Bilionário Revelado: Marcus
Capítulo 20
— Então sou sua primeira? — brinquei.
— Minha única no momento — respondeu ele.
Meu coração deu um salto. Eu adoraria ser a única de Marcus por algum tempo. — Estou fedida — disse eu com um suspiro. — Mas não sei como vou me levantar e ir para o chuveiro. Acho que minhas pernas estão fracas demais.
Ele se sentou e moveu-se para a beirada da cama, levando-me junto com um braço em volta do meu corpo. Em seguida, ele me levantou, forçando-me a colocar os braços em volta de seu pescoço.
— O que está fazendo? — disse eu com um gritinho.
— Levando minha mulher de pernas fracas para o chuveiro — respondeu ele.
Gritei novamente quando ele me ergueu ainda mais nos braços e levou-me até o banheiro.
Ri até que finalmente ficamos sob a água. Depois disso, Marcus e eu ficamos bem ocupados, concentrando-nos em outras atividades prazerosas.
Dani
Quando chegamos a Rocky Springs, acabei ficando com Marcus. Não devido à ordem dele, mas porque eu queria ficar com ele.
Em algum momento entre meu ataque de pânico e o pouso do avião, eu percebera que, não importava o quanto quisesse me blindar, não havia garantia de felicidade. Sinceramente, eu provavelmente percebera essa verdade durante o tempo em que fora prisioneira dos rebeldes. Eu teria que decidir o que queria da vida.
E, se pelo menos não tentasse fazer Marcus parte do meu futuro, teria que seguir a maré.
Eu estava apaixonada por ele. Completamente. Totalmente.
Irrevogavelmente.
E, se não pudéssemos ficar juntos para o resto da vida, eu desfrutaria de cada momento que tivesse com ele.
— Tenho que admitir, achei que teríamos uma briga sobre você ficar aqui comigo — disse Marcus quando começou a tirar a roupa no quarto da mansão em Rocky Springs.
Quase não dormíramos na viagem de volta para o Colorado e nós dois estávamos prontos para descansar.
— São quase três horas da manhã — relembrei. — E estou me sentindo magnânima.
Ele sorriu para mim do outro lado do quarto. Eu vestira uma camiseta larga de dormir que tinha na mala e ele estava tirando as roupas tão
depressa que fiquei surpresa.
Déramos uma volta breve na casa antes de irmos para o quarto principal.
Ainda sorrindo, ele perguntou: — Por que isso?
— Porque consegui o que eu queria — disse eu, sorrindo de volta. — Isso costuma me deixar maleável.
— Que coincidência. Também consegui o que eu queria e não precisei jogar você sobre o ombro para trazê-la para a minha casa ao pousarmos.
— Eu quero ficar com você — confessei. — Não quero ficar na casa de Harper e Blake. Eles se casaram há pouco tempo.
— Então é um bom arranjo para nós dois — disse ele, aproximando-se de mim nu como viera ao mundo. — Porque também quero ficar com você.
Apesar de estar exausta, não pude evitar admirar o corpo incrível dele e a forma como se movia. Ele me lembrou um predador perseguindo a presa.
— Venha comigo — insistiu ele, estendendo a mão.
— Já fiz isso no avião — respondi em tom provocador. Em seguida, coloquei a mão na dele.
— Espertinha — respondeu ele, soando mais divertido do que irritado.
— Aonde vamos? — perguntei curiosa, deixando que ele me levasse até as portas que supus que davam acesso a um pátio, já que o quarto principal ficava no andar térreo da casa.
A casa dele era imensa, mas conseguia ser grande sem ser incrivelmente pretensiosa. Adorei os tetos altos e a decoração moderna, algo que parecia congruente com a personalidade de Marcus.
— Você verá — respondeu ele misteriosamente, abrindo as portas. — Faz tempo que não consigo fazer isso.
A área do pátio grande era fechada, mas o teto era aberto. — Que lindo —
disse eu em tom maravilhado.
Os jardins eram coloridos, de muito bom gosto, e as flores eram lindas.
Quando ele finalmente parou de andar, admirei as fontes termais incríveis à nossa frente.
Eu crescera perto de Rocky Springs, mas os Colters eram proprietários da grande maioria das fontes termais da área. O hotel tinha piscinas grandes e pequenas, mas eu apostaria no fato de que cada um dos irmãos construíra uma casa perto de uma piscina particular. Ora, eu teria feito isso se fosse dona da propriedade deles.
Consegui sentir o cheiro dos minerais, mas era um cheiro agradável e altamente tentador. Ele mantivera a aparência natural, a piscina com as pedras em volta e uma cachoeira linda.
— Vamos entrar? — perguntei com esperança.
— Achei que talvez você quisesse relaxar um pouco — respondeu Marcus, tentando fingir que não era o cara mais atencioso do planeta.
Ele entrou primeiro e estendeu os braços para que eu pulasse ao seu lado.
Sem um segundo de hesitação, pulei nos braços dele.
— Ai, meu Deus — gemi ao sentir a água quente no corpo. — Isto é incrível.
— Fico feliz por você gostar — respondeu ele.
Ele se sentou em uma pedra sob a água e puxou-me para que sentasse entre suas pernas.
— Eu assustei mesmo você quando tive aquele ataque de pânico? —
perguntei curiosa. Eu bem que tentara fugir e esconder o ataque. Sabia que me assistir surtando provavelmente não era uma coisa agradável.
