Stasilândia
Posfácio
William Waack
A primeira vez que vi a DDR(até hoje não consigo usar a sigla em português, RDA) foi de uma distância segura, do alto de um palanque de madeira no lado ocidental de Berlim, armado para quem quisesse apreciar o muro “de cima”, digamos assim. Era 1975, auge da Guerra Fria — algo que evidentemente só saberíamos depois, naquela época acreditava-se que a confrontação entre as superpotências do período estava a caminho de rápida superação.
Não conheço qualquer pessoa que tenha encarado o muro e permanecido impassível ou indiferente. A definição de Anna Funder é preciosa: “(o muro) foi uma das maiores estruturas jamais construídas para manter as pessoas separadas umas das outras”. Ou você chamava a imponente construção de “Muro da Vergonha” ou o encarava como “Barreira Antifascista”. Preocupado em encontrar um meio-termo, acabei sendo citado naquela época num editorial do jornal (o Estadão) para o qual trabalhava como repórter internacional com base em Bonn (a capital da então Alemanha Ocidental), como “um jovem correspondente que tem vergonha de chamar as coisas pelo nome que elas merecem”.
Quem escreveu o editorial era um refugiado húngaro da revolução de 1956, esmagada pelos soviéticos assim como a revolta trabalhadora (a primeira grande no Leste da Europa) dos alemães orientais, três anos antes. De fato, era impossível estar diante do muro e fechar os olhos para aquela realidade. Tratava-se de um monumento fenomenal, que servia para comprovar a vergonhosa estupidez daquele tipo de regime. E só não o via quem não queria, obviamente.
Nos catorze anos seguintes, até que ele caísse, cruzei o muro várias vezes — de avião, trem, metrô, ônibus, carro e até a pé, numa correria à noite e debaixo de chuva para apanhar um avião rumo a Varsóvia no aeroporto de Schönefeld (o de Berlim Oriental). João Paulo II acabara de ser eleito e participava da correria um colega italiano que jamais pisara num país comunista. “Cuidado que eles atiram”, gritava o italiano, arrastando uma mala que incluía até pó de café (tinham dito a ele que isso não existia “lá”).
Não, os guardas do muro jamais atiraram em jornalistas estrangeiros. Eles nos sacaneavam de outra maneira: com o cumprimento rigoroso de toda a imensa rotina burocrática para permitir o ingresso no paraíso da classe trabalhadora e camponesa, como eles mesmos definiam o próprio país. Não era necessário visto para entrar em Berlim Oriental (que, do lado ocidental, tinha um status internacional diferenciado). Mas era bem diferente para o restante da DDR e para seus vizinhos do bloco comunista.
Numa outra ocasião, em parceria com o saudoso “Pepe” Comas, do El País, nos disfarçamos de motorista e advogado de uma instituição beneficente (que não existia) para entregar comida a trabalhadores poloneses durante o golpe militar que acabara de ser decretado pelo general Wociech Jaruzelski em Varsóvia. A única maneira de entrar na Polônia era com algum disfarce, já que não forneciam vistos a jornalistas. Tínhamos de atravessar a fronteira da DDR com a Polônia num furgão carregando, entre outras coisas, laranjas espanholas em pleno inverno de dezembro de 1981. Na ida e na volta os guardas da fronteira (os temidos “grepos”, de Grenzpolizisten) desmontaram até os painéis laterais do furgão. Mas não encontraram as reportagens de vários colegas que estavam em Varsóvia e não podiam transmiti-las, e que havíamos escondido nos dutos de ventilação do veículo (era a época pré-internet, pré-celular, pré-televisão por satélite).
Acho que foi minha única sensação de vitória contra os grepos. De resto, eles sempre me fizeram sentir mal. Especialmente num lugar chamado “Palácio das Lágrimas”, a estação de metrô da Friedrichstrasse, no antigo centro, o lugar onde os alemães orientais se despediam dos alemães ocidentais que tinham vindo visitá- los. A frieza e a arrogância dos grepos era inesquecível.
