O Tempo Não Apaga
Capítulo 30
Aquele lugar era um paraíso, tudo perfeito. Helen ficou extasiada com tanta beleza.
Havia descansado bem depois da ótima noite de sono. Tomou o café da manhã e seguiu em direção à praia particular da pousada.
Desde que desceu daquele avião, tudo estava diferente dentro dela. Foi tomada por uma paz que não sabia ao certo de onde vinha. Estava tudo muito claro. Tão límpido e cristalino quanto à água do mar a sua frente. Sabia exatamente o que sentia por Matheus e não havia nada para confundi-la.
Sentou na espreguiçadeira, tirou a saída de praia, encarou o mar em toda a sua imensidão, fechou os olhos e inspirou o ar salgado.
O toque de mensagem do celular interrompeu a tranquilidade. Matheus. Ela leu o nome na tela.
Obrigado por me amar apesar de tudo. Prometo recompensá-la.
Me espere.
Neoqeav
A mensagem a fez imaginar que ele sabia exatamente onde ela estava. Sorriu com a possibilidade de Matheus estar ali. Levantou-se e olhou de um lado para o outro a procura dele, mas não o encontrou. Andou um pouco até que seus pés tocassem a água e se perdeu por um momento, admirando o mar. De repente, ouviu uma voz que conhecia muito bem.
— Linda manhã, não acha, moça?
O coração dela disparou. Matheus tinha se materializado atrás dela, envolvendo-a em seus braços e sabia que ele não a soltaria nunca mais. Apenas se permitiu sentir o aroma amadeirado que exalava dele e os braços fortes que a envolviam
— Achou mesmo que eu a deixaria sozinha em um lugar tão lindo depois de tudo que me disse naquele avião?
Hellen apenas riu com a lembrança das palavras que antecederam o beijo.
"Quer reviver novamente? Estou aqui."
— Helen, estou aqui porque quero recomeçar a nossa história. Quero esquecer tudo que nos machucou, que nos afastou. Querida, sei que toda história de amor é assim, cheia de idas e vindas. Se chegarmos juntos ao fim, que importância tem todo o resto? — Ela riu. Aquela era uma frase típica de Matheus. Do Matheus antigo. Do otimista. — Confesso que a nossa parece a mais louca de todas. Nós somos um casal imperfeito, mas as nossas diferenças nos tornam melhores. Mesmo assim, gostaria de acordar todas as manhãs ao seu lado, ver o sol aquecer seu rosto e saber que sou o motivo desse brilho em seus olhos. Provavelmente, essa será a última chance que a vida nos dará para tentarmos encontrar um ao outro no meio de toda essa bagunça — ele sussurrava as palavras em seu ouvido, deixando-a sem equilíbrio — Eu amo você e não quero que essa doença idiota, minha irmã, seu ex-marido ou qualquer outra coisa possa nos separar outra vez.
Ela estava sem palavras. Oh Céus! Queria Matheus mais do que tudo. Desde que apareceu novamente e se viu envolvida por ele outra vez, soube que nunca conseguiria dizer adeus aquele homem. Sabia que, lá no fundo, nunca o deixaria ir outra vez. Tinham tido a oportunidade para esclarecer tudo o que aconteceu nos últimos anos e nas últimas semanas. A verdade não os afastou; fortaleceu ainda mais os laços entre eles.
— Matheus, não consigo te dizer adeus. Por mais que eu tente... — as palavras dela foram sufocadas por um beijo avassalador que lhe roubou o chão.
Por ela, Matheus se reinventaria, enfrentaria seus medos e sua doença.
Um beijo. Um toque. Um olhar. Sempre falavam muitas coisas, e aquele momento expressava todas as palavras não ditas, as desculpas não pedidas. A hora de juntar todos os pedaços e seguir em frente havia chegado. A muito contragosto, ele cessou o beijo. Algumas coisas ainda não haviam sido ditas.
— Minha filha me fez prometer que eu faria tudo como manda o filme de etiqueta das princesas — Matheus afirmou e afastou-se por um momento. O sorriso no rosto era largo e genuíno. Enfiou a mão no bolso, retirou um envelope rosa cheio de glitter e estendeu para ela.
Com as mãos trêmulas, Helen abriu o envelope. Havia um desenho infantil engraçado de três pessoas de mãos dadas e logo abaixo as palavras, escritas em letras garrafais e tortas, fizeram seu coração derreter.
QUER SER MINHA MAMÃE?
