Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 13
Dani
E u fiquei ocupada durante o resto da semana.
Marcus e Tate insistiram para que eu levasse minhas roupas e meus pertences para o apartamento de Marcus caso fosse pega e precisasse me esconder depois do encontro com Gregory Becker.
Na verdade, a maioria das ordens vinha de Marcus e, no espaço de alguns dias, descobri como ele podia ser cuidadoso, cauteloso e irritantemente paranoico. Eu sabia que o fato de cobrir todas as bases era algo que Marcus aprendera durante os anos de coleta de informações para a CIA, mas ele não era exatamente sutil em relação ao que queria. Quando “sugeria”, o que realmente queria dizer era que eu me mexesse e fizesse o que ele queria.
Apesar de receber ordens a todo momento, eu respeitava a experiência dele e obedecia, perguntando-me por que nunca pensara nem planejara para algumas das coisas que ele mencionava.
Provavelmente porque nunca serei uma espiã. Eu tinha certeza de que a vida de Marcus dependia do fato de ele ser paranoico com planos.
— Está mesmo pronta para isso, Dani? — perguntou Jett nervoso. Eu estava na sala de estar do meu apartamento na sexta à noite, pronta e vestida exatamente da forma como Greg gostava.
Meu irmão e Marcus tinham ido para o meu apartamento assim que escurecera, entrando apenas depois de verificarem que eu não estava sendo observada.
O tom preocupado de Jett me deixou com o coração apertado. Mesmo se eu não estivesse pronta para tentar obter informações da casa de Greg, não deixaria que Jett soubesse disso. Ele passara por coisas demais para ter que se preocupar comigo. Se eu mostrasse um mínimo de hesitação, sabia que meu irmão e Marcus cancelariam a missão inteira. — Estou bem. Acho que Marcus cobriu todas as possibilidades — respondi confiante, puxando a minissaia vermelha para que cobrisse meu traseiro completamente.
— Não, não cobri — respondeu Marcus em tom estoico. — Ninguém consegue ficar pronto para tudo. Mas tomamos algumas medidas para garantir que você esteja segura.
Meu celular tocou na bolsa minúscula que eu segurava. Coloquei a mão na bolsa para pegar o celular, preocupada que Greg estivesse telefonando para cancelar o encontro.
Mas não era Becker.
— É Ruby — disse eu a Marcus, virando-me para atender. Andei para o quarto, onde Ruby não escutaria os dois homens no meu apartamento.
— Oi, Ruby — atendi em tom alegre.
Nós tínhamos conversado mais cedo naquela semana e ela estivera segura.
Eu telefonara para Marcus depois de nossa conversa, avisando a ele que eu tinha que tirar Ruby da situação horrível em que ela caíra.
— Dani — respondeu ela em tom aliviado. — É hoje à noite. O leilão é hoje à noite. As pessoas que cuidam de mim acabaram de me avisar.
Disseram para que eu tomasse um banho. E que me depilasse, em todos os lugares.
Meu coração ficou apertado. Eu tinha a esperança de poder tirá-la do hotel naquela noite, logo depois do meu último encontro com Becker. Fora o meu plano. No momento em que terminasse de pegar as informações para prender o filho da puta, não teria motivos para não buscar Ruby e levá-la para um lugar seguro.
— Onde vai ser? — perguntei ofegante.
— Acho que é uma boate no subterrâneo descendo a rua, pelo que consegui ouvir das conversas. O nome do lugar é Dark Satisfactions. Ouvi as pessoas falando sobre ele aqui. É só o que sei. Eles virão me buscar e garantir que esteja completamente depilada. Eu entendo por que estão fazendo isso. Posso ser virgem, mas não sou burra. Eles oferecem perversão.
Eu estava mais do que certa de que a boate realmente atendia a preferências incomuns e queriam que Ruby parecesse o mais jovem possível.
Jesus! O que diabos eu faria agora? Virei-me e olhei para meu irmão e para Marcus. Ao me lembrar de quantas informações Jett conseguira sobre Becker, tive uma ideia. — Jett! — chamei com urgência, segurando o telefone longe da boca.
Meu irmão interrompeu a conversa com Marcus para responder: — Sim?
— Você achou alguma informação sobre a Dark Satisfactions enquanto procurava algo sobre Greg? É uma boate no subterrâneo.
Ele assentiu. — Ligada a Becker, mas de uma forma distorcida. Está na dark web.
A conexão da boate com Becker não era realmente surpresa. Eu sempre suspeitara que ele estava envolvido de alguma forma na situação de Ruby.
Levantei o telefone novamente para dizer a ela: — Não discuta nada do que eles querem. Temos o local e vou mandar alguém para ajudar. Por favor, confie em mim. Não vou deixar que nada de ruim aconteça com você.
Consegue acreditar nisso?
A linha ficou em silêncio enquanto Ruby parecia ponderar sobre o que eu dissera. Finalmente, ela respondeu: — No momento, você é tudo o que tenho, Dani. É a única esperança que tenho, a não ser que eu consiga uma forma de escapar.
— Não é esperança, querida — garanti a ela. — Vou mandar algo de verdade. Mas não faça com que machuquem você tentando alguma coisa maluca. Alguém tirará você em segurança do lugar do leilão.
— Ok — respondeu ela, com a voz refletindo uma fagulha de fé.
Eu sabia que ela não tinha motivos para acreditar nem confiar em alguém.
