Stasilândia
Algumas notas sobre as fontes
1. BERLIM, INVERNO DE 1996
— O historiador Klaus-Dietmar Henke afirma que a “revolução pacífica” de 1989 foi "a única revolução bem-sucedida na história da Alemanha. Os alemães orientais acrescentaram à história de nosso país um de seus momentos mais esplêndidos, uma contribuição à nossa maneira bastante conturbada de encontrar e aceitar as liberdades individual e política como valores de suma importância”. Ele também afirma que, em quantidade aproximada, o número de arquivos gerados pela Stasi “equivale a toda a documentação produzida na história alemã desde a Idade Média”.
— “Abrindo a tampa da opressão — os arquivos da Stasi”, comunicação à 26a Conferência Bianual da International Bar Association, Berlim, 1996. Henke era, então, chefe do departamento de pesquisa da Administração dos Arquivos da Stasi (Der Bundesbeauftragte für die Unterlagen des Staatssicherheitsdienstes der ehemaligen Deutschen Demokratischen Republik, também conhecida como BstU).
6. O QUARTEL-GENERAL DA STASI
— Sobre o número de agentes da KGB na União Soviética, de funcionários da Gestapo durante o regime nazista e de empregados e agentes da Stasi, ver John O. Koehler, Stasi: The Untold Story of the East German Secret Police, Westview Press, Boulder CO, 1999, pp. 7-8.
— Sobre a vida de Erich Mielke, ver Jochen von Lang, Erich M ielke: Eine deutsche Karriere, Rohwolt, Reinbek bei Hamburg, 1993; Koehler, pp. 33-72. Sobre o famoso discurso de Mielke no Parlamento, ver Der Spiegel 46/1999 (15 de novembro de 1999), “Wende und Ende des SED-Staates (8
)”, em < http://www.spiegel.de/spiegel>.
O discurso está disponível também em < http://ddr-im-
www.de/Geschich-te/1989.htm > . Os pronunciamentos de Mielke sobre traidores e execução foram extraídos do documentário feito para a TV Die Stasi-Rolle: Geschichten aus dem MfS, de Stefan Aust, Katrin Klõcke, Gunther Latsch e Georg Mascolo, Spiegel t v , 1993.
— A RDA tinha o maior pib per capita do bloco socialista: Alexandra Ritchie, Faust's Metropolis: A History of Berlin, Carroll & Graf Publishers Inc., Nova York, 1998, p. 755.
A publicação russa Sputnik, por exemplo, foi banida pelas autoridades da RDA em novembro de 1988: Informationen zur politischen Bildung, 1. Quartal, 1996, “Der Weg zur Einheit: Deutschland seit Mitte der Achtziger Jahre”, p. 15.
— O relatório da Administração dos Arquivos da Stasi sobre os preparativos para a prisão de cidadãos no chamado “Dia X ” está em Vorbereitung au fd en TagX — Die Geplanten Isolierungslager der MfS, de Thomas Auerbach e Wolf-Dieter Sailer, BstU, 1995.
— As palavras de Honecker foram: “Den Sozialismus in seinem Lauf, wie man bei uns zu sagen pflegt, hält weder Ochs noch Esel auf" [Como costumamos dizer, nem um boi nem um burro é capaz de deter a marcha do socialismo], Erfurt, 14 de agosto de 1989, e também em seu discurso ao Parlamento, em 6
de outubro de 1989,40o aniversário da RDA. Ver “1989 — 40 Jahre DDR ”,
em < http://ddr-im-www.de/Geschichte/1989.htm> .
Ver também, nesse mesmo endereço, a famosa repreensão de Gorbatchev.
Sobre a ordem de Honecker para “podar os contrarrevolucionários na raiz”, ver Der Spiegel 40/1999 (4 de outubro de 1999), “Wende und Ende des SED-Staates (2 )”, em <
http://www.spiegel.de/spiegel/0,1518,44895,00.html>.
Sobre as notas tomadas pela Stasi acerca dos clamores dos manifestantes contra ela, ver Der Spiegel 46/1999 (15 de novembro de 1999), “Wende und Ende des SED-Staates (8 )”, em <
http://www.spiegel.de/druckversionZO,1588,52264,OO.html>.
— O discurso de Günter Schabowski na entrevista coletiva de 9 de novembro de 1989 figura no documentário de TV Die Stasi-Rolle: Geschichten aus dem MfS, Spiegel TV, 1993. Nesse mesmo programa, o guarda de fronteira Herr Jáger, membro da Stasi, admite que os passaportes deveriam ser carimbados de modo a impedir o retorno de certas pessoas ao país. O discurso de Schabowski está disponível em “1989 — 40 Jahre DDR”, <
http://ddr-im-www.de/Geschichte/1989.htm > .
7. O CHEIRO DOS VELHOS
— Sobre o número de informantes da Stasi que participou das negociações com a Runden Tisch, ver Der Spiegel 49/1999 (6 de dezembro de 1999), “Wende und Ende des SED-Staates (11 )”, em <
http://www.spiegel.de/druckversion/0,1588,52264, OO.html
8. TELEFONEMAS
— Frau Neubert, do Bürgerbüro e.V. Verein zur Aufarbeitung von Folgeschâden der SED-Diktatury me contou sobre as entregas de pacotes contendo pornografia ou o tiquetaque de um relógio. O cabo do freio do carro dos Neubert foi cortado. O escritor Jürgen Fuchs contou-me a história dos cachorrinhos, e sua filha foi detida quando saía da escola. Sobre a ameaça de ataque com ácido ao guarda de fronteira, ver Koehler, p. 29. Koehler cita também Manfred Kittlaus, diretor da Unidade de Investigação de Crimes Governamentais, de Berlim, que chama as associações de ex-funcionários comunistas de “uma forma clássica de crime organizado”, p. 30.