— Sim — respondeu ele.
— Não tive ataques por um longo tempo — expliquei ao olhar para as estrelas. — Mas odeio o fato de nunca saber quando e como acontecerá.
— Por que agora?
Dei de ombros. — Acho que provavelmente foi o estresse de lidar com Becker. E, antes de me repreender, eu não ia recuar. Portanto, nem comece.
— Bom, merda — resmungou ele.
Eu sabia que ele queria muito entrar naquele assunto, dizendo-me que deveria ter feito algo diferente.
— Marcus, era algo que eu tinha que fazer. Eu estava com o nome de Becker na mente por meses. Quando finalmente me lembrei de que os terroristas tinham mencionado o nome dele como fonte do dinheiro, eu sabia que detê-lo era algo que precisava fazer.
Ele apertou o braço em volta da minha cintura. — Por quê? Poderia simplesmente ter levado as informações às autoridades.
— E depois? — perguntei. — Eu não tinha como provar nada. Você me disse que ele teve negócios sujos de sucesso durante muito tempo e nunca foi preso. Era algo pessoal para mim. Muitas pessoas foram feridas ou mortas por causa do dinheiro que ele dá aos rebeldes e por ter algum tipo de ilusão de que poderia ter um território próprio no outro lado do mundo.
— Eu entendo — cedeu ele finalmente. — Posso não gostar, mas entendo.
Voltei ao assunto original. — Estou fazendo terapia, desde que tudo aconteceu. Nunca perco uma consulta, pois quero me sentir normal de novo. Se for preciso, faço uma chamada de vídeo com a minha terapeuta. Já resolvi muitas coisas, mas há algumas áreas em que sempre serei diferente do que era antes do ocorrido. Achei que meus ataques de pânico tinham acabado. Talvez tivessem e esse último foi apenas uma recaída.
— Pode levar as coisas devagar por algum tempo? — resmungou ele.
Sorri na escuridão. — Talvez.
— O que mais está diferente? — perguntou ele.
Eu suspirei. — Tudo e nada. Ainda sou a mesma pessoa, mas acho que vejo a vida de forma diferente. Sei agora como ela pode terminar com facilidade e não quero mais negligenciar nada nem ninguém.
— Quero que você fique segura — disse ele com voz rouca. — Meu coração não aguenta mais nenhuma das suas aventuras agora.
Era divertido que um homem como Marcus estivesse falando sobre suas supostas vulnerabilidades. — Algum dia, eu gostaria de voltar ao Oriente Médio só para provar a mim mesma que consigo. Quero saber que minha coragem é maior do que o meu medo.
— Ela é — murmurou Marcus. — Acredite, ela é.
— Eu nunca tinha medo de nada — disse eu, com um toque de tristeza pela mulher que fora. — Agora, preciso lutar para me livrar do medo.
— Você é a mulher mais corajosa que conheço — retrucou Marcus. — Já ouviu falar da frase que diz algo como: Aprendi que a coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele?
— O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que conquista o medo — disse eu, terminando a citação. — Acho que Nelson Mandela é responsável por essa versão de um ponto muito importante. Mas, algumas vezes, não tenho certeza se estou mesmo triunfando.
— Você está conquistando seu medo, Dani. Você conseguiu ter sucesso apesar do que aconteceu. Só faz um ano. Seja paciente consigo mesma —
disse Marcus com voz grave.
— Eu tento — respondi. — De verdade.
— Não tem problema não ser perfeita — declarou ele. — Conheci homens de negócios competentes que desmoronaram em uma situação de refém.
Nunca mais queriam sair de casa.
— Eu ficaria louca — confessei. — Mas gostaria muito de ter minha vida de volta. Gostaria de me ter de volta.
— Você chegará lá — disse Marcus. — Você já está corajosa o suficiente para me deixar nervoso.
Soltei uma risada breve. — O grande e poderoso Marcus Colter? Duvido.
— Ainda sou só um homem, um cara que não aguentar ver você lutando com tudo o que aconteceu. Nunca deveria ter acontecido, para começo de conversa.
Eu me recostei nele, com o coração apertado por causa do remorso em sua voz. — Aquilo aconteceu, só que não vai continuar a reger a minha vida —
respondi com voz determinada.
— Você está bem do jeito que é — disse ele em tom firme. — Todos têm medo de alguma coisa.
— Do que você tem medo, Marcus? — perguntei com curiosidade.
Ele ficou em silêncio por um minuto antes de responder: — Algum dia, responderei a essa pergunta. Mas não posso agora.
— Ok. — Eu queria que ele dividisse coisas comigo, mas não se não quisesse me contar. Por enquanto, eu estava satisfeita em apenas aproveitar nosso tempo juntos.
Eu não tinha ideia de quantos dias teríamos até que ele viajasse a negócios, mas pretendia aproveitar cada momento que tínhamos.
— E que tipo de recomendações sua terapeuta fez? Confio que tenha conhecimento sobre a sua situação particular.
— Ela é e cuidamos de um problema de cada vez. O conselho dela foi ter um cachorro — disse eu em tom jocoso.
— Por quê? — perguntou Marcus, obviamente confuso.
— Eu disse a ela que gostaria de criar raízes, mesmo que ainda tenha que viajar. Falei para ela que uma das piores partes de viajar é estar sozinha. Eu sempre quis um cachorro, mas nunca tive porque minha vida era caótica demais. Nunca teria tempo suficiente para passar com um animal.