TED: Falar, Convencer, Emocionar
7 Atenha-se à regra dos 18 minutos
7 ATENHA-SE À REGRA DOS 18
MINUTOS
Isso aqui, para mim, é uma fonte de grande desafio e
empolgação. Empolgação porque tenho a chance de
retribuir um pouco. Desafio porque o seminário mais
curto que costumo fazer tem 50 horas.
— TONY ROBBINS, TED de 2006
Larry Smith, professor de economia da University of Waterloo, dá aulas de
três horas. Em novembro de 2011 ele deu uma palestra de 15 minutos para uma
plateia do TEDx. Ele não fazia ideia de que sua apresentação seria vista – quase 1,5
milhão de vezes. “Para mim, foi um grande desafio pessoal condensar o conteúdo em
18 minutos”, ele me contou. “Desconfio de que os meus alunos me pediram para
fazer isso porque acharam que eu cairia morto!”[1]
“Por que você acha que a regra dos 18 minutos é tão eficaz?”, perguntei a Smith.
“Dá muito trabalho pensar. Em 18 minutos dá para fazer um argumento
convincente e chamar a atenção das pessoas.”
É verdade, dá muito trabalho pensar e é por isso que a regra dos 18 minutos é
fundamental para a transferência de ideias. Uma apresentação do TED não deve
exceder 18 minutos. Essa é uma regra fundamental que se aplica a todos os
palestrantes do TED. Não importa se você for Larry Smith, Bill Gates ou Tony
Robbins, você só terá 18 minutos.
SEGREDO No 7
ATENHA-SE À REGRA DOS 18 MINUTOS
Dezoito minutos é o tempo ideal para uma apresentação. Se não tiver como escapar de uma
apresentação mais longa, incorpore breves intervalos (histórias, vídeos, demonstrações) a
cada dez minutos.
A técnica funciona porque...: os pesquisadores descobriram que o “backlog cognitivo”
– ou, em outras palavras, informação demais – impede a boa transmissão de ideias. Chris
Anderson, curador do TED, explica o conceito da seguinte maneira:
[18 minutos] é tempo suficiente para fazer uma apresentação séria e breve o suficiente para manter as pessoas atentas. Acontece que essa duração também funciona muito bem na internet. É o tempo de um intervalo para o café. Nesse tempo, você vê uma
excelente palestra e encaminha o link para dois ou três conhecidos. Assim, a palestra pode se transformar em um fenômeno viral muito facilmente. A eficácia dos 18 minutos também força as pessoas a serem disciplinadas na seleção do conteúdo, como acontece no Twitter. Forçando palestrantes acostumados a falar por 45 minutos a reduzir o conteúdo para 18 minutos, você os leva a pensar a sério sobre o que eles realmente querem dizer. Qual é a mensagem principal que eles querem transmitir? A
restrição tem um efeito esclarecedor. E força a disciplina.[2]
É EXAUSTIVO OUVIR
O DOUTOR PAUL King, da Texas Christian University, é um acadêmico influente no
campo dos estudos da comunicação há 30 anos. Conversei com ele sobre suas
pesquisas do “estado de ansiedade na performance da escuta”. Tendemos a achar que
a ansiedade afeta somente a pessoa que dá a palestra ou apresentação. Mas King
descobriu que os ouvintes também ficam ansiosos.
“Estudamos participantes de pesquisas – estudantes universitários – que ouviram
informações sabendo que teriam de responder a um questionário depois. Com o
passar do tempo, o nível de ansiedade só aumentou até o momento em que eles
finalmente fizeram o teste. Foi só então que seu nível de ansiedade caiu”,[3] explicou.
Segundo ele, o acúmulo de informações resulta no “backlog cognitivo”, que aumenta
cada vez mais o peso da carga mental. “À medida que as informações que você
precisa lembrar se acumulam, você se sente cada vez mais pressionado e larga tudo
em pouco tempo.”
King explica que o processamento cognitivo – pensamento, fala e escuta – são
atividades que exigem muito, fisicamente.
