In memoriam: urbanismo, literatura e morte
Funerais, política e sociedade
As implicações sociopolíticas dos funerais respondiam ao interesse da elite econômica, ligada ao cacau, de consolidar o poder simbólico e ampliar o controle social. Os partidos políticos locais aumentaram significativamente os investimentos com o culto dos principais líderes. De acordo com José Murilo de Carvalho, nenhuma agremiação política abdica de possuir o seu panteão cívico. O herói cívico tem a necessidade de responder a alguma aspiração popular ou comportamento que seja coletivamente
valorizado326. No sul baiano, a constituição do panteão baseou-se no convencimento e impôs-se mediante o uso reiterado da palavra escrita, especialmente nos jornais. A estratégia era reforçada pelo emprego do simbolismo das imagens e dos rituais para atingir as camadas populares menos afeitas à leitura.
Conforme observado nos capítulos anteriores, entre os chefes políticos do cacau, a herança do nome ou a participação no desbravamento eram atributos necessários para obter-se um lugar entre os notáveis. No plano das atitudes diante da morte, o culto ao líder configurou-se com maior intensidade nos funerais-pretexto, consagrações movidas por interesses de grupo em enraizar laços de pertencimento, os quais se revestiam de alguma sacralidade ao manter aspectos formais do ritual religioso. As práticas de consagração foram utilizadas para compor uma imagem ideal do líder político, que deveria estar associado às ideias da modernidade e, de forma complementar, às redes de poder tradicionais expressas pelo nome familiar de batismo ou pelo pioneirismo na lavoura do cacau.
A aproximação das elites regionais com o ideário moderno procurou afastar a imagem regional do passado colonial e escravocrata. O peso dessa associação com o “atraso” atrapalhava o desenvolvimento do ethos burguês e moderno da elite regional. De qualquer forma, convém notar que os grandes proprietários continuaram a exploração da força de trabalho que se seguiu à margem do sistema produtivo e organizada em torno dos coronéis do setor agrário-exportador.
Os funerais dos coronéis deveriam ser prestigiados pelo povo em massa. A expressão “enterro de pobre” designava a carência material e simbólica de determinados cortejos, parcamente acompanhados até a provável sepultura rasa no cemitério. O exagero e a pompa eram modos eficazes de legitimar o mando dos coronéis na condução dos negócios públicos. A lembrança periódica da sua contribuição para o progresso regional pelo exercício do poder público pretendia atingir a população, constituindo um imaginário sobre os coronéis que lhes asseguraria o predomínio político, devido à tradição e ao sucesso dos seus esforços para a modernização da sociedade regional.
Era fundamental que o morto possuísse alguns atributos necessários para a sua qualificação perante os membros do grupo político e a sociedade como um todo. Ao utilizarmos como amostragem os elogios fúnebres aos coronéis, encontramos um conjunto de tópicos muitas vezes repetidos, típico das fórmulas jornalísticas, mas que ilustram as qualidades mais valorizadas das
lideranças políticas daquele período. A Tabela 14 refere-se aos qualificativos utilizados pelos jornais ao se referirem aos indivíduos
do sexo masculino em um total de 200 anúncios fúnebres. A Tabela
15 traz os qualificativos referentes ao sexo feminino tirados de um total de 68 anúncios fúnebres. Esses anúncios referem-se às mulheres pertencentes às famílias de políticos, delimitadas segundo os nomes de indivíduos que ocuparam os cargos de conselheiro ou intendente.
Tabela 14 – Qualificativos dos mortos do sexo masculino nos
anúncios fúnebres por década. Municípios de Ilhéus e Itabuna
(1900-1910/1910-1920)
Qualificativos 1900-1910 1920-1930 Total %
Correligionário leal 35 (37,6%) 40 (37,4%) 75 37,5
Parente exemplar 20 (21,5%) 26 (24,3%) 46 23,0
Estimado 16 (17,2%) 15 (14,0%) 31 15,5
Fontes: Centro de Documentação e Memória Regional da Universidade Estadual de Santa Cruz (CEDOC-UESC) e Arquivo Público de Ilhéus (API).
