Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 25
Eu estava rindo quando ele deu um tapa no meu traseiro, sem ouvir uma palavra do que fora dito ao se encaminhar para o quarto.
— Não é um fetiche — negou ele. — Só estou ansioso para ver você de algemas.
Eu ainda estava sorrindo quando ele me levou para dentro do quarto e colocou-me no chão.
— Você é impossível — acusei, incapaz de reprimir o sorriso bobo que tinha no rosto.
— Você gosta disso em mim — retrucou ele em tom arrogante.
Eu não podia discutir. Ele tinha razão. De fato, eu adorava a teimosia dele quando não estava tentando me enlouquecer.
— Eu não gosto — neguei falsamente, colocando as mãos nos quadris enquanto revirava os olhos.
— Sim, gosta — corrigiu ele com voz rouca. — Adora a forma como fico tentando até que você fique nua e depois insisto para que goze.
Ah, droga, eu adorava aquilo.
— Vai continuar falando ou vai me mostrar? — Meu corpo já estava em chamas e ele nem encostara em mim.
Ele ficou em silêncio quando começou a me mostrar como eu adorava sua persistência.
Marcus
—O que diabos você quer dizer com elas não estão aqui? — explodi com Jett, que estava no outro lado da conversa pelo celular.
Tínhamos chegado à Turquia um dia antes, mas estava tão quente que eu estava praticamente derretendo dentro do terno com gravata.
Eu estava parado em uma rua estreita na cidade e parara para telefonar para Jett enquanto Dani estava mais adiante, além da esquina, conversando com um dos moradores.
— O que eu quis dizer é que nós as encontramos — respondeu Jett, não parecendo nada abalado pelo meu temperamento. — Elas foram liberadas com a ajuda de alguns médicos na mesma cidade onde você está agora.
Voltaram para a Europa abaladas, mas estão bem.
— E você não tinha como descobrir isso antes que eu saísse dos EUA com a sua irmã? — reclamei, sabendo muito bem que não era culpa de Jett.
— Eu não sabia que você ia levar Dani.
— E é possível impedi-la de fazer alguma coisa? — resmunguei.
Danica era capaz de atropelar as pessoas como se fosse um furacão.
— Provavelmente você conseguiria, mas é claro que não quis —
comentou Jett.
— Ninguém consegue deter Dani quando ela está determinada a fazer alguma coisa — respondi com voz sombria.
— Ela é teimosa — concordou Jett. — Você deveria entender isso muito bem.
— Ela me deixa louco — confessei. — É como se estivesse determinada a se enfiar em situações perigosas.
— Ela está com você — disse Jett. — Ficará bem. E, em defesa da minha irmã, ela não tenta intencionalmente se meter em situações complicadas.
Acontece porque ela se importa demais. Como ela está, mentalmente falando?
— Acho que ela estava apreensiva quando chegamos aqui. Mas, uma hora depois, estava andando por aí, falando com os residentes e com a equipe médica daqui. Agora, parece confortável.
— Você gosta dela — disse Jett em tom afirmativo.
— Mais do que eu deveria — respondi relutantemente. — Ela vai me fazer passar pelo inferno.
— Ela é complicada. Porém, acho que você consegue lidar com isso porque ela é também uma das pessoas mais bondosas que conheço. E não estou dizendo isso só porque é minha irmã. Ela coloca o coração em tudo o que faz — retrucou Jett.
— Eu sei — admiti. — Mas, algumas vezes, ela carrega fardos demais que não são dela.
— Dani considera tudo que acha que pode resolver como uma batalha pessoal. Sempre foi assim, Marcus. Não há nada que nenhum de nós possa fazer para mudar a natureza dela. E não sei se eu faria isso, mesmo se pudesse.
— Eu sei — disse eu. — Não quero mudá-la, mas eu me preocupo muito com ela.
— Se partir o coração dela, vou matar você — comentou Jett em tom casual.
— É mais provável que ela parta o meu — resmunguei.
— Melhor o seu do que o dela — retrucou Jett solenemente. — Dani passou por coisas demais. Não sei o que você sente por ela, mas, se não for algo permanente, não mexa com a cabeça dela.
— Caralho! Eu quero que seja permanente. Não sei se ela quer alguma coisa que signifique compromisso. — A última coisa que eu queria era afastá-la confessando que queria que ela ficasse comigo para o resto da vida. Agora que tínhamos passado algum tempo juntos, eu não conseguia me imaginar passando o resto da vida sem ela. Cada segundo que ficamos juntos fora como um presente e eu não queria que isso terminasse.
— Se ela está com você, é porque quer algo permanente — informou Jett.
— Ela não é do tipo de entrar em algo sem querer tudo.
— Ela teve outros homens na vida — argumentei.
— Não muitos — disse Jett. — E nunca foi nada sério.
— O que o faz pensar que ela quer mais do que apenas um caso? —
perguntei curioso.
— Porque ela é Dani — respondeu ele simplesmente. — Nunca a vi olhar para nenhum homem como olha para você.
Um traço de esperança surgiu no meu coração. — Espero que tenha razão
— retruquei. — Caso contrário, estarei fodido.
Ouvi a risada divertida de Jett. — Cara, nunca achei que diria isso, mas você é ridículo.
— Eu sei — concordei prontamente. — E odeio isso.