Participei da equipe de debate na escola. Eu também jogava basquete e conseguia passar o dia inteiro
correndo para cima e para baixo na quadra. Cheguei às finais do meu primeiro torneio de debate e tive uma
série de três debates. Quando terminei, eu mal conseguia me mover. Entrei me arrastando como pude em um
velho ônibus escolar amarelo, caí no sono é só acordei quando cheguei em casa. Foi estranho. Se você tiver
de se concentrar muito, a escuta crítica é uma experiência fisicamente desgastante. É mais exaustivo ouvir
uma apresentação do que costumamos acreditar.
King diz que ouvir é uma atividade tão extenuante porque o ouvinte está
continuamente acrescentando material a ser lembrado e recuperado depois. É isso
que ele quer dizer com “backlog cognitivo”. Simplificando, quanto mais tempo durar
a tarefa ou quanto mais informações são transmitidas, maior é a carga cognitiva.
Ouvir uma apresentação de cinco minutos produz um backlog cognitivo
relativamente pequeno, uma apresentação de 18 minutos produz um backlog um
pouco maior, enquanto uma apresentação de 60 minutos produz um backlog tão
grande que o apresentador corre o risco de indispor o público, a menos que seja
capaz de fazer uma apresentação extremamente envolvente com “intervalos soft” –
histórias, vídeos, demonstrações ou outros palestrantes.
Quanto mais longa for a apresentação, mais o ouvinte precisa organizar, compreender e lembrar. A carga aumenta com a ansiedade do ouvinte. Ele fica cada
vez mais frustrado... e até furioso. King diz que a maior parte das pesquisas atuais
sobre o processamento da memória sugere que é melhor estudar o conteúdo em duas
ou três ocasiões por um curto período em vez de passar a noite em claro se matando
de estudar. “O que estou sugerindo é que, se você quiser defender uma ideia, repetir
essa ideia à exaustão não ajudará os ouvintes a processar melhor a mensagem e
armazenar o conteúdo na memória de longo prazo.”
King aplica as constatações de suas pesquisas a suas aulas de pós-graduação
sobre métodos de investigação. Se pudesse escolher, a maioria dos alunos da pós-
graduação preferiria assistir a uma única aula de três horas a três aulas de 50
minutos. Quando King dava aulas uma vez por semana, ele percebeu que os alunos
voltavam para a próxima aula tendo perdido a maior parte das informações que
aprenderam na semana anterior. King descobriu que a “melhor prática” era transmitir
o mesmo conteúdo de uma aula em três aulas distintas, como segunda, quarta e
sexta-feiras. King contou que, apesar das objeções, quando ele dividiu a aula em três
sessões mais curtas, seus alunos tiraram notas melhores e apresentaram uma maior
retenção do conteúdo complexo.
O CÉREBRO É UM DEVORADOR DE ENERGIA
OS DOIS PROFESSORES, Smith e King, falam sobre toda a energia necessária para
ouvir e aprender. O cérebro se cansa facilmente. Você se lembra de como ficou
exausto depois do primeiro dia num novo emprego ou depois de horas estudando um
manual complicado pela primeira vez? Os alunos do ensino médio chamam a
exaustão que sentem depois de fazer os exames de admissão na faculdade de “ressaca
do vestibular”. Processar novas informações requer energia.
Aprender pode ser desgastante. O cérebro humano de um adulto pesa em média
apenas 1,4 quilo, mas é um verdadeiro devorador de energia, consumindo um volume
excessivo de glicose, oxigênio e fluxo sanguíneo. Enquanto o cérebro absorve novas
informações, milhões de neurônios disparam ao mesmo tempo, queimando energia e
levando a fadiga e exaustão.
Em seu livro Força de vontade, Roy Baumeister explica que temos um “estoque”
finito de força de vontade a cada dia, que se esgota à medida que o nosso cérebro
consome energia. Ele descobriu que atividades totalmente não relacionadas (resistir a
comer chocolate, resolver problemas matemáticos, ouvir uma apresentação) usavam
a mesma fonte de energia. Isso ajuda a explicar por que ficamos tão cansados,
especialmente no fim do dia, depois de passar a manhã inteira tomando decisões ou
tentando suprimir distrações (como aquele tentador pedaço de torta no almoço).
