquilo que, em outra dimensão, faziam as famílias, procurando, mediante a perpetuação dos seus mortos, garantir simbolicamente a sua continuidade na memória dos vivos.

Este tipo de interesse fez dos rituais de recordação, particularmente as cerimônias fúnebres, comemorações onde se consagraram símbolos identitários coletivamente compartilhados, reforçando a solidariedade orgânica do grupo no qual estavam inseridos. Ao apelarem para os antepassados ou líderes políticos, os consagradores buscavam a afirmação pública dos seus direitos, trabalho ideológico necessário à construção de diferenças. Com a morte de Pessoa, o partido perdeu o seu mais antigo e importante membro. Entende-se, então, a ênfase dada ao significado político e ideológico dos seus funerais e ao valor exemplar que a vida do coronel Antônio Pessoa devia representar para todos os membros da sociedade ilheense.

Conservador no que se refere aos costumes, Antônio Pessoa seguia rigidamente os preceitos vigentes ao final do século XIX, período em que formara a base da sua religiosidade e visão de mundo, visão expressa no material de divulgação dos seus funerais

(Figura 12). O coronel havia sido seminarista na juventude, tendo abandonado esta formação por ocasião da morte de seu pai. A imagem conservadora que cultivava estava expressa nas suas atitudes perante a sociedade. O coronel Pessoa era um dos poucos membros da elite política e financeira que não possuía jagunços, ou mesmo mais de uma família, como era costume entre os membros mais abastados da sociedade regional. O ambiente doméstico da família Pessoa era da mais rígida moralidade. As mulheres viviam recolhidas ao ambiente do lar e, entre elas, as solteiras somente

saíam à rua acompanhadas dos empregados da família336.

Em seu necrológio, o Diário da Tarde esmerou-se em destacar a importância política do coronel Antônio Pessoa -- “uma das maiores e mais representativas figuras do cenário político da região sul-baiana, no império e na república.” Em seguida traça um perfil biográfico do falecido que há mais de meio século intervinha “diretamente nos seus destinos políticos.” Noticia ainda que a madre priora das religiosas ursulinas havia comunicado que seria celebrada missa de réquiem no santuário da Piedade, em sufrágio à alma do falecido, “homenagem fúnebre, como poucas vezes se tem verificado nesta cidade.”

 

Figura 12 – “Santinho” do coronel Antonio Pessoa, 1942

 

Fonte: Acervo Pessoal do Autor.

 

Apesar das torrenciais chuvas de julho que caíram na hora do sepultamento, “grande multidão, onde se viam autoridades civis e militares, representantes de todas as classes sociais e o povo em geral,” já se achava em frente à residência do “ilustre extinto aguardando o saimento do féretro.” O rico ataúde foi retirado “do cadafalso armado no salão principal” da residência do falecido e conduzido por pessoas da família, “formando-se longo préstito” a caminho do cemitério da Vitória. A própria cidade como que morreu temporariamente durante o cerimonial de despedida do coronel Pessoa, “tendo o comércio cerrado as suas portas não havendo expediente em várias instituições e estabelecimentos, suspensos os espetáculos cinematográficos e outras diversões.”

Os logradouros públicos por onde passou o cortejo traduziam o sentimento de pesar da sociedade. Na ladeira que leva à necrópole, “os postes de iluminação pública e as árvores ostentavam grandes laços negros de crepe”, delimitando o último passeio do coronel pela cidade que ele comandou por anos a fio. O luto expresso nos logradouros e no cancelamento da maioria das atividades cotidianas foi organizado para unir a população em torno do sentimento de perda de uma figura-símbolo da sociedade cacaueira, cuja trajetória serviu de base para a composição do perfil do líder político regional.

À frente do cortejo ia o vigário da cidade, ladeado por membros da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia da qual o coronel era provedor há muitos anos, “servindo a instituição com raro devotamento.” Transpondo o portão do cemitério, o ataúde foi depositado numa carreta junto à sepultura, “aí recebendo os derradeiros atos da religião.” Antes de o corpo descer à sepultura, vários oradores usaram da palavra para traçar o perfil do morto, “focalizando a sua atuação no governo e na direção política deste município, tecendo merecidos elogios à velhice augusta que agora desaparecia e que bem poderia servir de exemplo aos moços.”