Qualificativos 1900-1910 1920-1930 Total %
Trabalhador 07 (7,5%) 08 (7,5%) 15 7,5
Bondoso 06 (6,5%) 06 (5,6%) 12 6,0
Outros 09 (9,7%) 12 (11,2%) 21 10,5
Total 93 107 200 100
Fontes: Centro de Documentação e Memória Regional da Universidade Estadual de Santa Cruz (CEDOC-UESC) e Arquivo Público de Ilhéus (API).
Tabela 15 – Qualificativos dos mortos do sexo feminino nos
anúncios fúnebres por década. Municípios de Ilhéus e Itabuna
(1900-1910/1910-1920)
Qualificativos 1900-1910 1920-1930 Total %
Parente exemplar 12 (41,4%) 15 (39,4%) 27 39,7
Bondosa 04 (13,8%) 08 (20,5%) 12 17,6
Religiosa 05 (17,3%) 06 (15,4%) 11 16,2
Inteligente 03 (10,3%) 05 (12,8%) 08 11,8
Estimada 03 (10,3%) 04 (10,3%) 07 10,3
Prendada 02 (6,9%) 01 (2,6%) 03 4,4
Total 29 39 68 100
Fontes: Centro de Documentação e Memória Regional da Universidade Estadual de Santa Cruz (CEDOC-UESC) e Arquivo Público de Ilhéus (API).
Como podemos observar, entre os homens a qualidade mais valorizada era a lealdade partidária, com quase 40% das referências. O exercício de mando sobre os seus subordinados era fundamentado em uma confiança recíproca entre líderes e liderados. A lealdade era um fator preponderante nas relações de poder estabelecidas em níveis desiguais de influência. A expectativa do correligionário em ter algum “ganho” com o seu apoio incondicional deveria ser contemplada de alguma maneira.
Em seguida, aparece como um valor referencial o engajamento nas relações de parentesco e o conceito de que o morto gozava na sociedade devido à sua conduta moral e cívica. Por sua vez, as mulheres são mais valorizadas como parentes exemplares, são as mães “extremosas”, as filhas “amantíssimas” sobre as quais recaem a preservação dos valores familiares e a educação dos seus membros quanto ao comportamento em sociedade. A bondade e a religiosidade são sentimentos que marcam a expectativa social em relação às mulheres do período, qualidades que também apareciam entre os homens, apesar do predomínio de outros valores.
O coronel Geminiano Vasconcelos, negociante e agricultor no distrito de Castelo Novo, “deixou largo círculo de amigos e admiradores pelas suas qualidades excepcionais de bondade e espírito.” Vasconcelos ocupou vários cargos, entre os quais o de conselheiro municipal, por largo espaço de tempo. No partido político a que pertenceu, “mostrara-se um elemento de rara intransigência e pelas suas atitudes definidas de espírito empreendedor e dedicado às causas públicas.” Era também “vulto de destaque” na Loja Maçônica Regeneração Sul Baiana, uma espécie de clube seleto dos grandes fazendeiros e comerciantes “por cujo, engrandecimento sempre trabalhou com acentuado devotamento.” À beira do túmulo falou, “em tocante improviso, em nome da loja maçônica, o Dr. Soares Lopes, que interpretou o sentimento de pesar e de saudade dos companheiros e amigos do
morto e disse das suas qualidades e caráter”327.
O espírito empreendedor era realçado para valorizar a existência desses homens que transformaram o cenário sul-baiano de florestas seculares em ricas plantações de cacau. Muitos começaram como simples empregados e alcançaram imensas fortunas. Entre estes, o coronel Rodolfo de Melo Vieira. Ao chegar à região, ainda jovem, empregou-se em uma casa comercial, onde “se distinguiu pela sua atividade e maneiras delicadas.” Poucos anos depois, estabeleceu-se com casa de tecidos e molhados e “conseguiu licitamente uma boa fortuna.” Filiado ao partido político do coronel Pessoa, “foi um dos seus maiores amigos e correligionários, pela abnegação, pela lealdade, pela inteligência e pelo prestígio, sendo considerado um
dos mais valorosos chefes” do partido328.