Mas acho que só posso dizer que comecei a conhecer bem a DDR depois do muro, especialmente nos dois ou três primeiros anos da reunificação alemã. Lembro-me de ter acompanhado durante todos os anos que precederam a implosão do comunismo europeu o vivo debate sobre alternativas ao socialismo real (o da DDR, por exemplo). Cobrindo as greves do Solidariedade e a crise polonesa, passei a ser um ávido leitor — e debatedor — das principais teses sobre o fracasso, até então, das “terceiras vias” dentro do Bloco. Foi com certa decepção que notei, por parte dos habitantes da ex-DDR, o mais completo desinteresse por esse tipo de questão.
Inicialmente acho que fui um bocado influenciado pelos poloneses na maneira de encarar os “ossis” (a expressão, algo pejorativa, com que os ocidentais — “wessis” — tratavam os alemães orientais, que eles não encaravam de jeito algum como irmãos). Os poloneses sempre foram engraçados (até os dirigentes do Partido tinham um certo cinismo divertido), charmosos e tinham horror dos alemães orientais (que chamavam de “alemães certos com o dinheiro errado”, enquanto os ocidentais, os capitalistas, eram os “alemães errados com o dinheiro certo”).
Boa parte da população polonesa foi transferida por Stálin de um lado para o outro do país e ganhou territórios, depois da Segunda Guerra, que tinham sido alemães, mas essa é outra história. Para nós, correspondentes que cobriam o lado comunista, a Guerra Fria e a desintegração do bloco soviético, era fácil identificar uma “personalidade” em cada tipo de população envolvida naqueles eventos. No caso dos alemães orientais, o que nos vinha à cabeça era sempre a impressão de gente sem face.
A primeira face da DDR com a qual tive contato constante, regular e com quem podia falar de qualquer assunto foi Frau Kischkewitz. Ela apareceu para trabalhar como faxineira em casa uns dois anos depois da queda do muro. Tinha acabado de se aposentar como técnica de nível médio em química de uma indústria de material fotográfico da DDR que falira, como muitas outras, incapaz de competir com as empresas ocidentais. E Frau Kischkewitz precisava de mais dinheiro para poder viajar. Em um ano, ela e o marido — ambos na faixa dos sessenta beirando os setenta — tinham andado pela Ásia, África do Norte, Estados Unidos e França. Mas não se interessaram muito pela Alemanha Ocidental — “que já conhecemos muito bem pela tevê”, dizia.
Nos primeiros anos da reunificação ainda era muito fácil identificar quem era ossie e quem era wessie. Carros, roupas, jeito de falar. Os ossis sempre davam a impressão de campeões mundiais na categoria chorar de barriga cheia — Frau Kischkewitz também, eu dizia, para provocá-la. Na época, o governo da Alemanha jogava no território da ex-DDR o equivalente a uma dívida externa do Brasil por ano — e era uma barbaridade! De novo era necessário buscar um parâmetro razoável para aferir o estado psicológico daqueles 16 milhões de seres humanos para os quais o mundo virara de cabeça para baixo em alguns poucos meses.
Da mesma maneira que Anna Funder, também tive a “minha” fase de buscar os que trabalharam para a Stasi. O “meu” agente da temida polícia política acabou aparecendo na figura de Jürgen Mirtschinck — o homem que fechou o último escritório da Stasi no... Brasil. Sim, a Stasi tinha um escritório de espionagem dentro da Embaixada da DDR em Brasília, com filiais no Rio e em São Paulo. O que eles faziam? “Líamos jornais”, disse Jürgen. Uma foto dele no alto do prédio onde ainda morava — um prédio só para o pessoal da Firma, como eles chamavam a Stasi — ainda saiu publicada numa reportagem especial para a Veja, para a qual eu então trabalhava como correspondente na Europa, com sede em Berlim.
Jürgen deixou em mim a impressão que é típica de todo profissional que sabe ser correto em sua tarefa e não encontra mais serventia em lugar algum. Ele se esforçou, em algumas longas conversas, em tentar me provar que a Stasi apenas fazia o papel de qualquer outro serviço secreto. Jürgen jamais quis contar quem eram os brasileiros da sua rede de informantes, e nem sequer se sabiam que eram informantes oficiais ou inoficiais, como a Stasi gostava de dizer. Uma espécie de último bastião moral numa luta completamente perdida — e absolutamente imoral. Da última vez em que ouvi falar dele, estava num programa da ONU para limpar minas terrestres deixadas pela guerra civil em Angola. E sua mulher trabalhava como arrumadeira num hotel cinco estrelas na esquina da Friedrichstrasse com a Unter den Linden.
