Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 2
— Não encoste nela. Não toque nela, caralho — rosnei ao abrir completamente a porta.
O grito de alarme de Danica soou pelo ar rançoso do bar no momento em que entrei.
Havia uma mão masculina no traseiro de Dani que não era minha. E
qualquer um que a tocasse lá que não fosse eu era algo completamente inaceitável. O homem bêbado tinha o dobro do tamanho dela e, quando seus dedos se fecharam no pulso dela para tirá-la do banco, perdi totalmente o controle. Era algo que nunca acontecera comigo. Porém, ao avançar, foi uma sensação maravilhosa bater com o punho no rosto dele e observá-lo cair no chão sujo com um barulho satisfatório.
Dani
E u odiava aquele bar.
Odiava aquela área.
Odiava as roupas de prostituta que vestia.
E eu realmente odiava o coquetel doce que bebia.
No entanto, eu também queria ver Greg Becker e sabia que ele apareceria ali em algum momento. Ele normalmente se atrasava para praticamente qualquer coisa e eu sabia que teria que ser paciente.
— Ei, garota — disse um homem alto bêbado ao cambalear pelo bar. —
Uma coisinha tão doce como você não deveria estar sozinha. Quanto é?
Minha pele ficou arrepiada quando a mão do cara apertou minha nádega por cima da minissaia de couro e o rosto dele chegou tão perto do meu que consegui sentir o hálito podre.
Eu deveria esperar que me fizessem propostas. Estou em um bar onde a maioria das mulheres é prostituta. É aqui que eles vêm atrás de garotas de programa.
Mesmo assim, soltei um grito quando minha nádega foi apertada com mais força ainda.
— Não estou à venda — disse eu com voz ameaçadora, pronta para tirar as mãos dele do meu corpo à força. Ele estava tão bêbado que provavelmente cairia se não tivesse onde se apoiar.
Não tive a oportunidade de testar minha teoria e afastar a mão dele. Um punho muito grande bateu no rosto do bêbado, que caiu como uma pilha de
tijolos.
Virei a cabeça para a esquerda para ver quem me resgatara.
E olhei novamente.
Marcus? O que diabos ele estava fazendo ali?
— Vamos — resmungou ele ao pegar minha mão e puxar-me desajeitadamente para fora do banco.
Cambaleei sobre o homem inconsciente aos meus pés, mal evitando colocar o salto na virilha dele. — Não posso ir embora. Vou encontrar alguém — protestei.
— Não vai mais — respondeu ele com voz séria.
Eu já estava do lado de fora da porta quando firmei os pés no chão, tentando soltar minha mão. Marcus era absurdamente forte e eu seria compelida a continuar andando se ele continuasse arrastando-me. — O que está fazendo aqui? — perguntei sem fôlego, fazendo com que ele parasse temporariamente, mas ainda sem conseguir soltar minha mão.
— Levando você de volta a um lugar a que pertence.
— Aqui é o meu lugar. Tenho um encontro, Marcus. Não posso simplesmente ir embora. Preciso ver Greg.
— Nada do que Jett lhe disse entrou na sua cabeça? — retrucou Marcus furioso. — Becker é um escroto e um maldito criminoso.
— Eu ouvi Jett. Só não concordei — respondi. — Tenho idade suficiente para decidir com quem quero sair, pelo amor de Deus.
— Não quando está fazendo escolhas erradas — respondeu ele com a voz rígida.
Eu amava e odiava a voz arrogante dele. O tom, a confiança e as inflexões sérias no tom barítono profundo eram inteiramente de Marcus Colter, mas as coisas que ele disse me deixaram muito irritada.
Puxei minha mão novamente com mais força, mas não consegui me soltar.
Marcus apertava minha mão com muita firmeza, mas não estava machucando-me. — E quem é você para decidir se minhas escolhas são certas ou erradas?
— Elas são erradas — retrucou ele em tom direto. — Vamos.
Eu teria que cambalear atrás dele ou cair de cara no asfalto. Como era uma sobrevivente, eu o segui.
