Bilionário Revelado: Marcus

J. S. Scott · Capítulo 11 de 30

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Bilionário Revelado: Marcus

Capítulo 10

— Tenho o conhecimento e a capacidade de ajudar você a pegar Becker.

— Como?

— Porque venho reunindo informações há muito tempo. Não sou só um homem de negócios internacionais.

Fiquei em silêncio, esperando a explicação dele.

Ele continuou em tom direto: — Também sou um espião.

 

Dani

U u espião?

Pelo amor de Deus, eu nunca achara que Marcus delirava, mas o que ele acabara de dizer não fazia sentido.

— O que quer dizer? — perguntei hesitante.

Ele respondeu calmamente. — Quero dizer que trabalho para o governo dos Estados Unidos para obter informações de todos os países que visito.

Tenho uma rede de contatos e obtenho qualquer inteligência que posso para proteger nossa segurança nacional.

— Inteligência é coisa da CIA — retruquei, ainda perguntando-me aonde ele chegaria com aquela conversa.

— Tecnicamente, não estou na folha de pagamento da CIA. Sou um agente especial porque optei por ser.

Minha mente voltou para todos os lugares onde eu vira Marcus no passado. Ocorreu-me tantas vezes que ele não precisava se colocar no caminho do perigo, mas estava em todos os pontos perigosos do mundo.

Meu Deus! Será que o que ele está dizendo é realmente verdade? — C-como? — gaguejei, ainda sem conseguir conciliar Marcus, o homem de negócios, com Marcus, um tipo de James Bond. Não que a CIA trabalhasse como o filme mostrava, mas ainda assim...

Ele deu de ombros. — Não é nada demais. Na maior parte das vezes, só reúno informações. E nunca ninguém suspeitou porque viajo o mundo a negócios.

— Marcus, você faz isso em países em que poderia ser morto se alguém descobrisse que está compartilhando as informações deles — disse eu, atônica por um homem rico como Marcus se colocar em risco daquele jeito.

— Geralmente não espalho o que estou fazendo — respondeu ele secamente.

— É perigoso — protestei. — Quem você tem para ajudar?

— Ninguém. Só respondo ao alto escalão do governo. Ninguém mais sabe.

— O que sua família acha dessas atividades extracurriculares? Você contou a eles que vira James Bond enquanto viaja para o exterior?

Ele soltou um suspiro muito masculino. — Primeiro de tudo, agentes especiais não viram James Bond. Algumas vezes, é até entediante.

— Você carrega uma arma? — desafiei.

— É claro. Mas muitas pessoas têm armas.

— Marcus, não seja ridículo. Ao cutucar alguns dos países do terceiro mundo, você poderia acabar assassinado.

— Ser uma correspondente no estrangeiro também pode ser igualmente perigoso. Se me lembro corretamente, eu tirei seu traseiro maravilhoso de uma situação bem feia.

Ele tinha razão. Meu trabalho, às vezes, me colocava perto demais das linhas de frente. — Eu estava fazendo isso em prol de uma causa. As pessoas precisam saber o que está acontecendo no mundo.

— E eu faço o que faço pelo meu país. Odeio política e não gosto de me envolver nas merdas de Washington. É por isso que minha ajuda é mantida em segredo. Eu não duraria dez minutos fazendo o trabalho de Blake como senador. No momento, o país não vem antes do partido para a maioria do povo em Washington. Eu daria um soco em alguém se tivesse que passar muito tempo lá.

Tentei não sorrir porque estávamos conversando sobre algo muito sério, mas eu conseguia ver Marcus perdendo a paciência muito depressa. Ele não tinha personalidade para aquele tipo de cenário.

— Você não respondeu à minha pergunta sobre a sua família. Eles sempre souberam? Há quanto tempo você é um agente? — perguntei, querendo saber tudo de uma vez só. Sinceramente, eu ainda estava atônita com as revelações dele. Não era que não achasse que Marcus tinha a coragem para

aquele tipo de trabalho, mas era uma parte dele que eu nunca vira antes e estava fascinada.

