In memoriam: urbanismo, literatura e morte

André Luiz Rosa Ribeiro · Capítulo 13 de 27

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In memoriam: urbanismo, literatura e morte

A luta do Sequeiro: a morte como protagonista

A luta do Sequeiro: a morte como

 

protagonista

 

A luta pelo poder na região cacaueira teve no conflito do Sequeiro um dos seus momentos mais representativos. Ocorrido entre os anos de 1918 e 1919, o conflito envolveu amplos segmentos da sociedade regional. Proprietários e trabalhadores rurais, comerciantes e exportadores foram, direta ou indiretamente, afetados.

A memória do conflito do Sequeiro foi construída tanto pela imprensa quanto pela oralidade, mediante o depoimento das testemunhas que a vivenciaram. Os jornais locais, ao sabor da coloração partidária, cobrem em suas edições os acontecimentos mais violentos, formando uma espécie de diário da luta, com pormenores das mortes, invasões e incêndios povoando o imaginário popular com as notícias trágicas. A narrativa literária apropriou-se da tensão gerada pela disputa política entre famílias de grandes proprietários e criou a sua versão sobre um dos episódios mais sangrentos da fase de consolidação da lavoura do cacau. Os eventos da “guerra do Sequeiro” foram perpetuados em livros, artigos, cordéis, canções populares, e na memória das famílias envolvidas, constituindo um rico acervo documental.

As imagens veiculadas pelos textos jornalísticos do período grosso modo correspondem às que se encontram nos textos literários. A luta entre as famílias Badaró e Oliveira recebeu grande atenção por parte da imprensa local. O conflito envolveu inúmeros interesses pessoais e econômicos que acabaram por conflagrar a luta por uma área extensa, incluindo os atuais municípios de Ilhéus, Itabuna (ex-Tabocas), Itajuípe (ex-Pirangi) e Uruçuca (ex-Água Preta). Praticamente todos os povoados dessa área foram invadidos e saqueados, mapeando geograficamente a extensão do conflito. Ferradas e Pirangi, territórios que demarcam as lembranças de infância de Amado, são alguns dos povoados mais atingidos pelas ações criminosas dos jagunços de ambos os lados. A luta resultou em um elevado número de mortes, principalmente na zona do Sequeiro do Espinho, núcleo da futura Pirangi. Em 1919, um artigo do Jornal de Ilhéos relata, alarmado, os acontecimentos:

 

Grupos de homens armados, ostentando a repetição, o bacamarte, a pistola, o facão e o punhal, bem municiados, em completa indiferença às autoridades constituídas infundem terror e respeito. A repetição tornou-se a sua constituição […] Hoje se veem um desses brigões viajando pelas estradas, conduzindo atrás dezenas de homens, chamados jagunços […] Já de muitos dias Mutuns e certos pontos do Sequeiro do Espinho estavam transformados em quartéis de jagunçaria de uma grande divisão de homens afeitos à prática de crimes bárbaros, matando, fria e

covardemente230.

 

Mesmo o tráfego da estrada de ferro, principal via de escoamento do cacau, foi interrompido no ápice dos confrontos armados. As repartições federais de Ilhéus solicitaram a intervenção do Rio de Janeiro. Circulavam notícias de que a cidade seria invadida pelos jagunços do coronel Basílio de Oliveira, após ter sido decretada sua prisão, acusado como um dos principais responsáveis pelos assassinatos e invasões no interior dos municípios de Ilhéus e Itabuna. O governo federal enviou o couraçado Deodoro que, por vários dias, esteve ancorado no porto de Ilhéus como garantia da ordem pública.

Amado faz referência ao conflito do Sequeiro como momento paradigmático da civilização cacaueira. Um épico da conquista da terra, marcado pela luta sangrenta e pela heroicização do coronel, tão bem representado pelas personagens Sinhô Badaró e Horácio da Silveira. Isto é exemplificado na passagem em que o coronel Horácio ordena a Maneca Dantas “E tu, compadre, vai falar com o Teodoro. Explica o caso a ele. Se ele quiser que venha. Faço um acordo com ele. Se não quiser que se prepare porque vai chover tiro

nessas vinte léguas de terra”231.

