O Tempo Não Apaga

Crys Carvalho · Capítulo 21 de 32

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O Tempo Não Apaga

Capítulo 20.

 

Fernando encontrou Helen onde Vinicius havia indicado. Apreciou a imagem por um momento, ela parecia exausta, mas dormia serenamente.

— Acorde, Helen — ele a chamou.

— O que faz aqui, Fernando?

— Tive uma emergência no hospital. Vida de buco-maxilo, sabe bem como é.

— Que horas são? — perguntou, atordoada.

— Seis da manhã. Vinícius me contou sobre o Matheus. Como ele está?

— Digamos que ele está bem, na medida do possível — De repente, é tomada por uma preocupação súbita. — Meu Deus, com essa confusão toda, acabei me esquecendo da Olívia!

— Ela não estava com a tia?

— Não, Samantha deve tê-la deixado com a babá. Me dê alguns minutos, Fernando, preciso saber se aquela mulher idiota está cuidando da sobrinha — respondeu, tirando o celular do bolso.

Ligou para a babá que a tranquilizou. A menina ainda não sabia sobre o que havia acontecido ao pai. Tinha dormido a noite toda. Quanto à irmã de Matheus, aparentemente não pretendia fazer nenhuma loucura.

— Quando Olívia acordar, por favor me avise, Marly. Não sei se a tia dela está em condições de tomar alguma decisão por ela.

Encerrou a ligação enquanto Fernando a encarava com um olhar curioso.

— Não conhecia esse lado seu, Helen. Confesso que estou surpreso.

— Aquela garotinha não tem culpa das tolices da tia. Amo o pai dela e acredito que zelar por ela é o mínimo que posso fazer nesse momento.

— Por que a Sam foi embora? — ele a questionou.

— Eu a expulsei. Não aguentava mais olhar para a cara de coitadinha daquela criatura imbecil.

— O que aconteceu entre vocês? — perguntou, curioso.

Helen explicou tudo a ele, que ficou sem reação por alguns minutos.

— Quando foi que a minha Cinderela virou uma bruxa má? — Ele tentou arrancar um sorriso de Helen. — Você vai ficar bem, minha querida, estou aqui. Vai ficar tudo bem, confie em mim.

Fernando a abraçou por um momento.

Vê-la ali, sofrendo daquele jeito, lhe partia o coração. Se houvesse um modo de arrancar a dor dela, ele encontraria. Quando inicialmente se aproximou de Samantha, foi com a intenção de saber que tipo de pessoa era. E, agora, havia descoberto. A mulher havia partido o coração de Helen e não tivera respeito algum pela história que a outra construíra com Matheus.

Lembrou-se da carta. Aquilo só podia ter sido invenção dela. As explicações não faziam o menor sentido, mas agora tinha certeza de quem havia escrito todas aquelas baboseiras sem nexo.

— Espero que sim, Fernando. Preciso contar a verdade a Matheus e não tenho ideia de por onde começar. Por que isso tinha que acontecer?

— Minha querida, tudo acontece na hora certa. Você vai conseguir. Estou aqui. Seus amigos ficarão do seu lado e iremos te ajudar com toda essa bagunça.

— Aqui estão vocês — Vinicius exclamou. Sua empolgação era exagerada para um médico que havia corrido pelo hospital praticamente a madrugada toda — Devo me preocupar com o meu paciente? Acho que ele não ficará muito feliz com essa cena. Afinal, ele pensa que você ainda tem vinte e cinco anos e é seu noivo. Posso garantir a vocês que ele não será nada compreensivo com esse momento "revivendo o passado" de vocês dois — ele ria da própria dramatização — Alguns meses fora e vocês já ficam aí se pegando sem me dizer nada. Fernando, achei que era sério todo aquele papo de que tinham se divorciado.

— Seu palhaço, não é hora de brincadeiras. Como está Matheus?

— Acordado e perguntando por você a cada segundo. E quando digo segundo, não estou exagerando — enfatizou — Penso, inclusive, que as enfermeiras já amaldiçoaram seu nome. Além disso, você me deve um café, Srta. Helen. Ou devo chama-la de Sra. Matheus Lopes? Credo, vocês confundem a minha cabeça com tanta bagunça. Não pense que engoli essa sua história mal contada. Meu Deus, passo seis meses fora e vejam só o que a senhorita apronta.