Para o programa Milênio, da Globo News, acabei entrevistando, quase dez anos depois da queda do muro, o grande nome da espionagem da DDR: o lendário Markus Wolf. Tinha se transformado num showman da imprensa internacional, claro, mas nós nos recusamos a pagar o cachê que ele normalmente cobrava para entrevistas longas. Deixou-se filmar passeando no parque que fica próximo ao Hotel Metropol — o favorito da Stasi para observar e grampear hóspedes (“alvos”) estrangeiros. E tinha um curioso recado a dar: detestava, dizia, ser abordado pela CIA com ofertas saborosas para revelar seus espiões. “Há uma ética nisso tudo que eu sempre respeitei”, dizia o ex-chefe dos espiões.
No meio do turbilhão da reunificação meu personagem favorito era um ex-funcionário público do povoado de Frest, bem ao Norte da antiga DDR, que morava em frente ao famoso (para quem gosta de Segunda Guerra Mundial) campo de provas de Peenemünde, onde Wernher von Braun testou os foguetes V-1 e V-2. O lugar estava intocado havia mais de sessenta anos: tinha sido setor militar na época da Alemanha nazista, depois fora gerenciado pelos novos donos, o Exército Vermelho. Além do mais, funcionavam ali perto quatro blocos de reatores similares aos de Chernobyl, e uma antiga base naval da DDR, com velhos barcos de patrulha enferrujando lentamente (acabaram vendidos como sucata para a Indonésia). Ou seja, até a “Wende” (“virada”) — a palavra pela qual alemães dos dois lados conhecem o cataclismo da queda do muro — , só pássaros silvestres passeavam por ali.
A maior esperança desse ex-funcionário público era a chegada de muitos velejadores da Alemanha Ocidental. Explica-se: naquela região do Báltico, uma das coisas mais difíceis era arranjar um lugar para deixar o veleiro, e os alemães, assim como os holandeses, os dinamarqueses e, especialmente, os suecos, são velejadores fanáticos. Frest, com um portinho abrigado diante de Peenemünde, parecia um lugar ideal. O ex-funcionário resolveu ser empresário. Comprou um velho barco de passageiros, amarrou-o a um píer abandonado e muito raso (dependendo do vento o barco sentava no fundo de lama) e transformou-o na única lanchonete num raio de quilômetros. Era o Sturmvogel (“mergulhão”).
Como em toda ex-DDR daqueles tempos, a comida limitava-se a horrorosos congelados “importados” do lado ocidental. O Sturmvogel não tinha um só “turista” do lado ocidental. Em compensação, virara uma espécie de confessionário de histórias que pareciam sempre as mesmas: como a minha empresa foi fechada, como perdi meu emprego, como os jovens se mudaram para o lado ocidental, como vou fazer para sobreviver, como era melhor antigamente. Antes de a palavra virar moda (e uma longa reportagem especial no Fantástico), a Ostalgie (um trocadilho com as palavras alemãs “Ost”, para Leste, e nostalgia) já nascera em lugares como o Sturmvogel, balançando suavemente num portinho perdido no Báltico, esperando fregueses que nunca vinham.
Ao trabalhar na pesquisa para o livro Camaradas, que lidou com a fracassada tentativa de uma revolução no Rio, em 1935, patrocinada pelo Comintern (a Internacional Comunista), acabei encontrando outros tipos de derrotados pela História. Em especial lembro-me de Ruth Werner, que foi do famoso KPD ( o PC alemão anterior à guerra) e depois recrutada pelo serviço secreto militar do Exército Vermelho (no qual se tornou colega de Olga Benário) e depois pela Stasi. Ruth teve de fugir da Inglaterra, onde era espiã, para não ser presa. E passou os últimos quarenta anos de sua vida — ao lado do marido inglês, também membro da rede de espionagem — esperando uma vitória que não veio. Curiosamente, quando Ruth resolveu vender seus “segredos” aos tabloides ingleses, o interesse por velhas histórias já tinha diminuído muito. Por encomenda do partido, Ruth escreveu um romance de muito sucesso na ex-DDR, Olga, sobre a vida de Olga Benário, forjando muitos aspectos para ressaltar o lado heroico da biografia da primeira mulher de Luís Carlos Prestes e escondendo os que não pareciam politicamente corretos ao regime. Ruth queixava-se de ter sido plagiada por brasileiros. Quando a encontrei, numa casinha num subúrbio de Berlim Oriental (antigamente uma distinção reservada aos velhos combatentes), já era uma pessoa completamente amargurada.
