Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 5
Endireitei o corpo e afastei-me da porta, começando a me sentir exausta, exatamente como dissera a Greg que estivera na noite anterior.
— Como vou me aproximar dele se o homem nunca baixa a guarda? —
perguntei em voz alta enquanto andava até a cozinha.
Greg não me dissera quando queria me encontrar de novo, mas eu sabia que haveria mais encontros, mais tempo juntos e eu faria tudo ao meu alcance para tentar ser confidente dele.
Eu me recusava a aceitar que nosso relacionamento não fosse assim.
Marcus
—Filho de uma puta! — xinguei quando vi Gregory Becker sair do apartamento de Dani.
Eu estava sentado no meu carro luxuoso de aluguel no estacionamento perto do prédio de Danica, em vigilância. Era difícil me forçar a não ir atrás do crápula.
O imbecil machucou Dani?
O que ele estava fazendo no apartamento dela?
Eu passara muito tempo pensando em Dani e Becker juntos, mas ainda sentia uma dor no coração sempre que pensava nele colocando as mãos nela.
Por que caralhos estou sentado no estacionamento sozinho, observando o prédio dela?
Respirei fundo e soltei o ar lentamente enquanto observava o imbecil do Becker entrar no carro esportivo presunçoso e partir. Eu não podia me aproximar dele. Ainda não. Precisava de mais informações, que responderiam à minha pergunta sobre o motivo de estar observando o prédio de Dani.
Por algum motivo, eu soubera que Becker apareceria.
E, afinal de contas, eu era um espião. Ser paciente e coletar informações era o que eu fazia. E era muito bom nisso.
Só não estava gostando disso naquele momento, especialmente da parte ser paciente da tarefa.
Eu não queria esperar.
Eu queria confrontar aquele escroto imediatamente.
Não havia dúvidas sobre se eu iria ou não ver como estava Dani. Se Becker estivera no apartamento dela, eu queria ter certeza de que ela estava segura. Pelo menos, foi assim que racionalizei ao dirigir para mais perto do prédio, sair do carro e andar até a entrada.
Havia segurança mínima na entrada e não foi difícil passar por ela simplesmente seguindo outro morador pela porta depois que ele digitou a senha.
Não fora difícil conseguir todas as informações que eu queria sobre Dani depois de pedir a Washington um dossiê sobre ela. E sim, eu também racionalizara essa ação, dizendo a mim mesmo que precisava do endereço dela e qualquer outra informação recente que conseguisse, pois ela estava saindo com alguém que estava no radar do governo federal. Eu recebera um arquivo cheio de informações, mas nada relevante ao status atual como interesse amoroso de Becker.
Fiz uma careta ao tocar a campainha do apartamento dela. A ideia de Becker encostando em um fio de cabelo sequer de Dani fez minhas entranhas queimarem.
Ela é irmã do meu melhor amigo. Não é anormal estar preocupado.
De verdade, eu sabia que essa desculpa era mentira, mas não me importei.
Danica Lawson estava fora dos meus limites, mesmo se eu ficasse de pau duro sempre que a visse. Ela sempre fora. Danica era irmã de Jett e eu não podia me envolver com ela sem que tudo ficasse complicado. E eu odiava complicações. Agora que minhas prioridades estavam definidas, eu estava determinado a manter a cabeça no lugar.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou Dani com voz desaprovadora ao me encarar da porta que acabara de abrir.
Meu Deus! Ela nem se deu ao trabalho de perguntar quem estava tocando a campainha antes de abrir a porta daquele jeito? — Você não respondeu a todas as minhas perguntas — respondi, convidando-me a entrar ao passar por ela.
— Não preciso me explicar para você — disse ela irritada antes de fechar a porta, virar-se para mim e cruzar os braços de forma teimosa. — Você tem que ir embora. Duvido que Greg esteja sempre me vigiando, mas não quero que ele saiba que você esteve aqui.
— Você faz tudo que ele lhe diz para fazer? — perguntei o mais calmamente possível. — Você não fica nem um pouco preocupada de não ter certeza se há alguém vigiando?
Eu ficava preocupado de Danica estar envolvida o suficiente com Gregory Becker para que ele talvez tivesse colocado alguém para vigiar todos os movimentos dela. Danica deveria estar aterrorizada.
— Não. Isso não me incomoda. — Ela me olhou desconfiada ao acrescentar: — Vejo que não está com o terno sob medida hoje.