— Você é tão dramático, Vini. Já pensou que talvez esteja na profissão errada? — O amigo fingiu estar ofendido, mas depois deu uma gargalhada alta.

— Desculpe — Vinicius disse, tapando a boca quando uma das enfermeiras lhe olhou feio — O que ainda está fazendo aqui, Helen? Vai lá ver seu... Sei lá. Namorado, talvez? — Arqueou a sobrancelha e deu um sorriso travesso.

— Só você para me fazer rir num momento desses. Até mais, rapazes! Não quer ir vê-lo, também, Fernando?

— Ainda não é tempo de me meter nessa história. Vou para casa. Foi uma noite longa. Meu paciente já está medicado e não é do meu ombro que Matheus precisa agora, querida. Entendo que vocês precisam de um tempo para digerir isso. — Não conhecera Matheus antes do acidente, por isso não se sentia confortável em visitá-lo naquele momento.

Helen assentiu e seguiu para o quarto onde o outro estava.

Vinicius e Fernando a observaram ir.

— Sei que ainda ama essa mulher. Você não pode negar. Seus olhos não mentem, Fernando.

— Falou o neurologista sabe-tudo. — Ele passou a mão pelos cabelos em um gesto nervoso. — Cara, isso vai acabar comigo. Eu sei e você também sabe, mas não posso evitar querer protegê-la sempre. Acho que é a única coisa em que sou bom realmente. Odeio vê-la tão frágil assim. Me faz lembrar de quando a conheci, da maneira que a vi. É um caminho perigoso, eu sei, mas ela precisa de mim.

— Nunca vi duas pessoas gostarem mais de drama do que você e a Helen. Conversamos por um minuto e já quero abraçar, confortar e oferecer lencinhos. Isso é patético — revirou os olhos — Minha nossa senhora dos desconsolados! Diga-me, como consegue se autoflagelar com tanta classe? Eu não teria essa coragem de ficar tão perto e tão longe da mulher que amo. Isso se algum dia eu amar de verdade.

— Ah, e você pretende continuar arrancando suspiros por ai, em vez de se amarrar a alguém? Não queira estar no meu lugar, Vinicius. Sinto, todos os dias, como se parte de mim estivesse indo embora. Cada vez que olho para ela e vejo seus medos, suas angustias e incertezas, sinto uma dor horrível. Para piorar, me tornei dependente dessa dor. Por mais insuportável que seja, ela faz de mim quem sou. Entendo que ela nunca será minha, que não vou tocá-la, mas escolhi estar ao seu lado, independentemente de ser o marido ou apenas um mero amigo.

— Admiro sua coragem e determinação, meu caro — Vinicius disse, apertando o ombro de Fernando em solidariedade a sua dor — Tem uma coisa que você precisa saber. Estive analisando o caso do Matheus e as notícias não são nada animadoras. Pedi alguns exames para confirmar. As coisas podem ficar bem complicadas. Não quis dizer a Helen, mas quando Matheus acordou no hospital, ele pediu para a enfermeira ligar para Samantha e perguntou pela filha. Isso me preocupou porque logo depois ele não a conheceu. Estou torcendo que seja temporário.

— Por favor, Vinicius, não conte a Helen sobre isso. Espere um pouco mais. Isso só irá deixá-la ainda mais preocupada.

A vida de Fernando nunca fora um livro aberto. Não era o tipo de pessoa que dizia aos quatro ventos o que estava sentindo. Conheceu Vinicius quando começou a trabalhar em São Felipe. Ele é o único irmão de sua cunhada, Tatiana, e tornaram-se bons amigos. Só ele sabia dos sentimentos reais de Fernando por Helen, apesar de, no fundo, ela saber também. O rumo que as coisas estavam tomando o deixou vulnerável, mas tinha consciência do seu lugar na vida dela.

— Fernando, você conhece a irmã de Matheus? Que mulherzinha insolente.