O culpado é a glicose ou, melhor, a falta dela. A glicose é um açúcar simples
fabricado no corpo com base em todos os tipos de alimentos. Ela entra na corrente
sanguínea e é usada como combustível pelos músculos e órgãos como o coração, o
fígado e o cérebro. Ela entra no cérebro depois de ser transformada em neurotransmissores, substâncias químicas que as células do cérebro usam para enviar
sinais entre si.
Baumeister fala de uma série de experimentos concebidos para medir os níveis de
glicose nas pessoas antes e depois de realizar tarefas simples, como assistir a um
vídeo enquanto palavras eram exibidas rapidamente na parte inferior da tela.
Algumas pessoas foram instruídas a ignorar as palavras, outras puderam relaxar e ver o que quisessem.
Depois, os níveis de glicose voltaram a ser mensurados e uma grande diferença foi constatada. Os níveis
permaneceram constantes nos espectadores descontraídos mas caíram significativamente nas pessoas que
tentaram ignorar as palavras. Esse exercício aparentemente inconsequente de autocontrole foi associado uma
grande queda do combustível do cérebro, a glicose.[4]
Uma apresentação longa, confusa e intricada força o cérebro do público a
trabalhar duro e consumir muita energia. As células cerebrais precisam de duas vezes
mais energia que outras células do corpo. A atividade mental esgota rapidamente a
glicose. É por isso que uma apresentação de 18 minutos funciona tão bem. Ela deixa
os ouvintes com alguma capacidade mental e glicose suficiente para pensar sobre a
apresentação, compartilhar as ideias e fazer alguma coisa a respeito. Estenda demais
a sua apresentação e o seu público encontrará maneiras de se distrair do conteúdo
apresentado. Quando foi a última vez que você viu estudantes universitários tão
inspirados com uma aula de três horas que voltaram correndo ao dormitório para se
aprofundar mais no tema? Isso simplesmente não acontece. Em vez disso, eles vão à
pizzaria ou ao bar mais próximo para se lamentar de sua desgraça e falar sobre
qualquer coisa menos o tema da aula. Dezoito minutos é instigante. Três horas é um
entorpecente mental.
Passei um bom tempo deste capítulo explicando a ciência por trás da regra dos 18
minutos. Achei que seria necessário. A maioria dos CEOs e executivos com quem
trabalhei reclama da orientação de encurtar as apresentações. Eles costumam se
lamentar: “Mas, Carmine, o volume de informações que temos para transmitir é
enorme!” Quando as pessoas entendem a ciência e a lógica por trás da regra dos 18
minutos e o conceito dos intervalos soft, elas ficam muito mais propensas a encurtar
as apresentações. E, quando elas fazem isso, sua criatividade é liberada. Afinal, a
criatividade adora restrições.
A CRIATIVIDADE ADORA RESTRIÇÕES
AS RESTRIÇÕES SÃO a chave para uma apresentação criativa. Costumam me
perguntar: “Quanto tempo a minha apresentação deve ter?”. Acredito que a melhor
duração fica, ao melhor estilo do TED, entre 18 e 20 minutos. Não é curta e nem
longa demais, e tem o tempo exato para convencer o seu público. Se a apresentação
for mais curta que isso, alguns dos seus ouvintes (especialmente investidores,
clientes e compradores) podem achar que não receberam informações suficientes. Se
for mais longa você corre o risco de o seu público se desinteressar.
Costumo usar o discurso de posse de John F. Kennedy como um exemplo de uma boa duração para uma apresentação. Se ele inspirou uma nação inteira em um
discurso de posse de 15 minutos, você também deve ser capaz de vender seu produto
ou ideia no mesmo tempo. Kennedy instruiu seu redator de discursos, Ted Sorensen,
para ser breve, porque “não quero que as pessoas pensem que sou um falastrão”.
