Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 11
O problema era que eu não conseguia mais ignorar o que sentia.
Deitei a cabeça no ombro dele e inspirei o cheiro masculino, sentindo que não estava realmente sozinha. Pelo menos, por algum tempo.
Marcus
—Ei, cara, o que está acontecendo com a minha irmã? — perguntou Jett Lawson quando abri a porta do meu apartamento na tarde seguinte.
Fiquei surpreso, mas provavelmente não deveria estar. Nada segurava Jett por muito tempo. — Achei que você estava em cirurgia — respondi, batendo de leve nas costas dele quando Jett entrou com uma mochila sobre o ombro.
— Foi ontem. Não foi nada demais — respondeu ele, colocando a mochila no chão. — Que tal um visitante? Quero ver se consigo botar um pouco de juízo na cabeça de Dani.
— Você não precisa perguntar se pode ficar aqui. Sempre terá um convite em aberto. — Fiquei feliz em vê-lo, mas senti-me um pouco culpado pelo fato de desejar a irmã dele, o que ficava pior a cada dia.
— Obrigado. E qual é a de Dani?
Fui para a sala de estar para servir drinques para nós dois. Jett me seguiu, mancando de leve. Ele estava se saindo bem, mas a perna o incomodava quando a forçava demais, o que era praticamente o tempo todo. Meu amigo tinha uma tenacidade que me deixava atônito às vezes. Eu sabia que ele saíra do acidente com ferimentos com os quais poucas pessoas sobreviveriam, mas mantinha-se em ótima condição, o que provavelmente salvara sua vida. Ele era teimoso, mas era uma qualidade que servia muito bem no momento.
— Há muita coisa acontecendo sobre as quais você não sabe — adverti ao andar até o bar.
Jett se sentou no sofá. — Boas ou ruins?
Fiz uma careta. — As duas coisas. A boa notícia é que sua irmã não está apaixonada por um escroto. A ruim é que ela se meteu em uma situação que será complicada.
Contei a ele toda a situação com Becker e respondi às suas perguntas depois de lhe entregar uma bebida e sentar em uma cadeira ao lado do sofá.
Jett balançou a cabeça. — Eu amo a minha irmã, mas, às vezes, queria que ela fizesse algo menos aventureiro para ganhar dinheiro.
— Não é mais apenas uma história para ela, Jett.
— Merda! Eu sei disso — respondeu ele frustrado. — Mas eu me sinto tão impotente para fazer alguma coisa para ajudá-la.
— Eu estou ajudando — garanti. — Um sinal de perigo e eu a tiro de lá.
— E ela concordou? — perguntou Jett em tom cético.
Dei de ombros. — Mais ou menos. Provavelmente menos, mas Dani sairá imediatamente se Becker olhar torto para ela.
— Saber que ele bateu nela me dá vontade de matar o filho da puta —
disse Jett irritado.
Eu sabia exatamente como ele se sentia. Dani passara por muita coisa e, até a noite passada, eu nunca a vira realmente perder o controle. Ela era muito corajosa, mas essa coragem me deixava extremamente nervoso.
Talvez ela tivesse ficado um pouco mais desconfiada depois do sequestro, mas o senso de justiça e de dever que tinha ainda era tão forte como sempre. — Não podemos matá-lo — respondi finalmente em tom infeliz. —
Temos que descobrir quem mais está envolvido.
— Você tem um bom sistema aqui? Posso tentar procurar — sugeriu ele.
— Acho que, se derrubarmos o rei, o restante cairá. Mas não faria mal nenhum tentar procurar alguma informação.
Lancei a ele um olhar perceptivo. — Você quer dizer hackear?
— Claro que não, isso seria completamente ilegal — disse ele em protesto fingido.
Sorri para ele, sabendo que Jett não tinha problema nenhum em invadir um sistema se precisasse de informações vitais. Ele fizera isso muitas vezes para missões da OPR e era um dos melhores. — Tenho tudo no meu
escritório. Fique à vontade para procurar informações. Mas, antes de começar, há algo que preciso lhe dizer.
Como eu fora sincero com Danica, precisava fazer o mesmo com Jett.
Queria que ele se sentisse confiante de que eu ajudaria a irmã dele e contar minha história provavelmente ajudaria. Ora, Jett era como um irmão para mim, portanto, seria como contar à família. Eu confiara minha vida a ele e também podia contar os meus segredos.
Informei a ele sobre a minha carreira dupla da forma mais sucinta possível.
— Puta merda, cara — comentou Jett. — Então você vira James Bond em outros países.
Lancei um olhar desgostoso a ele e, em seguida, revirei os olhos. — Você, de todas as pessoas, deveria saber que ninguém vira James Bond. São só filmes, personagens fictícios. Tenho certeza de que a maioria dos agentes fica atrás de uma mesa durante a maior parte do dia tentando conseguir informações. — Hesitei antes de acrescentar: — Talvez você devesse ser um agente especial, não eu. Acho que eles precisam das suas habilidades mais do que das minhas.
— Não deprecie o que está fazendo, cara — disse Jett em tom sério. — É
perigoso e é muito patriótico da sua parte arriscar sua pele para manter nosso país seguro.
— Não é nada demais. De qualquer forma, preciso viajar.
— Mas você não precisa espionar para obter informações. Isso poderia matar você. Não conheço muitos caras ricos que fariam o mesmo.
— Você faria — desafiei.
Jett deu de ombros. — Talvez. Nós dois somos viciados em adrenalina.
Talvez seja por isso que sejamos tão amigos.
