Bilionário Revelado: Marcus

J. S. Scott · Capítulo 4 de 30

Páginas do PDF

Bilionário Revelado: Marcus

Capítulo 3

Marcus

—Desde quando Danica tem um apartamento aqui em Miami? —

perguntei a Jett, usando o viva-voz do celular para que as mãos ficassem livres e eu pudesse tirar a gravata.

A minha cobertura de luxo tinha paredes de janelas, com vistas espetaculares da praia durante o dia. Mas, como era noite, havia todas as possibilidades de que algum vizinho pudesse me ver tirando a roupa. Não que eu me importasse.

Era verão e estava muito quente e úmido no sul da Flórida. Eu queria tirar as roupas sujas. Admiti, de má vontade, que também precisava dar uma folga ao meu pobre pênis. Eu estivera de pau duro desde o momento em que vira Danica com aquela minissaia de couro apertada e a camiseta curta.

Infelizmente, eu não conseguira tirar aquela imagem da mente desde que ela saíra da limusine com o traseiro praticamente à vista.

— Na verdade, ela e Harper são donas do apartamento — informou Jett.

— As duas adoram a praia.

Tirei a gravata e joguei-a sobre uma cadeira. — Ela está no apartamento dela agora — disse eu, começando a abrir os botões da camisa. — Mas não sei se ela ficará lá. Não consigo entender o que há de tão atraente em Becker.

— Não sei — comentou Jett. — Só sei que Dani está diferente desde que voltou do sequestro.

— Diferente como?

— Pode parecer estranho, mas ela parece... triste. Ela sempre se divertia muito mais do que nós. Agora, nem a vejo sorrir mais.

Pensando bem, eu também não a vira sorrir. Sim, nós dois estivéramos trabalhando quando nos encontramos no passado, mas isso não a impedira de sorrir e rir. Ela sempre fora alegre, mas parecia mais uma sombra daquela mulher agora. Não que ainda não fosse petulante, mas parecia mais dura. — Ela ia mudar, Jett. Não há como passar por uma experiência como a de Danica sem virar uma pessoa diferente.

Eu não disse a ele que Dani já me explicara que se sentia diferente, que não tinha mais certeza de quem era.

Por algum motivo, isso me incomodava. Danica era a mesma pessoa por dentro, mas parecia incrivelmente... desconfiada. Ela via o mundo como um lugar diferente, muito mais assustador. Apesar de eu entender por que ela se sentia assim, odiei o fato de que Danica não conseguia mais olhar para os lugares e as pessoas com a mesma curiosidade de antes.

Apesar de ela ter uma língua afiada, a inocência que tivera desaparecera e eu lamentava essa perda. Isso me fazia sentir ainda mais protetor e determinado a garantir que ela recuperasse a sensação de deslumbramento que fora uma parte muito importante dela.

— Talvez tudo o que ouvimos falar de Becker seja apenas rumores —

contemplou Jett em voz alta. — E se ele for mesmo um cara decente? Eu me sentiria um escroto se tentasse afastar de Dani alguém de quem ela gosta se o único crime dele for ser alvo de rumores.

Depois de abrir o último botão da camisa, eu a tirei e joguei-a sobre a mesma cadeira onde estava a gravata.

O que diabos eu poderia dizer a Jett? Ninguém, exceto a minha família, sabia que eu trabalhava como agente especial da CIA. Eu não podia explicar que a agência estivera tentando obter informações sobre Becker havia anos e que, um dia, conseguiriam o que fosse necessário para prendê-lo. Ele era o pior dos piores, um cara que ficara rico transformando as pessoas em viciadas e prostitutas, e nem sempre por escolha delas. Eu tinha certeza de que as suspeitas de que Becker financiava terroristas era verdade.

Só não tínhamos conseguido ainda as informações que o ligassem sem dúvida alguma aos rebeldes.

— Sem chance — respondi finalmente. — Ele é um escroto.

— Detesto ser um idiota — disse Jett em tom frustrado. — Eu gostaria de estar aí com você agora. Mas tenho outra cirurgia amanhã. Todo esse trabalho para tentar me deixar apresentável de novo. Sei que algumas dessas marcas nunca curarão e provavelmente sempre vou mancar quando estiver cansado.

Quase consegui ouvir a irritação dele pela ligação e, como sempre, sentime muito culpado. — Eu queria não ter levado você para a OPR.

— Eu não me arrependo, Marcus. Fizemos muitas coisas boas, salvamos muitas vidas. E, no fim, não acabei casado com uma mulher que só queria o meu dinheiro. Mas nem mesmo ela conseguiu tolerar meus ferimentos, mesmo que fosse ficar muito rica.

Eu me encolhi ao sair de cima da calça, jogá-la na cadeira e sentar em um sofá de couro branco vestindo apenas a cueca. — Você escapou por sorte —

concordei. — Mas eu me sinto um merda por ter colocado você na OPR. A operação era minha.

Jett estivera no lugar errado na hora errada. Quando o helicóptero caíra, todos os que estavam no lado que bateu no chão tiveram ferimentos de esmagamento por causa dos equipamentos pesados e outros suprimentos que caíram em cima deles. Jett fora o mais atingido. Ele estivera no lado errado e na área errada. Eu só tivera ferimentos leves, algo que me fazia sentir culpado ao ver que alguns membros da equipe tinham ferimentos muito mais graves. Os outros tinham se recuperado, mas Jett nunca mais seria o mesmo, o que me devorava por dentro.