— É sábado — respondi. — Não uso terno nos fins de semana.
Ela estalou a língua. — É bom saber que você fica mais animado durante dois dias por semana.
Franzi a testa. — Eu nunca fico mais animado. Só me visto de forma mais relaxada.
Danica estava linda, com um vestido amarelo casual que fazia com que seus cabelos parecerem ser um tom mais escuro. E, se eu parecia mais relaxado do que o normal, era por causa do meu pai. Ele sempre tentara passar os fins de semana com os filhos e não usava terno nessas ocasiões quando estava em casa, tentando ser apenas nosso pai. Por algum motivo, eu sempre seguira o exemplo dele, apesar de não haver ninguém que se importasse com o que vestia. Mas, por algum motivo, eu me sentia seguindo os passos dele quando vestia calça jeans e uma camisa simples quando não estava trabalhando.
A minha roupa de fim de semana tornava difícil esconder uma arma, mas consegui.
— Fica bem em você — respondeu ela ao se aproximar, olhando para mim com uma expressão irritada. — Mas o que está fazendo aqui, Marcus?
Ainda não me esqueci do fato de que você literalmente me carregou para longe de um encontro.
— Supere — sugeri. — Como está se envolvendo com alguém que é possivelmente culpado de crimes internacionais, precisa ser afastada do perigo.
— O que quer dizer?
— Há anos correm rumores de que Gregory Becker tem algumas formas ilegais de ganhar dinheiro. Não é segredo no mundo dos negócios.
— São apenas rumores — disse ela na defensiva.
— Onde há fumaça,, há fogo — adverti. — Você sabe disso. Como conseguiu se envolver com alguém como ele? E o que aconteceu com o seu trabalho como correspondente internacional?
Os olhos dela deixaram meu rosto quando se virou e sentou-se no braço do sofá. — Eu lhe disse que preciso de um tempo. Perdi o jeito — admitiu ela hesitantemente. — Trabalhei na Europa e em outros países, mas não consegui voltar ao Oriente Médio sem entrar em pânico. Decidi deixar minha rede.
Vi uma expressão de vulnerabilidade cruzar seu rosto. Geralmente, eu conseguiria achar uma forma de usar aquele momento de fraqueza ao meu favor, mas não tinha estômago para fazer isso com Danica. — É
compreensível, depois do que aconteceu com você.
Ela balançou a cabeça negativamente. — Como repórter, não posso ter medo. Minha neurose poderia colocar toda a minha equipe em perigo. Mas eu não fui mais destemida. Não tenho sido a mesma desde... o incidente.
Dani tinha motivos para querer ficar o mais longe possível do local do sequestro. Ela não seria humana se não fosse cautelosa. — Você poderia ter ficado como correspondente na Europa.
— Eu precisava de algo diferente — disse ela, sem voltar os olhos para mim. — Só queria um tempo.
— Então tire todo o tempo de que precisa. Foi loucura voltar lá tão cedo depois do que aconteceu. — Hesitei antes de perguntar: — Que parte da situação do sequestro ainda a assombra?
Eu não sabia se conseguiria lidar com a resposta dela sem querer que os imbecis que a sequestraram estivessem vivos de novo para que pudesse matá-los com as minhas mãos. Ah, sim, Dani conversara comigo, mas eu tinha a sensação de que deixara de fora uma grande parte do que acontecera.
— Por que isso importa? — perguntou ela. — Eles não serão presos nem pagarão pelo que aconteceu comigo.
— Não podem porque estão todos mortos — informei a ela em tom direto.
Ela já sabia disso, mas senti-me compelido a relembrá-la que nenhum dos rebeldes a incomodaria de novo. Pessoalmente, eu achava que a morte instantânea fora algo que eles não mereciam.
Ela virou a cabeça para mim com expressão solene. — Logicamente, entendo isso, mas meu cérebro nem sempre é razoável, Marcus. Como você
conseguiu essa informação? Nunca me disse como ficou sabendo. Essa informação deveria ser confidencial.
Eu não podia dizer a ela que recebia muitas informações do governo.
Ninguém sabia do meu envolvimento com a CIA e a coleta de informações, exceto minha família. Nem mesmo o irmão dela, Jett. Minha equipe da OPR só soubera que eu tinha experiência em operações privadas de resgate.
