Bilionário Revelado: Marcus

J. S. Scott · Capítulo 25 de 30

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Bilionário Revelado: Marcus

Capítulo 24

Eu começava a aprender que nunca deveria dizer a Marcus que ele não podia fazer qualquer coisa, pois ele era teimoso o suficiente para provar que claro que podia.

 

Dani

—Você vai comer tudo isso? — perguntou Marcus mais tarde naquela noite enquanto assistíamos ao noticiário, abraçados no sofá da sala de estar.

Sorri ao comer mais uma colherada do sundae enorme que eu preparara alguns minutos antes. Consegui ouvir um toque de vontade na voz dele quando me recostei contra ele. Minhas costas estavam contra o peito dele, uma posição que passara a ser a nossa favorita quando relaxávamos juntos.

— É o que pretendo — brinquei.

Ele não respondeu, mas já sabia que esperava que eu dividisse. Eu já descobrira que ele não deixava de comer açúcar e lanches rápidos porque não gostava. Ele fazia isso rigorosamente por causa da disciplina rígida de se manter saudável e em forma para as viagens. Não que eu objetasse. Eu compreendia que a minha obsessão por porcarias não era saudável. Eu simplesmente não me importava. Comia coisas saudáveis na maior parte do tempo, o que era suficiente. Uma pessoa precisava de alguns mimos.

E, recentemente, Marcus estivera mais do que disposto a se permitir algumas comidas que eram simplesmente para prazer.

Minha suspeita era que ele normalmente conseguia evitá-las porque não as via. Porém, como eu devorava esse tipo de comida regularmente, ele ficava tentado. A mãe dele, Aileen, era uma cozinheira excepcional, portanto, eu tinha certeza de que ele comera de tudo quando criança.

Ele não era tão esnobe quando ficava tentado a comer por prazer.

Marcus podia consumir o que quisesse. Todas as manhãs, em sua academia de casa, ele fazia um dos conjuntos de exercícios mais brutais que eu já vira. Eu tentara acompanhá-lo, mas obviamente não conseguira.

De acordo com Aileen, Marcus adorava chocolate quando era criança e eu percebi que essa preferência não desaparecera. Ele simplesmente a escondia muito bem.

Apontei a colher para a tigela. — Está muito gostoso. Tem certeza de que não quer que eu prepare um para você?

— Não, estou bem — respondeu ele.

Sinceramente, eu achava que ele gostava mais de porcarias quando comia as minhas. Talvez ele conseguisse racionalizar isso porque não comia as próprias porcarias.

Suspirei ao comer mais um pouco. A explosão de fugde quente e sorvete de baunilha cremoso na boca foi absolutamente perfeita.

— Talvez eu queira experimentar um pouco do seu — murmurou Marcus, com a voz vibrando nas minhas costas enquanto ele olhava por cima do meu ombro.

Abri um sorriso mais largo, finalmente ouvindo-o pedir para comer um pouco do meu, como eu previra. Na verdade, eu estivera esperando aquilo.

— Eu odiaria que você se forçasse a comer — disse eu em tom falsamente preocupado.

— Não vou fazer isso — contradisse ele rapidamente. — Eu não me importo, de verdade.

Aquilo era o mais perto que Marcus chegaria de admitir que queria desesperadamente um pouco da obra de arte de sorvete que eu fizera para mim mesma. Como eu sabia que ele pediria um pouco, preparara uma tigela realmente grande.

Eu me virei, enchi a colher e segurei-a perto da boca de Marcus.

— O que acha? — perguntei depois que ele rapidamente devorou o sorvete da colher.

Ele assentiu. — Você tinha razão. Está realmente gostoso.

Dividi a tigela inteira com ele, achando divertido o fato de ser a única forma de conseguir fazê-lo comer algo de que gostava.

Meu corpo estava exausto depois da caminhada mais cedo e do encontro apaixonado subsequente ao ar livre. Tínhamos tomado banho ao sairmos da chuva e, em seguida, jantamos. Agora que as coisas tinham ficado mais

calmas, consegui sentir as dores no corpo, que absolutamente valiam a pena, decorrentes da forma como tínhamos gozado juntos.

Meus dedos estavam arranhados, algo sobre o qual Marcus fizera um escândalo quando os vira no chuveiro. Eu tinha certeza de que ele me perguntara pelo menos dez vezes se eles doíam.

Não doíam.

E eu não me arrependia de um único momento da experiência do primeiro beijo na chuva... e muito mais.

Marcus nunca se chamaria de romântico e, talvez, realmente não fosse em todas as formas convencionais. Mas só o fato de querer que eu vivesse todas as experiências que nunca achei que teria a chance de viver era tão tocante que não importava se ele era, de forma geral, pragmático. Isso tornava a consideração dele especial e meiga para mim.

Inclinei-me para a frente para colocar a tigela vazia sobre a mesinha de centro. Eu a levaria para a cozinha antes de ir dormir.