O resultado foi um dos discursos de posse mais curtos até aquele momento da
história, com apenas 1.355 palavras. Kennedy sabia que prender a atenção do público
exigia uma enunciação forte, frases lapidadas com cuidado e um discurso
razoavelmente curto (a duração média dos discursos de posse presidencial é de 2.300
palavras).
O discurso de Kennedy é um excelente exemplo de mensagem curta e
inspiradora. Um exemplo ainda mais instrutivo é um influente discurso, embora
menos conhecido, que ele fez na Rice University em 12 de setembro de 1962. Foi lá
que Kennedy apresentou sua visão para explorar a Lua. Quando convocou a América
a “ir à Lua” até o fim da década, ele galvanizou o imaginário coletivo de milhões de
norte-americanos e de milhares dos melhores cientistas do país, incitando-os a se
dedicar à iniciativa. Foi um dos discursos mais importantes da história americana.
Com 17 minutos e 40 segundos, o discurso de Kennedy teria sido o suprassumo de
uma palestra do TED.
Algumas pessoas podem argumentar: “Tenho muito a dizer. É impossível
transmitir todas as informações em 20 minutos”. Tente assim mesmo. A sua
apresentação terá muito mais impacto e será muito mais criativa se ao menos você
der uma chance ao exercício.
No livro The laws of subtraction, Matthew May explica a ciência por trás disso.
De acordo com ele, “A criatividade viceja sob restrições inteligentes”.[5] Ele é
bastante convincente em seu argumento de que, ao estabelecer limites para a sua
apresentação, você proporciona o foco e a estrutura necessários para a criatividade
florescer. “Estudos recentes oferecem evidências de que, ao contrário da crença
popular, o principal evento da imaginação – a criatividade – não requer uma
liberdade irrestrita, mas, pelo contrário, depende de limites e obstáculos.”
May acredita que a lei da subtração beneficia quase todos os aspectos da nossa
vida, não apenas as nossas apresentações em público. Mais importante do que o que
está presente é o que está ausente. “Ao remover a coisa certa do jeito certo, algo de
bom sempre acontece”, May afirma. As palestras do TED.com foram vistas mais de
um bilhão de vezes, provando que uma apresentação “restrita” costuma ser mais
inspiradora, criativa e envolvente que apresentações mais longas e divagantes, que
são chatas, confusas e complicadas.
“A criatividade costuma ser incompreendida. As pessoas pensam nela em termos de
valor artístico – uma atividade desenfreada e não direcionada que leva a um belo
efeito. Se você se aprofundar na sua análise, contudo, verá que as formas de arte mais
inspiradoras – haicais, sonatas, pinturas religiosas – são repletas de restrições.”
— MARISSA MAYER,
CEO do Yahoo!
A HISTÓRIA DO MUNDO EM 18 MINUTOS
UMA EXPLICAÇÃO SIMPLES de um tema complexo leva os ouvintes a confiar no
domínio do orador sobre o assunto. Segundo Albert Einstein: “Se você não consegue
explicar com simplicidade, é sinal de que não entendeu bem a coisa”. Einstein teria
se orgulhado de David Christian, que, em março de 2011, narrou a história completa
do universo a uma plateia do TED... tudo em 18 minutos (17 minutos e 40 segundos,
para ser exato).
Christian me contou que dá um curso de história do mundo cobrindo toda a
história do universo, desde o Big Bang, 13 bilhões de anos atrás, até hoje. O curso
“A Grande História” é oferecido pela The Teaching Company em uma série de 48
aulas de meia hora. O profundo conhecimento de Christian sobre o assunto o ajudou
a condensar o conteúdo no tempo exato para manter o interesse dos ouvintes e
inspirá-los a cuidar melhor do nosso frágil planeta. “Faz mais de 20 anos que dou o
curso ‘A Grande História’, então tenho uma boa ideia da narrativa e sei contá-la em
muitas versões diferentes”,[6] Christian me disse.
E. F. Schumacher, economista e autor do livro O negócio é ser pequeno, declarou
que qualquer tolo inteligente é capaz de fazer coisas maiores e mais complexas, mas
para fazer o contrário é preciso um pouco de genialidade e muita coragem. A
palavra-chave aqui é “coragem”.
