Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 8
Saí do banheiro mais furioso do que estivera ao chegar para encontrar Dani. Jesus! A mulher acabaria fazendo com que eu tivesse um ataque do coração. Sentei-me à minha mesa, ainda com o pau duro como granito.
Dani saiu alguns minutos depois, procurando Becker até achá-lo não muito longe de onde eu estava sentado.
Precisei de todas as forças para não bloquear o caminho dela quando aquele traseiro sensual se aproximou cada vez mais. Mas, para minha surpresa, ela parou ao lado da minha mesa. Ela observava Becker, mas ele estava de costas para nós.
Sem pestanejar, ela pegou o copo de uísque da minha mesa e bebeu-o em dois goles. Em seguida, colocou o copo de volta sobre a toalha de mesa branca.
— Odeio coquetéis cor-de-rosa — resmungou ela, andando em direção ao seu acompanhante.
Eu sorri. Tinha que admirar uma mulher que conseguia virar um bom uísque sem fazer careta.
Sem afastar os olhos de Dani, acenei para o garçom para que me servisse outro uísque.
Dani
Greg estava furioso.
Eu percebera no momento em que ele me dera “o olhar” depois que voltei do banheiro no evento de caridade.
Eu ficara longe dele por tempo demais e, depois de voltar ao lado dele, estava distraída.
Ok, eu estava muito distraída.
Não foi fácil ficar ao lado do meu acompanhante quando sabia que o cara que me fizera ter um orgasmo incrível momentos antes não tirava os olhos de mim.
O que diabos me deu no banheiro? Eu perdera completamente o controle e mergulhara no prazer que Marcus me dera.
Meu corpo precisara do toque de Marcus tão desesperadamente que nem pensei no meu acompanhante. Meus sentidos tinham falhado e só o que conseguira fazer fora aproveitar a onda de calor tão intensa que achei que sairia dela gravemente queimada.
Ainda não me recuperara daquele orgasmo intenso e, agora que Greg e eu tínhamos voltado para o meu apartamento, eu sabia que ele botaria para fora parte da raiva.
— O que diabos aconteceu esta noite? — perguntou Greg furioso quando fechei a porta do apartamento atrás de nós.
Ora, não demorou tanto assim.
— Quer uma bebida? — perguntei polidamente ao passar por ele e ir para a cozinha.
Ele me seguiu. — Não, não quero uma porra de uma bebida. Quero que me diga por que demorou tanto no banheiro. Quanto tempo demora para mijar? Parece que você esteve com outra pessoa hoje à noite, pois não ouviu uma palavra que eu disse.
Eu me virei para olhar para ele, percebendo que seus olhos brilharam de raiva. — Eu estava lá. O que mais quer de mim? Nunca fui fã de eventos de arrecadação sofisticados.
Eu sempre dera meu dinheiro para instituições de caridade, mas preferia fazer isso privadamente. Não precisava de adoração pública por doar dinheiro para uma boa causa do jeito como Greg parecia sempre querer.
Ele agarrou meus cabelos e puxou minha cabeça para trás. — Quero tudo o que você tem — disse ele em tom amargo. — Não quero sua mente em outro lugar quando estou falando com você.
— Greg, isso dói — disse eu firmemente, tentando me soltar.
— Não dou a mínima se dói. Quero que doa. Talvez você se lembre a quem responder e com quem está.
O olhar maligno dele começava a me assustar, mas não queria que ele soubesse disso.
— Solte. Meu. Cabelo. — Tentei não deixar que ele me visse suar.
Por sorte, ele finalmente soltou meus cabelos, mas eu não esperava o golpe forte com a parte de trás da mão que ele deu no meu rosto.
Minha bochecha parecia ter explodido e minha cabeça foi jogada para o lado. Por causa da dor, meus olhos se encheram de lágrimas. Ele não se contivera, usara toda a força que tinha.
Coloquei a mão no rosto ao dar um passo atrás. — Por que você fez isso?
Ele emitiu um som de desprezo. — Porque eu posso — respondeu ele em tom sombrio. — Sou o seu maldito mestre, Dani. Ainda não percebeu isso?
Eu mando em qualquer mulher com quem saio.
— Vesti o que você queria. Fiz o que você queria — relembrei.
— Mas eu não tinha sua atenção completa. Tenho agora?
Olhei para ele e assenti, pois não achei que aguentaria outro golpe como o que acabara de receber.
— Ótimo — respondeu ele. — Acho que está na hora de trepar com você.
Já passou da hora. Esteja na minha casa na próxima sexta à noite e vista
algo sensual.
Engoli em seco e fiquei em silêncio quando ele deu um passo à frente e acariciou meu rosto machucado. — Eu não queria ter que fazer isso com você — disse ele com a voz assustadoramente calma. — Você me fez fazer isso. Não posso perder o controle de nada, especialmente das minhas mulheres. Eu não divido, Dani. Nunca divido.
Eu não podia dizer a ele que não precisava dividir. A verdade era que eu pensara a noite inteira em Marcus.
Os dedos dele apertaram minha bochecha latejante de forma sádica. —
Isso deixará a minha marca — comentou ele. — Gosto disso. Seu rosto ficará roxo pela minha mão.
Jesus! Torci para que fosse o suficiente. Eu sofrera surras piores nas mãos dos terroristas. Muito piores. Mas era muito mais difícil lidar com o abuso de alguém quando eu não era prisioneira.