Xinguei a mim mesma por contar tanta coisa ao meu irmão, Jett. Ele obviamente mandara Marcus àquele lugar porque desaprovava meu
relacionamento com Becker. Eu não esperara isso, nem queria que acontecesse.
— Marcus, preciso voltar — argumentei. — Greg chegará ao bar a qualquer minuto.
— Ele é dono daquela espelunca? — perguntou ele sem diminuir o ritmo.
— Não é tão ruim assim — menti. — É um lugar amigável.
— É. Uma grande família de criminosos e prostitutas — retrucou ele.
— Nem todo mundo nasce rico — disse eu enquanto tentava acompanhar os passos largos dele.
— Não. Mas Becker é rico. O imbecil não precisa que você o encontre aqui e poderia mantê-la fora de seus empreendimentos desonestos.
Fiquei em silêncio por um momento antes de perguntar: — O que o faz achar que ele é desonesto?
Ele reduziu o passo um pouco ao se virar para mim e fazer uma careta. —
Pelo jeito, você é a única que não sabe que ele é um vigarista e um traidor do próprio país.
Ignorei as acusações dele. — Pare. Por favor. Preciso voltar.
— Vamos dar o fora daqui e, depois, você vai me dizer exatamente como acabou junto com ele, para começo de conversa.
— Não posso ir com você. — Comecei a lutar com força para me soltar de Marcus. Torci o braço, esperando que ele fosse forçado a soltar minha mão.
— Pare. Você vai se machucar — exigiu ele.
— Não vou com você — retruquei.
— Vai sim — insistiu ele.
Um gritinho saiu da minha boca quando Marcus se inclinou, ergueu meu corpo e jogou-me sobre o ombro.
Bati nas costas dele, quase certa de que minha bunda aparecia sob a minissaia que vestia. — Coloque-me no chão — disse eu, agora furiosa por ele estar carregando-me como se fosse um homem das cavernas.
Com o corpo forte aguentando meu peso sem esforço, ele andou a passos largos que devoraram a distância rapidamente, ignorando meus protestos. A única coisa que eu conseguia ver, a não ser que forçasse o pescoço, era a parte de trás do casaco dele.
Merda! Isso não poderia acontecer. Eu tinha que estar no bar!
— Olá, George. Estamos prontos para voltar para o apartamento — ouvi Marcus dizer para alguém que não consegui ver.
— Sim, senhor — respondeu o outro homem, obviamente chamado George. A voz dele não denunciou alarme algum pelo fato de seu chefe ter voltado para o veículo carregando uma mulher sobre o ombro.
— Uuuff! — O ar foi forçado para fora dos meus pulmões quando minhas costas bateram no couro macio do assento do carro. Minha cabeça girava enquanto eu tentava me recompor, subitamente com a cabeça para cima novamente depois de ter sido carregada de pernas para o ar.
Marcus entrou pela outra porta do carro, ocupando o lugar vazio no banco traseiro ao meu lado.
Antes que minha mente clareasse, o carro já estava em movimento.
— Merda! — xinguei, tirando os cabelos do rosto enquanto me endireitava no banco. — Você percebe que praticamente me sequestrou?
— Você não me deu muitas opções — respondeu Marcus em tom direto.
Respirei fundo e soltei o ar lentamente, tentando acalmar meus nervos. —
Você tinha uma opção. Poderia ter me deixado em paz. Sou uma mulher adulta. Viajei o mundo sozinha. Consigo fazer minhas próprias escolhas.
Eu ainda não sabia por que Marcus estava em Miami e no bar de Greg. O único motivo em que eu conseguia pensar era meu irmão.
— Jett estava preocupado — confirmou ele.
Eu suspirei. A última coisa que eu queria era deixar meu irmão mais novo chateado. Jett passara por muita coisa e merecia um pouco de paz. — Ele não precisa se preocupar. Sou adulta. Sou adulta há alguns anos.
— Por que está aqui, Danica? O que aconteceu com a sua carreira? Há meses que você não sai dos Estados Unidos — perguntou ele com voz grave.
Não menti para ele. — Eu precisava de um tempo. Os lugares onde realmente preciso estar... eu não podia ir neste momento.