É preciso ter muita coragem para manter as coisas simples. É preciso ter muita
coragem para usar apenas uma imagem num slide do PowerPoint em vez de um
longo texto com uma fonte minúscula que a maioria das pessoas nem vai conseguir
ler. É preciso ter muita coragem para reduzir o número de slides de uma
apresentação. É preciso ter muita coragem para falar por 18 minutos em vez de
divagar por muito mais tempo. Segundo Leonardo da Vinci: “A simplicidade é a
sofisticação suprema”. Seja sofisticado. Mantenha as suas apresentações e palestras
breves e simples.
“Nossa vida é diluída em detalhes. Simplifique, simplifique.”
— HENRY DAVID THOREAU
A REGRA DOS TRÊS
TODA A CIÊNCIA por trás da importância da concisão é interessante, mas não faz muito
sentido a menos que você possa aplicá-la para aumentar o impacto da sua palestra ou
apresentação. Como condensar o seu conhecimento em uma apresentação de 18
minutos? A regra dos três pode ajudá-lo nessa tarefa. Ela é bastante simples: as
pessoas conseguem se lembrar muito bem de três informações e qualquer outra
informação reduz consideravelmente o nível de retenção. Esse é um dos conceitos
mais poderosos na comunicação. Tenho usado a regra dos três com muito sucesso com comunicadores de quase todos os setores. Ela nunca me deixa na mão e é
aplicada em algumas das palestras mais populares do TED.
O blog de Neil Pasricha fala sobre muita coisa. Ele é dedicado às “mil coisas
sensacionais”, como um Natal com neve, o seu aniversário caindo num fim de
semana, alguém que batiza o filho em sua homenagem etc. Essa simples ideia rendeu
a Pasricha um contrato para escrever um livro, 25 mil seguidores no Twitter e uma
palestra no TEDx em Toronto que já atraiu mais de um milhão de visualizações. Em
sua apresentação, Pasricha não tentou cobrir todas as mil pequenas coisas que fazem
a vida valer a pena. Em vez disso, ele se concentrou em três segredos para levar uma
vida verdadeiramente gratificante. Ele intitulou a apresentação “Os três As do
sensacional”.
Os três As do sensacional
Em uma palestra extremamente pessoal, Pasricha contou sobre sua vida em 2008. Ele
não ia muito bem. Um dia sua esposa o chamou para uma conversa e disse: “Eu não
te amo mais”.[7] Foi a coisa mais desalentadora que ele já tinha ouvido, até que, um
mês depois, ele recebeu mais uma má notícia. “Meu amigo Chris vinha lutando com
a depressão há algum tempo... e se suicidou.”
Rodeado de “nuvens escuras”, Pasricha entrou na internet e montou um pequeno
site para se forçar a pensar em coisas positivas. O exercício o animou um pouco, mas
ele não achou que o site levaria a alguma coisa, sabendo que 50 mil blogs são
iniciados todo dia. No entanto, o blog, 1000awesomethings.com, ganhou
popularidade rapidamente e um dia Pasricha recebeu um telefonema anunciando:
“Você acaba de receber o prêmio de melhor blog do mundo”. “Achei que fosse uma
pegadinha”, Pasricha contou aos risos da plateia. Não era uma pegadinha. Ele foi
agraciado com o Webby Award de melhor blog. Quando voltou a Toronto, dez
agentes literários faziam fila para representá-lo. O livro que ele acabou escrevendo,
O livro do sensacional, ficou 20 semanas consecutivas na lista dos mais vendidos.
Os três As do sensacional que Pasricha apresentou à plateia do TEDx naquele dia
foram: atitude, atenção e autenticidade. Ele discorreu brevemente sobre cada um.
Sobre a atitude, Pasricha contou que todos nós encontraremos obstáculos no
caminho, mas temos duas escolhas para enfrentá-los.
