Bilionário Revelado: Marcus

J. S. Scott · Capítulo 17 de 30

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Bilionário Revelado: Marcus

Capítulo 16

Jett

 

Eu fizera algumas coisas bem loucas na vida, mas o que acontecia diante dos meus olhos era uma das coisas mais estranhas que já vira.

Observei quando uma mulher nua saiu do palco, obviamente feliz por seu corpo ter atingido um preço alto, a julgar pelo sorriso dela. Pelo jeito, nem todas as mulheres ali eram vítimas, mas eu não tinha dúvidas de que muitas tinham passado por lavagem cerebral ou forçadas a estarem naquela situação.

Meu Deus!

Que mulher gostaria de ser vendida, como se seu valor não fosse nada além de monetário? Provavelmente não muitas.

Eu fizera algumas coisas ruins no passado, normalmente para salvar vidas ou impedir que as pessoas se ferissem. Fizera muitas invasões ilegais em computadores. Eu até mesmo usara uma arma para disparar em terroristas quando trabalhava com Marcus para a OPR. Talvez fosse o cara da tecnologia, mas todos nós tínhamos habilidades com armas de todos os tipos.

Mas eu nunca, nem nos meus piores sonhos, imaginara as atrocidades que aconteciam na boate naquela noite.

Meu corpo enrijeceu quando percebi que o grand finale da noite, a venda da virgem, estava prestes a acontecer.

Ouvi homens falando em sussurros roucos quando uma mulher nua subiu ao palco, ficando sob o holofote. Meu coração praticamente parou.

A mulher parecia jovem, provavelmente mal tinha idade para beber, se não fosse mais jovem que isso. Eu não tinha dúvidas de que era Ruby e já sabia que ela tinha quase vinte e três anos, mas parecia ter saído diretamente do ensino médio. O corpo dela era jovem e cheio de curvas. A boceta fora obviamente depilada para fazer com que parecesse ainda mais jovem do que parecia naturalmente.

Pelo amor de Deus, até mesmo os cabelos dela estavam presos em dois rabos de cavalo nos lados da cabeça e ela não tinha maquiagem nenhuma...

não que precisasse.

Ela era linda de uma forma totalmente terrena. Mas foi a expressão dela que fez meu coração fazer coisas estranhas que nunca fizera antes.

Ela estava com a cabeça bem erguida, mas percebi o medo em seus olhos.

Eu conseguira uma mesa perto do palco e vi quando ela engoliu em seco, tentando reunir coragem para manter o queixo erguido.

Ela tremia, apesar de estar tentando abraçar o próprio corpo para esconder e parar o tremor. Quando o homem segurando uma corrente fina em volta de sua cintura bateu em suas mãos para afastá-las do corpo e colocá-la de forma que ficasse mais à vista, tive que me segurar para não pular no palco e estrangular o idiota.

Uma voz soou nos alto-falantes. — O que você daria para ter essa jovem bonita em seu quarto? Ela é cem por cento virgem e pronta para o que você tiver em mente. Ou talvez você prefira uma masmorra onde poderá atormentá-la lentamente antes de obter aquilo pelo que pagou. Um prêmio como este vale qualquer preço. Ela está com medo e tenho a sensação de que lutaria bastante. Imagine puni-la por ser uma garota malcriada.

Cavalheiros... vamos começar os lances.

Minhas entranhas se reviraram. Jesus! Eu tinha que admitir que já fizera de tudo e podia ser tão pervertido quanto qualquer outro homem. Mas aquilo era difícil demais para que me sentisse confortável observando.

A jovem parecia impotente e quase senti a dor e a humilhação dela.

Tentei capturar o olhar dela, mas ela ainda olhava diretamente à frente, com a cabeça erguida como se estivesse tentando salvar o orgulho.

Franzi a testa ao olhar com mais cuidado, percebendo que ela mordia o lábio inferior.

Meus instintos protetores subiram à superfície. A necessidade de salvar aquela mulher de mais dor e humilhação foi tão forte que tive que me forçar

a permanecer sentado.

Os lances eram ridículos, uma tortura lenta que quase tive vontade de terminar oferecendo qualquer preço por ela.

Fique calmo. Fique tranquilo.

Olhei em volta do salão, observando alguns velhos ricos praticamente salivando para colocar as mãos na mulher que estava no palco.

Eu também a queria. Eu não era inocente. Mas, naquele momento, estava mais desesperado para resgatá-la do que para trepar com ela.

Eu não queria uma mulher aterrorizada.

Só o que eu queria era uma mulher que realmente me quisesse, agora que estava danificado. Mas Lisette já me ensinara uma lição sobre querer mais do que eu poderia ter.

Eu era defeituoso e certamente nunca encontraria alguém que não se encolhesse ao ver minhas cicatrizes. Ora, algumas vezes, até mesmo eu evitava olhar os ferimentos do meu corpo.

Sinalizei para o leiloeiro, se era que podia chamá-lo assim, para aumentar meu lance.

Eu não deixaria o prédio sem Ruby.

Os lances atingiram os seis dígitos e os homens começaram lentamente a desistir, com olhares desgostosos. A quantidade de dinheiro sendo oferecida não era nada para mim. Eu tinha mais dinheiro do que conseguiria gastar em várias vidas. Eu não me importaria se chegássemos a valores de sete dígitos ou mais.

Eu tinha acabado de fazer o lance quando subitamente ergui os olhos e encontrei o olhar de Ruby. A expressão atormentada dela me deu vontade de pegá-la no colo, enrolá-la em algo quente e levá-la para casa comigo.

Eu sabia algumas coisas sobre a vida dela que Dani me contara.

Ela era uma mulher que nunca conhecera a bondade.

Ela era uma mulher que normalmente passara frio, indefesa e sozinha nas ruas.

Ela sentira fome.

Ela sentira medo.

E, por Deus, eu mostraria a ela que nem todas as pessoas eram más.

Ruby merecia coisa muito melhor do que a vida horrível que tivera.

Lancei a ela uma piscadela conspiradora e um sorriso. Fui recompensado pelo primeiro toque de emoção dos olhos escuros e torturados.

Por apenas um instante, vi um brilho de esperança em seu rosto antes que sumisse depressa.

Dani não dissera a Ruby exatamente como a ajudaria. Porém, torci para que ela entendesse que a última coisa que eu queria era machucá-la.