— Tenho que ir embora amanhã — disse ele de forma inesperada com a voz decididamente infeliz. Ele passou os braços em volta de mim novamente e recostei-me contra seu peito.

Eu sabia que a partida dele seria inevitável, mas ainda doeu... muito. —

Para onde tem que ir? — perguntei em tom leve, tentando não soar como se o mundo estivesse prestes a acabar porque chegara a hora de tomarmos caminhos separados.

— Tenho que ir para o Oriente Médio. Eu queria poder cancelar, mas...

— Eu entendo — interrompi, sem querer transformar o fato de ele ter que partir em um problema. Por dentro, meu coração estava partido, mas eu soubera quem Marcus era quando decidira passar um tempo com ele.

Não posso perder o controle. Eu sempre soube que isso aconteceria um dia.

Eu só esperara ter mais tempo, mas, sinceramente, doeria da mesma forma não importava quando aquilo acontecesse.

— Não, você não entende, Danica. Eu não deixaria você agora se não fosse necessário — resmungou ele.

Subitamente, lembrei-me de algo que acontecera logo depois que tomáramos banho. — Tem alguma coisa a ver com sua conversa com Jett?

Ele conversara longamente com meu irmão no escritório até que finalmente me entregou o telefone quando desci para o andar térreo.

Ele soltou um suspiro. — É o que está causando a urgência, sim.

— O que aconteceu? — Virei-me para olhar para ele com preocupação.

— Parece que faltam algumas virgens — explicou ele. — Ruby estava presa em um quarto antes do leilão com duas mulheres europeias e parece que não eram exatamente participantes voluntárias. Ruby foi leiloada como planejado e, como você sabe, está em segurança com seu irmão na Flórida.

— E as outras duas mulheres? — perguntei.

— Elas desapareceram. Não fizeram parte do leilão. Seu irmão usou as habilidades que tem para rastrear o que aconteceu com elas. Ruby ouviu algo sobre elas serem enviadas para a Síria como presente para um líder rebelde.

Fechei os olhos horrorizada. — Ai, meu Deus. Se isso for verdade, elas estão encrencadas, Marcus.

— Eu sei. Mas estou torcendo para que ainda estejam na Turquia e não tenham cruzado a fronteira. Jett encontrou algumas pistas.

— Ele as rastreou até onde?

— A mesma cidade de onde você saiu quando decidiu seguir os adolescentes.

Na verdade, era uma vila e, no decorrer dos anos, passei a conhecer muitos dos residentes que confiavam em mim. Frequentemente, a imprensa ia até lá e a cidade tinha muitos refugiados. Meu trabalho como jornalista fora relatar informações sobre a crise dos refugiados e a situação da luta na Síria. Eu conhecia aquela área de forma pessoal. A região também tinha uma equipe médica de voluntários do mundo inteiro para ajudar a cuidar das pessoas que tinham fugido para a cidade da fronteira para escapar da guerra.

— Vou com você — decidi. — Sei que você tem mais experiência em espionagem do que eu, mas conheço aquelas pessoas. Falo turco e árabe o suficiente. Posso ajudar você a conseguir mais informações se alguém estiver escondendo alguma coisa.

— Nem pensar — respondeu Marcus. — Você precisa de mais tempo. Não quer voltar para lá agora.

— Quero — disse eu em tom ardente. — Preciso ir.

Voltar ao lugar que eu associara com tanta dor era essencial para a minha recuperação. Eu sempre soubera que, em algum momento, teria que voltar.

Queria superar meu medo, mas não chegara ao ponto em que estava pronta para voltar. Agora que havia mulheres em perigo, eu estava pronta.

— Você não vai, Danica — insistiu Marcus. — Meu Deus! Você acabou de sair de uma situação horrível. Agora está pronta para arriscar o pescoço de novo?

— Sim — disse eu com empatia, meu olhar encontrando o dele em uma batalha de força de vontade. — Marcus, isto é algo que eu preciso fazer.

Sempre soube que não podia deixar que o que aconteceu levasse a melhor.

Não posso deixar que eles vençam.

— Os terroristas que a mantiveram presa estão mortos.

— Não para mim — expliquei. — Tenho que enfrentar esse medo antes que ele desapareça. Aquela cidade não teve nada a ver com o que aconteceu comigo, mas eu a conecto na mente com a dor e o medo da minha captura e da tortura.

— E é exatamente por causa disso que você não vai.

— É por isso que eu tenho que ir. Você estará lá comigo e poderei ajudá-lo.

— Não posso fazer isso — respondeu ele com a voz cheia de emoção.

Percebi a preocupação na expressão dele quando respondi: — Estarei segura com você.

— Eu a algemaria a mim para impedi-la de atravessar a fronteira se você achar que alguém está em perigo.

— Por mim, tudo bem — respondi, tentando convencê-lo a me levar.

— Não.

