Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 26
Dani
Aexplosão me pegara de surpresa e nunca entendi completamente o que me atingiu.
Atordoada, eu estava no chão sujo, ainda tentando processar o que acontecera, quando minha mente se concentrou em uma coisa: Marcus estava do lado de fora.
Marcus. Ai, meu Deus. Ele está seguro?
— Uma bomba. Deve ter sido uma bomba — murmurei para mim mesa.
— E foi perto.
Eu estava familiarizada com o som de uma bomba explodindo, mas demorei um minuto para afastar o choque e perceber exatamente o que acontecera tão perto da minha localização. Eu nunca ouvira um ruído tão alto nem tão destruidor.
O prédio inteiro desmoronara sobre a minha cabeça. Eu tinha um espaço pequeno para me mexer, mas não conseguiria sair dos destroços sozinha.
Parte do teto estava logo acima de mim e, entre as vigas no chão, consegui ver muito vidro quebrado.
Se eu estou em uma situação desesperadora como esta... como está Marcus?
Ele estivera ao ar livre, exposto à força total dos explosivos.
Meus olhos começavam a se ajustar à atmosfera escura à minha volta. O
ar ainda estava cheio de partículas e fumaça.
— Baris! — Tentei chamar meu amigo que estivera do outro lado da sala quando a bomba explodira.
Ele não respondeu e torci para que tivesse saído do prédio. Baris estivera perto da saída, portanto, era inteiramente possível que estivesse em segurança.
Continuei gritando o nome do meu amigo, mas não houve resposta.
Havia vozes gritando do lado de fora, portanto, a ajuda chegara. Porém, meu coração batia com muita força quando deitei a cabeça latejante no chão.
— Por favor, que Marcus esteja bem — murmurei em um sussurro dolorido. — Não deixe que nada aconteça com ele.
Uma lágrima desceu pelo meu rosto. Meu coração queria desesperadamente negar que ele pudesse estar ferido... ou pior.
— Eu o amo — disse eu em voz alta, ouvindo as palavras que mantivera na mente por dias.
Era um alívio admitir para mim mesma exatamente o que sentia por Marcus. Sinceramente, eu provavelmente sempre estivera um pouco apaixonada pelo macho alfa frustrante. Mas o sentimento crescera muito durante o tempo que passáramos juntos na Flórida e no Colorado. Eu passara a conhecer quem era Marcus por dentro e ficara perdidamente apaixonada pela primeira vez na vida.
Era uma sensação boa.
Mas também doía, pois eu sabia que nosso relacionamento seria temporário.
Em algum momento, Marcus teria que voltar a viajar e eu passaria para a minha próxima história. O problema era que não quisera perder um momento sequer do que havia entre esses eventos, portanto, eu me deixara viver o prazer. Eu pagaria um preço alto, mas não importava.
Ele provavelmente fora o único homem em quem eu poderia confiar o suficiente para fazer sexo depois do que acontecera comigo.
Era irônico que a cura que eu tivera com Marcus provavelmente partiria meu coração no futuro.
— Por favor, faça com que ele esteja bem. Lidarei com todo o resto quando chegar a hora — sussurrei, com a garganta dolorida demais para falar mais alto. A fumaça e a poeira estavam atingindo-me.
Eu me atormentei sobre a segurança de Marcus, presa até que alguém aparecesse para me ajudar a sair do prédio desmoronado. Eu me sentia muito culpada, pois Marcus estava naquela posição por minha causa. Se ele não tivesse ido à Flórida para me procurar, provavelmente não estaria naquela cidade da fronteira no momento. Se não fosse por mim, ele estaria em segurança.
Eu disse a mim mesma, repetidamente, que não podia pensar no passado, mas não adiantou. Se alguma coisa acontecesse com Marcus, eu me odiaria por insistir em acompanhá-lo. Mesmo se ele ainda acabasse ali procurando as mulheres desaparecidas, certamente não estaria naquela área. Fora eu quem o levara até lá porque tinha que falar com os meus contatos.
— Por favor, esteja bem. Por favor.
Entoei aquelas palavras baixinho e a frase se tornou um mantra.
Eu fora até lá para ajudar a salvar vidas. Rapidamente, eu recuperara a confiança e perdera o medo da cidade e da área ao redor. Não demorara muito depois de chegar para voltar ao ritmo de caçar informações. Os amigos que eu fizera naquela vila tinham me recebido muito bem, todos felizes pelo meu bem-estar.
Finalmente, eu sentira que estava recuperando-me dos meus medos.
Eu só queria desesperadamente que não tivesse feito com que Marcus fosse ferido.
Se não fosse por mim, ele provavelmente não estaria na Turquia naquele momento, muito menos em uma cidade da fronteira que evidentemente acabara de sofrer um ataque a bomba.
Ele nunca teria se envolvido em Miami se eu não estivesse atrás de Becker. E demoraria muito mais até que nos encontrássemos por acaso de novo.
Fechei os olhos, com a fumaça e o ar sujo à minha volta fazendo com que ardessem muito.
Apesar de eu amar Marcus mais do que qualquer outra coisa no mundo, desistiria de tudo naquele momento para vê-lo em segurança.
Preciso encontrá-lo!
