Uma prova do céu
Capítulo 32
UMA VISITA À IGREJA
Só há duas maneiras de viver a vida.
Uma é pensar que nada é um milagre. A outra
é pensar que tudo é um milagre.
– Albert Einstein (1879-1955)
Não fui à igreja novamente até dezembro de 2008, quando Holley me arrastou para o culto do segundo domingo do Advento. Eu ainda estava fraco, um pouco sem equilíbrio e abaixo do peso. Sentamos na primeira fila. O pastor Sullivan se aproximou e perguntou se eu poderia acender a segunda vela da grinalda do Advento. Eu não queria, mas algo me disse que eu deveria fazê-lo. Então me levantei, me apoiei numa peça de bronze e caminhei para o centro da igreja com uma calma inesperada.
A lembrança da minha viagem fora do corpo ainda estava obscura, e por todo aquele ambiente que antes me parecia tão banal eu agora enxergava arte e ouvia uma música que trazia tudo à tona. O tom pulsante do contrabaixo ecoava a angústia primitiva da Região do Ponto de Vista da Minhoca. Os vitrais coloridos do templo, com seus anjos e nuvens, trouxeram à memória a beleza celestial do Portal. Uma pintura de Jesus repartindo o pão com seus discípulos evocava a comunhão do Núcleo. Estremeci quando rememorei o êxtase do amor incondicional que eu havia conhecido por lá.
Por fim, compreendi do que se trata a religião – ou, pelo menos, o que ela deveria ser. Agora, eu não apenas acreditava em Deus; eu conhecia Deus.
Quando me encaminhei para o altar, as lágrimas rolaram pela minha face.