— Claro que conheço aquela mulher idiota. Se lembra da carta?

— Aquela que Matheus usa argumentos ilógicos para justificar o sumiço e que Helen nunca chegou a ler?

— Sim, tenho certeza de que foi a irmã dele que a escreveu.

— Mas que mulherzinha imbecil e arrogante — Vinicius xingou.

— Vejo que você já conheceu as virtudes de Samantha. Tome cuidado, ela não é tão inocente quanto aparenta. É uma cobra peçonhenta — Fernando alertou.

— Sei muito bem como lidar com cobras!

***

Helen estava apreensiva, mas quando entrou no quarto e Matheus a recebeu com um sorriso torto, todos os seus medos se foram.

— Você está se sentindo bem, Matheus? — foi a primeira coisa que perguntou.

— Tirando a dor de cabeça insuportável e estar sonolento, estou bem. Você não foi para casa? Ah morena, não foi nada. Não se preocupe tanto. — Ela sentou-se ao lado dele na cama. Logo foi envolvida por braços fortes. Não resistiu e se permitiu chorar. — Ei, está tudo bem, eu estou bem.

Matheus tocou seu rosto e beijou-lhe o topo da cabeça. A porta se abriu e o médico dele entrou para uma última visita antes de acabar o plantão.

— E então, Matheus, você se sente bem?

— Claro, Vinícius! Mesmo me escondendo coisas, essa mulher tem um efeito tranquilizante em mim.

Vinicius olhou surpreso para o paciente e a amiga, mas desconversou.

— Matheus, após a última convulsão, eu pedi novos exames e você ficará aqui por mais um dia. Por ora, é só. Meu plantão está terminando. Passo aqui novamente às três da tarde. Tenha um bom dia. Helen, me acompanhe até a porta?

Ela assentiu.

— O que eu faço, Vini? Não tenho ideia do que dizer a ele.

— Você é a pessoa mais forte que já conheci, Helen — o amigo garantiu e segurou sua mão — Já enfrentou tanta coisa e continua aqui, com esse sorriso que contagia a todos. Apenas siga seu coração e, por enquanto, limite-se a responder as perguntas dele. Qualquer alteração, me avise — pediu e soltou sua mão.

Helen fechou a porta e, ao encarar Matheus, lembrou-se do que ele havia dito ao médico. Tinha alguma coisa muito errada. Um frio percorreu sua espinha.

— O que quis dizer com "mesmo escondendo coisas"? — Helen tentou entender, vasculhar suas lembranças sobre o acidente anterior do qual ele se lembrava e, definitivamente, não conseguia lembrar de algo que pudesse estar escondendo dele na época.

— Estou falando de um relacionamento baseado em mentiras. Apesar de acreditar que, provavelmente, você não tenha grande parcela de culpa. — Ela estava pálida e sem palavras. Aquilo não podia ser possível. — Não foi justo o que fez comigo, Helen.

— O que exatamente fiz? — Parecia pisar em um campo minado a cada avanço daquela conversa. Sentia seu coração acelerar descompassado. Notou a inquietação e impaciência dele.

— Foi isso que você fez — retirou do bolso o pingente dela, que instintivamente levou a mão ao pescoço. Com toda essa confusão, ela nem se deu conta de que o tinha perdido.

Todo o seu corpo estremeceu ao segurar aquela velha lembrança. Ele sabia de tudo. Em algum momento durante as últimas horas, o cérebro dele tinha encaixado as peças da forma correta. Pelo menos, era nisso que ela queria crer. Tinha desejado tanto isso nas últimas semanas, e agora não fazia ideia do que dizer.

Apertou o pingente e entre as mãos. Como tinha parado nas mãos dele?

— Você sabe, não é mesmo?

— Sim, eu sei, Helen. Ainda está tudo muito confuso para mim e preciso fazer algumas, ou muitas, perguntas — ele disse, acariciando o rosto dela — Olhe para mim e diga se estou enganado. O motivo de ter corrido de mim ontem à noite, depois de te encher de questionamentos, foi porque a garota da foto no meu celular era você. Que esse anel no seu dedo fui eu quem te dei. Sim, me recordo de algumas coisas do que aconteceu entre nós nos últimos dias e, de alguma forma, sei que é o amor da minha vida. Quando você entrou no quarto agora pouco e te abracei, me lembrei de uma parte da minha vida que preferia ter morrido do que esquecer. Mas não consigo saber o que aconteceu comigo para que eu pudesse esquecer, muito menos como vim parar aqui.