Helen enxugou as lágrimas e apertou o papel contra seu peito.
— Casa comigo? — Matheus disse por fim. Estava ajoelhado aos pés da mulher que amava — Vem ser minha para sempre. Dessa vez, sem interrupções.
— Você roubou meu anel? — ela perguntou em meio a risos — Como conseguiu isso?
— Digamos que eu tive uma mini ajudante muito eficiente. Você ainda não respondeu minha pergunta: casa comigo?
— Nunca diria não a um pedido desses. Especialmente vindo de vocês dois!
O anel foi recolocado no anelar direito, de onde nunca deveria ter saído. Matheus depositou um beijo na mão dela e logo depois a puxou para um beijo que selava, mais uma vez, o compromisso deles. Helen tinha lágrimas nos olhos e um sorriso emoldurando seu rosto.
— Me perdoe por tanta bobagem que fiz ao longo desses sete anos? — Matheus afagou os cabelos da noiva à espera da resposta.
— Claro que perdoo, mas o que te faz pensar que eu também não tenha que ser perdoada?
— Eu já perdoei você. Vamos esquecer esse passado triste que tivemos — sugeriu, sentando-se na espreguiçadeira e a trazendo para seu lado — Já que vamos começar do jeito certo, tem uma coisa que você precisa saber. Não estou aqui por mero acaso. Há um mês, Fernando me fez jurar que eu não voltaria a te machucar e prometeu colaborar comigo. Uma semana atrás, ele me contou o seu plano secreto de fuga.
— Sabia que tinha o dedo de alguém aqui. Não estou surpresa. Fernando me prometeu que tentaria me fazer feliz, e é exatamente assim que me sinto agora.
— Essa coisa que vocês têm me incomodou bastante, mas Samantha e o próprio Fernando conseguiram fazer com que eu entendesse e aceitasse — confessou — Ainda não engoli totalmente, mas aquele cara é digno do meu respeito por tudo que fez por você.
— Ele é uma pessoa incrível que merece ser feliz. Nem uma vida inteira agradecendo seria suficiente para o que ele fez por mim, e até mesmo por nós.
Matheus não queria mais falar sobre o ex-marido de sua noiva. Ele tinha Helen em seus braços. Finalmente as coisas se resolveriam e poderiam ser felizes.
— Almoça comigo hoje? — ele perguntou baixinho no ouvido de Helen — Durante os próximos dias, tenho muitos planos para nós dois. Confesso que a maioria deles inclui você na minha cama. Precisamos recuperar o tempo perdido, ruivinha.
A boca dele procura a dela em uma fome insaciável. Sem pensar duas vezes, Matheus se levantou e estendeu a mão para ela. Caminharam em direção ao chalé onde estava hospedado.
Quando finalmente trancou a porta, pôde olhar par a mulher a sua frente com toda a luxúria que o consumia. Vê-la ali, pronta para tudo aquilo que ele queria oferecer, fez com que ele se sentisse mais vivo do que nunca.
Se por dentro ardia com a paixão, por fora manteve a calma. Em passos lentos, se aproximou dela, deixando-a ciente do que estava por vir. Palavras não eram necessárias. Ela sabia, assim como ele, que o momento havia chegado. Haviam esperado por muito tempo.
Se olhavam intensamente. Sem tocá-la, começou a desabotoar a saída de praia que usava. A respiração dela estava ofegante, assim como a dele.
Não tardou para que estivessem completamente despidos. Não apenas de roupas, mas de inibições. O passado — e os sofrimentos que ele causou — não pertencia aquele momento. Só eram permitidos o amor e a paixão que sentiam um pelo outro.
Haviam se rendido aquilo que sentiam. Era inevitável. Matheus precisava tê-la mais uma vez. Queria sentir o corpo dela estremecendo com o prazer que ele proporcionaria.
A tomou em seus braços, depositando-a sobre a cama. Lentamente, permitiu que seus lábios percorressem o corpo dela por inteiro, deixando-a completamente arrepiada. Com todos os problemas que enfrentara, havia esquecido o quão sensuais eram os sons que sua noiva emitia quando estava sendo amada.
Ela estava pronta, assim como ele. Em um movimento único, porém controlado, encaixou a última peça do quebra-cabeça. Finalmente, estavam unidos.
Ambos estavam entregues ao desejo, e o ato era a forma que tinham de se expressar sem palavras. Eram gestos, sons, cheiros e toques que demonstravam o quanto se amavam e precisavam do outro.