— Ouvi uma conversa sobre isso — menti sem esforço algum, pois estava acostumado a torcer a verdade.
A expressão dela mudou quando as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto. — É horrível dizer que estou feliz por eles estarem todos mortos? —
perguntou ela, com o corpo visivelmente tremendo.
— É claro que não — respondi. — Depois do que aconteceu, você deveria estar feliz por eles não estarem mais neste planeta.
Observei impotente enquanto as lágrimas continuavam a escorrer no rosto dela. Nós dois tínhamos visto atrocidades horríveis que não deveriam acontecer no mundo moderno, mas a experiência dela fora muito pessoal.
— O que mais a assombra? — perguntei, insistente, querendo ajudá-la a se livrar daqueles fantasmas.
Ela limpou as lágrimas do rosto e virou os olhos turquesa maravilhosos para mim. Havia uma raiva ardente na expressão dela que provavelmente teria feito a pessoa mais forte se encolher. Porém, recusei-me a recuar.
— Não podemos parar com este assunto? — perguntou ela irritada. —
Porque quero muito esquecer, mas revivo tudo repetidamente nos meus pesadelos. Estou fazendo terapia desde que tudo aconteceu e ainda não consigo parar de sonhar com aquilo. Lido com o trauma emocional da melhor forma que consigo no momento, mas ainda há momentos em que não consigo me impedir de lembrar como quis que eles me matassem para que não tivesse que aguentar mais um minuto de dor ou de eles usando meu corpo.
Ela estava sem fôlego quando terminou de falar. Olhei com raiva para a silhueta pequena e vulnerável, e para os olhos perturbados. Eu não estava com raiva dela pelo que dissera. Dani tinha todo o direito de odiar falar sobre sua experiência. Eu estava furioso pela injustiça do que ela sofrera.
Merda! Talvez eu tivesse dito uma vez que ela sabia dos riscos de seu trabalho. Mas isso não significava que eu quisera que ela sofresse. — Sinto
muito — disse eu com a voz rouca. — Eu não queria trazer à tona algo sobre o qual dói tanto falar.
— Não dói mais — respondeu ela. — Em grande parte, fico enfurecida.
Quero seguir em frente. Mas o medo me paralisa às vezes. Quando acho que superei o que aconteceu, tudo volta nos meus malditos sonhos. Perdi as minhas habilidades e um emprego que eu amava porque não consigo fingir que nada aconteceu.
— Depois de algum tempo, vai diminuir, mas não sei se você conseguirá superar totalmente uma experiência como aquela — comentei em tom sombrio.
— Claramente não superei — disse ela com voz trêmula. — Não inteiramente.
Meu Deus! Parecia que eu estava sentindo a dor dela. Meu coração estava acelerado e tive que me segurar para não carregá-la para longe de novo e colocá-la em um lugar onde nunca mais seria ferida. Havia uma dor estranha no meu peito devido a tudo o que ela passara. Parecia que eu estava tendo um ataque do coração.
Não aguento vê-la sofrendo de novo.
— Desista de Becker — insisti. — Ele não lhe dará nada além de mais dor.
O olhar furioso dela encontrou o meu olhar teimoso. — Não posso. Não vou — respondeu ela com determinação. — Ele é a única coisa que me mantém com o pé no chão e ocupada no momento.
Inesperadamente, meu temperamento explodiu. — Namorar um criminoso não ajuda você.
— Você não faz ideia do que eu preciso no momento. Veio aqui com nada além de rumores sobre um homem que parece gostar de mim. Ninguém nunca encontrou nenhuma prova sólida de que Greg cometeu algum crime.
Ah, vou encontrar provas. É só uma questão de tempo. Enquanto isso, eu não queria Dani perto das investigações. — Ele está na lista de todo mundo.
Pelo amor de Deus, você quer se envolver nisso?
Ela se levantou. — Se for preciso, vou me envolver. — Ela andou até a porta e abriu-a. — Agora, por favor, vá embora. Já lidei com tudo o que consigo hoje.
Eu estava furioso, mas nada do que dissesse a ajudaria no momento.
Hesitei ao chegar à porta. — Você o ama mesmo?
— Eu nunca disse que o amava, mas preciso dele agora — retrucou ela.
A última coisa que eu queria ouvir era que ela achava que precisava de Becker. Não precisava. Mas talvez estivesse confusa. — Não vou deixar que ele a carregue junto ao cair — rosnei ao sair pela porta.