Uma prova do céu

Eben Alexander · Capítulo 21 de 45

Páginas do PDF

Uma prova do céu

Capítulo 20

O CAMINHO DE VOLTA

 

Cada vez que me via na esfera do Ponto de Vista da Minhoca, eu podia me lembrar da reluzente Melodia Giratória que me conduzia ao Portal e ao Núcleo. Passei muito tempo – que paradoxalmente parecia tempo algum – na presença de meu anjo guardião sobre as asas da borboleta e uma eternidade aprendendo as lições do Criador e da órbita de luz nas profundezas do Núcleo.

Mas, em algum ponto da viagem, cheguei à beira do Portal e descobri que não podia entrar de novo. A Melodia Giratória – até então a minha chave para aquelas regiões mais elevadas – não me levava mais para lá. Os portões do Céu estavam fechados.

Mais uma vez, tenho que lembrá-lo de que descrever tudo isso é um desafio extremo por causa da limitação da linguagem. É impossível traduzir aquela grandeza. Pense nas decepções que você já viveu. Pois creio que todas as sensações de perda que suportamos aqui na Terra são, na verdade, variações de uma perda maior e mais fundamental: a perda do Céu.

No dia em que as portas do Céu se fecharam para mim, senti uma tristeza diferente de todas as que já havia experimentado. Os sentimentos são diferentes por lá. Todas as emoções humanas estão presentes, porém são mais profundas, mais amplas – elas não estão apenas dentro de nós, como também fora. Imagine que sempre que seu humor mudasse aqui na Terra, o tempo mudasse instantaneamente junto com ele. Que as suas lágrimas acarretassem uma chuva torrencial, e que sua alegria fizesse as nuvens desaparecerem do céu. Essa imagem ajuda a entender o que acontece com as mudanças de humor lá em cima e quanto elas são intensas e ressonantes. Por mais estranho e assombroso que pareça, o que nós imaginamos como “dentro” e “fora” simplesmente não existe.

Tanto era assim que eu, de coração partido, mergulhei numa angústia crescente, uma tristeza que ao mesmo tempo era um real afundamento.

Eu me desloquei por grandes muralhas de nuvens. Havia murmúrios à minha volta, mas não consegui decifrar as palavras. Foi então que percebi inúmeros seres me rodeando, ajoelhando-se em arcos que se perdiam na distância. Fazendo uma retrospectiva disso agora, compreendo o que esses seres estavam fazendo. Eles estavam orando por mim.

Dois dos rostos, consegui lembrar mais tarde: eram do pastor Sullivan e de sua esposa, Page. Eu me recordo de ter visto apenas a silhueta dos dois, mas os identifiquei claramente depois que retornei. O pastor havia estado na UTI várias vezes, mas Page nunca fora lá (embora estivesse sempre orando por mim).

Essas orações me injetaram energia. Talvez tenha sido por isso que, mesmo profundamente triste, algo em mim sentiu uma estranha confiança de que tudo ficaria bem. Aqueles seres sabiam que eu estava fazendo uma transição, e eles cantavam e oravam para levantar meu ânimo. Eu me movia para o desconhecido, mas, naquele momento eu tinha fé e confiança de que estava sendo cuidado e que, como a minha companheira e a divindade infinitamente amorosa haviam prometido, onde quer que eu fosse, o Céu estaria comigo. Ele viria na forma do Criador, de Om, e na forma de anjo – o meu anjo: a menina nas asas de borboleta.

Eu estava fazendo o caminho de volta, mas não estava só – e sabia que nunca mais me sentiria sozinho.