Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 4
viagem e fora para a Flórida especificamente para dizer a Dani que ela não podia continuar saindo com Becker.
Alguma coisa não está certa. Consigo sentir.
Meu cérebro, sempre lógico, dizia que ela não tinha como querer Gregory Becker. Dani era inteligente demais para terminar com um homem como ele. E, não só isso, ela era repórter, uma mulher que conseguia ler as pessoas extremamente bem.
Enquanto isso, minha resposta irracional, primitiva e carnal queria tirar Dani completamente do caminho do perigo de forma imediata.
Eu queria poder dizer que minha mente lógica procuraria respostas, mas receei que, pela primeira vez na vida, talvez não conseguisse ignorar completamente as emoções.
Dani
No dia seguinte, tive que inventar uma desculpa para Greg para explicar por que não estivera no bar para encontrá-lo.
Eu queria muito que ele confiasse em mim, portanto, deixá-lo na mão daquele jeito não era exatamente um passo adiante em nosso relacionamento.
Felizmente, ele aceitara o fato de que eu não estivera me sentindo bem e pegara no sono. A parte ruim foi que ele queria ir até o meu apartamento para ter certeza de que eu estava sentindo-me melhor.
Ele acha que estou doente. Provavelmente não ficará muito tempo.
Vesti um vestido amarelo casual e coloquei um pouco de maquiagem.
Deixei soltos os cabelos que mal chegavam à altura dos ombros. Por algum motivo, o estilo parecia combinar bem com o ruivo natural.
O telefone tocou e corri até a mesinha da sala de estar para tirar o celular da tomada e atendê-lo antes que caísse na caixa postal. — Alô — respondi.
Eu não vira quem estava telefonando e achei que seria Greg dizendo que chegaria atrasado ou cancelando a visita.
— Dani? — perguntou uma voz feminina em pânico e nervosa.
— Ruby? O que foi? O que aconteceu? — perguntei apressada.
Eu falava com a minha amiga todos os dias. Depois de uma infância e uma adolescência de abuso, ela acabara fugindo de casa e chegara a Miami aos dezoito anos. Ela ficara lá sem um teto para morar por quase quatro anos, um fato que eu só descobrira quando ela fora recolhida da rua logo depois
de nos encontrarmos, cerca de um ou dois meses antes. Agora, ela morava em um quarto de hotel horrível, mas tudo que dizia respeito ao arranjo que a tirara das ruas me preocupava.
— O cara que me resgatou disse que devo a ele. Não foi o que achei que seria, Dani. Eles me prometeram um emprego e isso não aconteceu. Agora, eles estão dizendo que devo dinheiro pelo teto sobre a minha cabeça e pela comida. Como não tenho dinheiro para pagar a eles, querem que eu faça uma espécie de leilão pelos meus serviços.
Meu estômago se revirou quando pensei no tipo de leilão de que Ruby participaria. — Eles disseram que tipo de leilão?
— E-les n-não d-disseram — gaguejou ela. — Mas a mulher que me traz comida perguntou se eu era virgem e admiti que sim. No começo, achei que seria algum tipo de governanta ou algo parecido. Mas estou começando a achar que querem que eu venda meu corpo, já que é a única coisa que tenho a oferecer.
Respirei fundo e soltei o ar devagar. Eu tinha certeza de que quem a resgatara tivera a intenção de lucrar de alguma forma ao ajudar Ruby. Era uma situação perfeita para tráfico e pessoas. — Eles disseram quando? —
perguntei, tentando não soar tão preocupada como me sentia.
— N-não. Acho que eles querem que eu ganhe um pouco de peso antes.
Dani, estou com muito medo. Sei que agora tenho um lugar para ficar e comida, mas quase queria estar sem teto de novo. Estou afogada em dívidas com essas pessoas e tenho que pagá-las.
Eu queria desesperadamente levar Ruby para o meu apartamento e garantir que ninguém mais a machucasse de novo. Mas eu tinha alguns motivos pelos quais isso não seria possível no momento. — Aguente firme.
Prometo que vou tirar você daí antes que alguma coisa aconteça.
— Eu me meti em uma situação péssima, não é? — perguntou ela.
— Sim, mas não é culpa sua. Essas pessoas não estão tirando mulheres e crianças das ruas para ajudá-las. Acho que são traficantes de pessoas. —
Estremeci ao pensar em quantas outras mulheres tinham sido vítimas da
“bondade” deles.
