Bilionário Revelado: Marcus

J. S. Scott · Capítulo 28 de 30

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Bilionário Revelado: Marcus

Capítulo 27

Apesar de doer ter que me separar de Marcus, afastei-me dele para que pudéssemos ir embora. — Você precisa ir à clínica ver seus ferimentos antes de irmos — insisti, preocupada com o tamanho do ferimento na cabeça dele.

— Verei isso quando chegarmos em casa — disse ele em tom teimoso.

— Agora — exigi.

Esperei uma resposta arrogante e fiquei realmente preocupada quando não a recebi. Olhei para Marcus ansiosa, percebendo que ele estava pálido e com a mão na cabeça.

— Eu vou... — A voz dele sumiu quando ele se sentou em uma caixa próxima que não fora destruída.

Eu me abaixei ao lado dele. — Marcus, fale comigo — disse eu em pânico.

Ele não disse nenhuma outra palavra.

Ele perdeu a consciência enquanto eu me esforçava para segurá-lo, gritando para que alguém, qualquer pessoa, me ajudasse.

 

Dani

Dois dias depois, estávamos finalmente a bordo do jatinho de Marcus a caminho de casa.

Ele me deixara com muito medo e eu nunca o deixaria esquecer disso. Depois de ser tratado o máximo possível na clínica médica, ele fora transportado para a capital para fazer mais exames. Depois que os exames tinham dado negativo para fraturas, ele ficara alguns dias lá em observação.

Marcus tivera uma bela concussão, mas estava recuperando-se.

Por sorte, o homem-bomba fora inexperiente. Na realidade, fora uma garota com cerca de dezoito anos. Sozinha, ela entrara na parte errada da cidade, causando muitos danos, mas nenhuma fatalidade, exceto ela mesma.

Lamentei a perda da vida de alguém tão jovem e senti uma tristeza profunda por ela ter sido tão cheia de violência.

— Ei, você está bem? — perguntou Marcus, que estava deitado na cama.

Depois de decolarmos, eu insistira que ele fosse descansar.

Eu estava sentada de pernas cruzadas perto dele, perdida em pensamentos enquanto observava o curativo em sua testa. Eu perdera a conta de quantos pontos tinham sido necessários para fechar o ferimento, mas estava curando bem. — Só cansada, acho — respondi ao sorrir para ele.

— Você está em uma cama agora — relembrou ele.

Esfreguei os olhos com a mão. — Eu sei, mas não consegui dormir.

— Preocupada comigo? — perguntou ele curioso.

Lancei um olhar exasperado a ele. — Sim, eu estava preocupada.

— Minha cabeça é bem dura — disse ele em tom divertido, com a mão acariciando minhas costas.

As mãos dele já estavam quase curadas. Por sorte, os ferimentos nelas tinham sido superficiais.

Emiti um som de desprezo. — Pela primeira vez, estou feliz por você ser cabeça dura.

Virei o corpo para que pudesse deitar de lado perto dele, com a cabeça apoiada na mão.

— Estou bem. Por que essa expressão pensativa? — perguntou ele com uma voz mais suave.

Gentilmente, estendi a mão para tirar os cabelos da testa dele. — Só fico pensando em como as coisas poderiam ter acontecido. Se você estivesse mais perto, teria sido bem pior.

— Pare com isso, Dani — disse ele firmemente. — Não enlouqueça pensando em como as coisas poderiam ter sido piores. Eu me torturei com os mesmos pensamentos no primeiro dia depois da explosão. Depois, percebi como tivemos sorte. Estou me concentrando no fato de nós dois ainda estarmos aqui e relativamente ilesos.

Marcus podia minimizar os ferimentos dele, mas eu não. Tirando isso, ele tinha razão. Eu realmente precisava ficar feliz por nós dois ainda estarmos vivos. Ele ficaria curado e voltaria ao normal em uma semana. Exceto talvez por uma pequena cicatriz, ele não teria efeitos duradouros da explosão.

— Eu sei que você tem razão, mas fiquei muito assustada — confessei.

Marcus passou o braço em volta da minha cintura e puxou-me contra o seu corpo. Relaxei, deixando minha cabeça repousar no peito dele.

— Você me perguntou uma vez do que eu tinha medo — disse Marcus em tom pensativo.

— Eu me lembro — murmurei.

— O que aconteceu é exatamente do que tenho medo — disse ele com voz grave. — Tenho muito medo de que alguma coisa aconteça com você. Você não tem exatamente uma vida calma e isso me preocupa. Não sou rígido com muitas coisas, mas perder você ou vê-la ferida de novo é o meu maior medo. Não posso ver você brutalizada novamente, Dani. Quase morri por isso depois de tirarmos você daquele acampamento rebelde.