Meus amigos alemães ocidentais tinham dos ossies uma grande queixa: “eles gostavam daquela ditadura”, dizia uma colega da SFB, a grande rádio berlinense. “Eles amavam aquela vidinha, tudo em ordem, tudo previsto, tudo garantido, tudo regulado” É difícil dizer isso de uma população inteira, mas nesse ponto Anna Funder tem toda razão: boa parte dos alemães orientais trocaram a ditadura hitlerista pela ditadura comunista sem o menor problema de consciência. E o que parecia para mim uma conclusão teórica e abstrata, até acadêmica, acabou sendo uma experiência diretamente vivida quando fui atrás de um dos sobreviventes alemães dos combates na Itália contra a FEB, a Força Expedicionária Brasileira.
Anos antes, revirando arquivos britânicos a respeito da participação de brasileiros nos combates na Itália, encontrara o interrogatório de um jovem tenente alemão, que havia sido capturado por brasileiros nos Apeninos, já em fevereiro de 1945 (portanto, a dois meses do final do conflito). Esse jovem oficial alemão fizera parte da Juventude Hitlerista e fora imobilizado pelos próprios subordinados, soldados veteranos interessados apenas em sobreviver, quando percebeu que eles se renderiam aos inimigos. No interrogatório, o jovem tenente mostrara-se um ardente defensor do regime nazista. Mas não conseguira encontrá-lo nos idos de 1984, período da minha pesquisa, embora tivesse localizado 27 outros combatentes alemães que enfrentaram os brasileiros da FEB na Itália.
Com o fim da DDR e o começo da Internet, arrisquei e tive sorte. Encontrei o ex-tenente Pohl já muito velho e doente, instalado numa casa à beira de um lago próximo da autobahn que liga Berlim a Rostock (que fora o principal porto da DDR). E a carreira do ex-integrante da Juventude Hitlerista tinha sido um modelo para a extinta DDR. Depois de libertado como prisioneiro de guerra dos britânicos na Itália, voltou para casa, então ocupada pelos soviéticos, e abraçou a nova causa sem o menor constrangimento. Trabalhara a vida inteira como professor de uma escola primária, membro do SED, o PC da Alemanha Oriental. Tinha feito parte, como assinala Anna Funder, "de uma das mais extraordinárias manobras de inocência da História”. A história de vida do ex-tenente saiu publicada na Veja, em 1995.
Pouco tempo depois, já como correspondente da Rede Globo em Londres, embarquei numa ambiciosa matéria de TV que consistia em traçar o caminho de uma família que um antecessor meu no posto, Sílio Boccanera, havia entrevistado imediatamente após a queda do muro. De novo, com um bocado de sorte, encontramos o casal e sua filha, ainda morando no mesmo apartamento em Berlim Oriental. Ele havia perdido o emprego, ela havia mudado de penteado e, ambos, de carro. A filha tinha se transformado completamente e, da família inteira, era a única que já não falava com o típico (e revelador) sotaque dos ossies. Aos dezoito anos, para ela não existia passado. Para os pais, era só o passado que existia.
Uma outra parte da juventude que nasceu na DDR virou presa fácil do ódio contra estrangeiros. As vítimas mais fáceis foram os trabalhadores vietnamitas e moçambicanos que a “solidariedade” socialista levara até o paraíso da classe trabalhadora e camponesa — quando o muro caiu, sobretudo os negros e asiáticos que viviam em pequenas localidades da DDR foram alvo de campanhas racistas. O pior aconteceu em Rostock, onde os prédios que abrigavam número grande de estrangeiros foram atacados com coquetéis molotov. Pode-se dizer que incendiar habitações de estrangeiros não era uma característica apenas dos ossies — a Alemanha Ocidental teve também seus casos horríveis de ataques contra turcos —, mas em nenhuma outra parte do país a caçada a negros assumiu uma característica tão marcante entre a juventude como na DDR.