— Não sei o que fazer. Eles disseram que se eu tentar sair sem pagar minha dívida, vão me encontrar — choramingou ela.
— Vamos cuidar disso. Fique forte, Ruby. Pergunte a eles quanto você deve.
— Não importa quanto, não tenho como pagar sem um emprego —
respondeu ela em tom direto.
— Eu sei que não me conhece tão bem assim, mas consegue confiar em mim? — perguntei desesperadamente.
Ruby hesitou por um momento e respondeu: — É difícil para mim confiar em qualquer pessoa — disse ela com sinceridade. — Mas vou tentar. Você já me ajudou muito sendo amiga. Não tenho mais tanto medo agora que sei que alguém sabe e importa-se comigo.
— Vou tirar você daí — prometi. — Só continue a me dizer o que está acontecendo quando puder fazer isso em segurança.
— Pode deixar. Obrigada.
Meu coração ficou partido ao ouvi-la tão triste e assustada. Mas ela nunca tivera nada pelo que ser feliz. Os vinte e dois anos de vida tinham sido muito duros com ela.
Terminamos a ligação, mas minhas entranhas ainda se contorciam quando desliguei o telefone. Eu estava um desastre desde que vira Marcus no bar de Greg. Nosso encontro fora inquietante, especialmente quando percebi que só de vê-lo novamente fora o suficiente para me lembrar de todos os sonhos eróticos que tivera com ele.
E eram demais para contar.
Eu estivera muito confusa e machucada depois que Marcus me resgatara.
Porém, a atração misteriosa que eu sentia por ele estava tão presente como quando Marcus arriscara a vida para me tirar da Síria. Sinceramente, eu me sentira atraída por ele praticamente desde que o conhecera. A dificuldade era que agora eu sabia exatamente o que sentia. Eu estava incrivelmente atraída por Marcus e não tinha ideia de como reprimir isso.
A química sempre estivera lá, mas eu não conseguira reconhecer o desejo logo depois de escapar dos sequestradores. Mas eu fizera muita terapia para me ajudar a ir em frente depois daquela experiência horrorosa e conseguia agora admitir que algo em Marcus me deixava completamente louca. Ele era muito gostoso, portanto, querer que me prendesse contra a parede para me satisfazer não era nada surpreendente. Talvez fossem todas as outras emoções que pareciam se entrelaçar com meu desejo apaixonado de fazer sexo com ele que me deixassem abalada.
Eu admirava o que ele fizera com a OPR, apesar de meu irmão ter sido ferido em uma das missões. Marcus sempre parecera ter tudo sob controle
de uma forma que eu nunca vira antes. Ele ficara arrogante e mandão comigo, mas ainda havia algum tipo de nervos de aço que parecia carregar com tanta facilidade como outros homens carregavam um celular. Eu o vira em muitos locais perigosos, mas ele nunca parecera estar ciente do perigo de estar neles. Ora, eu não sabia se algum dia vira uma ruga no terno sob medida dele quando estava fazendo negócios em todas as áreas do mundo devastadas pela guerra em que nos encontráramos.
Eu tivera que estar nas áreas mais assustadoras do mundo por causa do meu trabalho, mas Marcus nunca precisara estar nelas. Estranhamente, ele tratava as viagens como obrigações do trabalho do dia a dia, não importava onde estivesse.
— Mas o que ele está fazendo aqui em Miami? — murmurei para mim mesma ao me sentar no braço do sofá para esperar Greg.
E por que ele está tão preocupado com quem estou saindo?
Sim, ele dissera que Jett estava preocupado, mas Marcus não era o tipo de cara que estaria em um lugar onde não queria estar.
Nosso encontro no bar de Greg fora desconcertante. Eu nunca vira Marcus em qualquer estado que não o modo de trabalho, exceto durante o resgate perigoso e o pouco tempo que passáramos juntos depois disso. Agir como se ele estivesse pessoalmente preocupado era estranho.
Tentei deixar o assunto de lado. Não importava se ele gostava de Greg ou não. Teria que lidar com o fato de eu estar saindo com alguém que ele não achava ser bom para mim. Ninguém jamais interferira na minha vida amorosa e não seria agora que começaria. Meu relacionamento com Greg era importante demais para mim.
Finalmente, a campainha tocou e afastei os pensamentos negativos para atender a porta.
— Olá, linda — disse Greg quando abri a porta.
— Olá — respondi sem fôlego.