Alguns oradores falaram “em nome do povo de Ilhéus, despedindo-se daquele que soube tão bem servir a região, como homem público, como cidadão e como profissional.” Terminados os discursos, os familiares depuseram o ataúde na campa cobrindo-se a mesma de flores e colocada depois a lápide, “encerrando-se assim a cerimônia que foi assistida pela enorme multidão” presente

no cemitério da Vitória 337. A família Pessoa (Figura 12) foi uma das que mais visivelmente utilizaram o momento da morte dos seus membros para consolidar o seu prestígio social.

Também o falecimento de Alice Pessoa de Amorim, dezenove anos antes do patriarca, foi transformado em uma verdadeira celebração das alianças políticas e de parentesco que cercavam o núcleo de poder do coronel. Vale ressaltar que os funerais de Alice Pessoa coincidiram com o Dia de Finados, data simbólica para o afloramento de sensibilidades inerentes ao fenômeno físico da morte. Os funerais teriam uma visibilidade maior do que o normal, pelo acréscimo da multidão que nesse dia estaria visitando os túmulos dos parentes mortos.

A coincidência de datas e horários foi registrada pela imprensa para melhor imprimir o sentimentalismo da notícia. O dia consagrado aos mortos foi “de desolação e de lágrimas” na residência “do nosso venerando amigo e querido diretor, Senador Antônio Pessoa.” Precisamente às 17 horas e 30 minutos, “quando os sinos do campanário dobravam finados”, justamente nessa hora de “tristeza e de saudade” Alice Pessoa de Amorim chegava ao “término dos atrozes padecimentos”, que tanto “confrangiam aos seus queridos filhos, pais e irmãos” e enchiam “de sincera mágoa a quantas pessoas amigas vinham de alguns dias já lhe rodeando o leito de enferma.” Alice Pessoa havia tido a oportunidade de receber com lucidez todos os sacramentos “que lhe foram ministrados pelo ilustre Sr. D. Manoel de Paiva, preclaro bispo diocesano

Os jornais destacam a sua condição de filha “da terra,” unida em casamento “ao moço ilheense Alfredo Amorim que, após três anos, sucumbiu à insidiosa moléstia, deixando-a viúva com dois filhos”, um dos quais Milton, de quem tratamos anteriormente. A “nenhum sacrifício havia se poupado” o senador Pessoa pelo restabelecimento da saúde dessa “filha estremecida”, alterada desde o dia da sua viuvez. A perda do esposo teria afetado psicologicamente a jovem viúva e, provavelmente, causado uma depressão profunda, pois foram “ineficazes todos os cuidados e carinhos da família, inteiramente nulos todos os recursos da ciência

médica” que não puderam impedir a marcha da moléstia 338.

A morte de Alice mobilizou os correligionários de Pessoa que, em romaria, foram prestar sua homenagem ao chefe político. Uma “grande afluência de famílias e de cavalheiros da sociedade ilheense” que iam à residência da família Pessoa, demonstrando um “tributo” de amizade e de apreço à “desditosa extinta, assistindo-lhe o saimento.” O ataúde foi retirado da capela do palacete Pessoa, onde se achava, sendo conduzido à catedral para a encomendação por parentes e amigos da família. A última saída do corpo da residência da cidade dos vivos rumo à nova residência na cidade dos mortos era um dos momentos mais dramáticos dos funerais e que mais chamavam a atenção do público participante.

Figura 13 – Membros da famílias Pessoa e Castro. Em pé da esquerda para direita: Ramiro Berbert de Castro, Júlio Abreu,

Astor Pessoa e Epaminondas Berbert de Castro. Sentados

na mesma ordem: Mário Pessoa, coronel Antônio Pessoa e

coronel Ramiro de Castro [Foto de Autor desconhecido].

 

Fonte: Brandão; Rosário, 1970.

