Uma prova do céu
Capítulo 18
ESQUECER E LEMBRAR
Minha consciência estava expandida agora. Tão expandida que parecia conter o Universo inteiro. Você já escutou um rádio fora de estação? Você acaba se acostumando com o chiado. Aí alguém chega e sintoniza o aparelho, e você passa a escutar a música com clareza. Como você podia não perceber quão distorcido estava o som até então?
A mente funciona de forma parecida. Os humanos são feitos para se adaptar. Expliquei muitas vezes aos meus pacientes que um determinado desconforto iria sumir, ou parecer que tinha sumido, quando o corpo e o cérebro deles se adaptassem à nova situação. Algo dura um tempo razoável e o cérebro aprende a ignorá-lo, ou lidar com ele, ou mesmo tratá-lo como normal.
Mas a nossa consciência terrena limitada está longe de ser normal, e eu estava tendo o meu primeiro exemplo disso quando viajei para um lugar ainda mais profundo, para o centro do Núcleo. Eu ainda não lembrava nada sobre meu passado terreno e não estava nem ligando para isso. Embora eu tivesse me esquecido da minha vida aqui, eu me lembrava de quem eu realmente era lá. Eu era cidadão de um Universo maravilhoso, que em sua grandeza e complexidade era governado inteiramente pelo amor.
De uma maneira misteriosa, minhas descobertas além do corpo ecoaram o que eu havia aprendido um ano antes, ao conhecer minha família de sangue. No final das contas, ninguém é órfão. Todos nos encontramos na mesma posição em que eu estava, de ter outra família: seres que estão pensando em nós e cuidando de nós – seres dos quais nos esquecemos momentaneamente, mas que, se nos abrirmos à sua presença, estão prontos para nos ajudar a completar nossa caminhada aqui na Terra. Ninguém deixa de ser amado. Cada um de nós é profundamente conhecido e cuidado por um Criador que nos trata com um carinho muito além da nossa capacidade de compreensão. Esse conhecimento não pode mais ser mantido em segredo.