Ele me beijou no rosto e andou até a sala de estar enquanto eu fechava a porta.
— Como está se sentindo? — perguntou ele, sentindo-se à vontade ao se sentar no sofá.
— Melhor — respondi, torcendo para que não trouxesse à tona o fato de eu não ter ido ao bar para o nosso encontro.
Greg era o tipo de homem que estava sempre cuidadoso, sempre cauteloso. Ele era atraente e estava em boa forma, além de ter cabelos loiros que fariam com que a maioria das mulheres corresse atrás dele. Mas havia um véu sobre os olhos sombrios que nunca deixaria ninguém entrar totalmente.
Meu objetivo era conhecê-lo melhor do que qualquer outra mulher já conhecera e ensiná-lo a confiar em mim. Infelizmente, eu não ter ido ao bar provavelmente o deixara nervoso. Greg estava sempre procurando algum tipo de reação ou qualquer outra coisa que não encaixasse no mundo dele exatamente como achava que deveria ser. Eu estar ausente na noite anterior não deveria deixá-lo paranoico, mas eu já descobrira que, com Greg, qualquer comportamento estranho era suspeito.
— Fico feliz — respondeu ele finalmente, com os olhos percorrendo-me como se quisesse ver se eu estava dizendo a verdade.
— Quer uma bebida? — perguntei polidamente.
— Não, linda. Só vim aqui para ter certeza de que você estava... segura. Sentei no sofá ao lado dele. Só tínhamos saído juntos algumas vezes e ido a alguns eventos de caridade. A maior intimidade que tivéramos fora um beijo na porta. — Talvez eu só estivesse cansada — menti.
— Achei que estava doente — disse ele, soando desconfiado.
Balancei a cabeça negativamente. — Estava, mas talvez só tenha me sentido assim porque não dormi o suficiente.
Ele estendeu a mão e segurou a minha, apertando-a mais do que o necessário para demonstrar simples afeição. — Então você deveria descansar, Dani.
— Eu vou — respondi, tentando não notar que minha mão estava perdendo a circulação.
— Não gostei nem um pouco do fato de você ter me dado um bolo ontem à noite. Mas vou superar — disse ele em tom de advertência, que me disse que era melhor não fazer isso de novo.
— Desculpe, de verdade — respondi com a voz cheia de remorso.
— Sou poderoso nesta cidade, Dani. Um homem como eu não precisa esperar.
— Eu sei — concordei.
Gregory era uma força a ser reconhecida em Miami. Ele era extremamente rico e doava dinheiro para políticos e agentes da polícia para
mantê-los em débito. Ele não tinha o poder de um Lawson ou de um Colter, mas o status de multimilionário dele o tornava uma pessoa VIP em todo o sul da Flórida.
Ele se levantou, levando-me junto porque não soltara minha mão. — Fico feliz por me entender — respondeu ele com um sorriso.
— Já vai embora? — perguntei, olhando para ele com um sorriso trêmulo.
— Tenho algumas coisas a fazer — afirmou ele. — Mas tinha que ver como você está.
— Obrigada — disse eu.
Ele me puxou contra o próprio corpo e beijou minha boca antes de dizer:
— Eu tinha que garantir que você soubesse como me senti ao não vê-la no meu bar ontem à noite.
As emoções dele, na verdade, eram cristalinas. Greg era um controlador e qualquer coisa que não conseguisse fazer de seu jeito não era aceitável.
— Não vou deixar você na mão de novo — prometi.
— Isso é bom. Muito bom — respondeu ele ao finalmente soltar minha mão. — Fique bem, Dani. Quero ver você na minha cama assim que estiver se sentindo melhor.
Eu queria balançar a mão para que o sangue voltasse a circular, mas não fiz isso.
O anúncio dele de querer fazer sexo comigo não foi surpresa. Ele deixara perfeitamente claro quando nos conhecêramos que me queria.
E eu tinha certeza de que, até a noite passada, ele sempre conseguira o que queria.
Eu o segui até a porta e despedi-me dele. Encostei-me na porta depois de trancá-la.
— Não foi bem exatamente do jeito como eu esperava — sussurrei ao soltar o ar que não percebi que estivera segurando.
Greg nunca seria um cara do tipo caloroso e acolhedor. Ele tinha um aspecto extremamente duro que me fez ter vontade de me afastar dele o mais depressa possível. Mas não fiz isso porque realmente queria me aproximar dele.