— Ela vale a pena — disse ele.
Eu sabia que Jett tinha razão. Dani valia qualquer insegurança e medo que eu precisasse ter para mantê-la. Sentindo-me desconfortável em discutir Dani com o irmão dela, finalmente perguntei: — Está tudo bem aí?
— Sim, estamos bem. Ruby passou pelo inferno, mas é uma guerreira.
— E você está absolutamente certo de que aquelas duas mulheres estão seguras? — perguntei, querendo confirmar antes de contar a Dani.
— Sim, estou — disse Jett enfaticamente. — Acabei de falar com elas. Eu queria ter conseguido essa informação antes que vocês fossem para a Turquia.
— Está tudo bem — disse eu, sentindo-me um pouco culpado pela forma como o tratara. — Como disse, você não sabia que elas estavam seguras há um ou dois dias. Fico feliz por estar tudo bem. Agora posso pegar sua irmã e dar o fora daqui.
— E esse lugar aí é seguro, de verdade? — perguntou Jett, exigindo a verdade.
— O mais seguro que uma cidade perto da fronteira pode ser, acho —
respondi. — E nem de perto seguro como eu gostaria. Sua irmã gosta de destacar que qualquer coisa pode acontecer em qualquer lugar, mas pode ter certeza de que não gosto do fato de ela estar aqui. Não sei como eu a deixei quando a vi em áreas perigosas antes.
— Talvez você estivesse em negação — sugeriu Jett. — Acho que todos nós estávamos. Dani nunca pareceu preocupada e todos os irmãos,
incluindo eu, só aceitamos. Nós nos preocupávamos com ela. Porém, quanto mais tempo se passava sem que nada acontecesse com ela, menos ansiosos ficávamos. Foi um erro que nunca mais acontecerá.
— Eu me preocupava — admiti. — Mas mal nos conhecíamos e só o que fizemos foi antagonizar um ao outro. Acho que foi assim que lidei com o medo de que alguma coisa acontecesse com ela. Se a única coisa que ela fazia era me enfurecer, eu disse a mim mesmo que estava feliz em deixá-la cuidar da própria vida.
— Mas não era tão simples? — perguntou Jett.
— Nada relativo à sua irmã é tão simples nunca — resmunguei. — Ela ainda me enfurece.
— Mas, ainda assim, você a ama — declarou Jett.
Mais do que você jamais saberá! Em voz alta, respondi: — É, vai entender.
— Acho que qualquer pessoa com que você se preocupe e por quem vale a pena lutar o deixará muito irritado às vezes — retrucou Jett em tom divertido.
— Acho que a teimosia dela é uma das coisas de que gosto nela, o que é um tanto paradoxal. O amor não faz sentido — disse eu a Jett em tom irritado.
Jett riu. — Ele não precisa fazer sentido. Não seria tão incrível se fizesse.
Eu me perguntei como meu amigo ainda conseguia achar que estar apaixonado era tão incrível depois de ser dispensado por uma vadia que não gostou da aparência dele depois do acidente. Eu tinha que dar um certo crédito ao cara. Depois de algum tempo, ele descobrira que o que tinha com Lisette fora algo unilateral e condicional.
O amor não era totalmente confortável para mim. Ele me deixava vulnerável demais e eu odiava essa sensação. Porém, era melhor estar exposto do que ficar sem Danica.
— Acho que você tem razão — respondi finalmente. — Agora, vou encontrar sua irmã e dar o fora daqui para ter certeza de que ela estará segura.
— Ok. Avise quando chegarem — pediu Jett.
Concordei e desligamos.
Guardei o telefone no bolso do casaco. Depois, tirei o casaco, pois estava tão quente que eu suava profusamente.
Soltei a gravata e também tirei-a, guardando-a no bolso do casaco.
Apesar de aquele país ter áreas mais temperadas, aquela cidade em particular não era um desses lugares, e estávamos em julho. Não era como a Arábia Saudita durante o dia, mas não havia prédios com ar-condicionado.
Portanto, o calor estava ficando incrivelmente desconfortável.
Fiquei imaginando como Dani aguentava.
Determinado a encontrá-la e dar a notícia de que as duas mulheres que procurávamos já estavam em segurança, comecei a andar pela rua.
Tínhamos nos aventurado em uma parte da vila que não tinha muitas pessoas. O contato dela ficava longe do centro da cidade, motivo pelo qual eu a deixei ir na frente enquanto conversava com o irmão dela. A área estava relativamente quieta e achei que seria seguro o suficiente deixá-la sair da minha linha de visão, porém ainda por perto. Na realidade, eu teria conseguido vê-la se não fosse pelos prédios.
Eu estava quase chegando à esquina quando a explosão ocorreu. Mais tarde, eu não me lembraria de ver o homem-bomba jovem e inexperiente que andou pela cidade atrás de mim.
Só do que eu me lembrava era a forma como a bomba explodira, deixando tudo coberto de fumaça.
Vidros estilhaçados.
A força da explosão me jogou no chão e minha cabeça bateu na rua.
Por alguns momentos, fiquei desorientado.
Depois disso, só o que senti foi medo no ar cheio de poeira quando olhei para a loja que Dani fora visitar e a minha determinação de tirar Dani do prédio desmoronado, nem que tivesse que cavar com as mãos.