 

Aos mais íntimos caberia o encargo do traslado. A composição em volta do ataúde, abaixo representado verticalmente pelo nome Alice, traduzia as relações de poder e os interesses sociais que moviam todo o aparato fúnebre. O corpo de Alice Pessoa de Amorim foi conduzido pelo pai, senador estadual; por dois dos seus irmãos, um dos quais deputado estadual; e pelos coronéis Catalão, Amorim e Castro, chefes políticos do partido. O coronel Amorim era primo do esposo de Alice e casado com uma irmã da mulher do coronel Castro, este sogro de um filho de Pessoa, Mário, que exercia o cargo de intendente municipal. O coronel Catalão era casado com Belanísia Vieira cujo pai, coronel Rodolpho Vieira, era um dos principais aliados políticos da família Pessoa.

 

Senador Antônio Pessoa A Deputado Astor Pessoa

L

Capitão Antônio Pessoa Jr. I Coronel Virgílio Amorim

C

Coronel Ramiro Castro E Coronel Pedro Catalão

 

Esta descrição não deixa de revelar os objetivos políticos e sociais que a família ou o grupo social alimentavam em torno dos funerais. Os altos custos materiais demonstram claramente esta finalidade, para além dos aspectos religiosos que cercam a morte. Os recursos investidos na organização do ritual e na sua linguagem simbólica visam garantir a ostentação de um modo de vida tipificado pelas expressões de riqueza e poder inerentes a uma determinada camada da população sul-baiana, que talvez tivesse na figura de Misael Tavares a sua mais completa tradução.

O coronel Misael Tavares faleceu vítima de ataque cardíaco em 1938, no Rio de Janeiro, onde se encontrava em tratamento de saúde. A cidade recebeu a notícia através do noticiário fornecido pelo rádio, invento recentemente incorporado ao aparato tecnológico regional. Banqueiro e grande proprietário agrícola, Tavares era conhecido pela imprensa nacional como o “rei do cacau”. Os jornais locais anunciaram a morte do coronel como a de um “lutador incansável”. Tendo uma origem humilde, “vivendo uma mocidade laboriosa e obscura,” conseguiu uma fortuna “que é talvez a maior e mais sólida da Bahia”.

O seu nome ficou definitivamente ligado a todos os grandes empreendimentos “no sentido de maior progresso dessa terra, onde aplicou sistematicamente os seus capitais”, como, por exemplo, na empresa de abastecimento de água, em construções urbanas que são “as mais importantes da cidade” e em outros “empreendimentos notáveis”, como a nova usina Vitória para fabricação em larga escala do subproduto do cacau, tendo sido “decisiva” a sua cooperação na obra que tornou uma realidade a Companhia Industrial de Ilhéus. Foi conselheiro municipal, intendente, pertencendo também às principais instituições ilheenses, entre as quais a Associação Comercial, de que foi presidente, e a Associação de Agricultores da Bahia.

A morte do coronel produziu intensa repercussão no “espírito público” de Ilhéus. O procedimento coletivo ante a morte de Tavares foi similar à do coronel Pessoa, tendo “todo o comércio fechado as suas portas pela manhã, em sinal de pesar”, havendo as instituições de classe a que pertencia “hasteado a bandeira em funeral e o prefeito encerrado o expediente municipal, considerando os vínculos do extinto com os maiores empreendimentos locais.” Também a empresa Armindo Martins “resolveu suspender os espetáculos […]

em seus cinemas de Ilhéus e Itabuna” 339.

As homenagens póstumas ao coronel tiveram início na antiga capital da República, por parte do comércio local, como reconhecimento à influência de Tavares no setor. O seu corpo foi embalsamado e exposto, em câmara ardente, na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro, de onde saiu em direção a Ilhéus acompanhado por parentes. O traslado dos corpos dos coronéis era uma cerimônia em si. A chegada dava-se por navio ou hidroavião da Condor, especialmente contratado para o serviço, como no caso de Tavares. O deslocamento do corpo passava por várias etapas até alcançar o cemitério. O navio atracava diretamente no porto da enseada do Pontal, enquanto um hidroavião se dirigia ao aeroporto da Sapetinga, do outro lado da enseada, embarcando o corpo em lancha para a cidade, de onde seguia para a sua residência ou templo religioso.

