TED: Falar, Convencer, Emocionar

Carmine Gallo · Capítulo 9 de 50

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TED: Falar, Convencer, Emocionar

Capítulo 6

Dica do TED

O que faz o seu coração bater mais forte? Pergunte a si mesmo: “O que faz o meu coração bater mais forte?”. A sua paixão não é um interesse passageiro nem um hobby. Uma paixão é algo extremamente importante e um elemento central da sua identidade. Depois de identificar a sua paixão, você consegue saber se ela influencia as suas atividades diárias? Você tem condições de incorporá-la às suas atividades profissionais? A sua verdadeira paixão deve ser o tema das suas comunicações e servirá para verdadeiramente inspirar o seu público.

 

O HOMEM MAIS FELIZ DO MUNDO

 

MATTHIEU RICARD É o homem mais feliz do mundo... e não está feliz com isso. Em

2004, ele deixou temporariamente o mosteiro de Shechen em Katmandu para ensinar

a uma plateia do TED em Monterey, na Califórnia, os hábitos da felicidade.

Segundo Ricard, a felicidade é um “profundo sentimento de serenidade e

satisfação”. Ricard deve saber. Ele não está apenas satisfeito com sua vida. Ele é

muito, muito feliz. Cientificamente falando, ele é extraordinariamente feliz. Ricard

se apresentou como um voluntário para um estudo da University of Wisconsin, em

Madison. Os pesquisadores aplicaram 256 pequenos eletrodos em seu couro

cabeludo para mensurar suas ondas cerebrais. O estudo foi conduzido em centenas de

pessoas que praticam meditação e que foram avaliadas de acordo com uma escala de

felicidade. Ricard não somente teve pontuações bem acima da média, como os

pesquisadores não conseguiram encontrar nada parecido na literatura da

neurociência. O escaneamento cerebral revelou uma “atividade excessiva do córtex

pré-frontal esquerdo de seu cérebro em comparação com a região equivalente do lado

direito, atribuindo-lhe uma capacidade anormalmente grande para a felicidade e uma

propensão reduzida à negatividade”.[4]

Ricard não está nem um pouco feliz em ser rotulado como o homem mais feliz

do mundo. “Na verdade, qualquer um pode encontrar a felicidade se procurar no

lugar certo”,[5] afirmou. “A felicidade autêntica só pode resultar de um prolongado

cultivo da sabedoria, altruísmo, compaixão e da completa erradicação de toxinas

mentais, tais como o ódio, o apego e a ignorância.”

A apresentação de Ricard, intitulada “Os hábitos da felicidade”, atraiu mais de

dois milhões de visualizações no TED.com. Acredito que a apresentação tenha sido

tão bem recebida porque ele irradia a empolgação de uma pessoa profundamente

comprometida com o tema. Com efeito, Ricard me contou:

 

Prezo essas ideias não só porque elas me trouxeram uma grande satisfação, mas porque estou convencido de

que elas podem trazer algo de bom para a sociedade. Tenho uma paixão especial por mostrar que o altruísmo

e a compaixão não são itens supérfluos, mas necessidades essenciais para enfrentar os desafios do nosso

mundo moderno. Assim, sempre que me pedem para participar de uma conferência, compareço com prazer,

feliz com a chance de compartilhar minhas ideias.[6]

 

Os bons palestrantes mal podem esperar para compartilhar suas ideias. Eles têm

carisma, e o carisma é diretamente associado ao nível de paixão do orador pelo

conteúdo apresentado. Os palestrantes carismáticos irradiam entusiasmo e paixão; entusiasmo por compartilhar sua experiência e paixão pelo modo como as suas

ideias, produtos ou serviços irão beneficiar o público. “Acredito que a melhor

maneira de se comunicar com qualquer pessoa é primeiro verificar a qualidade da sua

motivação: ‘A minha motivação é egoísta ou altruísta? A minha benevolência se

volta apenas a um punhado de pessoas ou a grandes multidões? Ela se volta aos

benefícios de curto ou de longo prazo?’. Quando temos uma motivação clara, a

comunicação flui mais fácil”, explica Ricard.

Por incrível que pareça, se a sua motivação for compartilhar sua paixão com o

seu público, é provável que você fique menos nervoso falando em público ou

fazendo uma apresentação importantíssima para o seu chefe. Perguntei como ele

consegue se manter tão calmo e descontraído diante de grandes plateias. Ricard

acredita que qualquer um pode se convencer a sentir alegria, júbilo e felicidade se

quiser. Tudo depende da sua motivação. Se o seu único objetivo for fechar uma

venda ou ganhar mais prestígio, você pode não conseguir se conectar com seu

público (e tenderá a se pressionar muito).

Entretanto, se o seu objetivo for mais altruísta – como dar aos seus ouvintes

informações para ajudá-los a levar uma vida melhor –, você conquistará uma

conexão mais profunda e se sentirá mais à vontade na função. “Fico muito feliz em

compartilhar ideias, mas, como indivíduo, não tenho nada a perder ou a ganhar”,

Ricard elucida. “Não me importo com a minha imagem, não tenho nenhum negócio

para fechar e não estou tentando impressionar ninguém. Meu coração só se enche de

alegria quando posso dizer algumas palavras sobre o fato de que subestimamos

enormemente o poder de transformar a mente.”

 

AS RAZÕES PELAS QUAIS VOCÊ NÃO VAI

CONSEGUIR TER UMA CARREIRA ESPETACULAR

 

SE VOCÊ NÃO tiver um senso de satisfação e empolgação com o que faz, pode não

conseguir ter uma carreira espetacular e, se você não se divertir na sua carreira

espetacular, dificilmente alguém se empolgará nas suas apresentações. É por isso que

a carreira, a felicidade e a capacidade de inspirar as pessoas são relacionadas.

Larry Smith, professor de economia da University of Waterloo, é obcecado pelo

tema do sucesso profissional. Smith se frustra com os estudantes universitários de

hoje. Ele se preocupa ao ver que a maioria deles segue carreiras específicas pelas

razões erradas, como dinheiro, status etc. De acordo com Smith, esses jovens não

conseguirão ter uma carreira espetacular. A única maneira de ter uma carreira

espetacular, afirma Smith, é fazendo o que você adora fazer. Smith canalizou sua

frustração em uma palestra inspiradora, empolgada e divertida no TEDx, intitulada

“Por que você vai falhar em ter uma carreira brilhante”.

Conversei com ele sobre a popularidade de sua apresentação no TED, que, na

ocasião da nossa conversa, tinha sido vista mais de dois milhões de vezes. A reação

do público o surpreendeu. Smith concordou em fazer a palestra a pedido de seus alunos. Como suas aulas em geral têm três horas de duração, ele encarou como um