— Eles só souberam recentemente. Tive que contar a eles quando uma das minhas investigações chegou perto demais de casa.

Ouvi atenciosamente quando ele me contou como o irmão dele, Tate, e uma agente do FBI tinham se envolvido inadvertidamente em um negócio de tráfico de armas.

— Então, Tate acabou se casando com a agente do FBI? — perguntei quando ele terminou a história. Eu não voltara ao Colorado em anos, portanto, não tinha ideia do que os Colters faziam. Jett às vezes falava de Marcus, mas, exceto por uma breve menção do meu irmão sobre a família deles, eu estava no escuro.

— Sim. Fiquei feliz por ele ter conhecido Lara. Ela é boa para ele, mas nunca me perdoei por quase ter matado os dois. Daquele momento em diante, nunca mais fiz algo que pudesse remotamente colocar em perigo alguém da minha família. Se eu não conseguir lidar com a situação completamente fora do país, não me envolvo. Senti como se devesse à minha família contar o que eu fazia.

— Eles não se preocupam?

— O tempo inteiro — respondeu ele em tom desgostoso. — Minha mão fica aterrorizada de que alguém me matará sempre que vou embora.

— E pode culpá-la? Ela ama você.

— Tate era das Forças Especiais. Isso era muito mais perigoso do que eu faço.

— Se eu soubesse o que você e Jett faziam com a OPR, teria ficado ansiosa sempre que partissem — eu disse a ele com sinceridade.

Meu irmão mantivera o envolvimento com a OPR em segredo até a missão em que se feriu e o grupo foi desfeito. Se soubesse que estavam entrando escondidos em território perigoso para resgatar prisioneiros políticos, sabia que Harper e eu teríamos ficado muito preocupadas.

Agora, o fato de Marcus ter formado a OPR, para começo de conversa, fazia sentido. Ele obviamente aprendera as habilidades de operação infiltrada de anos espionando outros países.

— Salvamos vidas — declarou ele. — Mas duvido que um dia deixarei de me sentir culpado pelos ferimentos de Jett. Ele é o único que provavelmente nunca se recuperará. Sempre carregará as cicatrizes.

Vi a tensão na expressão dele e estendi a mão para alisar as linhas em seu rosto. — Não faça isso. Você não pode mudar o que já passou. Foi um acidente. Ele está vivo. Não é culpa de ninguém, Marcus. Vocês salvaram vidas e Jett me disse que faria tudo de novo.

Ele segurou minha mão e baixou as mãos entrelaçadas até a coxa. — Ele me disse a mesma coisa várias vezes. Mas ele perdeu tudo o que significava alguma coisa.

— Ele perdeu Lisette e foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Ela não o amava. Ele teria acabado sofrendo.

— Sim. E, de qualquer forma, ouvi dizer que ela é um problema. Alguma coisa sobre fraude fiscal — mencionou ele casualmente.

Lancei um olhar curioso a ele. — Fraude fiscal? Como sabe disso? Você a conhece?

— Não, nunca a encontrei. Mas tenho um amigo na Receita Federal.

Parece que ela não é exatamente honesta em relação aos impostos que paga.

— Você a botou em encrenca? — perguntei incrédula.

— Claro que não. Foi ela que não pagou os impostos. Deve ser difícil, agora que ela não tem mais acesso ao dinheiro de Jett.

Achei engraçado que Marcus dividisse aquela informação sem pestanejar.

Se eu não soubesse que ele instigara a investigação sobre Lisette, juraria que era completamente inocente. — Você é malvado — disse eu, secretamente feliz porque a mulher que chutara meu irmão de forma tão impiedosa agora estava encrencada. – Sinceramente, estou feliz por ela estar pagando de alguma forma o que fez com Jett.

— Ah, ela vai pagar — comentou Marcus em tom casual.