A luta é interpretada a partir da ótica do autor, como na passagem em que há uma referência à sua presença — “um menino, que anos

depois iria escrever as histórias dessa terra” 232 (Terras, p. 257) —. No romance, os principais envolvidos na luta pela posse da mata do Sequeiro são antagônicos, tanto no desejo de expansão das suas terras quanto pelo que representam simbolicamente. Enquanto Horácio da Silveira representa o elemento vindo dos setores subalternos, ex-tropeiro que alcança o poder à custa de vidas humanas, Sinhô Badaró é um austero coronel de modos aristocráticos e uma profunda percepção das tradições familiares legitimadoras do seu poder. Chefe clânico, consciente de suas responsabilidades para o aumento da fortuna e do prestígio do seu sobrenome.

Francisco Fernandes Badaró Sobrinho, o Sinhô real, é uma das principais personagens também nas páginas dos jornais da época. Um dos mais importantes líderes do partido governista local, e dispondo de ampla rede de amigos, parentes e compadres, Sinhô reúne, em torno da sua figura, um conjunto de características que o tornam símbolo do típico coronel heroico do cacau, um homem que não teme pôr a vida em perigo para defender convicções pessoais ou lealdades partidárias. Os atentados por ele sofridos no início da luta foram amplamente divulgados,

 

O nosso digno amigo, coronel Francisco Fernandes Badaró, correligionário do Partido Republicano Democrata de Ilhéus, teve, em dias da semana passada, a sua vida covardemente ameaçada por um hediondo atentado dos maus elementos que teimam em impor pela tocaia o seu negro domínio nessa zona. O coronel Badaró é largamente estimado na zona do Sequeiro do Espinho, onde vive com toda a sua família, desfrutando amplo e tradicional prestígio, que mais uma vez foi afirmado nas últimas eleições federais. Talvez se funde nessas circunstâncias, de ordem política, a tentativa de assassínio de que ia sendo vítima. Ao que sabemos, passava montado, pelas proximidades da estação do Sequeiro do Espinho quando viu-se alvejado por uma descarga de vários tiros de repetição, um dos

quais atingiu o animal que o carregava.233

 

Com a morte do pai, o Sinhô Badaró fictício, que não havia nascido nas terras do cacau e não possuía “o gosto de sangue”, recebeu a chefia da família e se comprometeu a manter e ampliar o

poder familiar 234. Mesmo tendo a consciência da necessidade do seu dever, a ele repugnava fazer correr sangue. Viu-se, muitas vezes dando ordens aos seus jagunços para matar alguém nas tocaias, ordens somente pronunciadas quando era “o único caminho”.

Chefe da família, papel fundamental no patriarcalismo nordestino, “estava construindo a fortuna dos Badaró, tinha que passar por cima daquilo que Juca chamava de as “suas fraquezas”. Sinhô sentia que possuía um comportamento contrário ao do irmão: “nós dois é tão diferente um do outro […] Tu gosta de resolver logo tudo com tiros e mortes […]”. Tu bem sabe que eu não tenho esse gosto de sangue

que tu tem”235 (Terras, p. 64). Apesar das “suas fraquezas”, Sinhô é representado como um homem imponente, de quase dois metros de altura e longas barbas negras, protótipo do poder regional, o “dono da terra”.

O irmão Juca Badaró, porém, não era de “fora”, como Sinhô, havia nascido nas roças de cacau e conhecia melhor que ninguém a terra e a sua lavoura: “desde menino que aprendi a conhecer a terra que é boa para o plantio […], basta eu pisar numa terra e sei logo se ela presta ou não pro cacaueiro”. Juca encarna o que há de mais significativo da grapiunidade: desbravador destemido que, à frente de um punhado de homens, enfrenta a mata fechada em noites de tempestade e lidera pessoalmente os jagunços nos encontros armados que alçavam a família à proeminência social e econômica. A narrativa que trata do início da derrubada das matas do Sequeiro é representativa do destemor heroico do desbravador, exemplo de coragem ante os trabalhadores acovardados diante dos mistérios da natureza intocada:

 

Mais adiante deles, parabélum na mão, o rosto contraído de raiva, está Juca Badaró. Também ele estava na mata, também ele viu os raios e ouviu os trovões, escutou o miado das onças e o silvo das cobras, também seu coração se apertou com o grito agourento do corujão. Também ele sabia que ali moravam as assombrações. Mas seus olhos estavam cheios de outra visão. Via aquela terra negra, a melhor terra do mundo para o plantio do cacau… Juca Badaró diante da mata misteriosa sorria… Nem via os homens com medo, recuando. Quando os viu só teve tempo de

correr na sua frente, se postar na entrada do caminho de parabélum na mão, uma decisão no olhar: Meto bala no primeiro que der um passo […].

Os machados e os facões começaram a cair num ruído monótono sobre a mata, perturbando o seu sono. Juca Badaró olhou na sua frente. Via novamente toda aquela terra plantada de cacau, roças e roças carregadas de frutos amarelos. A chuva de junho rolava sobre os homens […] Juca

Badaró guardou o parabélum236.

 

A sua concepção de poder se adequava melhor aos pretensos padrões culturais da região: “toda vez que um se mete em minha frente tem que sair para eu passar […], tu é que pai deixou tomando conta de tudo, até de mim mesmo […] Mas eu te digo, Sinhô, que se eu estivesse no seu lugar a gente tinha duas vezes mais terra” (Terras, p. 65). Aos recém-chegados causava receio o ambiente da terra “O cearense se admirava: nessa terra só se fala em morte.” Com o início dos “barulhos” a morte era anunciada como “mercadoria barata” (Terras, p. 127).

O próprio coronel Horácio da Silveira, principal inimigo da família Badaró na luta pela mata do Sequeiro, participava pessoalmente das invasões: “dizem que ele mesmo liquidou os homens. E que depois, com a sua faca de descascar frutas, cortou a língua de Orlando, suas orelhas, seu nariz, arrancou-lhe as calças e o capou” (Terras, p. 54). O coronel, um homem conhecido por sua violência, ex-tropeiro, lidera e, ao mesmo tempo, desempenha as funções típicas do jagunço, chegando aos requintes de crueldade característicos de mortes exemplares, castigo pela desobediência ou pela não submissão.

A posse das matas do Sequeiro simboliza a disputa pelo poder político e econômico de toda uma região. O coronel Horácio da Silveira anuncia: “essa mata vai ser minha nem que tenha de lavar a terra toda de sangue […] Esta mata é o fim do mundo, seu doutor, e quem tiver ela é o homem mais rico dessas terras de Ilhéus […] É o mesmo que ser dono de vez de Tabocas, de Ferradas, dos trens e dos navios” (Terras, p. 64 e 115). As representações da morte são impregnadas de dramaticidade. A luta do Sequeiro é “uma história de espantar” transmitida, pelos violeiros cegos nas feiras, qualificados como “os poetas e cronistas dessas terras. Pela sua voz […] perdura a tradição das histórias do cacau”.

A influência econômica e social estava em jogo. A vitória significava a aniquilação do poder rival. No início do conflito a família Badaró era “uma potência diante da qual a lei e a religião se

inclinavam”237. A derrota significou o ostracismo, o fim do reconhecimento da influência e riqueza de Sinhô Badaró. Dos relatos sobre a luta do Sequeiro, tanto na ficção quanto nos jornais da época, emerge um conjunto de elementos tipificadores dos habitantes da região do cacau. O uso indiscriminado da violência no processo de incorporação de terras fez da coragem e do destemor diante da morte traços que marcaram culturalmente os seus habitantes.

