Os dialetos românicos ou neolatinos na África, Ásia e América
Formação por apocope (sem apherese)
Lelencho » *Lencho (Rencho) » Flo-rencio. Tantancha » *Tancha » Constança. Tatacho » *Tacho » Anas-tacio. Tetea » *Tea » Doro-thea. Tetés » *Tés (Teus) » Ma-theus.
b) Bebé » *Bé » Berna-bé.
Chéché » *Ché » José. Jéjé » *Jé » José. Quimquim » *Quim » Joa-quim. Tintim » *Tim » Valen-tim.
2) Com apocope:
Didi de *Di (Dina) de Clau-dina.
Fonfon » *Fon (Fonso) » A-fonso.
Chichi » *Chi (Chilia) » Ce-cilia.
Chichi póde explicar-se tambem por apocope.
3) Com syncope:
Tantano de Tano (Trano, Triano, Toriano) de Vic-toriano.
Tintina » Tina (Trina, Tarina) » Ca-tharina.
Formação por apocope (sem apherese)
A. Sem retracção do accento:
Balánta de Valentim.
Pelíco » Policarpo. Supro » Cypriano.
Algumas das fórmas difficeis de explicar resultam sem duvida, em parte, de uma complicação de processos; Potâ, por exemplo, provém, de Hypolito por apherese de Hy, syncope de l com contracção de vogaes e protracção do accento, mas esta fórma permanece isolada. A derivação póde tambem, como n'outras linguas, ter representado algum papel (Lota==Izabelota).
Os processos de formação que acabâmos de expor não têem nada de especial: encontram-se com simples variantes n'um grande numero de linguas antigas e modernas, falladas a distancias consideraveis, pertencendo a grupos radicalmente distinctos.
Mr. Robert Mowat consagrou ás fórmas hypocoristicas um estudo muito interessante, De la déformation dans les noms propres, publicado primeiramente em Mémoires de la société de linguistique de Paris, e depois na brochura Noms propres anciens et modernes (Paris, 8.º, 1869), p. 41-59. Um grande numero de fórmas hypocoristicas germanicas acha-se estudada na obra especial de Franz Stark, Die Kosenamen der Germanen (Wien, 1868, 8.º), em August Fick, Die Göttinger Familiennamen (Programma do Gymnasium and Realschule erster Ordnung zu Göttingen. Göttingen, 1875, 4.º), em Ludwig Steub, Die Oberdeutschen Familienamen (München, 1870, 8.º peq.) Nos Studien zur romanischen Wortschöpfung von Carolina Michaëlis ha uma collecção interessante de fórmas hypocoristicas romanicas (p. 70 ss). São essas as obras que temos á mão sobre o assumpto, mas ha outras que d'elle se occupam, como a de August Fick, Griechische Eigennamen. Vamos extrahir d'essas obras alguns exemplos que provam a existencia de leis geraes nas formações hypocoristicas.
Na Biblia Aram (Gen. 22, 21) e Ram (Job. 32, 2) designam o mesmo personagem; o mesmo se dá com Jaziel (Chr. I, 15, 20) e Aziel (Chr. I, 15, 18). Mowat, que cita esses exemplos, approxima Lazaro (Evangelho de S. João e de S. Lucas) de Eleazaro (Livro dos Machabeos) e adduz o copta Chael (cp. Caella por Michaela no creolo de Santo Antão), o phenicio Karthalon por Melkarthalon, Stembal por Manastambal (segundo Gesenius).
No grego o processo da apherese é raro; exemplo:
Κλητος por Ανάκλητος
A apherese com derivação observa-se em:
Στασοῦλα de 'Ανα-στασίη , suf. οῦλα Σταθακης de Εὐ-στάθυος , suf. ακη
Na mencionada lingua ao contrario o processo da apocope é frequente, sendo as terminações supprimidas substituidas constantemente por a final ᾶς; exemplos:
'Αλεξᾶς de 'Αλέξανδρος 'Αλεξᾶς de 'Αλέξανδρος 'Αρτεμᾶς » Αρτεμίδωρος Μηνᾶς » Μηνόδωρος Επαφρᾶς » Επαφρόδειτος Νικανδᾶς » Νικανδρίδας Ζηνᾶς » Ζηνόδωρος Ολυμπᾶς » Ολυμπιόδωρος
Κλεόπας » Κλεόπατρος Παρμενίδης ou Παρμενᾶς » Παρμενίσκος Κλεοφᾶς » Κλεόφαντος Λουκᾶς » Λουκανός Σιλᾶς » Σιλουανός
O inglez, com a sua tendencia para accentuar a syllaba inicial, emprega de preferencia a apocope nas formações hypocoristicas; essa apocope é complicada com outros factos phoneticos, de que mencionaremos alguns.
1. Apocope simples:
Chris de Chrístian de Christiánus. Clem » Clemént » Cleméntius.
Dan » Dániel » Daniél.
Tom Thomás » Thómas » (Θωμάς).
Greg » Grégory » Gregórius.
2. Apocope e adjuncção de um s:
a) Sem assimilação de consoantes:
Cutts Cuth-de bert . Edes » Ed-ward.
b) Com assimilação de consoantes:
Watts de Walter , Gibbs de Gilbert. Comp. creolo Motas de Timotheo.
3. Apocope com mudança de r em d:
Dick de Richard , Dobbs de Robert.
Comp. creolo Dique de Henrique.
Nos seguintes nomes germanicos medievaes desappareceu ou a primeira ou a segunda parte:
Faro por Burgundofaro. Bruna por Brunihildís. Giso » Wartgis. Euva » Evarix. Offa » Ceolwulf. Hrode » Hruodolf.
Prandus » Rotprandus. Sunna » Suanilda.
Uffo » Liudulfus. Tado » Tadelbertus.
A suppressão de uma parte do nome foi seguida ou acompanhada, como se vê, de outras modificações, comparaveis em parte ás que observámos nas fórmas hypocoristicas do creolo de Cabo Verde.
O processo de addição de suffixos diminutivos ás fórmas mutiladas tem grande extensão nas linguas germanicas. Exemplos:
Godi-ko de *Gode por Gode-fredus.
Ghise-ke » *Gise » Gise-lbertus. Ghere-ke » *Ghere » Gere-hardus.
Albi-so » *Albe » Albe-ricus.
Gisle-zo » *Gisel » Gisel-bertus.
Berti-nus » *Bert » Bert-randus.
Feli-nus » *Fel » Fel-mirus.
Escolhemos agora alguns exemplos da lista das fórmas hypocoristicas francezas dadas por Mowat:
Bastien de Sebastien. Guste de Auguste.
Billon » Barbillon. Livet » Olivet.
Briel » Gabriel. Mancet » Clémencet.
Brois Ambrois, » Mas » Thomas. Ambroise .
Colas » Nicolas. Maury » Amaury.
Cot » Jacot. Nardon » Bernardon.
Delle » Adèle. Pin » Chopin.
Fan » Stephan. Pold » Léopold.
Fonce, Fons » Alphonse. Randal » Durandal.
Gelle » Angèle. Sandre » Alexandre. Gory » Grégory. Thézard » Balthazar.
Hippeau » Philippeau. Vestris » Silvestre.
Estes exemplos bastam para mostrar que as fórmas hypocoristicas creolas são o resultado da acção de leis geraes.