Bilionário Revelado: Marcus

J. S. Scott · Capítulo 23 de 30

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Bilionário Revelado: Marcus

Capítulo 22

Ele balançou a cabeça negativamente. — Não.

— Porque você estava trabalhando — comentei.

— Na verdade, não acho que esse tenha sido o problema — corrigiu ele.

— Então qual foi?

Ele me lançou um olhar penetrante e, em seguida, voltou o olhar para o computador. Ainda olhando para a tela, ele respondeu: — Acho que só nunca encontrei ninguém com quem valesse a pena ficar em casa, até agora.

 

Marcus

Não era que eu não soubesse que estava totalmente ferrado... só não queria admitir.

Eu estava fazendo uma caminhada com Dani no dia seguinte em que ela cuspira parte da lista dela para mim e percebi subitamente que não sentia falta de estar em um avião ou em um país estrangeiro. Era a primeira vez que eu ficava em casa por mais de alguns dias e não estava nem um pouco ansioso para voltar para meu jatinho e voar para longe.

Segurei a mão dela com força enquanto descíamos uma encosta rochosa, muito preocupado que algo acontecesse com ela. Jesus! Eu ficaria muito chateado se ela quebrasse sequer uma unha... não que ela tivesse unhas longas que pudessem quebrar.

Depois de tudo pelo que Dani passara, só o que eu queria era protegê-la, garantir que nada de ruim acontecesse a ela. Eu ainda tinha pesadelos em que a via logo depois do cativeiro brutal e não era algo que queria ver de novo. Eu não queria vê-la infeliz de jeito nenhum.

Talvez ela não se visse como forte, mas era uma das mulheres mais corajosas que eu conhecia. Sinceramente, ela provavelmente deveria ter morrido quando fora aprisionada, mas conseguira aguentar. E ainda estava disposta a se arriscar novamente tentando derrubar um homem que prejudicava outras pessoas. A capacidade de Danica de se importar com outras pessoas além de si mesma era uma maldição e uma bênção. Algumas

vezes, eu quase desejava que ela fosse mais egoísta, mas, nesse caso, não seria Danica.

— Estou bem, Marcus — disse ela sem fôlego ao meu lado. Chegáramos ao fundo da área rochosa e estávamos em solo firme. — Você pode parar de apertar a minha mão. Não vou cair.

Afrouxei a pressão nos dedos dela, sem perceber que os apertava com força o suficiente para cortar a circulação. — Desculpe — murmurei. — Só queria que você tivesse apoio se caísse.

— Não vou cair — prometeu ela, abrindo um sorriso alegre enquanto andávamos um ao lado do outro.

O sorriso dela fez eu me sentir como se tivesse levado um soco no estômago. Foi assim que eu soube que estava condenado. Só o que ela precisava fazer era mostrar algum sinal de que estivesse alegre que eu começava a pensar como conseguiria deixá-la ir embora algum dia.

Foda-se! Ela não vai a lugar algum!

Aquela mulher precisava de alguém que a mantivesse longe de problemas e eu estava mais do que disposto a ser voluntário para a tarefa.

Éramos muito parecidos, mas ainda assim muito diferentes. Nenhum de nós criara raízes permanentes nem deixara raiz alguma crescer. O que eu dissera a ela no dia anterior era verdade. Eu nunca encontrara ninguém que me fizesse querer diminuir as viagens.

Até ela.

Até agora.

A tristeza dela por coisas que poderia ter perdido se tivesse morrido me fez querer ajudá-la a realizar todos os itens naquela lista. Tristemente, eu não fui de muita ajuda para lhe dizer o que valia a pena perder e o que não valia. Minha vida fora tão concentrada na carreira quanto a dela.

Todos os momentos que passara com ela valeram qualquer coisa que eu perdera na vida de negócios. Eu supervisionara minhas responsabilidades de casa e pouquíssimas coisas tinham precisado da minha atenção pessoal.

Meu conglomerado tinha tantos administradores de alto e de médio escalão que não precisavam mais de mim constantemente. Tudo corria muito bem sem que eu precisasse correr de um lado para o outro do planeta.

