Os dialetos românicos ou neolatinos na África, Ásia e América
7. O dialecto portuguez de Malaca
23 E aquelhora, per elotros Eu lo declara, Eu nem hum tempo nunca conheçe, per vosoutros, sahi de mi, vosoutros quem te faze iniquidade!
24 ¶ Videaquel, quem seja te ovi istes meu ensinos, e aquelles te faze, Eu lo papia de elle assi como de hum homi sizo, quem je concerta sua caza riba de hum rocha (muito grande e força pedra).
25 E o chuve ja cahi, e os aguas, ja vi e os ventos ja abala, e ja bate sobre aquel caza, e aquel nunca cahi, per o causo que aquel tinhe fundado riba de um rocha.
26 E cada hum pessaõ quem te ovi istes meu ensinos e aquelles nunca faze, toquanto de elle eu lo papia assi como hum homi dodiçe, quem sua caza ja concerta riba do area.
27 E o chuve ja cahi, e os aguas ja vi, e os ventos ja abala, e ja bate sobre aquel caza, e aquel ja cahi e grande tinhe o ruido de aquel.
28 E aquel ja vi per suste, Jesus quando ja caba istes ensinos, que os gentes tinhe espantado com sua doutrino.
29 Porque Jesus ja ensina per elotros assi como huma quem tinhe com authoridade (poder) e não assi como os escribos.
7. O dialecto portuguez de Malaca
John Cameron, que viajou na India ha vinte e tantos annos, descrevendo na sua obra Our tropical possessions in Malayan India
(London, 1865, pag. 374 [5]) os descendentes dos portuguezes estabelecidos em Malaca, os quaes são uma raça mixta de portuguezes e indigenas, nota que durante um periodo de cerca de dois seculos elles têem conservado a sua lingua original e continuam a fallar uma especie de portuguez corrupto (broken portuguese); que elles são grandes musicos, que são muito prolificos, e que ao caír da tarde os homens casados se assentam nas varandas de suas casas dando para a rua, tocando geralmente no violino alguma melancholica melodia para divertimento de suas mulheres e familias que estão reunidas em roda d'elles.