Bilionário Revelado: Marcus

J. S. Scott · Capítulo 7 de 30

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Bilionário Revelado: Marcus

Capítulo 6

Ela não respondeu.

A porta fechou atrás de mim.

 

Dani

—Marcus me deixa louca, Harper. Não entendo nem por que ele está aqui — confessei à minha irmã no telefone no dia seguinte.

Harper era a única pessoa que realmente entendia como eu me sentia. Eu finalmente cedera e contara a ela tudo o que acontecera comigo durante o cativeiro, logo depois de me demitir.

— Talvez ele tenha razão, Dani. Talvez você não devesse se envolver em nada disso. Talvez sair com Gregory Becker não seja uma boa ideia —

respondeu ela com preocupação.

Deitei no sofá do apartamento. Minha irmã era arquiteta, mas trabalhava bem longe das corporações. E o marido dela era senador dos Estados Unidos. Portanto, provavelmente nunca ouvira nenhum dos rumores que eu sabia que circulavam no mundo dos grandes negócios. — Você está começando a soar como Marcus — eu disse a ela em tom desgostoso.

— Marcus está no mundo dos negócios desde que virou adulto. Se ele ouviu dizer que esse cara é um problema, tenho certeza de que Marcus sabe de alguma coisa. Ele certamente não é do tipo exagerado.

— Não vou parar de ver Greg — informei teimosamente. — Você sabe por que Marcus está aqui?

— Não sei — admitiu ela. — Mas Blake comentou que Marcus tem propriedades no mundo inteiro, portanto, não é surpresa que tenha uma propriedade em Miami.

Sinceramente, eu também não estava surpresa. Só queria que ele fosse passar algum tempo em outro lugar. Eu achava a presença dele enervante, justamente no momento em que eu tentava estabelecer um relacionamento.

Especialmente quando ele me arrastava para longe dos meus encontros. —

Espero que ele vá embora logo.

— Não aposte nisso — advertiu Harper. — Ele obviamente está tentando proteger você e, pelo que Blake me disse, Marcus consegue ser muito teimoso.

— Por que ele se importa? — perguntei em tom desesperado. — Eu mal o conheço. Ele salvou minha vida, ok, mas não mantivemos contato.

Na verdade, Marcus me dera muito apoio quando eu contara parte do que acontecera comigo durante o longo voo da Turquia para os Estados Unidos.

Eu não contara todos os detalhes, mas o que confessara a ele fora difícil de compartilhar. Mas eu derramara o suficiente do meu coração para ele para que não o visse como um simples conhecido. Essa descrição não cabia. Ele acabara ficando comigo até que eu estava finalmente exausta e dormira na cama do jatinho dele. Quando acordei, estávamos pousando em Washington. Porém, também não podia dizer que Marcus era um amigo.

Não tínhamos nos encontrado desde que nos despedíramos em Washington.

— Ele protege muito a família — respondeu Harper. — E, para ele, agora você é família. Eu me casei com o irmão gêmeo dele.

— Isso é meio exagerado — retruquei. — Sou irmã da cunhada dele.

— Obviamente, é perto o suficiente para que ele se preocupe. — Harper suspirou antes de continuar. — Apesar da arrogância irritante, ele é um homem bom, Dani. Ele perdeu o pai quando ainda era criança e Blake disse que sempre sentiu que era responsabilidade dele ocupar o lugar do pai. A infância dele foi praticamente perdida. Ele e Blake começaram a se afastar um do outro depois da morte do pai. Marcus foi para a universidade e passou a viajar na maior parte do tempo. Foi só recentemente que começaram a reconstruir o relacionamento deles de novo.

Apesar de eu estar furiosa com Marcus, senti uma pontada de dor no coração pelo jovem que perdera o pai cedo demais. Eu conseguia ver Marcus tentando preencher o vazio na família. E ele fora o único que continuara o legado do pai nos negócios internacionais. — Os dois estão próximos de novo? — perguntei com curiosidade.

— Está melhor do que era. Mas Marcus ainda guarda muito para si mesmo. Nem mesmo Blake sabe o que ele está pensando na maior parte do tempo.

— Espero que Blake tenha um senso de humor melhor do que o de Marcus — comentei. — Não lembro de ter visto Marcus abrir um sorriso.

Eu não vira minha irmã e Blake muitas vezes. Tínhamos conversado no casamento de Harper, mas fora caótico com toda a família por perto. Depois do casamento, eu voltara a viajar na Europa por causa do trabalho. Não voltara a Rocky Springs desde que pedira demissão. Eu fora diretamente para Miami.

— Pensando bem, acho que também nunca vi Marcus sorrir — observou Harper. — E Blake tem um senso de humor maravilhoso. Acho que ele me ensinou a me divertir de novo.

Eu suspirei. Queria muito lembrar como era rir. Sinceramente, eu estivera bem sombria por meses. — Fico feliz — disse eu com sinceridade.

Harper merecia ser feliz. Minha irmã fazia muito por outras pessoas.

Como tinha muito dinheiro, como todos os outros Lawsons, ela não precisava trabalhar para se sustentar. Mas ela passava a maior parte do tempo construindo abrigos para os sem-teto em todo o país para ajudar o mundo.

Certa vez, achei que deixaria minha marca no planeta. Mostrei ao mundo as atrocidades que aconteciam em outros países e no meu país, algo próximo e pessoal. A maioria das reportagens era muito brutal e eu as fazia para aumentar a consciência sobre o que acontecia em lugares sobre os quais as pessoas raramente pensavam.

Uma vez... isso fora importante para mim, mais essencial do que minha segurança. Mas, depois da minha experiência na Síria, eu não conseguia mais fazer o meu trabalho do mesmo jeito, e eu odiava isso.