Meus olhos se encheram de lágrimas. Não importava o quanto tentasse afastá-las, elas continuaram escorrendo. — Mas eu sobrevivi, Marcus.

Talvez nunca mais seja exatamente a mesma que era antes de acontecer aquilo, mas percebi, antes mesmo da explosão, que voltar lá me libertou de alguma forma.

Ele ficou em silêncio por um momento antes de perguntar: — Está falando sério?

— Sim. Não estou dizendo que não preciso continuar a terapia, mas acho que tudo se encaixou. Só o que preciso fazer agora é entender tudo. Não me sinto ansiosa mais. Duvido que serei destemida como era, mas parte da falta de medo era baseada no fato de que nunca entendi realmente como a vida pode terminar rapidamente. Nunca senti de verdade dor ou medo intenso.

Depois que senti, fiquei mais desconfiada.

— Nunca mais quero ver você com medo, com dor ou ansiosa —

resmungou ele.

— Também não quero — admiti. — Mas tenho que admitir que, não importa o quanto gostaria de voltar e ser a mesma pessoa de antes do sequestro, não consigo. Tenho que aceitar quem sou agora.

— E aceita?

— Sim. Acho que aceito — comentei.

— Voltar fez você querer sua antiga vida de volta? — perguntou ele hesitantemente.

Eu suspirei. — Não. Nunca poderei voltar. Tenho que seguir adiante. Eu gostaria de continuar como repórter investigativa independente onde existem histórias a serem contadas. Mas não estou mais triste por desistir do meu ritmo. Descobri que não preciso estar sempre em todos os locais perigosos do mundo. Posso encontrar histórias a serem contadas em qualquer lugar do mundo.

— Graças, caralho — disse Marcus. — Quero que você fique comigo.

Tentei ignorar a forma como meu coração galopava dentro do peito. Eu amava Marcus com todas as fibras do meu ser, mas não queria ter esperanças de que nosso tempo não seria limitado. — Em algum momento, você voltará a viajar — disse eu em tom leve, tentando fingir que essa separação não partiria meu coração.

— Não tanto — informou ele. — Parece que meus executivos estão fazendo o meu trabalho muito bem no exterior. E, se não for um problema

para o governo que eu treine alguém para fazer o meu trabalho de inteligência, acho que tenho a pessoa perfeita para isso.

— Vai parar de ser James Bond? — perguntei incrédula.

— Eu não estou brincando de ser James Bond. E sim, acho que eu não me importaria de passar parte disso para alguém mais jovem. Estou cansado de não comer chocolate — brincou ele. — Não que eu não vá viajar, e ainda preciso me encontrar com alguns dos meus contatos, mas estou pronto para passar mais tempo com a minha família e na minha casa em Rocky Springs.

Eu me arrependo de ter perdido tanta coisa por estar constantemente longe.

Eu entendia como uma pessoa podia se sentir sozinha quando viajava o tempo inteiro. Eu me sentira separada dos meus irmãos por um longo tempo e sentia falta deles. — Eu também senti falta da minha família — confessei.

— Acho que só me mantive ocupada demais para perceber.

— Você não comentou sobre o que eu disse — relembrou ele.

— O quê?

— Quero que você fique comigo, Dani. Quero que você esteja comigo.

Quer? — A voz dele estava cheia de esperança.

— Não sei se posso — respondi com sinceridade. As lágrimas continuavam a escorrer dos meus olhos e a cair na pele nua do peito dele.

— Por quê? — rosnou ele.

Fiquei em silêncio, com medo de dizer a ele tudo o que estava pensando.

Eu não queria que ele se sentisse pressionado por mais, mas tinha que ser verdadeira comigo mesma. — Eu amo você, Marcus.

Ele rolou o corpo de lado e apoiou a cabeça na mão, forçando-me a fazer o mesmo para que ficássemos frente a frente. — O que você disse?

— Você me ouviu. Eu amo você tanto que chega a doer. Não sei se consigo ficar em um relacionamento com você sem querer mais do que apenas sexo.

— Nunca foi apenas sexo entre você e eu — protestou ele. — Meu Deus, Dani! Não consegue sentir? Acho que eu soube, por um longo tempo, que tínhamos mais do que apenas atração sexual, mas não queria reconhecer.

Sim, ok, meu instinto primário era trepar com você e isso nunca desapareceu. Mas acho que nós dois sabemos que nunca foi completamente só sexo.

— Acho que não, mas eu não sabia o que você queria. Eu não sabia se você queria amor, mas não posso dizer isso de novo.

— Eu quero tudo, caralho — disse ele com voz ríspida. — Quero tudo que você estiver disposta a dar. E vou querer mais depois disso.

— Quer algo que envolva compromisso?