Só o fato de ele tentar vingar Jett era algo incrível. Eu nunca vira aquele lado de Marcus. Na verdade, nunca o conhecera de jeito nenhum. A arrogância dele me irritava às vezes, mas, se estava espionando países estrangeiros, tinha que ter nervos de aço. — Obrigada — disse eu em tom suave.

— Jett é meu amigo — disse ele com simplicidade. — E, agora, precisamos parar de falar de mim e voltar ao problema com Becker.

— Não posso desistir, Marcus. E não é só um furo de reportagem. Becker precisa ser detido por muitos motivos. — Pessoas como Ruby e todas que Greg colocava em perigo precisavam de alguém que lutasse por elas. Se eu pudesse ajudar a prendê-lo, era o que faria.

— Ele está em nosso radar há muito tempo. Mas, sem provas sólidas, não há muito que possamos fazer. Ele é um escroto escorregadio — resmungou Marcus.

— Ele é paranoico — concordei. — Fica histérico para cobrir todas as bases.

— Qual é o seu plano? — perguntou ele em tom infeliz.

— Vou ter acesso à casa dele na próxima sexta. Ele quer que eu o encontre lá à noite. De alguma forma, preciso entrar no escritório da casa dele. Acho que é onde ele mantém os registros de transações ilegais. Se eu conseguir esses registros, eles poderão ser rastreados e confirmados rapidamente.

Marcus pegou o saco de gelo que eu deixara cair do rosto e segurou-o gentilmente de novo na minha bochecha. — Isso é loucura. Você sabe disso, certo? Becker é um criminoso internacional e nunca hesitou em eliminar qualquer um que fique no seu caminho.

Eu assenti. — Aprendi isso da maneira difícil.

— Meu Deus! Odeio isso, Dani. Odeio ver você se envolver com ele.

Odeio o fato de você se colocar em perigo. Odeio que aquele filho da puta tenha batido em você e não posso matá-lo por isso. Só o fato de ele ter tocado em você de alguma forma me deixa louco — terminou ele com um rosnado.

Meu coração batia com força, com o olhar intenso no rosto de Marcus relembrando-me de nosso encontro anterior. — Então me ajude — pedi, sabendo que o conhecimento dele seria útil. Eu era inteligente o suficiente para saber disso. Não queria que ele se envolvesse, mas eu sabia que era a única forma de Marcus não sabotar meus esforços.

— Vou fazer mais do que ajudar você. Serei seu parceiro. E, se fizer alguma coisa com a qual eu não concorde, tirarei você de lá — exigiu ele.

— Ok — murmurei, disposta a concordar com os termos dele. Não tinha dúvidas de que ele conseguiria executar um plano melhor do que eu.

— Você ainda deveria estar se recuperando, não se colocando em outra situação ruim — resmungou ele irritado.

Abri um sorriso fraco. — Acho que nunca fui muito boa em ficar sem fazer nada.

— Vou garantir que você não se machuque e, depois, insistirei para que faça uma pausa. Não faz muito tempo desde que você quase morreu,

Danica. Você precisa tirar um tempo, queira ou não. Você pode encontrar algo muito menos perigoso para fazer.

Não me ocupar só servia para me lembrar de como eu me isolara. Antes, eu passara tanto tempo perseguindo histórias que nunca pensei em como me sentia sozinha. Meus irmãos eram incríveis, mas todos estavam ocupados com a própria vida. — Fazer uma pausa significa solidão — admiti antes que conseguisse me deter.

Marcus passou o braço pela minha cintura e puxou-me contra seu corpo quente e sólido. — Você não está mais sozinha, Dani — declarou ele com voz rouca.

Absorvi o calor dele como se fosse uma esponja. Sinceramente, talvez o motivo de Marcus e eu termos brigado tanto no passado fora porque éramos muito parecidos em alguns aspectos. Nós dois éramos independentes e passáramos a vida adulta inteira viajando sozinhos. Nenhum dos dois tivera alguém com quem contar ou conversar sobre como nos sentíamos. Nós dois tínhamos colocado as emoções de lado como se não fossem importantes.