Depois do que acontecera comigo, eu precisara de terapia e ainda não terminara. Eu não conseguiria voltar a trabalhar no Oriente Médio sem medo e aquela área sempre fora o meu forte. Era um medo que eu não conseguira superar, portanto, finalmente pedira demissão da rede e resolvera trabalhar como jornalista independente. Minha irmã, Harper, achara que eu estava forçando demais ao voltar a trabalhar. Talvez ela estivesse parcialmente certa, mas o sequestro me mudara de forma irrevogável. Eu nunca seria a mesma mulher que fora antes de ficar em cativeiro.
— Você deveria tirar o tempo que precisar. Ninguém esperava que voltasse a trabalhar tão cedo.
— Eu queria a distração. Não podia ficar sozinha com os meus pensamentos — admiti. — Mas não consegui. Não sou mais a mesma pessoa e não sei exatamente quem sou.
Marcus falou com a voz rouca no interior escuro do carro: — Você ainda é a mesma, Dani. Por dentro, você não mudou. Só está vendo o mundo à sua volta de forma diferente.
Recostei a cabeça no banco, perguntando-me se o que Marcus dissera era verdade. Talvez eu não tivesse mudado. Talvez ele tivesse razão. Talvez eu simplesmente não conseguisse ver o mundo com a mesma inocência de antes. — Espero que sim — respondi.
— Você não encontrará o que precisa com Gregory Becker — advertiu ele.
— Ainda não sei — respondi firmemente. — Nem o conheço tão bem ainda.
— Você não precisa conhecê-lo ainda mais — retrucou Marcus.
— Você não entende — disse eu com a voz trêmula.
— Então, por favor, explique — sugeriu ele secamente. — Porque não consigo ver o apelo de alguém como ele. — Ele hesitou antes de perguntar:
— Você trepou com ele?
— O quê? — Não tive certeza se tinha ouvido corretamente.
— Você. Trepou. Com. Ele? — A voz dele estava rouca e sombria.
— Não! — A palavra saiu da minha boca sem censurar minha resposta. —
Não que seja da sua conta com quem eu durmo — acrescentei.
— Pois agora é da minha conta.
— Por causa de Jett — adivinhei.
— Não. Porque arrisquei vidas para salvar sua pele. Não fiz isso para que pudesse jogar sua vida no lixo com um escroque como Gregory Becker.
— É a minha vida — disse eu irritada. Marcus tornava tudo mais difícil.
— Termine com ele — ordenou Marcus. — Quer mesmo se casar com um homem como ele? Meu Deus, Dani, ele é um criminoso. Só não foi pego ainda. Mas será. E você será pega no meio da confusão toda ou morta por causa dos inimigos dele. Ele não liga para você. Se ligasse, não teria pedido que o esperasse em um bar cheio de bêbados e prostitutas.
— Não vou me casar com ele — retruquei com raiva. — Só estamos saindo juntos. Mais nada.
— Chega de sair com ele. Chega de encontrar com ele nesse bar. Chega de tudo. Diga a ele que perdeu o interesse e siga em frente — rosnou Marcus.
— Pare! — gritei subitamente para o motorista. Surpreendentemente, ele parou a limusine.
— O que está fazendo, Danica? — Marcus estendeu a mão e segurou meu pulso.
Afastei a mão dele. — Estou em casa. Meu apartamento fica no prédio logo ali atrás.
— Eu não sabia que você tinha um apartamento aqui.
— Eu também não sabia que você tinha — disse eu ao abrir a porta do carro. — Mas, pelo jeito, você tem.
Meu bairro era bem iluminado, mas eu ainda não consegui ver a expressão de Marcus quando ele se recostou no banco. — Meu apartamento é aqui perto, portanto, estarei por aí. Esta é uma área decente. Só fique fora da área de Becker.
Fechei a porta sem responder e subi a escada do meu prédio o mais depressa que meus saltos altos me permitiam.
Marcus não saiu do carro, mas não foi embora até que eu estivesse dentro do prédio.
Quando cheguei ao meu apartamento e olhei pela janela, Marcus fora embora.