— Me perdoe, Matheus — ela pediu. Ele corria as mãos pelos cabelos, com o olhar claramente confuso — Sei que não tinha esse direito, só que tive medo de piorar as coisas. Samantha disse que você não estava bem nos últimos dias.

— Samantha... — ele repetiu o nome da irmã, pensativo — É sério que arranjei uma irmã? Se a minha cabeça for pelo menos um pouco confiável, lembro que aquela mulherzinha adora se meter na minha vida. Você poderia ter me contado a verdade quando te perguntei a noite passada, Helen. — Matheus a puxou levemente para mais perto, ainda sentia os pequenos choques ao tocá-la, só que agora faziam todo sentido.

— Tive medo — confessou, baixando o olhar — Medo de acontecer algo de ruim a você. Tanto que acabei causando tudo isso.

— Venha cá, morena, não chore. Não estou bravo, não mais. Está tudo tão confuso. Só me lembro do vazio no meu peito e que você conseguiu preenchê-lo novamente.

Ela estava bem diferente do que ele lembrava, mas continuava a arrebatar seu coração da mesma forma.

— E quando foi que você se tornou ruiva? Porque não me lembro de namorar uma ruiva — ele riu — Tenho quase certeza de que me apaixonei por uma morena.

— Foram mudanças necessárias para que eu pudesse seguir em frente com a minha vida sem você — disse, sentando-se ao lado dele. Não conseguia decifrar a expressão no rosto de Matheus. Confusão, raiva, tristeza, culpa e muitas outras coisas.

— Sinto Muito. De certa forma, é como se tivesse acabado de acordar de um sonho ruim. Por quanto tempo fiquei assim, sem saber que você era?

Tudo era estranho para ele. Apesar de se lembrar de algumas das partes importantes do seu passado, seu presente não fazia tanto sentido quanto ele gostaria.

— Nos reencontramos há pouco mais de um mês, mas você está assim há sete anos — ela respondeu, num fio de voz, com os olhos cheios de tristeza — Teve uma perda de memória significativa e conviveu com essas lacunas durante muito tempo. É normal se sentir perdido. Lembra-se do que ocorreu ontem depois que te deixei na piscina?

— Sim, disso me recordo. Nossa conversa à beira da piscina. Você esqueceu o livro na espreguiçadeira ao fugir de mim, quando o folheei e vi a nossa palavra, quase o derrubei. Foi então que encontrei esse pingente — ele pegou o relicário da mão dela e o abriu — Neoqeav. Sim, falhei com algumas promessas — afirmou, fechando os olhos numa tentativa de lembrar com clareza o que sentiu — Naquele momento, soube onde estava quem estive procurando nos últimos dias. Depois disso, não me lembro de mais nada. Acordei aqui no hospital, rodeado de enfermeiras e o Dr. Vinicius.

Ela apenas baixou a cabeça e apertou a mão dele.

— Helen, quem é Olívia? — ele questionou, passando os dedos na tatuagem.

— Sua filha.

— Tenho uma filha? — o olhar dele se iluminou — Droga! Como pude esquecer algo assim?

— Isso tem acontecido com frequência. Por isso você tem alguns truques na manga, ou melhor, no celular e na sua agenda. Infelizmente, não sei como faz isso. Sinto muito. — Helen notou o desapontamento dele.

— Me desculpe, pode me dizer como vim parar aqui?

— O médico já te contou antes, mas acho que não se lembra. Teve uma convulsão, bateu a cabeça e caiu desacordado na beira da piscina do nosso prédio.