A primeira é sentar-se e se lamentar para sempre da desgraça e a segunda é chorar e se lamentar e depois
enfrentar o futuro com tranquilidade. Ter uma boa atitude é escolher a segunda opção por mais difícil que
seja, por mais doloroso que seja. É escolher avançar e seguir em frente e avançar para o futuro com
pequenos passos.
Sobre a atenção, Pasricha encorajou os ouvintes a acolher a criança de 3 anos que
vive dentro cada um de nós. “Esse menininho de 3 anos ainda faz parte de você. Essa
menininha de 3 anos ainda faz parte de você. Eles estão aí. E manter-se atento,
manter-se ciente, é prestar atenção a todas aquelas coisinhas que um dia você
também viu uma primeira vez.”
Sobre a autenticidade:
É só uma questão de ser você mesmo e ser feliz com isso. E acho que, quando você é autêntico, acaba
seguindo o seu coração e se coloca em lugares, situações e conversas que adora e curte. Você conhece
pessoas com quem gosta de conversar. Você vai a lugares com os quais antes só podia sonhar. Você acaba
seguindo o seu coração e se sentindo realizado.
O mágico número 7... mais ou menos 2
Pasricha intuitivamente entendeu e alavancou essa técnica de comunicação de
enorme eficácia: a regra dos três. Simplificando, a mente humana só é capaz de
consumir cerca de três informações na memória de curto prazo, ou operacional. À
medida que mais itens são acrescentados à lista, em geral, a pessoa retém cada vez
menos. É um pouco mais difícil lembrar quatro itens do que três. É ainda mais difícil
lembrar cinco itens. Quando o número de itens de uma lista chega a oito, a maioria
das pessoas tem poucas chances de lembrar a sequência toda.
Em 1956, a Bell Labs recorreu a George Miller, um professor da Harvard que
publicou um artigo clássico intitulado “O mágico número 7, mais ou menos 2”.
Miller descobriu que a maioria das pessoas tem dificuldade de lembrar mais que sete
novas informações. Os cientistas contemporâneos, contudo, afirmam que o número
de itens que somos capazes de lembrar com facilidade está mais para três ou quatro
informações. Pense um pouco a respeito. Quando alguém deixa um número de
telefone em uma mensagem de voz, você provavelmente lembra o número
“quebrando-o” em duas ou três partes.
A regra dos três permeia o nosso dia a dia
No dia 4 de julho, os americanos celebram os três direitos inalienáveis expressos na
Declaração de Independência dos Estados Unidos: vida, liberdade e a busca da
felicidade. Vida, liberdade e felicidade podem muito bem ser as três palavras mais
importantes da história americana. Elas são tão eloquentes, tão impactantes, que a
expressão ganhou um artigo na Wikipédia em inglês. Segundo a página, a expressão
é considerada “uma das frases mais bem elaboradas e influentes da história da língua
inglesa”.
Essas três palavras inspiraram outros países, mais notadamente a França, a se
libertar da opressão e esboçar os direitos de seus cidadãos em grupos de três. O lema
francês “liberdade, igualdade e fraternidade” remonta a Revolução Francesa. A lista
de países que foram diretamente inspirados pela Declaração de Independência
americana é tão grande que não considero um exagero afirmar que essas três palavras
podem muito bem ser as três palavras mais importantes da história da humanidade.
Por que Jefferson escolheu três direitos, em vez de, digamos, 12? Jefferson foi
um versado escritor e sua famosa expressão reflete uma técnica retórica que remonta
da Grécia antiga, uma figura de linguagem que utiliza três palavras para expressar uma ideia.
A regra dos três permeia todos os aspectos da nossa vida profissional e social. Na
literatura, encontramos três porquinhos, três mosqueteiros e três desejos concedidos
ao ambicioso Aladim. Os pintores conhecem bem as três cores primárias... bem
como as três cores secundárias. Na ciência, Newton descobriu três leis e os cientistas
descobriram três elementos que compõem o átomo. À mesa do jantar, você encontra
três tipos de talheres: colher, faca, garfo.