Em 1998, uma investigação parlamentar do governo federal descobriu que, nas semanas da queda do regime do SED, em 1989, desapareceu uma quantia de marcos ocidentais estimada entre 2 e 10 bilhões. Ver referência a Untersuchung-sausschuss“DDR-Vermõgen” em Der Spiegel 50/1999 (14 de dezembro de 1999), “Wende und Ende des SED-Staates (12 )”, em <
http://www.spiegel.de/druckversion/0,1588,52264, OO.html
10 . O NAMORADO ITALIANO
— Embora a maior parte das pessoas fosse capaz de assistir à TV ocidental, o sinal não penetrava numa área que, por características geográficas, lhe era inacessível e incluía Dresden. A região ficou conhecida como Tal der Ahnungs-losen, o “vale dos desinformados”.
12 . O LIPSI
— Em pesquisas realizadas logo após o final da guerra, o período da história da Alemanha em que Hitler esteve no poder (1933-45) foi avaliado positivamente por cerca de 40% da população alemã: “Umfrage des Instituts für Demoskopie Allensbach 1951”, em Alfred Grosser, Die Bonner Demokratie: Deutschland von draussen gesehen, Rauch, Düsseldorf, 1960, p. 22.
Numa pesquisa efetuada em 1971, a maioria do povo alemão ainda considerava o nazismo uma boa ideia, equivocada apenas em sua implementação: Max Kaase, “Demokratische Einstellungen in der Bundesrepublik Deutschland”, em Rudolf Wildenmann (org.), Sozialwissenschaftliches Jahrbuch fü r Politik, vol. 2, Olzog, Munique, 1971, p. 325.
13 . VON SCHNI...
— Karl-Eduard von Schnitzler escreveu uma autobiografia intitulada Meine Schlõsser oder Wie ich mein Vaterland fand, Verlag Neues Leben, Berlim, 1989. Seus pontosde vista podem ser encontrados também em Provokation, Edition Nautilus, Hamburgo, 1993.
19 . KLAUS
— O relatório da Administração dos Arquivos da Stasi sobre o uso de radiação contra “oposicionistas” está em Berichtzum Projekt: Einsatz von Rònt-genstrahlen und radioaktiven Stoffen durch das MfS gegen Oppositionelle — Fiktion oder Realität?, do Projektgruppe Strahlen: Bernd Eisenfeld (diretor), Thomas Auerbach, Gudrun Weber e dr. Sebastian Pflugbeil. Publicado pela BstU em 2000.
20. HERR BOCK, DE GOLM
— Instruções a agentes sobre modos de incapacitar “oposicionistas”, bem mais detalhadas do que essa pequena aula de Herr Bock, eu as descobri mais tarde. Elas integram a “Diretriz Percepções” ( Richtlinien, Stichpunkt Wahr-nehmung) e têm por objetivo:
Desenvolver a apatia [no indivíduo] […] para promover uma situação em que seus conflitos, sejam eles de natureza social, pessoal, profissional, médica ou política, se tornem insolúveis […] para despertar seus medos […] desenvolver/criar desilusões […] restringir seus talentos e suas habilidades […] reduzir sua capacidade de ação e […] fomentar nele dissensões e contradições com esse mesmo fim […]
Em 18 de janeiro de 1989 — muito antes que se pudessem prever as manifestações de outubro daquele ano — , o Estado publicou outra refinada diretriz chamada Zersetzungsmassnahmen. A palavra alemã Zersetzung [degradação, decomposição] é severa, exprimindo aí um conceito que envolve a aniquilação do eu interior. A diretriz recomendava os seguintes métodos:
[a] disseminaçãodirecionada de boatos sobre determinadas pessoas com o auxílio de cartas anônimas ou pseudoanônimas […] implicando-as em situações comprometedoras mediante a confusão deliberada dos fatos […] [e] a geração de comportamentos histéricos e depressivos nas pessoas em questão.
Ver Jürgen Fuchs, Unter Nutzung der Angst 2/1994, publicado pela BstU, e “Politisch-operatives Zusammenwirken und aktive Massnahmen”, em Bearbei-ten-Zersetzten-Liquidieren Analysen und Berichte 3/93, BstU, pp. 13-24. Quanto às definições da própria Stasi, ver também Das Wõrterbuch der Staatssicherheit:Definitionen des MfS zur “politisch-operativen Arbeit”, Siegfried Suckut (org.), Christoph Links Verlag, Berlim, 1996.
23. HOHENSCHÖNHAUSEN
— Nenhum dos torturadores de Hohenschönhausen jamais foi levado à justiça. Ver Ritchie, p. 877.
24 - HERR BOHNSACK
— Artigos sobre Herr Bohnsack foram publicados em Der Spiegel 29/1991, pp. 32-34 (contendo a confirmação de que a Stasi comprou votos de políticos da Alemanha Ocidental), e Der Spiegel 30/1991, pp. 57-58. Sobre desinformação, ver também Der Spiegel 49/1991, pp. 127-30. Apesar da compra de votos por parte da Stasi, o mandato de Brandt como chanceler foi curto. Dois anos mais tarde, ele cairia, quando se revelou que um de seus assessores mais próximos, Günter Guillaume, era um dos agentes de Wolf.