Eu queria muito dar o fora daquela loja e procurar Marcus, mas, se começasse a me mover, provavelmente faria com que o teto caísse sobre mim. Eu precisava que alguém tirasse os destroços pelo lado de fora para
criar uma rota de fuga sem mover alguns dos suportes à minha volta que me impediam de ser esmagada.
Meu coração disparou quando ouvi movimento proveniente do lado de fora do prédio. Consegui ouvir pessoas trabalhando para me tirar dali.
Apesar de não ter paciência para esperar, eu tinha que me manter viva para que pudesse fazer o possível para ajudar Marcus. Eu tinha que encontrá-lo e, para tanto, tinha que sair daquele lugar viva.
— Danica!
Meu coração deu um salto quando ouvi uma voz masculina chamando meu nome, que parecia muito a voz de Marcus.
Abri os olhos e consegui ver alguém aproximando-se progressivamente do meu local. A figura masculina jogava destroços grandes de lado muito mais depressa do que conseguia se mover.
— Marcus! — gritei.
— Dani? — chamou ele, com a voz rouca e estressada.
— Estou aqui. Tenha cuidado. O teto vai desmoronar. Não há muita coisa que o segure acima do chão.
Consegui vê-lo e observei enquanto ele empurrava para o lado pedaços de madeira, tendo o cuidado para não tirar nada que fosse necessário para segurar o teto.
— Você está bem? — gritou ele.
— Sim. Só preciso de uma abertura para sair. Se eu mover algumas dessas coisas perto de mim para sair, acho que o teto vai cair.
— Não se mexa, caralho — exigiu Marcus. — Vou abrir um caminho daqui.
— Você está bem? — perguntei ansiosa.
— Claro que não estou bem. Estou morrendo de medo de você ser esmagada.
Era uma resposta típica de Marcus, mas tão incrivelmente doce que minhas lágrimas começaram a escorrer sem parar. — Eu quis dizer, você está fisicamente bem? Foi ferido na explosão?
— Vou sobreviver — respondeu ele alto o suficiente para que eu ouvisse.
Para mim, isso significava que ele estava ferido, mas não queria admitir.
Finalmente vi o rosto dele quando Marcus rastejou na abertura que criara com as mãos nuas.
— Marcus, você está ferido — gritei ansiosa porque consegui ver sangue no rosto dele.
— Estou bem — respondeu ele em tom ríspido. — Neste momento, só o que eu quero é tirar você daí. Consegue me dar as mãos sem mudar nada de lugar? Puxarei você pela área que acabei de abrir.
Ele estava minimizando os ferimentos, mas eu não conseguiria respostas até que saísse do prédio.
— Sim, consigo mexer os braços. — Ergui os braços com cuidado, esticando-me para que conseguisse segurar as mãos dele.
— Está ferida? Não quero piorar nada — perguntou ele hesitantemente.
— Não — respondi. — Fiquei confusa por alguns minutos, mas não estou machucada.
Ele se esticou um pouco, pegou minhas mãos e puxou-me para fora, devagar e sempre. Tentei cuidadosamente me manter longe das vigas que eu tinha certeza que impediam que o teto caísse.
Em alguns momentos, eu estava do lado de fora, longe do prédio, e presa com força nos braços de Marcus.
Nós nos abraçamos e eu não queria mais soltá-lo. Nos momentos em que me perguntara se ele ainda estava vivo ou não, eu mesma quase morrera.
— Baris? — perguntei ansiosa sobre meu amigo enquanto abraçava Marcus com a mesma força com que ele me segurava.
— Ele está bem — respondeu Marcus. — Só alguns ferimentos pequenos.
Está sendo tratado na clínica.
Eu me afastei para que pudesse olhar para ele.
Ergui a mão para tocar no ferimento na cabeça dele. Não deixei de notar que as mãos dele também sangravam depois de escavar a madeira e o vidro para me tirar de lá. — Você está ferido, Marcus. Precisa ir até a clínica.
A ferida na cabeça dele estava aberta e ainda escorrendo sangue. A camiseta que fora branca pela manhã agora estava coberta de sangue. Sem dúvidas, o ferimento da cabeça continuara sangrando enquanto ele me tirava dos destroços da loja.
— Estou bem — disse ele com a voz cheia de emoção. — Só quero tirar você daqui.
— Estou bem — argumentei.
— Eu não — confessou ele. — Nunca mais quero passar por outro incidente em que não sei se você está viva ou morta, Danica. Não consigo.
— Também fiquei com medo — disse eu com a voz trêmula ao colocar os braços em volta dele de novo e apertá-lo com força. — Eu sabia que você estava do lado de fora. Mas não sabia onde estava quando a bomba explodiu.
— Eu estava preocupado com você. Parece que estou ficando bom nisso
— respondeu ele, com as mãos feridas acariciando meus cabelos em um movimento reconfortante.
— Estamos em segurança — disse eu com os olhos cheios de lágrimas, começando a absorver a enormidade do que acabara de acontecer.
— Vamos para casa — sugeriu ele, mas sem se mover.
— Temos que encontrar aquelas mulheres...
— Elas estão em segurança — disse Marcus. — Alguém as ajudou a chegar em casa. Jett confirmou.
Ai, meu Deus. Não deixei de perceber a ironia de estarmos na Turquia procurando as duas mulheres, que estavam em segurança em casa. Quase tínhamos morrido por causa de duas mulheres que não precisavam da nossa ajuda.