Eu não tinha como mostrar a ela que nem todos queriam explorá-la ou machucá-la, exceto mostrando que valia a pena colocar a fé em algumas pessoas.
Desliguei e aproximei-me de Jett. — Preciso que seja um herói hoje à noite — disse eu. — Por favor, preciso da sua ajuda.
Ele franziu a testa para mim. — Estou sempre disposto a ajudar você, mas não sou nenhum herói.
— Você será hoje à noite. Preciso que dê um jeito de entrar na Dark Satisfactions e ajudar uma amiga. Não é apenas um clube de sexo. Eles
traficam pessoas, Jett. Pelo menos, no caso de Ruby. — Eu tinha certeza de que havia mais pessoas e precisávamos fechar aqueles negócios completamente.
Expliquei ao meu irmão e a Marcus rapidamente, sabendo que tinha pouco tempo.
— Meu Deus, odeio esse cara ainda mais do que antes — xingou Jett. —
Pode deixar. Vou tirá-la dessa situação e depois poderemos procurar as autoridades.
Coloquei a mão gentilmente no braço do meu irmão. — Ela está assustada, Jett.
Eu acabara de contar a ele a história de Ruby, mas queria que entendesse que talvez ela não confiasse nele.
Ele assentiu. — Duvido que ela se sinta ameaçada por mim. Eu manco e ela poderia facilmente fugir correndo, se quisesse.
Eu o abracei, muito grata por ele ter um coração tão grande. — Tenha cuidado.
Ele retribuiu o abraço e, em seguida, olhou para Marcus. — Cuide dela —
advertiu ele ao amigo.
— Não se preocupe com isso — afirmou Marcus.
Jett pegou suas coisas e saiu porta afora.
— Ele ficará bem — garantiu Marcus. — Ele é provavelmente um dos caras mais inteligentes com quem já trabalhei em qualquer área.
— Mas os ferimentos dele ainda serão uma desvantagem — argumentei.
— Menos do que você imagina — retrucou Marcus. — Ele pode mancar, mas é muito forte. E, algumas vezes, o cérebro é mais importante que os músculos. Preciso que você se concentre no que vamos fazer. Jett ficará bem.
Eu assenti. — Estou pronta.
— Ainda não — negou ele, colocando a mão no bolso e tirando uma corrente e um pingente.
Eu não o impedi quando ele passou a joia pelo meu pescoço e puxou meus cabelos para tirá-los da corrente de ouro.
— O que é isto? — perguntei com incerteza, passando os dedos no pingente.
Marcus virou o pingente. — Como Becker é um filho da puta paranoico, não duvido que não deixe que você fique com o celular para tirar
fotografias. Isto é um plano B.
— Está me dizendo que isto aqui tira fotos? — O pingente era relativamente fino.
Ele demonstrou como abrir o pingente, onde ficava o botão para tirar fotos e como usar o dispositivo. Em seguida, fechou-o novamente. — Ele tira fotos muito boas, basta fazer exatamente o que eu lhe disse para fazer.
— Como isso é possível? — questionei.
— Se eu contar, vou ter que matar você — disse ele em tom de brincadeira.
Abri um sorriso trêmulo. — Altamente confidencial? — perguntei.
— Na verdade, sim. E isto aqui também. — Ele tirou mais uma coisa do bolso.
— O quê?
Ele colocou uma pulseira simples de contas no meu pulso. Ela era lisa e, como o pingente, não era chamativa. Imaginei que ela deveria ser daquele jeito para não chamar atenção.
Ele ajustou as contas cuidadosamente ao dizer: — Toque nas contas, mas não as torça.
Coloquei o dedo indicador cuidadosamente nas pedras artificiais frias. —
Uma delas é lisa — comentei.
Marcus rapidamente explicou como o dispositivo com spray de pimenta funcionava. Era bem simples. Ao torcer rapidamente a pedra lisa com uma boa mira, um spray altamente concentrado de pimenta era liberado nos olhos do atacante.
— Mire direitinho e certifique-se de ter uma rota de fuga — aconselhou ele. — Se não se mexer depressa, acabará com pimenta em você mesma.
Não faça isso em uma área fechada nem se não puder se afastar.
Fiquei maravilhada com os dispositivos incríveis a que Marcus tinha acesso. — Entendi — confirmei — O quê? Não tem um anel combinando?
— Não, mas tenho brincos — mencionou ele em tom casual, tirando um par de pedras pretas do outro bolso.
Eu estava usando um par de brincos que combinavam com a minha camisa branca, mas ele gesticulou para que os tirasse. Rapidamente, livrei-me deles.
— E o que eles fazem? — perguntei enquanto colocava os brincos no furo que tinha nas orelhas.
— Aperte o botão dentro de um deles e o sinal virá diretamente para mim
— explicou ele. — E é bom que você o use no primeiro sinal de problemas
— resmungou ele.
— Botões de pânico? — perguntei.
— Não espere até entrar em pânico — aconselhou ele. — Quando achar que ele poderá fazer alguma coisa, aperte o maldito botão. Vou estar de olho em você, mas preciso que me sinalize se houver um problema.
Apesar de todas aquelas minúsculas ferramentas serem incríveis, o que realmente me tocou foi o fato de Marcus Colter parecer preocupado.
— Ei — disse eu em tom suave. — Vou ficar bem.
A expressão firme dele não suavizou quando ele colocou a mão na minha nuca. — É bom mesmo. Não se arrisque, Danica. Prometa.