Uma prova do céu

Eben Alexander · Capítulo 27 de 45

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Uma prova do céu

Capítulo 26

ESPALHANDO A NOTÍCIA

 

Certo, eu estava “realmente bem”, mas ainda tinha um grande trabalho pela frente. Alguns dias depois de ser removido para um ambulatório de reabilitação, liguei para Eben IV. Ele mencionou estar escrevendo um ensaio para a matéria de neurociência na faculdade. Eu me ofereci para ajudá-lo, mas logo me arrependi. Era mais difícil do que eu imaginava me concentrar em algum assunto, e terminologias que eu acreditava terem sido recuperadas, de repente, me escapavam da memória. Assustado, percebi quanto ainda precisava caminhar.

Mas, passo a passo, isso também voltou. Um dia acordei e me vi de posse de todo o conhecimento médico e científico que tinha me faltado na véspera. Esse foi um dos aspectos mais estranhos da minha experiência: abrir os olhos a cada manhã com mais partes de toda uma vida de educação e aprendizado funcionando de novo.

Enquanto meu conhecimento profissional retornava lentamente, as lembranças do que havia acontecido durante aquela semana fora do corpo apareciam em minha memória com extraordinária velocidade e clareza. O que vivi fora da dimensão terrena era responsável pelo entusiasmo incontido com que retornei e pelo êxtase que continuava a transbordar de mim. Eu estava desmedidamente feliz por ter voltado para as pessoas que amava. Mas também por ter entendido pela primeira vez quem eu realmente era, e em que tipo de mundo nós habitamos.

Na minha inocência, eu estava ansioso para compartilhar essas experiências, sobretudo com meus colegas de medicina. Afinal de contas, o que vivi alterou minhas crenças a respeito do cérebro, da consciência e do sentido da vida. Quem não estaria interessado em ouvir sobre essas descobertas?

Muito pouca gente, como logo percebi. Sobretudo pessoas com credenciais médicas.

Ao ouvirem meus relatos, os médicos que cuidaram de mim disseram “Isso é maravilhoso, Eben”, ecoando minha própria voz no passado quando pacientes tentavam me contar as experiências sobrenaturais que tiveram durante a cirurgia. Um dos médicos argumentou: “Você esteve muito doente. Seu cérebro estava encharcado de pus. É difícil até acreditar que você esteja aqui falando tudo isso. Você sabe muito bem o que o cérebro é capaz de fazer quando está longe.”

Em suma, eles não conseguiram abrir a mente para captar o que eu tentava desesperadamente compartilhar.

Mas como eu poderia culpá-los? Até porque, com certeza, eu também não teria entendido nada – antes.