Da mesma forma, os envolvimentos amorosos na trama jorgeamadiana realçam aspectos identitários regionais, no que se refere à aceitação e recusa da grapiunidade. Algumas das personagens, como Esther da Silveira, expressam o estranhamento que os de “fora” sentem no contato cotidiano com a morte. Esposa do coronel Horácio da Silveira, criada em Salvador, vê-se como uma exilada na fazenda do marido, “onde de raro em raro um trabalhador passa em busca do caminho de Tabocas ou de Ferradas […], naquele mundo estranho que a aterrorizava”. Ao graduar-se no curso normal, foi praticamente obrigada pelo pai a desposar o coronel, homem mais velho, rude e violento como o ambiente da terra. Assim, “ela viera para Ilhéus, outro mundo. Uma cidade pequena, que apenas começava a crescer, de aventureiros e lavradores, onde só se falava de cacau e mortes […] As notícias de

brigas e morte a assustavam” 238.

Uma passagem em especial expressa seu temor e rejeição a aspectos característicos daquele contexto, aquela em que vê uma cobra engolindo a rã na mata, uma alegoria da morte. O olhar “estrangeiro” de Esther consegue apenas enxergar os aspectos que lhe são repugnantes, a mata fechada repleta de cobras e doenças, os jagunços do marido e os corpos mortos dos trabalhadores carregados em redes, que passam em frente da sede da fazenda rumo a algum povoado. Ao conhecer Virgílio, jovem e requintado advogado soteropolitano recém-chegado às terras do cacau, Esther se identifica com o seu comportamento “civilizado”, sua forma de trajar e falar, sua cultura refinada de bacharel. A Virgílio também causou estranheza o contato com o ambiente local, choque cultural perceptível quando testemunha o relato do sobrevivente de uma tocaia no início das lutas pelas matas do Sequeiro:

 

Estava diante de um homem que escapara de ser morto. Era a primeira vez que ele constatava um daqueles tantos acontecimentos dos quais os amigos lhe haviam falado na Bahia [Cidade do Salvador], quando ele se preparava para vir à Ilhéus. No tempo relativamente curto em que Virgílio estava na zona do cacau, ouvira falar de muita coisa mas ainda não se encontrara frente a frente com um fato concreto […] Já ouvira falar nas matas do Sequeiro, já ouvira dizer que tanto Horácio como os Badarós a desejavam […]. Ester havia sentado também […] Também ela ficara

pálida239.

 

Esther, mulher reprimida por um esposo dominador e violento, busca na relação com Virgílio a esperança de escapar do universo social em que vivia, de se estabelecer com o amante em centros civilizados onde a morte e as doenças não fossem tão agressivas e cotidianas. Esperou secretamente que Horácio fosse morto em um dos confrontos com os jagunços de Sinhô e Juca Badaró, para que pudesse, então, se tornar livre. Mas, no seu íntimo, acreditava que Horácio era invencível, imune às balas dos jagunços e às febres da mata, “era imortal, era o dono, o patrão, o coronel. Tinha certeza que morreria antes dele […]. Ele dispunha da terra, do dinheiro, dos homens […], nunca adoecera, parecia que as balas o conheciam e

temiam” 240. Às portas da morte, consumida pela febre, Esther invocou o poder “sobrenatural” do marido, para ela senhor da vida e

da morte, implorou a ele: “não deixe que eu morra”241. Segundo as velhas beatas, Horácio trazia o demônio preso em uma garrafa guardada embaixo de sua cama. O real e o mítico conviviam em torno da figura do coronel, aumentando o temor à sua ira.

A morte não somente trazia consigo respeito e prestígio, como concedia reparação moral. Ao ser afrontado por Juca Badaró em uma casa de mulheres, e não tendo reagido, o doutor Virgílio é aconselhado, pelo coronel Horácio, a mandar matá-lo. Caso contrário, o advogado seria desmoralizado pela população como covarde, pecado maior para a sociedade local. Horácio estava determinado a liquidar o rival, queria fazer um favor ao amigo, darlhe de mão beijada o respeito necessário à sua permanência e ao seu prestígio na região: “o senhor dá ordem ao cabra, e todo mundo vai saber, mesmo que eu responda a júri, que foi vosmicê quem mandou […]. E ninguém se mete mais com o senhor, nem

com mulher sua […], vão lhe respeitar”242.