— Ah, sim. Quero que você e eu estejamos o mais comprometidos que duas pessoas podem ser — respondeu ele com voz rouca. — Quero definir algum tipo de compromisso para que possamos viajar juntos e ficar em casa ao mesmo tempo. Quero que você se case comigo e use minha aliança no seu dedo para que todos os idiotas lá fora saibam que é minha.

— Quer que eu me case com você? — perguntei apreensiva.

Marcus Colter não era o tipo de homem que se casava... pelo menos, eu nunca o vira assim até aquele momento.

— Não acredito que você duvidou que eu quisesse que ficássemos juntos.

Eu também amo você, Danica. Diga que vai se casar comigo para que eu não tenha um ataque do coração sem saber se vai concordar.

Meu olhar encontrou o dele em uma colisão de intensidades que fluía entre nós.

Talvez eu sempre tivera dúvidas se conseguiríamos seguir como um casal.

Porém, agora que eu sabia que ele também me amava, senti que poderia voar. — Sim — respondi simplesmente.

— Sim, vai? — insistiu Marcus. — Vai se casar comigo? Não tenho ainda um anel, mas...

Coloquei a mão gentilmente nos cabelos dele e cortei suas palavras ao me inclinar para a frente para beijá-lo. Eu não me importava nem um pouco com um anel nem com as formalidades. Só o que precisava saber era que ele me amava.

Todo o resto era nada além de detalhes inconsequentes.

Ele passou o braço em volta da minha cintura e puxou-me de costas, com a boca exigente ao assumir o controle do abraço.

Foi o beijo mais doce e excitante que eu já recebera.

Ele mordeu meu lábio inferior e, em seguida, acariciou-o com a língua.

O beijo não foi carnal e eu não ia deixar que saísse de controle. Não íamos a lugar algum. Marcus acabara de sair do hospital e a última coisa de que precisava no momento era uma olimpíada na cama.

Mas poderíamos saborear o momento e todas as emoções que acompanhavam a decisão de que amávamos um ao outro tanto que queríamos passar o resto da vida juntos.

Quando ele finalmente ergueu a cabeça, olhei em seus olhos e disse: —

Sim, vou casar com você. Vou ficar com você. Vou continuar a deixar que roube o meu chocolate pelo tempo em que estivermos vivos — brinquei. —

Agora, você precisa descansar um pouco.

— Prefiro que você fique nua — respondeu ele.

— Nada de sexo. Nós dois acabamos de admitir que não é só sexo. E você acabou de sair do hospital. Nada de atividades estressantes para você.

A expressão dele foi de decepção. — Sei que não é só sexo, mas isso não significa que eu não queira desesperadamente que você fique nua.

Eu também o queria, mas não me importaria de esperar. — Sua saúde é minha maior prioridade.

— A minha também — disse ele com voz grave. — Meus testículos estão doendo.

Eu ri alto. Não conseguia acreditar que ele quisesse mesmo fazer sexo quando ainda se recuperava dos ferimentos. — Vá dormir — insisti, empurrando-o de volta para o travesseiro. — A última coisa em que precisa pensar no momento é fazer sexo.

— É a primeira coisa em que estou pensando — respondeu ele.

— Você consegue passar alguns dias sem sexo — disse eu ao me ajeitar ao lado dele e colocar a cabeça em seu peito.

— Sim, consigo — admitiu ele. — Ora, eu passava meses ou até um ano sem sexo. Mas, desde a primeira vez em que encostei em você na Flórida, não consigo pensar em mais nada.

Sorri contra a pele macia do peito dele. Sinceramente, eu me sentia do mesmo jeito, mas não admitiria isso naquele momento. — Eu amo você, Marcus — murmurei.

— Meu Deus! Eu também amo você, querida — disse ele com a voz rouca ao apertar os braços em volta e mim. — Você pode marcar mais uma coisa na sua lista, pois nunca vai encontrar um cara que a ame mais do que eu.

Suspirei, feliz ao ouvir a respiração de Marcus ficar regular, um sinal certo de que estava exausto e precisava descansar.

Ele quer passar o resto da vida comigo. Ele quer se casar comigo.

Decidi que finalmente chegara a hora de fechar a janela para o passado e abrir a porta do futuro com Marcus.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, mas não era de tristeza nem de medo. Ela fora criada da alegria imensa que enchia meu coração e de saber

que Marcus me amava tanto quanto eu o amava.

Toda a dor pela qual eu passara chegara ao fim e eu finalmente estava pronta para seguir adiante.

Saber que eu seguiria em frente com um homem que amava mais do que a própria vida tornava minha nova mentalidade muito mais doce do que jamais fora.

Ele era a peça importante do quebra-cabeça da minha vida que sempre estivera faltando, apesar de eu não saber até que Marcus encaixasse naquele espaço vazio.

Caí em um sono exausto, seguramente entre os braços dele, sabendo que, não importava o quanto eu o irritasse e vice-versa, sempre haveria amor.