Soltei um suspiro silencioso de alívio quando ele se virou e andou em direção à porta. — Próxima sexta. Esteja lá ou virei procurar você. E não será agradável para você — ameaçou ele.
— Estarei lá. A que horas?
Ele pareceu considerar a pergunta por um momento antes de responder: —
Oito horas. Seja pontual e prepare-se para passar a noite. Minhas garotas normalmente não conseguem ir embora quando termino com elas. Gosto de força. Muita força.
Por dentro, eu me encolhi, mas, por fora, não demonstrei reação ao comentário dele. Eu tinha certeza de que ele tratava as mulheres na cama do mesmo modo que as tratava fora dela.
Eu o segui lentamente até a porta e abri-a para ele. — Vejo você na sexta, então — murmurei.
Ele me lançou um olhar totalmente sem emoção. — Não me decepcione.
Odeio ser decepcionado.
— Não vou — concordei fracamente.
Eu já soubera que Gregory Becker tinha um aspecto muito duro quando decidira sair com ele. Nada do que estava acontecendo deveria ser surpresa, mas era um contraste enorme com o que acontecera com Marcus.
Ele se virou e saiu pela porta, que fechei com um suspiro pesado.
Minha prioridade foi ir até a cozinha e pegar um saco de gelo para colocar no rosto. Estava doendo muito e eu não estava mais acostumada a ser
surrada. Poderia ter sido bem pior, mas o impacto da mão dele no meu rosto fazia com que a bochecha latejasse.
Segurei o gelo contra o rosto e tirei os saltos altos que estavam matando meus pés.
A única coisa que eu queria era tirar as camadas de maquiagem da pele, tirar aquele vestido apertado e tomar um banho quente.
Eu não queria pensar no que Greg dissera.
Queria me lembrar do que Marcus fizera com o meu corpo e como eu respondera a ele. Sim, eu sabia que nunca poderia deixar que algo assim acontecesse com Marcus de novo, mas eu me sentira mais viva presa em um cubículo de um banheiro do que sentira em muito tempo.
— Eu não o entendo — murmurei para mim mesma.
Marcus poderia muito bem ter trepado comigo contra a parede do banheiro, mas só o que fizera fora me fazer gozar. Intensamente! Fora quase como ele dissera, que ele sentia muito prazer só de me ver gozar.
— Que cara faz isso? — perguntei a mim mesma.
Havia apenas uma resposta: Marcus Colter.
Eu estivera tão perdida no cheiro, no gosto dele, na paixão em seu beijo e na carnalidade primitiva do momento que ele poderia facilmente ter procurado a satisfação. Mas não fez isso.
O restante da noite fora desconfortável e minha mente não estivera em meu acompanhante. Greg precisara se repetir várias vezes e minha mente se desviara das conversas superficiais que ele tivera com os outros convidados.
Eu conseguira sentir Marcus observando-me, mesmo de costas para ele.
Ele ainda estivera na mesma mesa em que ficara a noite inteira quando Greg e eu fomos embora do evento.
Quando eu estava indo para a banheira para enchê-la, a campainha tocou.
Meu coração disparou ao pensar que Greg voltara para outra rodada de abusos.
Coloquei o saco de gelo sobre a mesinha ao lado do sofá.
Quando cheguei perto da porta, eu a abri com cautela, preparada para o que Greg fizesse comigo desta vez.
— Marcus — disse eu ofegante. Meu corpo quase cedeu de alívio, feliz por eu não ter que enfrentar Greg de novo.
Eu o deixei entrar e fechei a porta, percebendo que ele ainda estava de terno.
— Você está bem? — perguntou ele com voz rouca.
— Sim, estou bem — respondi. — O que você está fazendo aqui?
— Preciso falar com você — disse ele em tom urgente. — Dani, preciso fazer você entender que não precisa de Becker. Não quero que você se magoe.
O tom preocupado dele quase me desmanchou. Olhei para ele implorando:
— Por favor, Marcus, agora não.
Eu não seria capaz de enfrentar mais conflito. Ainda lutava com alguns problemas do meu sequestro e estava abalada pelo tratamento de Greg pouco antes.
— O que diabos aconteceu com você? — perguntou ele com a voz terrivelmente furiosa.
Dei um passo atrás, mas ele avançou, passando o braço pela minha cintura enquanto inclinava meu rosto para cima. — Dani, aquele filho da puta bateu em você? — Os dedos dele correram de leve pela minha bochecha.
— Não é nada demais. Eu o deixei furioso. — Tentei me afastar, não porque o toque dele machucasse, mas porque Marcus me afetava de uma forma que eu não entendia.
— Vou matar aquele desgraçado — rosnou ele, com os olhos cinzentos brilhando de fúria. — Mas que porra! Por que você deixa isso acontecer, Danica? Ajude-me a entender e depois vou atrás daquele escroto.
Consegui sentir a tensão no corpo dele e a vontade de sair correndo porta afora para procurar Greg. — Marcus, não. Você não pode confrontá-lo agora.
— Ah, sim, claro que posso e é o que farei. Somente um maldito covarde bate em uma mulher com metade do tamanho dele — disse ele. — E quem dá a mínima se ele ficou furioso? Não é desculpa. Não existe desculpa para tocar em uma mulher com a intenção de machucá-la de alguma forma. Eu fico furioso. Meus irmãos ficam furiosos. Seus irmãos ficam furiosos. Meus amigos ficam furiosos. O que eles não fazem é dar um soco no rosto de uma mulher.