Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 1
A repulsa e a humilhação que eu sentira quando fora estuprada e surrada com tanta frequência que não era possível saber quantas vezes acontecera.
E que, quando os rebeldes terminavam com o meu corpo, como eu me perguntara se aquela seria a última vez.
Tentei engolir o nó na garganta quando olhei para a expressão indecifrável de Marcus. Sem ter certeza se conseguiria continuar olhando nos olhos dele enquanto despejava toda a minha experiência com os terroristas nele, estendi a mão e desliguei a luz do quarto. Em seguida, sentei-me de pernas cruzadas no meio da cama.
Talvez eu não conseguisse contar a Marcus todos os detalhes da minha experiência como prisioneira, mas sabia que precisava botar para fora parte da raiva e do medo.
Contente por não conseguir ver muito bem a expressão dele na luz fraca, comecei a falar...
Como prometido, Marcus ouviu, dizendo-me às vezes que sabia que a forma como eu me sentia era perfeitamente natural, considerando o que acontecera.
Quando o voo chegou ao fim, eu me recompusera e despedira-me rapidamente do homem que fora meu conforto e meu confidente antes de encontrar minha irmã em Washington, DC.
Demoraria um ano para que nos encontrássemos de novo e ele seria responsável por me roubar de outra pessoa mais uma vez, mas em circunstâncias muito diferentes...
Marcus
O Presente...
—Oque diabos estou fazendo aqui? — resmunguei para mim mesmo irritado enquanto andava pela calçada horrível em uma das áreas mais perigosas de Miami.
A área era mal iluminada e a reputação do bairro em que eu andava era terrível. Eu não estivera em Miami havia algum tempo, mas sempre ficava pasmo ao ver que as áreas afluentes podiam terminar abruptamente e, alguns passos depois, eu terminaria em um lixão.
Não que eu me importasse. Eu deixara o carro com o motorista vários quarteirões para trás em uma área melhor. Meu motorista, George, era idoso e não precisava de coisa alguma que fizesse sua pressão arterial subir ainda mais. Além do mais, eu precisava muito espairecer com uma caminhada antes de me encontrar com Danica.
Eu não estava preocupado com a minha segurança. Sabia de pelo menos uma centena de formas de matar bandidos e tinha uma Glock carregada sob o casaco. Se alguém quisesse me enfrentar, eu faria com que se arrependesse de ter nascido. Na verdade, eu me tornara um lutador decente.
Eu estava furioso.
Dani e eu estivéramos na mesma cidade algumas vezes na Europa, mas não tínhamos nos encontrado. Ok, talvez eu a tivesse visto, mas ela não me vira. Eu soubera que ela estava lá porque passara a ficar de olho nela e seguir os destinos a que seu trabalho a levava. Eu não ficara surpreso
quando ela voltara a trabalhar logo depois de se recuperar fisicamente. Ela ainda ia a locais problemáticos no mundo inteiro. O único lugar em que eu não a vira fora o Oriente Médio.
Depois, alguns meses antes, parei de vê-la e não consegui obter muitas informações sobre onde ela ia atrás de histórias.
Agora, eu sabia o motivo.
Eu estivera em Seattle alguns dias antes e passara na casa de Jett Lawson para ver como estava sua recuperação. Apesar de fazer dois anos desde que Jett quase morrera em nossa última missão da OPR juntos, ele ainda precisava de cirurgias para resolver alguns dos ferimentos. A essas alturas, a maioria delas era apenas cosmética, feitas para cobrir algumas das cicatrizes. Infelizmente, graças à vadia da ex-noiva dele, parte da dor emocional de Jett não curaria tão cedo.
Mas a vida amorosa dele e a ex-futura esposa não tinham sido a preocupação do meu amigo quando fui visitá-lo. Os pensamentos de Jett tinham sido desviados para o novo namorado da irmã, Danica.
— Filho da puta! — xinguei com voz irritada ao me aproximar do quarteirão onde ficava o bar que eu procurava. — Como ela se misturou com um imbecil como Gregory Becker?