O corpo do coronel Misael foi novamente exposto à visitação pública, por dois dias, em seu palacete ao lado da Matriz de São

Jorge, onde realizou-se a missa de corpo presente 340. Após o desembarque do corpo no cais da Companhia Industrial organizou-se o cortejo fúnebre em direção à residência, onde o corpo foi velado pela família, vinda de Salvador, por amigos e delegações especiais. “Extraordinária multidão” acompanhou o féretro até o palacete (atual sede da Loja Maçônica Regeneração Sul Baiana), onde o esquife foi colocado na eça, no salão nobre, transformado em câmara ardente. A abertura do esquife causou “grande emoção” entre os familiares, que imediatamente o cercaram para ver o corpo

embalsamado 341.

A missa de corpo presente foi ministrada pelo bispo diocesano d. Eduardo Herberhold. Após o ato fúnebre seguiu-se o enterramento, sendo o ataúde transportado “em coche funerário” ao cemitério no alto da Vitória. À beira do túmulo um parente da “veneranda viúva”, o deputado federal Ramiro Berbert de Castro, que tinha vindo do Rio de Janeiro para Ilhéus acompanhando o corpo do coronel, proferiu “comovida oração, fixando em traços largos a personalidade do capitalista ilheense e apontando-o como um raro exemplo de dedicação ao trabalho que resultou na sua invulgar prosperidade.” Falou também agradecendo em nome da família do extinto, as homenagens que Ilhéus prestou “à sua memória.”

De acordo com Ramiro Berbert de Castro, foi o seu “inesquecível pai” quem primeiro auxiliou o coronel Misael, dando-lhe crédito para que ele pudesse abrir uma pequena casa comercial no distrito de Cachoeira de Itabuna. Pouco depois Tavares casou com uma prima da esposa do coronel Castro e aderiu ao seu grupo político. “Daí o início da sua carreira que foi, pela economia e pelo trabalho, crescendo em prosperidade até atingir o máximo de riqueza.” Após o enterramento, o avião que havia trazido a Ilhéus o corpo do “grande servidor do progresso da cidade,” levantou voo de regresso ao Rio, tendo feito evolução sobre o túmulo do coronel, onde lançou

uma grande braçada de rosas 342. Perceba-se nessa, e em outras passagens, a presença marcante do elemento floral no conjunto dos símbolos que compõem o aparato material dos funerais, especialmente em relação às rosas, assunto que trabalharemos no

quinto e último capítulo.

É importante observar, aqui, que a ampla divulgação pública da morte era somente aceitável entre os “cidadãos ilustres’, tornando-se inadequada aos menos favorecidos como se observa em um artigo do Correio de Ilhéus, reclamando contra o costume das igrejas anunciarem a morte dos munícipes sem qualquer distinção, especialmente as “formidáveis badaladas” do sino da igreja da Vitória. O artigo argumenta que “já está se tornando irritante tanto badalar. Para que tantos e tão fortes dobres de finados?” Segundo a gazeta, “quase não havia dia em que não se trepe no coro da igreja o seu gaiato sacristão para dobrar o sino, azucrinando a população que trabalha e precisa esquecer-se um pouco da morte.” Ou seja, a lembrança cotidiana da morte constrangia a população. Ao órgão de imprensa parecia imperdoável dobrarem os sinos por qualquer falecimento: “Pergunta-se: quem morreu. E ninguém sabe dizer. Às vezes é uma pobre mulher desconhecida que faz o bronze gemer e

incomodar o povo” (grifos nossos) 343.

Dessa maneira, a divulgação da morte pelas páginas da imprensa ou pelos sinos das igrejas foi adquirindo uma importância cada vez maior, como um momento de “consagração” dos indivíduos e grupos sociais. Nos anúncios e necrológios realçavam-se os sobrenomes aos quais o morto ligava-se por nascimento e alianças de casamento, o que fornecia um referencial de prestígio para a “nobreza” da terra. A antiguidade do grupo familiar é destacada como forma de legitimar a tradição do nome entre os pioneiros da lavoura cacaueira, antiguidade esta que, entre os novos-ricos, não alcançava mais do que algumas poucas décadas.