O assassinato de Juca restituiria ao advogado a dignidade perdida, provaria aos membros da sociedade local que merecia definitivamente o respeito de todos. A aceitação dos argumentos apresentados pelo coronel corresponde a uma adequação do advogado “estrangeiro” aos valores locais, fenômeno esse metaforizado por Amado no “visgo do cacau” que se entranhava nos pés e prendia a todos naquela terra. Ao saber da traição de Esther e Virgílio, o coronel Horácio aplica a lei infalível, ordena a um dos seus jagunços matar o advogado em uma tocaia. Mesmo tendo sido avisado da emboscada, Virgílio caminha em direção à morte, única forma de livrar-se do “visgo” daquela terra semibárbara e, finalmente, unir-se à Esther. A morte o libertaria da civilização do cacau e de tudo o que ela representava. Horácio se vinga do amante de sua esposa mandando matá-lo, como se vingara de Sinhô conquistando a mata do Sequeiro, pisando nos corpos mortos dos seus desafetos e invadindo a fazenda da família Badaró, arruinando-os definitivamente.

A identificação com o aspecto violento da região é marcante em outra personagem feminina — Don’Ana, filha única de Sinhô Badaró, representante, na literatura de Amado, da mulher grapiúna, cujo padrão de comportamento era adequado ao ambiente de rivalidade e morte. Excelente amazona e exímia atiradora, Don’Ana Badaró é um exemplo feminino da valentia. Os trabalhadores das fazendas diziam que a filha de Sinhô era tão valente quanto um homem. Don’Ana não concebia outro mundo que não o das roças de cacau. Não nutria a mínima simpatia pela esposa do seu tio Juca, que detestava visitar as fazendas e não se dava “com essa vida de ver se matar gente”. Don’Ana não a compreendia. Olga representava tudo o que era repulsivo ao seu modo de vida, o que a levava a sentir um profundo desprezo pela sua futilidade, pessoa de

outro mundo, “um mundo inútil e torpe”243. Don’Ana a considerava estranha e mesmo perigosa, “a sentia como que respirando outra

atmosfera, não a que ela, Sinhô e Juca respiravam”244 (Terras, p. 109).

A imprensa local da época traz diversos relatos das tocaias e das invasões de propriedades. O jagunço é um tema bastante explorado pelos jornais locais, a exemplo do Jornal de Ilhéos, que em um dos seus artigos faz menção a “centenas de criminosos profissionais, indivíduos que a gíria popular identifica com o nome caracteristicamente impressionante de jagunços” os qualificando como “o terror dos nossos campos”. Diz ainda que “toda a zona do Sequeiro do Espinho ficou despovoada. Todos os seus moradores refugiaram-se nesta cidade ou mesmo na mata. Uns poucos homens dizem estar no ribeirão de José Bicho, reunidos para não

morrerem na bala dos jagunços do senhor Basílio” 245.

A imprensa oposicionista denunciava o partido governista como o principal responsável pela situação do Sequeiro do Espinho. Os órgãos oficiais negavam motivações políticas no conflito, em uma tentativa de defesa dos correligionários envolvidos. A origem do conflito estaria relacionada à rivalidade entre as mais importantes famílias do distrito, sem qualquer ligação com os interesses dos chefes políticos locais:

 

Quem conhece o espírito moderado e tolerante do nosso preclaro amigo coronel Misael Tavares, honrado intendente municipal de Ilhéus, não pode deixar de acoimar de pequenina politicagem o telegrama que o aponta às autoridades do Estado e da República como responsável pelas ocorrências últimas do Sequeiro do Espinho. Sabe-se que o coronel Badaró depois de escapar de um bárbaro atentado, julga sua existência

ameaçada por elementos armados246.

 

De acordo com os jornais, não era novidade os homens assassinarem os seus semelhantes na região. Os grupos de jagunços de ambos os lados atuavam livremente, perturbando a ordem pública e desrespeitando as autoridades, “como tem acontecido no Rio do Braço, Sequeiro do Espinho, Repartimento e Castelo Novo”. Fazendeiros oposicionistas, como Basílio de Oliveira, eram responsabilizados pelo número maior de desocupados e jagunços, “que andam por aí armados, provocando, espancando e assassinando, apaniguados e sequazes dos nossos