Becker era um idiota rico, mas era duvidoso quanto da riqueza dele era proveniente de negócios legítimos. Ele fora um suspeito da CIA por muito tempo, mas, até o momento, ninguém conseguira provas nem informações sólidas para indiciá-lo.
Parando sob um poste de luz fraca, peguei a fotografia que Jett me dera antes que eu saísse de Seattle, uma foto que fora tirada por um jornal local em Miami. Dani fora fotografada em cores ao lado de Becker. Ele tinha o braço em volta da cintura dela e os dois pareciam muito felizes em um evento de caridade para o qual o imbecil doara algumas semanas antes.
Houvera outras fotos e outros eventos em que Dani estivera ao lado de Becker. Quando Jett perguntara a Dani o que ela estava fazendo em Miami, e se realmente estava saindo com Becker, a resposta fora de que estavam saindo juntos e que não era muito sério. Pelo jeito, não importava o que Jett dissesse à irmã mais nova, ela se recusava a ouvir seus avisos sobre Becker.
Provavelmente não havia um único homem de negócios rico sequer que não conhecesse a reputação de Gregory Becker. Rumores circulavam constantemente sobre o envolvimento dele em tráfico humano, venda de armas ilegais e muita droga. Ele também fornecia muito daquele dinheiro ilegal para tropas rebeldes na Síria. Essa informação em especial não era do conhecimento comum. Eu a descobrira pelas informações da CIA.
Como diabos Dani podia se misturar com alguém que financiava grupos rebeldes semelhantes àquele que a mantivera prisioneira, torturando-a sem parar?
Talvez Danica não estivesse mergulhada no mundo dos negócios internacionais, mas tinha que saber sobre Becker. Se não tivesse descoberto os segredos sujos dele antes, Jett certamente não poupara palavras ao contar a ela tudo sobre o novo cara em sua vida. Merda! Ela não confiou nem mesmo no próprio irmão?
A preocupação de Jett com a irmã me levara a Miami quando eu tinha outros lugares onde deveria estar. Eu continuava a repetir que não estava lá por mim, mas sabia que estava tentando me enganar. Por algum motivo, eu nunca conseguira me esquecer do olhar assombrado no rosto de Dani depois do resgate e a caminho dos Estados Unidos.
Tentar beijá-la no jatinho fora algo idiota. Mesmo agora, eu não sabia o que me possuíra para tocar nela. Mas, por algum motivo, não conseguira me conter.
Infelizmente, eu não soubera que ela sofrera estupro coletivo repetidamente. A forma como ela lutara contra mim e o fato de eu tê-la forçado a um estado de pânico completo deixara-me com uma sensação de culpa desde então.
No entanto, um momento antes, no instante em que ela confiara em mim, antes que as coisas saíssem do controle... a química que surgira entre nós também me assombrava.
Eu nem mesmo pretendia fingir que o que sentia por Dani fora fraternal e que estava lá apenas por Jett.
Estou aqui por mim mesmo, pois não consigo esquecer Dani.
Ora, por algum motivo, eu nem conseguira ficar com outra mulher desde que beijara Danica. Que merda era essa?
Não que eu tivesse relacionamentos, mas teria sido bom ter minha vida sexual saudável de volta. Um beijo e eu fora praticamente castrado. Eu não fizera esforço nenhum para dormir com uma mulher desde que sentira a suavidade sedosa da boca de Dani sob a minha. O desejo de fazer sexo desaparecera. Eu estava obcecado demais por ela.
Relembrei que eu não estava atrás de Dani nem de nenhum tipo de relacionamento. Só estava tentando salvá-la... de novo.
Senti os cabelos arrepiarem na nuca e afastei meus pensamentos distorcidos.
Guardei a fotografia no bolso e virei-me, já ciente de que estava sendo seguido.
Foi quase decepcionante o fato de que meu pretenso ladrão não fosse muito desafiador.