Mas o que me marcou mesmo foi a ideia de que o muro — do qual já quase não havia vestígios — continuava na cabeça das pessoas. Já não existia em Berlim aquele cheiro típico de gasolina com muito chumbo e carvão mineral queimado nos fornos de calefação quando o tempo ficava cinzento (boa parte do ano) e o vento frio vinha do outro lado do muro. Fazia às vezes uma brincadeira comigo mesmo e, dirigindo pelas ruas do lado oriental de Berlim, esforçava-me para visualizar apenas até o primeiro andar dos edifícios. Estavam totalmente transformados, reformados, pintados, iluminados e bonitos. Dali para cima, dez anos atrás, ainda via-se o descaso, o cinzento, as fachadas arruinadas. Sempre tive uma certa desconfiança em relação a tantas vezes anunciada “renascença” de Berlim, especialmente as partes centrais e orientais, com a unificação. Saí de lá antes que tivessem sido completados os monumentais projetos da nova sede do governo. Quando voltei a visitar a cidade — tudo já arrumadinho, ordenado e instalado —, o que mais me impressionou foi o silêncio.
A “minha” Alemanha da unificação e do fim da DDR — a Alemanha de Anna Flunder também — já acabou. Costuma-se dizer, com boa dose de razão, que a Alemanha é um dos poucos países do mundo cuja história contemporânea pode ser periodizada a partir de Copas do Mundo. A de 1954, vencida pela Alemanha ocidental, traz a ideia de que os alemães voltavam a ser alguma coisa, nem dez anos depois da derrota total da Segunda Guerra. Na de 1974, num show de pragmatismo os alemães ocidentais perderam de um a zero para os alemães orientais (com a derrota, evitaram encontrar times mais fortes), que os levou a vencer pela segunda vez o torneio. Ou seja, uma derrota era apenas a perda de uma batalha no caminho para o país se tomar um pilar da Europa. Na de 1990, os alemães festejaram a Copa e a reunificação. Na de 2006, jogando em casa, puderam agitar a bandeira do país, e gritar palavras patrióticas, sem que os vizinhos precisassem ter medo deles.
E, de fato, durante séculos os alemães foram sempre obcecados com a questão do que é ser alemão, o que é a identidade, o que é a nação alemã. Com a reunificação, assinalam alguns historiadores, pela primeira vez os alemães se juntaram sem ser contra seus vizinhos, mas com a concordância deles. É uma história de sucesso como nenhum outro país europeu tem para contar. E acabou, chegou ao fim essa busca de gerações em torno da identidade alemã. Ninguém dá bola para o fato de que a atual (escrevo em 2008) chefe de governo da Alemanha venha da ex-DDR. Arrisco-me a dizer, porém, que em todo o Leste da Europa nenhuma outra população se entregou a uma abertura tão profunda e abrangente dos arquivos da ex-polícia política. Mas é uma lavagem de roupa suja que vai indo embora com as velhas gerações.
Para as gerações mais novas, talvez um bom exemplo seja uma de suas figuras mais populares, uma apresentadora da MTV alemã. Ela nasceu em Berlim Oriental e tinha onze anos quando o muro caiu. E disso ela não lembra mais nada.
ESTA OBRA FOI COMPOSTA PELO ACQUA ESTÚDIO EM MINION E
IMPRESSA PELA GEOGRÁFICA EM OFSETE SOBRE PAPEL PÓLEN SOFT
DA SUZANO PAPEL E CELULOSE PARA A EDITORA SCHWARCZ EM
JUNHO DE 2008
Arquivo Fonte, em pdf, postado originalmente em Library Genesis
http://gen.lib.rus.ec/book/index.php?
md5=dc8e2ccc00bc1581ad385bbf79ba48df
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Anna Funder
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