O perfil individual era atrelado, ao máximo, aos ideais do partido político durante os funerais, pois o grau de adesão popular indicaria o sucesso das práticas filiadoras e identitárias, o que requeria a criação e a sacralização de “heróis” que servissem de referência para os seus adeptos. A importância política do acontecimento aconselhava que os velórios fossem longos e custosos, além de ocorrerem em lugar apropriado, como os organizados nas residências urbanas dos coronéis.
Os funerais de Francisco “Sinhô” Fernandes Badaró Sobrinho podem servir de exemplo desse tipo de cerimônia-espetáculo. O Sinhô Badaró, real, faleceu na cidade de Ilhéus, em 1918, vítima da gripe espanhola. O “ilustre e distinto cavalheiro”, era “elemento de destaque no seio do partido situacionista de Ilhéus, ao qual soube prestar relevantes serviços com a sua vasta influência pessoal”. Atacado pela gripe, “agravou-se de tal sorte a moléstia que zombou de todos os carinhos de sua digna esposa, de sua velha mãe, irmãos e amigos e dos recursos da ciência.”
Com apenas trinta e três anos de idade, o “ativo e trabalhador” agricultor, era considerado “a maior influência política do Rio do Braço, Sequeiro do Espinho e Repartimento.” Contava por essas “férteis e populosas zonas” com um grande número de amigos, muitos compadres e “crescido número de eleitores que o acompanhavam com verdadeira dedicação.” O comentário publicado no jornal A Época afirma que a morte prematura do “forte e distinto correligionário abre um claro difícil de preencher nas
fileiras do nosso partido” 329.
Os necrológios de Badaró exaltam o seu espírito indômito, homem disposto aos maiores sacrifícios pelas causas do partido. Segundo eles, Sinhô não era apenas um político disciplinado e prestigioso, era também “um grande lutador, um destemido, que sentia-se melhor quanto mais se desencadeavam as paixões, quanto mais se agitavam os espíritos nas refregas partidárias.” Como todo aspirante a herói, não conheceu o sentimento da derrota: “invencível, lutava a peito descoberto.”
Ninguém o “dobrava ou intimidava” pela ameaça, “que desprezava, que não suportava e que repelia energicamente. Não sabia recuar e muitas vezes tornava-se rebelde a conselhos que julgava prejudicarem o seu amor próprio.” Em reconhecimento, ricas capelas mortuárias foram depositadas na sala onde repousava o corpo, transformada em câmara ardente, algumas das quais foram colocadas sobre o caixão e outras carregadas para o cemitério. Nas inscrições das capelas nota-se a presença do elemento propagandístico. Muitas eram enviadas em nome das firmas, geralmente de exportação de cacau, com que o falecido mantinha relações comerciais.
Do arrabalde da Pimenta, onde estava provisoriamente residindo, saíram os seus despojos em rico caixão “a cujas alças seguravam após a encomendação, o senador Antônio Pessoa, o coronel Luiz Pinto e irmãos do extinto, passando depois a ser carregado por outros amigos, que disputavam essa honra, até o cemitério municipal.” O enterro foi descrito pela imprensa como “muito concorrido”, jargão típico de referência a eventos sociais mundanos, “apesar da ausência dos adversários.” O cortejo foi narrado como uma verdadeira procissão cívica em homenagem ao falecido político. Nas ruas Araújo Pinho e Barroso, bem como na praça doutor Seabra, “mais de 600 pessoas aguardavam a passagem do féretro, descobrindo-se reverentemente. Todas as famílias das ruas Sá e Oliveira, Santos Dumont e praça Coronel Pessoa assistiram
das janelas de suas casas o desfilar do préstito330.