Ele tinha quatorze ou quinze anos e não chegava nem perto do meu peso ou da minha altura.
O garoto falou com uma voz que deveria ser ameaçadora, mas não foi.
Não para mim. — Entregue a carteira ou enfiarei esta faca no seu coração, senhor.
Eu fora um alvo ambulante para roubo ou assalto, pois estava andando em uma área nada desejável de Miami tarde da noite vestindo um terno sob medida. Ainda assim, aquele delinquente era muito burro ou estava cheio de drogas se achava que eu simplesmente entregaria a carteira. — Não vai acontecer — retruquei irritado. — Agora, dê o fora, garoto.
Ele levantou o braço de forma ameaçadora, sacudindo a faca selvagemente. — Acha que sou um garoto? Mato pessoas como você todos os dias, cara — disse ele em tom arrogante.
Se eu risse, o que não fazia, provavelmente teria aberto um sorriso. Mas eu não demonstrava emoções... nunca. Porém, o jovem à minha frente era um tanto divertido. Ele me lembrava de um adolescente que assistira a muitos filmes ruins de gângsteres.
Estendi a mão e, em uma fração de segundo, agarrei o pulso dele, apertando um nervo no antebraço até que ele foi forçado a soltar a faca, que caiu na calçada com um barulho alto de metal contra o cimento. Empurrei-o com a face contra o metal frio do poste e a Glock que mantivera escondida encostada na têmpora dele.
— Está doendo — disse o garoto em tom nervoso.
Cheguei mais perto dele e disse em seu ouvido: — Uma bala na sua cabeça doeria muito mais. Vá para casa, largue as drogas e pare de roubar das pessoas para custear seu vício.
— Eu moro em um orfanato — protestou ele com ansiedade na voz quando empurrei o cano da arma com um pouco mais de força, torcendo
para que ficasse muito assustado.
— Então você tem muita sorte de ter um teto sobre a sua cabeça — rosnei.
— Aproveite-o e pare de ser um escrotinho. Continue assim e acabará morto antes mesmo de ter idade para beber.
Eu o soltei, mas coloquei o pé sobre a faca no chão antes que ele conseguisse pegá-la. — Eu disse para ir para casa — adverti em tom irritado.
— Quem diabos é você? Nunca vi você por aqui — perguntou o garoto em tom hesitante.
— Alguém que você não quer enfrentar — respondi em tom vago.
O delinquente se virou e correu até ficar fora das minhas vistas. Chutei a faca para dentro dos arbustos na calçada, caso ele resolvesse voltar para buscá-la. Eu não deixaria que ela fosse fácil de encontrar.
O garoto era um valentão, coisa que eu odiava. Provavelmente deveria ter chamado a polícia e deixado que o prendessem, mas eu tinha coisas mais importantes com que me preocupar. E, apesar de provavelmente ser um desejo inútil, talvez o delinquente tomasse jeito na vida um dia.
O problema era que ele obviamente era viciado em alguma coisa. Não era difícil perceber o desespero de um viciado. Puta merda! Eu odiava ver um garoto tão jovem já viciado em drogas.
Guardando a arma no coldre escondido, fechei o casaco. O garoto podia ser um delinquente juvenil, mas eu não atiraria em um cara que provavelmente nem tinha idade para votar. Minha única finalidade fora assustá-lo ao máximo.
Passei a mão no casaco para limpá-lo, pois era um dos meus favoritos. Em seguida, continuei a andar até o fim do quarteirão e ao meu destino.
Quando cheguei, percebi que o bar era basicamente um pé-sujo, com a placa de neon na janela piscando como luzes de uma árvore de Natal.
— Nossa, cheio de classe — resmunguei, sem conseguir ver Dani naquele lugar.
No entanto, era ali que ela se encontraria com Becker. Este boteco sujo foi o melhor que o imbecil achou? Danica era uma Lawson, pelo amor de Deus, uma mulher que tinha mais dinheiro do que jamais conseguiria gastar.