A bandeira dos Estados Unidos da América tem três cores, bem como a bandeira
do Reino Unido, da França, da Itália, da Argentina, da Federação Russa, do Nepal e
muitas outras nações. Há três medalhas nas Olimpíadas. Três sábios visitaram o
menino Jesus com três presentes. O próprio Jesus faz parte da santíssima trindade: o
Pai, o Filho e o Espírito Santo. A regra dos três ajudou o presidente dos Estados
Unidos, Barack Obama, a se eleger: “Sim, nós podemos”, foram as três palavras que
os eleitores clamaram. Algumas das marcas mais famosas do mundo incluem as
siglas ING, UPS, IBM, SAP, CNN e BBC. O três está por toda parte.
Tanto na comunicação escrita quanto oral, três é mais gratificante que qualquer
outro número. Não é por acaso que estamos cercados de trios. É uma técnica que
funcionou para Jefferson, funcionou para os maiores escritores do mundo e também
funciona para muitos oradores do TED. A doutora Jill, que fez a segunda
apresentação mais popular da história do TED, dividiu sua palestra “A poderosa
revelação pelo derrame” em três partes, cada uma com seis minutos de duração. Com
isso, ficou mais fácil para ela lembrar e executar sua apresentação e o público
também teve mais facilidade de acompanhar. Veja alguns outros exemplos da regra
dos três em apresentações do TED.
Palestrantes do TED falam em trios
Você deve se lembrar de Kevin Allocca, sobre quem falamos no Capítulo 6, diretor
de tendências do YouTube que é pago para ver vídeos. Na verdade, o que ele faz é
estudar a natureza viral dos vídeos populares. Allocca diz que 48 horas de vídeo são
carregadas no YouTube a cada minuto e apenas uma pequena porcentagem se
transforma em um fenômeno viral, gerando milhões de visualizações em pouco
tempo.
“Então, como é que isso acontece? Três coisas: formadores de opinião,
comunidades de participação e o inesperado”,[8] Allocca começou. Em sua fala de
dez minutos, ele apresentou aos marqueteiros informações valiosíssimas e, ao dividir
sua apresentação em três, fez com que ficasse mais fácil para os ouvintes lembrar o
conteúdo.
Allocca não é o único orador do TED que divide a palestra em três. Don Norman
explicou as três maneiras nas quais o design deixa as pessoas felizes. Tom Wujec
falou sobre os três processos pelos quais o cérebro cria significado. V. S.
Ramachandran revelou as três pistas para entender o seu cérebro. Tim Leberecht falou sobre as três maneiras nas quais as marcas perdem o controle de sua identidade.
Ric Elias discorreu sobre as três coisas que aprendeu quando seu avião caiu. Mikko
Hypponen revelou as três maneiras nas quais os criminosos podem roubar seus dados
digitais. Dan Ariely apresentou três lições irracionais aprendidas com o escândalo de
Bernie Madoff, preso por fraude financeira em 2008. Há até uma série de palestras
do TED de três minutos – “TED em 3 Minutos” – com pérolas de inspiração de
Arianna Huffington, David Pogue, colunista de tecnologia do New York Times, e
Terry Moore, que fez a primeira palestra de três minutos da história do TED,
mostrando um jeito melhor de amarrar os sapatos. A “palestra dos sapatos” foi vista
mais de 1,5 milhão de vezes. As pessoas querem aprender algo novo e não querem
esperar muito tempo!
A ESTRUTURA DAS TRÊS HISTÓRIAS
NO ESPÍRITO DA regra dos três, muitos dos melhores palestrantes do TED e
apresentadores dignos do TED usam três histórias para esquematizar suas
apresentações. Veja um exemplo seguido de uma explicação detalhada de como criar
a sua própria estrutura.
Três histórias sobre o ecoempreendedorismo
Majora Carter diz que gosta de criar ambientes nos quais todos os sonhos podem se
realizar. Carter é conhecida como uma expert em infraestrutura ecológica e na
revitalização verde de bairros urbanos como o South Bronx, o South Chicago ou o
Ninth Ward de New Orleans. Sua palestra no TED de 2006, intitulada “Guetos
verdes”, foi uma das primeiras apresentações do TED a serem postadas na internet.