Poucos anos antes a família de Sinhô havia perdido o seu patriarca, o coronel Antônio Fernandes Badaró, oriundo das Lavras Diamantinas e pioneiro do plantio do cacau na zona do Rio do Braço. O coronel era um dos principais chefes políticos do município de Ilhéus, poder que foi passado, após a sua morte, ao filho mais velho. Os funerais de Antônio Badaró marcaram simbolicamente as relações de poder vigentes na sociedade regional. O velório foi realizado na residência do coronel Henrique Kruschewsky, sogro de Sinhô. No cortejo rumo ao cemitério, o corpo do coronel Antônio Badaró serviu de elo simbólico no reforço de alianças políticas. As alças do caixão, coberto de capelas mortuárias, foram carregadas por alguns dos mais importantes políticos e comerciantes do município.
Ao passar o féretro pela praça Coronel Pessoa, bem como no adro do cemitério, onde o corpo teve sepultura foram prestadas, pela Polícia, as honras devidas à patente da guarda nacional. O conselho municipal e a intendência enviaram uma custosa capela, emoldurada em uma caixa de tampa de vidro e numerosas famílias “de nossa melhor sociedade” enviaram bandejas com flores. Muitos dos 48 anos de vida do coronel Antônio Badaró haviam sido dedicados à política, por isso se tornou “um dos mais firmes e dedicados combatentes do grande partido com altivez e coragem entrando em lutas de que saíra-se vencedor”. Nesta passagem fica evidenciado como as qualidades do coronel confundem-se com as
do partido 331.
Uma forma de percebermos como se dava a construção e desconstrução da imagem individual pelos necrológios é comparando os qualitativos veiculados nos diferentes jornais, representantes de tendências políticas distintas. Tomemos como exemplo o Correio de Ilhéus, quando do falecimento do coronel Domingos Adami, um dos mais importantes adversários do grupo político ao qual o jornal servia de órgão oficial. Observa-se que, no anúncio, não há referências às “qualidades” do coronel em um texto bastante curto, se considerada a sua importância política e social, e localizado nas páginas internas. Em outro número, o Correio anuncia a morte de um político local de importância secundária. O texto está carregado de adjetivações e pesar pela perda do “lealdoso” e estimado correligionário.
Faleceu, na capital do estado, contando a idade de 82 anos, o senhor coronel Domingos Adami de Sá, grande fazendeiro neste município, de onde foi intendente há cerca de 15 anos e exerceu outros cargos de eleição popular. Apesar da sua idade bastante avançada e o estado de saúde há alguns anos abalado, foi recebida com surpresa nesta cidade a notícia do trepasse do velho político, que aqui tem inúmeros parentes e amigos. Chefiou durante largo tempo, o partido situacionista até 1912,
recolhendo-se após essa data à vida privada332.
Faleceu o nosso velho e intransigente amigo Joaquim Isidoro de Oliveira, realmente estimado pelos seus dotes de caráter e pela honestidade com que sempre viveu trabalhando. Era um dos elementos lealdosos(sic) e sinceros do nosso partido, a cujo chefe ouviu com apreço e religiosidade. Valiosa coroa de biscuit foi depositada pelo nosso querido chefe senador
Pessoa333.
Homenagens oficiais do poder público, como a prestada pelo legislativo de Canavieiras aos seus mais importantes membros, também faziam parte do pacote de enaltecimento individual. As moções de pesar propostas pelos conselheiros dão mostra do sentimento de perda causado pelo falecimento dos mais influentes líderes municipais:
Falecem-me (sic) as ideias, falta-me o cultivo para enumerar a grandeza desse homem, pautado nos moldes da honra, da caridade e do dever. A sua palavra era superior a um documento escrito. Hoje choram inúmeras famílias onde a pobreza envergonhada invade o lar honesto e que a sua bolsa sempre pronta se abria a socorrer. Como era pai exemplaríssimo, não lhe faltando os conselhos e os esforços para elevar os seus descendentes. O dever era o escudo da sua vida. Conservador a toda prova. […] Canavieiras perde dia a dia os seus antigos sustentáculos. Há quatro anos passados desapareceu Augusto de Carvalho e poucos restam nesta boa terra. A falta de Antônio Francisco de Souza é impreenchível e a sua queda foi um profundo golpe no seio do Partido Democrata o qual tinha no extinto um baluarte de amparo. Militou sempre na política, ao lado do benemérito Augusto Luiz de Carvalho e Salustiano Viana, ocupou todos os cargos de destaque político e parece não deixou inimigos, face as manifestações que surgem de todos os lados em sinal de pesar pelo seu
falecimento 334.
