Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 21
— Você gosta de cães? — perguntou ele.
— Adoro. Todas as raças. Nunca conheci um cachorro de que não gostasse.
— Então arrume um.
— Veremos — respondi sem me comprometer. — Não posso arrumar um cachorro até decidir onde quero colocar essas raízes e o quanto pretendo
ficar em casa.
— O que mais ela sugeriu? — perguntou Marcus.
— Férias muito longas. Ler e assistir a filmes, ou qualquer outra coisa que não envolva viajar a trabalho.
— É um bom conselho — disse Marcus em tom aprovador. — Você encontrará tudo de que precisa bem aqui.
Sinceramente, eu não tinha ideia de quanto tempo ficaríamos juntos.
Porém, eu não era contra tirar minhas férias em Rocky Springs. Só torci para não me arrepender mais tarde.
Dani Demorou alguns dias para recebermos a notícia de que Gregory Becker finalmente fora preso. Algumas das informações que eu conseguira finalmente tinham ligado Gregory a vários crimes.
Ruby estava bem, hospedada com Jett na Flórida por enquanto para que desse depoimentos como testemunha-chave das acusações de tráfico de pessoas.
Eu me senti bem ao saber que pelo menos alguma coisa que fizera no ano anterior pudesse evitar que Becker prejudicasse mais alguém. Teria sido melhor fazer as coisas mais depressa, mas Marcus estava sempre lá para me lembrar de que eu fora responsável por colocar a última pá de cal no caixão de Becker, não importava quando isso acontecesse.
O filho da puta estava finalmente fora das ruas e incapaz de financiar tropas rebeldes.
Eu rapidamente terminara minha aventura investigativa e entreguei-a a meu antigo chefe, o que deu ao meu ex-empregador um furo de reportagem grande. O artigo tinha acabado de ser publicado quando a notícia sobre Becker saíra naquele dia.
Eu estava no escritório de Marcus, um ambiente muito masculino que me lembrava muito do homem que era seu proprietário. Estranhamente, nos dias anteriores, eu começara a gostar do humor extremamente seco e da arrogância anteriormente irritante dele. Marcus finalmente decidira que não precisava usar terno e gravata quando não estava trabalhando, mesmo que
fosse um dia de trabalho. E, mesmo que ele fosse um tanto distante e altivo, eram qualidades de que precisava para fazer as coisas que a empresa e o país dele exigiam.
Ele podia ser afastado das tendências autocráticas e, de vez em quando, conseguia rir de si mesmo.
Ok... rir de si mesmo não era muito comum, mas acontecera algumas vezes nos dias anteriores.
Uma coisa importante que eu descobrira fora que, não importava o quanto vociferasse, Marcus amava a família e importava-se com muito mais coisas do que demonstrava. Eu não podia dizer que descobrira todos os segredos dele, mas estava descobrindo. Havia muito mais nele do que uma pessoa conseguiria ver ao conhecê-lo casualmente. Ele normalmente escolhia não demonstrar o que estava abaixo da superfície.
Talvez ele não tivesse ideia de como realmente relaxar, mas, por outro lado, eu também não. Estávamos aprendendo juntos, vendo como era apenas tirar uma folga. Boa parte dessa folga era fazendo sexo, mas também jogávamos xadrez, assistíamos a filmes e eu experimentei cozinhar.
Podia não estar pronta para ser chef, mas a mãe de Marcus nos visitara no dia anterior para me ajudar a consertar um prato que eu errara completamente. Por sorte, ela estava disposta a me dar uma mão para aprender algumas habilidades básicas na cozinha. De forma surpreendente, eu estava aprendendo a gostar de cozinhar, agora que tinha algum tempo livre e permanecia no mesmo lugar por mais de um dia.
Rolei a página do artigo que eu escrevera no notebook, satisfeita ao ver meu nome como assinatura. — Está no ar — disse eu a Marcus em tom empolgado.
Ele estava atrás da mesa de carvalho imensa, vestido casualmente com uma camisa polo cinza e calça jeans. Eu estava sentada no sofá de couro do escritório dele com meu computador.
— Eu sei — respondeu ele. — Estou vendo agora.
Espertinho. Eu deveria ter sabido que ele o encontraria antes de mim. Era uma coisa meiga que ele estivesse realmente lendo. — Ficou bom — disse eu sem nenhum traço de arrogância. Eu era uma boa escritora e uma boa repórter, e não era nenhuma conquista enorme conseguir publicar um bom artigo quando tinha uma história decente.
— Ficou fantástico — corrigiu ele. — Você é talentosa, Dani. Eu sempre soube disso. Suas histórias como correspondente sempre foram brilhantes. Você tem o dom de usar a abordagem perfeita em qualquer assunto.
Ergui o olhar do notebook e vi o sorriso largo ele. Meu coração deu um salto enquanto eu absorvia o elogio. Significava muito, vindo de um cara como Marcus. Ele não era o tipo de pessoa que fazia elogios com frequência. — Obrigada — disse eu, sorrindo de volta. — Fico feliz por essa história ter terminado.
— No que está trabalhando agora? — perguntou ele com curiosidade.
Dei de ombros. — Nada de importante. Principalmente meu diário pessoal.
— E sobre o que você escreve nele? — insistiu Marcus.
— O que me dá vontade de escrever — respondi. — No momento, estou escrevendo coisas a fazer antes de morrer.
— Não acha que é um pouco nova para isso? — perguntou ele, franzindo a testa.