O problema era que, agora que eu sentira como era bom começar a ser parte da minha família de novo e tinha Dani comigo, tinha receio de gostar demais.

Eu era um solitário.

Nunca fiquei em um lugar por muito tempo.

Eu nem sabia ao certo o que fazer quando não estava viajando.

Naquele momento, meu foco era fazer com que Dani relaxasse e simplesmente ficasse feliz. Ela saíra de uma situação ruim para outra depressa demais. Houvera pouco tempo para que ela se recuperasse e não era surpresa que tivesse tido um ataque de pânico depois de tanto tempo sem nenhum.

Eu podia não ser o cara perfeito para ensiná-la a relaxar. Eu não era exatamente o Sr. Calmo Feliz. Mas sabia de uma coisa: ninguém se importava mais com o bem-estar dela do que eu.

— Você está bem? — perguntou Dani baixinho.

Afastei meus pensamentos. — Sim, estou bem.

— Você estava com a testa franzida — comentou ela. — E parecia profundamente pensativo.

Balancei a cabeça negativamente. — Nada de importante.

Só eu, fazendo um plano de vida com você!

Jesus! Ela era adulta, não era da minha conta o que faria no futuro. Nós tínhamos ajudado um ao outro para conseguir um objetivo comum: acabar com Becker.

Infelizmente, em algum momento, eu parara de vê-la apenas como uma jornalista que estava cooperando. Ora, provavelmente nunca a vira apenas como uma repórter. Não houvera um dia sequer em que eu não quisera fazer sexo com ela, e aquele dia não era exceção. Mas havia muito mais do que apenas sexo entre nós dois. Tínhamos estabelecido uma intimidade que eu nunca tivera com outra mulher.

Fora assim que eu chegara à conclusão de que estava totalmente condenado e não tinha certeza se me importava com isso.

Estar com ela era bom demais para que eu me preocupasse com o quanto estava ficando envolvido. Mas eu provavelmente sabia, bem no fundo, que talvez acabasse arrependendo-me. No entanto, mesmo sabendo que eu poderia acabar completamente sozinho e furioso, isso não era o suficiente para me deter.

— Está chovendo — falei, subitamente sentindo as gotas leves que podiam ou não já estar caindo havia algum tempo.

— É gostoso — respondeu ela. — Estava ficando quente.

Nós dois estávamos vestindo calça jeans e camiseta. Eu calçava um par de botas de caminhada pouco usadas e Dani calçava tênis.

— Pelo menos, não é uma tempestade — comentei. Não havia trovões nem raios, e Dani tinha razão, estava começando a esquentar.

— Estamos quase em casa, certo? — perguntou ela curiosa sem soar nem um pouco preocupada.

— Quase — concordei. Parei perto das árvores, fazendo com que ela também parasse. — Mas isso me lembra de uma coisa. Está na sua lista.

Ela pareceu confusa por um momento, com a expressão e o olhar interrogativos buscando esclarecimento.

Eu a empurrei de leve para trás até que seu corpo encostasse no tronco de um pinheiro enorme.

— É hora daquele beijo na chuva — expliquei com a voz rouca. — Estava na sua lista de coisas a fazer e que nunca fez.

Meu Deus, eu adorei a forma como ela sorriu e inclinou a cabeça para absorver as gotas de chuva que caíam antes de responder: — Sim, é. Uma experiência pela qual você também disse que não tinha passado.

Dei de ombros. O que diabos eu sei sobre romance? Eu tive transas rápidas. Não queria me envolver emocionalmente. — Pode ser interessante.

Ela passou os braços em volta do meu pescoço. — Podemos tentar —

disse ela sugestivamente.

Quando ela passou a língua nos lábios para lamber uma gota de chuva, quase perdi o controle. Senti o pênis enrijecer contra o tecido da calça jeans enquanto eu ficava hipnotizado pelos lábios tentadores aos quais não conseguia resistir.

— Vamos lá — insisti, apoiando as mãos no tronco, uma de cada lado da cabeça dela.

Eu queria que ela iniciasse o abraço. Não fazia a menor ideia do que fazer se ela não começasse, pois não havia a menor chance de eu recuar naquele momento.

Eu precisava demais dela.