— Talvez por isso minha mente esteja um pouco confusa. Não consigo decifrar se algumas coisas são reais ou ilusões. Por exemplo, sei que Samantha é minha irmã e me deve algumas explicações. Depois de mencionar minha filha, consigo identificá-la nas minhas lembranças. Tenho certeza do que você significa para mim, mas há uma coisa que não está se encaixando direito. Fomos noivos, ok. Ficamos separados por algum motivo que não me recordo agora, ok. Você mencionou que nos reencontramos a pouco mais de um mês, ok. Você é minha namorada outra vez?

— Digamos que sim. Ainda não encontramos um termo para a nossa relação.

— Como não achamos um termo para nossa relação? Não me recordo dos argumentos que usei para justificar essa idiotice — indagou, visivelmente decepcionado.

— Apenas não queria assustar as pessoas com um relacionamento repentino. E você queria achar a moça — ela riu sem humor — No caso, eu mesma.

— Por um momento, achei que éramos casados — colocou a cabeça entre as mãos — Me sinto tão cansado... As coisas parecem não fazer sentido na minha cabeça. Tem alguma foto da minha filha? — quis saber. Acariciava sua tatuagem novamente, nitidamente abalado pela falta de memória — Gostaria de ver se ela é exatamente como nas minhas lembranças.

Helen retirou o celular dele de dentro de sua bolsa, o porteiro havia entregado a ela, e mostrou-lhe a foto da garotinha.

— Nossa, ela é realmente linda como na minha cabeça. Me fale sobre a Samantha. Como ela é?

— É sua meia-irmã. O procurou quando seu pai esteve doente. Vocês moram no mesmo prédio que eu.

— Ok. Sim, sei que ela é minha irmã. Perdi muita coisa e estou tentando absorver tudo, porém tem outra coisa que até agora não se encaixou. Onde você entra? Por que não nos casamos? Me lembro de pedi-la em casamento. Depois, não sei mais. Só que você é muito importante para a minha vida. É impossível lutar contra essa força que nos atrai feito imã. E, por ter essa sensação, sei também que está me escondendo alguma coisa importante.

— É bem complicado. Como expliquei antes, há sete anos você sofreu um acidente de carro bateu a cabeça e...

— Pelo amor de Deus, eu tenho tendência a bater a cabeça?

— Talvez sim — ela forçou um sorriso— Continuando, você ficou em coma e perdeu a memória. Não lembrava absolutamente nada de sua vida anterior. Estava sobre os cuidados da sua irmã que, igual a você, não... — hesitou, pois, essa era uma conversa que a própria Samantha deveria ter com o irmão — Não sabia sobre sua vida. Ou não quis saber. Algo do tipo. Resumindo, você viveu sete anos longe dessa cidade e voltou há mais ou menos dois meses. Você não lembrava absolutamente nada sobre o que houve entre nós.

— Esqueci a melhor parte da minha vida? Você está de brincadeira! — exclamou, irritado. Talvez seja mesmo uma piada, ele pensou, mas pelo olhar sério de Helen, sabia que era a verdade — Me desculpe, morena. Ou melhor, ruivinha. Imagino que você tenha sofrido com isso. E como acabamos "namorando"?

— Você se sentiu atraído por mim. Eu não consegui evitar e fiquei perto demais. Sei que tem muitas perguntas, Matheus, e vou respondê-las assim que possível, mas descanse um pouco. Não vou sair daqui, não vou a lugar algum. Já passei tempo demais sem você!

Ele a aconchegou em seus braços. Precisava dela em sua vida. Como conseguiu passar tanto tempo longe? Imaginar uma sua vida sem Helen é praticamente impossível. De alguma forma, ela conquistara seu coração duas vezes. Sua respiração foi ficando ritmada, a dor estava passando. A maciez da pele dela em contato com a sua, o sorriso dela. Tudo fazia com que ele se sentisse bem novamente.

— Senti saudades, ruivinha — sussurrou no ouvido dela — Amo você. Sempre foi você.

Fechou os olhos, acariciou os cabelos dela e beijou-lhe as pontas dos dedos. Ela tinha adormecido. Foi estranho saber que esteve ausente da própria vida por tanto tempo e que teve uma vida sem Helen. A observou dormir, o que fazia seu coração se aquecer.

No momento, a única certeza que ele tinha era que ela lhe pertencia.