Balancei a cabeça negativamente. — Nem um pouco. Achei que ia morrer enquanto era prisioneira. É engraçado o que acontece quando você se sente assim e quantas coisas bobas se arrepende de não ter feito.
— Como o quê? — perguntou ele.
Eu fora para a universidade logo depois do ensino médio e, depois, passara a maior parte da vida adulta perseguindo histórias no Oriente Médio. — Coisas bobas — respondi.
— Diga-me — insistiu ele. — Talvez eu tenha feito algumas delas e possa lhe dizer se fazer alguma dessas coisas vale a pena.
Avaliei minha lista. — Eu nunca construí um castelo de areia na praia.
Nunca passei muito tempo no mar. Foi uma das muitas coisas em que pensei enquanto era prisioneira.
— Nunca fiz isso — respondeu ele. — Nunca passei muito tempo na praia. Porém, passei muito tempo voando sobre elas.
— Nunca fiz bungy jump — continuei.
— Nem eu — admitiu Marcus. — É uma coisa muito perigosa...
— Diz o homem que tem como hobby ser espião — disse eu, terminando a frase dele.
— Faz mais sentido do que pular de uma ponte contando com uma tira de borracha para me salvar — resmungou ele.
Mordi o lábio para não sorrir. — Acho que posso riscar o item “aprender a cozinhar” da lista. Pelo menos, estou tentando.
— O que mais?
— Nunca fiquei bêbada, nem um pouquinho — confessei. — Estava ocupada demais na universidade tentando fazer tudo o que podia para ser contratada como jornalista depois de me formar.
— Já fiquei. Você não está perdendo nada — resmungou Marcus. — A ressaca é horrível.
— Acha que entrar nas fontes termais nua se qualifica como “nadar pelada”? — perguntei sem tirar os olhos da lista.
— Na água. Do lado de fora. Nua. Sim, recomendo muito essa daí, especialmente se você está com uma ruiva linda que o deixa maluco.
Revirei os olhos para ele. — Eu estava com um homem lindo de cabelos escuros que me deixa louca. Serve?
— Por enquanto — respondeu ele, assentindo. — Vá em frente e risque essa. Diga-me o resto.
— São coisas pessoais — disse eu em tom hesitante.
— Não quer me dizer? — perguntou ele, soando ligeiramente magoado.
— Ok — concordei. — Mas são coisas bobas.
— Leia — exigiu ele.
— Nunca beijei um homem na chuva. Nunca tive um cara que realmente me amasse. Nunca fui pedida em casamento. E nunca tive um filho.
— Você quer filhos? — perguntou ele com a voz baixa.
Dei de ombros. — Um dia. Sim. Nunca pensei muito nisso até ser sequestrada. Acho que são coisas em que se pensa quando sabe que a vida poderá terminar tão cedo. Tomei a decisão certa? Coloquei esforço suficiente em relacionamentos? Amei o suficiente minha família e meus amigos?
Marcus se recostou na cadeira de couro, com a atenção completa voltada para mim. Os olhos dele estavam intensos, como se ele estivesse pensando sobre o que eu dissera.
— Não posso dizer que sei como se sente — admitiu ele finalmente. —
Mas entendo reconsiderar algumas das suas escolhas na vida.
— Você não está fazendo exatamente o que quer fazer? — perguntei surpresa.
— Nem sempre. Não sou tão próximo da minha família como gostaria de ser e não tenho ideia do que teria seguido como carreira se tivesse sentido que tinha escolha.
— Você não queria administrar o conglomerado do seu pai?
Ele deu de ombros. — Nunca pensei no assunto. Eu era o mais velho e nosso pai morreu jovem. Ele foi morto em um ataque terrorista... estava no lugar errado na hora errada no Oriente Médio.
Meu coração ficou apertado. Não era surpresa ele querer manter os norte-americanos seguros. O pai dele fora vítima de circunstâncias instáveis em um país estranho.
Minha mãe e a de Marcus tinham sido amigas. Eu sabia que o pai dele tinha morrido, mas era jovem demais para entender onde ou como isso acontecera na época.
Marcus continuou: — Em se tratando de administrar o conglomerado do papai... acho que sempre se supôs que eu faria isso. Fui preparado para isso e nunca me ocorreu discutir. Sei que minha mãe teria querido que eu fizesse o que me deixasse feliz, mas não havia, na verdade, outra coisa que quisesse fazer.
— Então, não se arrepende?
— Não. Eu me tornei muito bom no que faço. Mas eu me arrependo da distância que isso causou com a minha família. Nem me conecto mais muito bem com meu irmão gêmeo. Eu disse a mim mesmo que fazia isso para protegê-los caso alguém descobrisse sobre o trabalho que fazia para o governo, mas acho que me isolei porque sabia que sentiria falta deles se não fizesse isso.
— E funciona? — perguntei.
— Não. Só faz com que seja mais fácil lidar com a sensação de vazio.
— Viajar o mundo é difícil — comentei. — Algumas vezes, eu ficava longe por meses em uma missão. Senti muita falta da minha família.
Marcus deu de ombros ao responder: — Era ótimo logo depois que terminei a faculdade. Mas, como você, fico pensando o que perdi por não estar aqui em casa.
— Nenhum relacionamento de longo prazo? — perguntei. Eu não conseguia me lembrar de Marcus ligado a qualquer outra mulher, exceto minha irmã. Isso não fora algo de longo prazo e aquele incidente, como eu sabia agora, fora um caso de identidade trocada.