E era ali que os dois pombinhos se encontrariam?
Jett me dissera onde a irmã iria à noite. Perguntei-me se ele sabia que era um antro para prostitutas e traficantes de drogas.
Provavelmente... não. Meu amigo provavelmente ficaria furioso se soubesse que a irmã mais nova frequentava aquele lugar.
Balancei a cabeça ao espiar pela janela da frente. Se Jett tivesse sabido, estaria lá, mesmo que estivesse se recuperando do último procedimento. O irmão de Dani teria um ataque do coração se soubesse que ela colocara os pés naquele bairro e naquele bar de merda.
Meu olhar percorreu a área geral do barzinho pela janela grande e muito suja da frente. Não vi Becker, mas finalmente vi uma mulher sozinha no bar. A cor dos cabelos a denunciou. Os cachos vermelhos agora estavam longos o suficiente para chegar aos ombros.
Fiz uma careta ao notar a minissaia de couro preto que ela vestia e a camiseta verde curta que mal cobria os seios. As sandálias pretas de salto alto estavam apoiadas no banco redondo e ela bebia lentamente um coquetel que tinha creme no topo.
— O que diabos você está fazendo, Danica? Este lugar certamente não é para você — falei baixinho com a voz irritada.
As roupas, o local, o namorado... tudo estava errado. A Danica que eu conhecia não queria nada além de perseguir uma história que achava que deveria ser contada. Ela sempre vestia camiseta e calça jeans porque era mais fácil ao ir atrás da história.
Ela não usava toneladas de maquiagem, como agora.
Ela não precisava disso.
Nunca precisara.
Dani Lawson era deslumbrante sem maquiagem e com os cabelos da cor que quisesse pintar.
Meus instintos protetores emergiram, emoções que eu não queria, mas que não parecia conseguir conter.
Diferentemente de Jett, minha obsessão por ficar de olho em Danica estava longe de ser platônica, apesar de eu nunca ter ido para a cama com ela.
Como sempre, meu pênis estava rígido só de olhar Dani sentada no bar.
Ela era minha única fraqueza, além da minha família, e eu tinha um relacionamento de amor e ódio com a Lawson mais jovem por causa disso.
Se eu quisesse ser sincero comigo mesmo, o que não queria, sentira atração por Dani praticamente desde o primeiro momento em que a conhecera. Talvez fosse por isso que estávamos sempre brigando antes de
eu resgatá-la no Oriente Médio. Sim, ela estivera sob a falsa impressão de que eu partira o coração da irmã mais velha dela. Ou talvez fosse porque eu era geralmente um escroto e ela não tinha problemas em se defender. Era a única mulher que nunca tivera problemas em me enfrentar se eu a deixasse furiosa. E ela até debochara de mim uma vez.
Eu certamente não gostara daquilo, mas admirei-a relutantemente pela atitude esperta.
Eu ainda me lembrava das histórias que ela contara sobre o tempo no cativeiro durante a viagem de volta da Turquia para os EUA. Na época, ela fora diferente da mulher que eu conhecera anteriormente. A vulnerabilidade dela praticamente me destruíra, pois eu sabia como ela fora antes de ser sequestrada.
Cerrei os punhos de raiva ao me lembrar dos olhos expressivos em pânico e não sabia como ela conseguira sobreviver à tortura emocional e física.
Observei a área do lado de fora do bar só para ter certeza de que Becker não estava chegando para se encontrar com Danica. Não que eu me importasse, mas queria estar preparado se encontrasse mais resistência do que apenas de Danica quando entrasse para tirá-la daquele lugar.
Eu prometera a Jett que afastaria a irmã dele do perigo e aquele lugar fedia a coisas ruins. Dani não pertencia àquele bar e as merdas que Becker dizia a ela precisavam acabar naquele momento.
Quando me aproximei da porta de vidro, vi um cliente bêbado andando ao lado do bar, usando a superfície estável para se manter de pé.