— Você está bem? — perguntou Harper em tom gentil.

— Bem na medida do possível, já que eu me demiti — respondi com sinceridade.

— Como vai a terapia?

— Está indo bem. Ainda tenho lembranças e pesadelos, mas, tirando isso, estou bem. Acho que só preciso de tempo.

— Eu me preocupo com você. Queria que viesse para o Colorado para uma longa visita. Venha ficar comigo. Ficarei em casa por alguns meses. O

senado está em recesso.

Apesar de termos crescido perto dos Colters, não tínhamos mais uma casa lá. Depois que meus pais tinham morrido em um acidente de trânsito, vendêramos a casa da nossa infância. Nenhum dos meus irmãos, eu nem Harper conseguíamos aguentar a dor de ficar em nossa antiga casa. Havia lembranças demais e lembretes de que tínhamos perdido nossos pais cedo demais.

— Irei assim que puder — respondi sem me comprometer. No momento, eu não queria fazer promessas. Não tinha certeza do que aconteceria com Greg. — Você também pode vir visitar o apartamento que compramos e que nunca vê — provoquei.

Eu usara Miami como base durante a maior parte do tempo em que ficava nos Estados Unidos. Ou, alternativamente, ia para a casa de Harper na Califórnia, que agora ela vendera para morar com o marido em Rocky Springs.

— Eu vi o apartamento de Miami — argumentou Harper. — Só não passo tanto tempo nele quanto você.

— Seria um voo confortável no jatinho do seu marido — comentei.

Harper suspirou. — Eu adoraria, mas não passo muito tempo com Blake como gostaria e ele ficará em casa até o fim do recesso do senado. Sinto falta do mar. Quando estávamos crescendo, eu nunca deixava de entrar no mar. Mas, agora, a falta da água é a única coisa de que não gosto no Colorado. O que as pessoas consideram lagos aqui são, na verdade, lagoas pequenas.

Sorri porque sabia exatamente o que ela queria dizer. — Bem, o oceano está esperando você para quando estiver pronta.

— Vou até lá em algum momento, especialmente se você estiver aí.

Preciso conhecer esse seu namorado.

— Greg não é exatamente meu namorado — neguei. — Pelo menos, não no momento.

— Ele está saindo com outras pessoas? — perguntou Harper, soando confusa.

Na verdade, eu tinha certeza de que Greg ainda estava trepando com outras pessoas. Ele não era do tipo fiel. — Sim.

— E você? — perguntou Harper.

Hesitei, ponderando se me sentir tão atraída pelo irmão gêmeo do marido dela contaria como algum tipo de fidelidade. — Não estou saindo com mais ninguém.

— Se ele não viu o tesouro que você é, talvez não seja bom o suficiente —

disse Harper pensativa. — Tem certeza de que Marcus não está certo sobre esse cara?

Revirei os olhos. — Marcus não está certo sobre tudo e não tem nada que se meter com quem eu saio, Harper. É irritante.

— Acho que talvez você goste de Marcus — respondeu ela. — Você passou muito tempo com ele enquanto estava se recuperando. Disse que ele foi simpático com você.

— Eu não gosto dele — insisti. — E ele foi simpático comigo na época.

Mas trapaceia no xadrez — resmunguei.

Harper riu alto. — Como se trapaceia no xadrez? Ai, meu Deus, ele derrotou você?

— Acho que ele trocou peças de lugar enquanto eu não estava olhando —

informei a ela, sabendo que estava mentindo. Marcus ganhara de forma justa, mas eu não gostava de perder quando se tratava de jogos de xadrez.

— Ele ganhou! — exclamou Harper, parecendo feliz.

— Não fique tão feliz com isso.

— Você precisa de um homem que a desafie de vez em quando —

declarou ela. — É inteligente demais para namorar um macho ignorante.

— Falando em homens perfeitos, como está Blake? — perguntei, precisando mudar de assunto. Eu basicamente contava tudo a Harper, porém, como Marcus era cunhado dela, não me senti confortável em contar como Marcus me deixava confusa.

— Ele é incrível — disse Harper com um suspiro feliz. — Algumas vezes, é difícil acreditar que ele está de volta à minha vida e que estamos casados. — Acredite. Fui sua dama de honra. Vi acontecer.

— Eu sei. Mas ainda parece surreal. Eu queria que você e nossos irmãos encontrassem o mesmo tipo de felicidade. Mason virou um cínico e estou preocupada com Jett depois do que aconteceu com Lisette.

— Eu ainda queria dar uma surra nela — confessei. — Como você joga fora um cara que ama só porque ele teve um acidente e ficou com algumas cicatrizes, além de mancar um pouco? O acidente não mudou quem ele é por dentro.

— Ela não o amava. Fico feliz por estar fora da vida dele — admitiu Harper. — Jett é bom demais para ela. Não havia nada que ele não fizesse para deixá-la feliz e ela o tratou como lixo.

— Tem notícias dele? — perguntei, imaginando como meu irmão mais novo estava. — Não falo com ele tem alguns dias.

— Ele teve que fazer outra cirurgia pequena. Mas falei com ele ontem e parece bem.

Harper e eu falamos um pouco sobre o restante da família e, finalmente, desligamos, pois as duas tinham coisas a fazer.

Fui até a cozinha e botei meu telefone para carregar. Eu acabara de conectá-lo quando começou a tocar.

Olhei para ver quem estava ligando. Meu coração acelerou quando vi que era Gregory. Um surto de adrenalina percorreu meu corpo, uma sensação familiar que eu sentia sempre que via ou falava com Gregory Becker.

Respirei fundo e soltei o ar lentamente para me acalmar antes de finalmente atender.