Meu Deus, como ele era teimoso. Eu sabia que ele tentava me proteger da dor. Porém, eu não podia ficar com medo para sempre. A ideia de ir com Marcus não era nem um pouco assustadora em comparação a ir sozinha. —

Não vou ter medo. Estarei com você.

— Eu ficarei com muito medo — admitiu ele com um rosnado. — Você já passou por coisas suficientes, Dani.

— Tenho que ir em algum momento, Marcus. E, se eu puder ajudar você, será o momento perfeito. Não vou deixar que aqueles filhos da puta vençam. Não vou passar a vida com medo de uma região em que passei boa parte da vida fazendo reportagens. Eu vivi com aquelas pessoas. Fiquei mais tempo lá do que aqui.

— E lá nunca foi seguro — resmungou ele. — É perto demais da fronteira. As cidades naquela região nem sempre são seguras.

— E existe algum lugar seguro? — perguntei. — Qualquer coisa pode acontecer em qualquer lugar do mundo.

— Isso é verdade — cedeu ele. — No entanto, você não precisa se colocar tão perto da linha de fogo.

— Irei até lá em algum momento. Você não pode me proteger para sempre. Estou mais segura com você do que sem — argumentei.

Eu não podia ceder desta vez. Não queria magoar Marcus, mas eu realmente precisava ir com ele e fazer o que pudesse pelas mulheres que não tinham sido resgatadas do círculo de tráfico de pessoas de Gregory Becker. Só de pensar nas mulheres sequestradas nas mãos de um homem maligno como o líder rebelde me deixou enjoada. Eu sabia o que sofreriam e que, provavelmente, morreriam depois de serem usadas como se fossem objetos velhos, em vez de seres humanos.

— Esteja pronta cedo — disse ele finalmente em tom irritado. — Não dê um passo sem me dizer o que fará.

Meu coração ficou apertado quando vi uma expressão de dor no rosto dele. Concordar fora quase a morte para ele, mas supus que Marcus decidira que ficaria melhor comigo do que sem a minha presença. Ele podia ter contatos naquela área, mas não era uma cidade em que passara muito tempo. As visitas dele tinham sido rápidas, provavelmente apenas para se encontrar com informantes na região.

Ergui a mão e passei-a pelo maxilar dele. — Obrigada — disse eu com sinceridade.

Ele apertou os braços em volta de mim. — Eu nunca tive chance. Sabia que você insistiria como se sua vida dependesse disso ao saber que havia duas mulheres em perigo.

Eu sorri. — Você decidiu bem depressa.

Ele deu de ombros. — Seu irmão não pode ir. Está cuidando de Ruby.

Talvez ele não quisesse dar muita importância aos seus esforços humanitários, mas Marcus era o tipo de homem que não conseguiria conviver com o fato de não ter tentado ajudar aquelas mulheres. — Você também quer ajudá-las — acusei gentilmente.

— Eu quero manter você segura. Eu não deveria ter mencionado as mulheres prisioneiras. Devia ter sabido que você pularia no fogo para salvá-

las — retrucou ele.

Eu o beijei com carinho e afastei-me para dizer: — Você é um homem bom, Marcus.

Ele fez um gesto de desprezo. — Nunca ouvi isso.

— Deveria, pois é verdade.

— Então você provavelmente é uma das pouquíssimas pessoas que acredita nisso. A maioria das pessoas acha que sou um escroto, até mesmo meus amigos.

Eu ri do comentário autodepreciativo dele. Eu ouvira Jett chamar Marcus de escroto em mais de uma ocasião, mas sabia que fora brincadeira. Sob a aparência arrogante, Marcus era um homem incrível. Ah, ele era cuidadoso, um aspecto que provavelmente era proveniente do trabalho que fazia para o governo. Mas qualquer um que passasse a conhecê-lo veria, em algum momento, que, sob o exterior de escroto, havia um cara com um coração muito bom.

— Você vai me levar junto — relembrei.

— Relutantemente — respondeu ele em tom infeliz. — E só porque acho que você teria mais problemas sem mim.

— Você sabe que tenho mais influência naquela área — argumentei.

— Talvez tenha, mas ainda não estou nada feliz com essa situação toda.

Mas eu não ia mentir para você. Acho que supus que você aceitaria que eu fosse sozinho porque não é um lugar para onde queira ir agora.

— Eu preciso ir — disse eu. — Tenho que me libertar.

— E eu quero que você fique em casa — retrucou ele com voz rouca.

— Podemos experimentar aquelas algemas antecipadamente — sugeri.

— Acha que não vou? — perguntou ele, erguendo uma sobrancelha de forma arrogante, desafiando-me.

Passei os braços em volta do pescoço dele. — Eu não tenho medo nenhum.

De fato, a ideia de ficar nua e à mercê de Marcus era um prazer erótico que eu tinha certeza de que adoraria.

Ele se levantou, puxando-me com ele. Dei um gritinho quando ele me jogou sobre o ombro. — Marcus, coloque-me no chão. Acho que você tem um fetiche de me carregar como um homem das cavernas.