Uma prova do céu

Eben Alexander · Capítulo 17 de 45

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Uma prova do céu

Capítulo 16

O POÇO

 

Holley conheceu nossa amiga Sylvia na década de 1980, quando ambas davam aula na Ravenscro School. Nessa época, Holley também ficou muito amiga de Susan Reintjes. Susan é uma sensitiva – fato que nunca impediu que eu gostasse dela. Ela era uma pessoa muito especial, mesmo que o que ela fizesse fosse de encontro à minha visão científica de mundo.

Susan era médium e tinha escrito um livro chamado ird Eye Open (O terceiro olho aberto), que Holley adorava. Uma das atividades de cura espiritual que Susan praticava com regularidade era ajudar pacientes em coma, fazendo contato com eles. Na quinta-feira, meu quarto dia em coma, Sylvia teve a ideia de pedir a Susan que fizesse “contato” comigo.

Sylvia telefonou para Susan e contou o que estava acontecendo. Seria possível que ela se comunicasse comigo? Susan garantiu que sim e pediu detalhes da minha doença. Sylvia lhe passou o que sabia: eu estava em coma havia quatro dias, em estado crítico. “É só o que eu precisava saber”, Susan respondeu.

De acordo com a teoria dela, um paciente em coma estava “no meio do caminho”. Nem completamente aqui (na dimensão terrena) nem completamente lá (no mundo espiritual). Esses pacientes, ainda segundo ela, têm uma atmosfera particularmente misteriosa em torno de si. Esse era um fenômeno que eu já havia reparado muitas vezes, embora nunca tenha dado a ele, é claro, a interpretação sobrenatural dada por Susan.

Pela sua experiência com esses fenômenos, ela sabia que uma das características mais específicas dos pacientes em coma era sua receptividade à comunicação telepática. Ela estava confiante de que, quando entrasse em estado meditativo, logo estabeleceria contato comigo.

Mais tarde ela me disse que “comunicar-se com um paciente em coma é mais ou menos como lançar uma corda no fundo de um poço. A corda precisa ir tão fundo quanto a profundidade do estado de coma”. E completou: “Quando tentei me comunicar com você, a primeira coisa que me surpreendeu foi a profundidade do seu estado: a corda precisou ir muito fundo. E quanto mais fundo eu ia, mais ficava com medo de não poder alcançá-lo, pois você não dava sinais de que voltaria.”

Após cinco minutos intensos de descida mental por meio da “corda” telepática, Susan sentiu uma leve mexida, como quando um pescador percebe que um peixe mordeu sua isca debaixo d’água. “Eu tinha certeza de que era você”, ela me contou depois. “Então tranquilizei Holley, garantindo que não tinha chegado a sua hora e que seu corpo saberia o que fazer. Eu disse a ela que mantivesse essas duas certezas na mente e que as repetisse para você em seu leito.”