— Como a sua irmã — acusei. — Ela é tão doida quanto nós. Não é uma boa qualidade para uma mulher que já passou pelo inferno.
— Ela sempre foi assim — comentou Jett pensativo. — Mesmo quando éramos crianças, ela já era destemida.
Eu não podia dizer a Jett que odiava a coragem dela no momento. Dani me deixava meio louco e eu precisava controlar minha irritação. A irmã de Jett estava fora do meu alcance. Eu queria trepar com ela mais do que jamais quisera trepar com qualquer mulher. Mas eu também a admirava e a última coisa que queria era atrito com meu melhor amigo porque estava tendo um
caso com a irmã dele. Dani e eu nunca poderíamos ter nada além de um caso breve. Eu não era capaz de ter um relacionamento. Nunca fora. Eu viajava demais e tinha muito pouco a oferecer a uma mulher, exceto dinheiro.
— Não gosto disso — admiti. — Não gosto de nada disso. Becker é um escroto. Sua irmã poderia se ver envolvida em algo com que não consegue lidar.
— Também não gosto — confessou Jett. — Eu a tiraria de lá agora se pudesse, mas você sabe como ela é teimosa quando decide alguma coisa.
Todos nós tentamos convencê-la a desistir da carreira que ela escolheu, especialmente sendo correspondente do Oriente Médio. Nenhum de nós conseguiu fazê-la sequer repensar. Ela adorava o que fazia, Marcus. Dani é o tipo de mulher que quer expor tudo o que há de errado com o mundo e levar ao conhecimento público.
— Eu sei disso, caralho. É parte do que me deixa louco. Ela tem boas intenções, mas coloca-se em perigo demais.
— Ei. Você soa muito preocupado. Você está bem? — perguntou Jett.
Eu sabia o que ele queria dizer. Geralmente, eu era um escroto e sem envolvimento emocional nenhum. Mas havia algo em relação a Danica que me fazia querer protegê-la. Eu poderia dizer a mim mesmo que era por causa da experiência dela à mercê de homens loucos, mas, para ser sincero, a compulsão sempre estivera lá. Só ficava cada vez mais difícil ignorá-la.
De alguma forma insana, nós nos entendíamos. Eu a compreendia e, estranhamente o suficiente, ela parecia ter entrado em mim. Havia uma força que nos atraíra e eu me sentia quase impotente para impedir os diversos sentimentos nada familiares que surgiam sempre que a via.
Mas meu envolvimento emocional tinha que parar. Eu precisava pensar como profissional, ajudá-la de todas as formas que conseguisse e parar de me preocupar tanto com ela.
— Sim — respondi finalmente. — Estou bem.
— Está acontecendo alguma coisa entre você e Dani? — perguntou Jett desconfiado.
— Claro que não — respondi em tom direto.
Nada, exceto um certo encontro em que fiz sua irmã gozar em um banheiro público só para poder vê-la gozar.
Mas eu não diria isso a Jett.
— Ela é uma mulher incrível — insistiu ele. — Não seria surpresa se você estivesse atraído por ela. Na verdade, vocês dois são muito parecidos.
— Não estou atraído por ela — neguei. — Gosto dela e ela é sua irmã.
Quero ajudá-la.
Parecia que Jett queria dizer mais alguma coisa, mas deixou o assunto de lado. — Se Becker é tão paranoico como Dani disse que é, duvido que ela consiga tirar da casa dele os documentos de que você precisa.
— Pensei nisso — informei. — Vou pegar alguns equipamentos especiais do departamento.
— Brinquedos de espião? — perguntou Jett em tom jocoso.
— Na verdade, sim. Algumas vezes, é útil ser um agente. Eles têm tecnologias que a maioria das pessoas não tem.
Jett bebeu o restante da bebida e levantou-se. — Você sabe que vou querer vê-los.
— Eu sei — respondi de forma elusiva.
— Vou tentar o seu sistema, ver se consigo descobrir alguma coisa sobre Becker.
— Só não faça nada ilegal nos meus computadores — avisei, sabendo muito bem que Jett era tão bom no que fazia que nunca seria pego.
— Não prometo nada — resmungou Jett. — Se a vida da minha irmã está em jogo, farei o que preciso fazer. Posso não ter muitas capacidades físicas, mas tenho habilidades.
— Sei muito bem disso — retruquei. Eu sabia que ele era um dos melhores em se tratando de espionagem com computador, coleta de informações e qualquer outra coisa na internet ou na dark web.
— Vamos pedir comida? Seria bom uma pizza. Estou morrendo de fome.
— Geralmente não como pizza. Nunca consegui entender como você come tanta porcaria e ainda fica em forma. — Jett sempre fora fisicamente forte e, apesar de ter sido ferido, ainda estava em forma.
— Eu faço exercícios — respondeu ele na defensiva. — E nem sempre como porcaria.
— Somente noventa e nove por cento do tempo — retruquei em tom sarcástico.
Ele sorriu. — Então você admite que de vez em quando como coisas saudáveis.
— Quase nunca.
— Logo quem está falando — brincou Jett. — Metade do tempo você come em trânsito e bebe coisas proteicas. Nós dois precisamos de proteína e carboidratos no momento.
— Está bem, vou pedir pizza — cedi.
Não era que eu não gostasse de pizza, hambúrgueres, batatas fritas e todas as outras coisas que certamente fariam meu coração falhar cedo demais, mas tentava evitar e fazia exercícios com a maior frequência possível. Eu tinha pouco mais de trinta anos e não ficaria mais jovem. Com todas as viagens e negócios da CIA que tinha que fazer, precisava manter meu corpo na melhor forma possível.