Quatro anos depois, ela foi convidada para fazer uma apresentação no TEDx
Midwest sobre o ecoempreendedorismo. Sabendo que teria apenas 18 minutos, ela
decidiu contar três histórias – histórias de três pessoas que não se conheciam, mas
que “tinham muita coisa em comum”.[9]
Carter começou contando a história de Brenda Palms-Farber, que abriu uma
empresa de cosméticos à base de mel. Ela contratou homens e mulheres
“aparentemente imprestáveis”, muitos dos quais tinham passagens pela prisão, para
cuidar da apicultura. Os produtos dela são vendidos na Whole Foods, a famosa
cadeia americana de supermercados voltada a produtos naturais. E, o melhor de tudo,
menos de 4% das pessoas que ela contrata voltam à cadeia.
A segunda história que Carter contou foi sobre um homem de Los Angeles, Andy
Lipkis, que convenceu a cidade a substituir milhões de dólares de asfalto por grama e
árvores em escolas urbanas. Lipkis “uniu árvores, pessoas e tecnologia para criar
uma cidade mais habitável”.
A protagonista da última história de Carter foi a filha de um mineiro de carvão,
que lutou para introduzir a energia eólica como uma fonte de energia em sua cidade natal, no estado americano da Virgínia Ocidental. Depois de explicar o plano de
Bonds, Carter fez uma pausa e deu a má notícia:
Alguns meses atrás, Judy foi diagnosticada com câncer de pulmão, estágio III. E, desde então, o câncer se
espalhou para seus ossos e cérebro. Acho bizarro que ela esteja sofrendo exatamente da doença que lutou
tanto para proteger as pessoas. Mas o sonho do River Coal Mountain Wind é o legado dela. Ela pode não
chegar ao topo dessa montanha. Mas, em vez de escrever alguma espécie de manifesto ou algo assim, ela
está deixando um plano de negócios para concretizar esse sonho.
Carter amarrou as três histórias a um tema central: “Todas essas pessoas sabem
como canalizar os recursos, de maneira produtiva, às nossas economias locais para
atender às demandas de mercado existentes, mitigar os nossos problemas sociais
atuais e evitar novos problemas no futuro”.
Três histórias. Três exemplos. Três lições que reforçam o tema de Carter.
Elabore um mapa para a sua mensagem em três
passos fáceis
Escrevi a popular coluna da Forbes “Como vender qualquer coisa em 15 segundos”.
[10] Na coluna, apresentei aos leitores uma ferramenta eficaz chamada “mapa da
mensagem”, uma ferramenta perfeita para uma apresentação de vendas. A técnica
ajuda a manter o seu conteúdo claro e conciso, mas só funciona se você entender a
regra dos três.
Um mapa da mensagem é a representação visual da sua ideia em uma página. É
uma ferramenta extremamente eficaz que deve ser incluída em seu arsenal de
comunicação. Elaborar um mapa da mensagem pode ajudá-lo a vender qualquer
coisa (um produto, um serviço, uma empresa ou uma ideia) em apenas 15 segundos
ou esboçar a estrutura para uma apresentação mais longa, de 18 minutos. Veja o
processo de três passos para criar uma excelente apresentação com um mapa da
mensagem. Para esse exercício, você vai precisar de um bloco de notas, um
documento do Word, um template do PowerPoint ou um quadro branco.
Passo 1: Crie um título com jeito de Twitter
Como vimos no Capítulo 4, o título representa aquela mensagem geral que você quer
que seus clientes entendam ao final da sua apresentação. Pergunte a si mesmo: “Qual
é a coisa mais importante que eu quero que os ouvintes saibam sobre o meu [produto,
serviço, marca, ideia]?”. Desenhe um círculo na parte superior do mapa da
mensagem (ou página) e inclua a resposta a essa pergunta – esse será o seu título.
Lembre-se de que o seu título deve caber em um post do Twitter (não mais que 140
caracteres). Se você não conseguir explicar o seu produto ou ideia em 140 caracteres
ou menos, repense o seu título.