TED: Falar, Convencer, Emocionar

Carmine Gallo · Capítulo 14 de 50

Páginas do PDF

TED: Falar, Convencer, Emocionar

Capítulo 11

ASSISTINDO AO PRÓPRIO DERRAME DE CAMAROTE

 

POUCOS ORADORES DO TED têm uma conexão emocional tão profunda com o tema

quanto a neuroanatomista e porta-voz do Harvard Brain Tissue Resource Center, Jill

Bolte Taylor (a doutora Jill), o que explica em parte o fato de sua palestra ter sido

uma das mais populares de todos os tempos do TED.

Certa manhã, a doutora Jill acordou com uma dor penetrante atrás do olho

esquerdo, o tipo de dor de cabeça aguda que algumas pessoas podem sentir ao tomar

sorvete. Se ao menos aquela dor tivesse sido causada por um inócuo sorvete gelado...

A dor de cabeça piorou. A doutora Jill perdeu o equilíbrio e logo percebeu que seu

braço direito estava completamente paralisado. Um vaso sanguíneo tinha rompido

em sua cabeça. Ela estava tendo um derrame e os vasos sanguíneos no lado esquerdo

de seu cérebro estavam literalmente explodindo.

Ela considerou o derrame um verdadeiro golpe de sorte. Afinal, ela é uma

neuroanatomista, especializada na investigação post mortem do cérebro humano

voltada a doenças mentais graves. “Eu me dei conta: ‘Meu Deus! Estou tendo um

AVC! Estou tendo um AVC!’. A próxima coisa que meu cérebro me diz é: ‘Uau! Que

legal! Quantos cientistas cerebrais têm a chance de estudar o próprio cérebro de

dentro para fora?’”,[11] ela contou a uma plateia do TED em março de 2008.

O acidente vascular cerebral da doutora Jill a transformou tanto física quanto

espiritualmente. O derrame foi grave, deixando-a incapaz de falar ou se mover.

Levou anos de reabilitação até ela conseguir se recuperar parcialmente. Ela só deu

sua palestra no TED oito anos depois de sofrer o derrame.

O seu despertar espiritual foi profundo. Ela se conectou com o mundo – e com os

outros – de uma forma que nunca tinha vivenciado antes em seu mundinho “do lado

esquerdo do cérebro”, no qual ela se via como algo separado do universo mais

amplo. Sem a tagarelice do lado esquerdo de seu cérebro e incapaz de sentir onde seu

corpo começava e onde terminava, seu “espírito flutuou, livre”. Ela se sentiu uma

parte de um universo em expansão. Em suma, atingiu o nirvana. “Lembro que

pensei: ‘Nunca mais vou conseguir espremer a imensidão de mim mesma de volta

neste corpinho minúsculo’”.

O AVC da doutora Jill mudou sua vida, bem como sua apresentação no TED. “A

poderosa revelação pelo derrame”, uma apresentação baseada em seu livro A

cientista que curou seu próprio cérebro, publicado em 2008, teve mais de dez

milhões de visualizações. Como um resultado direto da apresentação, a doutora Jill

foi nomeada uma das 100 Pessoas Mais Influentes pela revista Time em 2008. Em

janeiro de 2013, ela explicou o impacto transformador da palestra em um blog do

Huffington Post.

 

Em questão de semanas depois daquela palestra em 2008, a minha vida mudou e ainda sinto enormes e

intensas repercussões na minha vida. Meu livro, A cientista que curou seu próprio cérebro, foi traduzido