Ao final do império, os mais antigos líderes liberais ligados ao coronel Pessoa perderam o controle político regional, vindo a amargar um longo período afastados do poder. Porém, estrategicamente, esse grupo fez o possível para aproximar o discurso oficial do partido ao ideário republicano, à modernidade e ao progresso. Mostravam-se como defensores de uma nova sociedade e recusavam o “atraso” e o “elitismo” típicos do período colonial e monárquico. Ao tempo em que construíam um vínculo entre as ações do partido e a ascensão econômica da lavoura cacaueira, buscaram legitimar os seus próprios fundadores.
O passado deveria servir aos interesses presentes, num processo de autor reconhecimento coletivo que necessitava de suas figuras inaugurais. Ao glorificarem as figuras dos fundadores do partido, os pessoístas tentaram construir uma referência paradigmática com o objetivo de simbolizar a gênese do seu ideário. Os coronéis “pessoístas” tinham consciência de que o seu poder somente seria consolidado e legitimado se fosse criada uma identidade regional aglutinada em torno de novos valores, símbolos e ritos públicos capazes de gerar um possível consenso em relação à imagem política do partido, como uma agremiação que reunia os principais responsáveis pelo desenvolvimento do progresso material da região cacaueira.
O coronel Antônio Pessoa foi um pioneiro, no sul baiano, do uso político da imprensa em benefício dos líderes do seu partido. Pessoa reuniu alguns dos maiores fazendeiros de cacau de Ilhéus e de Tabocas na Sociedade Anônima Gazeta de Ilhéos, cujas ações totalizaram a soma de vinte e três contos e seiscentos mil-réis, um investimento financeiro de relativa monta para o período. É interessante notar que os nomes dos dois maiores adversários políticos de Pessoa, os coronéis Domingos Adami de Sá e Henrique Alves dos Reis, constavam entre os acionistas da Gazeta. O periódico foi inaugurado em 1901, tendo Antônio Pessoa como seu primeiro redator-chefe e principal articulista. A Gazeta foi um espaço privilegiado utilizado para a propaganda política do partido oposicionista. Os artigos, quase sempre alegando uma pretensa neutralidade, serviram como base de propaganda dos discursos sobre a superioridade moral e cívica do grupo pessoísta.
Resignando os cargos que ocupavam nesta empresa os ilustres diretores, desde a sua fundação, nem por isso deixará a G. I. de manterse no programa da neutralidade que adotou muito embora filiados sejam os novos diretores a um dos partidos militantes deste próspero município […] O bico de pena [fraude eleitoral], que funciona há doze anos, só tem servido para formar agregações ao impulso dos interesses pessoais e criar oligarquias para o predomínio de determinados “senhores”[…] Queremos tranquilidade completa para os espíritos das famílias, quase sempre inquietos pelas correrias, por desordens inenarráveis, pelos assassinatos nas estradas, queremos a eliminação do bacamarte, do banditismo, o desaparecimento do jagunço, o arrefecimento das paixões
desordenadas335.
Na tentativa de criar uma nova imagem da sociedade, desvinculada da “aristocracia” do cacau, a elite de self-made men apostou claramente na própria imagem como pioneiros do processo civilizacional do cacau, que simbolizariam uma identidade de grupo, afirmando uma alteridade em relação aos demais segmentos políticos e sociais.