Por algum tempo, os ferimentos internos dele tinham sido tão graves que ninguém sabia se ele sobreviveria. Quando percebemos que sim, descobrimos que isso demandaria desafios. Eles tinham consertado meu amigo e membro da equipe, mas a perna dele nunca mais seria a mesma e ele tinha muitas cicatrizes.

— Eu não faria nada de forma diferente, mesmo se pudesse — respondeu Jett, pensativo. — Além do mais, você precisava de mim. Sou o melhor cara de inteligência em tecnologia que você conseguiria.

Soltei uma risada, o que era incomum para mim, mas sabia que ele estava dizendo a verdade. Eu devia muitas missões bem-sucedidas da OPR a Jett.

Ele era um gênio em se tratando de tecnologia de internet e programação.

Eu me levantei e fui até a geladeira para pegar uma cerveja, abrindo-a ao responder: — Nisso você tem razão. Não existe ninguém melhor na área.

— É isso aí — comentou Jett.

— No que está trabalhando agora? — perguntei com curiosidade.

— Nada demais — respondeu ele com tom sombrio. — Não tive muito tempo. Mas os projetos atuais para a empresa estão progredindo bem.

Jett tinha uma empresa enorme de tecnologia de computadores e segurança cibernética, e trabalhava em vários projetos ao mesmo tempo.

Por sorte, a profissão dele era algo que podia fazer de casa, em Seattle.

— Preocupe-se só com a recuperação — disse eu. — Acho que você é rico o suficiente.

— Não tanto quanto você — protestou ele. — De qualquer forma, minha questão nunca foi o dinheiro.

Os pais de Jett tinham falecido em um acidente de carro, deixando todos os filhos com bilhões de dólares, semelhante ao que acontecera com o meu pai. — Mas você faz o que ama — retruquei.

— E você não faz o que ama, Marcus?

Tomei um gole da cerveja antes de voltar para o sofá. Eu não me importava em administrar o conglomerado multinacional do meu pai, mas não podia dizer que era minha paixão. — Não tive muitas opções. Quando meu pai morreu, eu tive que assumir o lugar dele assim que possível. Eu era o mais velho.

Depois de perdermos nosso pai, eu me sentira compelido a cuidar do legado dele. Infelizmente, quando tive idade suficiente, lidar com o conglomerado dele não podia ser feito sem muitas viagens. Havia gerência no lugar até que eu terminasse de estudar, mas a empresa não fora tão sólida como quando meu pai estava vivo. Portanto, viajei, garantindo que tudo fosse feito do jeito certo e lidando eu mesmo com todos os problemas.

Exceto que, às vezes, eu achava que, ao agir certo com a empresa, perdera um pouco do contato com a minha família. Estando longe por tanto tempo, havia muitas coisas que tinha perdido. Chloe estivera em um relacionamento abusivo e eu só descobrira depois que ela saíra dele.

Lentamente, afastei-me do meu irmão gêmeo, Blake, que agora era senador dos Estados Unidos. Tate e Zane também tinham passado por tempos difíceis e, novamente, eu não estivera lá para apoiá-los.

A verdade era que eu sentia muita falta deles, mas, por estar ausente por tanto tempo, não sabia como voltar à vida deles. Considerando meu trabalho com a CIA, talvez fosse melhor assim.

— Bem, não é como se você não tivesse tempo para ir atrás do que quer

— respondeu Jett finalmente.

Naquele momento, a única coisa da qual eu queria ir atrás era a bela e teimosa irmã ruiva dele. Mas não podia dizer isso a ele.

— Pois é — concordei sem me comprometer. — Ficarei aqui por mais alguns dias e de olho em Dani. Quero ter certeza de que ela não vai voltar para Becker.

Jett ficou quieto por um momento antes de dizer: — Você sabe que, se ela fizer isso, não há muito o que possamos fazer, exceto sequestrá-la. Quero protegê-la, mas ela merece seu espaço. Se ela o quer, não tenho como impedi-la.

— Eu vou impedi-la — resmunguei, sem dizer a ele que, tecnicamente, eu já sequestrara Danica. — Ela acabaria com a própria vida se terminasse com Becker. Em algum momento, ele vai cair.

— Você está bem, Marcus? — perguntou Jett com cautela.

— Sim. Por quê?

— Acho que nunca vi você levar uma questão pessoal tão a sério.

— Só estou tentando ajudar — respondi, sentindo-me desconfortável.

Ele tinha razão. Muito raramente, eu pensava em questões pessoais que não envolvessem meus negócios ou a CIA.

Ela era minha perdição em se tratando de ser emocionalmente distante.

Danica passara por tanta coisa, sem falar que eu tinha algum tipo de possessividade animal e estranha em relação a ela que não conseguia explicar nem entender. Por muito tempo, tudo o que eu quisera fora tê-la nua e prendê-la contra a parede enquanto preenchíamos um ao outro. E eu tinha certeza de que demoraria muito tempo para me livrar da vontade primitiva de tornar Danica minha. Queria ouvi-la gritar que pertencia a mim enquanto eu investia repetidamente em seu calor apertado.

Porém, depois que ela compartilhara parte da dor que tivera que aguentar durante o confinamento com os rebeles, o que eu mais queria era garantir que nunca mais sofresse.

— Dê-me notícias — pediu Jett. — E obrigado, cara, devo uma a você. Encerramos a ligação e eu me levantei, inquieto por estar com assuntos não resolvidos pela primeira vez que conseguia me lembrar. Eu pedira a um dos meus principais executivos que cuidasse de tudo durante a minha