Bilionário Revelado: Marcus

J. S. Scott · Capítulo 16 de 30

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Bilionário Revelado: Marcus

Capítulo 15

— O quê? — perguntei inocentemente. — Ela também é como uma irmã para mim.

Jett emitiu um som de desprezo. — Que mentira, cara. Mas você poderá resolver isso mais tarde se ainda não estiver pronto para lidar com a situação. Só mantenha Dani segura.

— É o que pretendo fazer — respondi em tom sombrio.

Conversamos por mais um ou dois minutos, compartilhando os planos para mais tarde, e desligamos para nos concentrar nos nossos objetivos.

Jett levaria Ruby para o meu apartamento, mas, se tudo decorresse tranquilamente, eu teria Dani no meu jatinho assim que ela saísse da casa de Becker. Naquele momento, eu tinha pessoas movendo nossos pertences para o aeroporto e para o jatinho.

Eu não a queria por perto quando tudo explodisse.

 

Dani

E u estaria mentindo se tentasse me convencer de que não estava com medo.

Mas, enquanto tentava não me encolher sob o olhar intenso de Becker, tive a segurança de saber que Marcus estava do lado de fora, esperando um sinal caso eu tivesse problemas.

Eu estava determinada que esse homem, que eu vinha encontrando havia semanas, não escaparia de ser processado. Ele era um traidor do meu país e puro mal em todos os outros aspectos.

Tentei não demonstrar aversão quando ele passou a mão no meu rosto. —

Estive esperando esta noite, Dani.

Eu tinha certeza disso. A noite em que ele me deixara com o rosto roxo ainda estava fresca na minha mente sempre que olhava para aquele homem.

As mulheres não eram nada além de lixo descartável para ele.

— Eu também — murmurei, o que não era uma mentira completa. Eu estava, na verdade, esperando que ele fosse encurralado contra a parede.

Fiquei grata pelas ferramentas que Marcus me dera, pois Becker pegara minhas chaves e minha bolsa no minuto em que passei pela porta, guardando-as em algum lugar desconhecido. Ele era paranoico, mas aquele fora um movimento que eu não estivera esperando.

— Preciso ir ao banheiro — disse eu ao me levantar de onde estava sentada ao lado dele no sofá. Eu tinha que achar o caminho na casa dele. E

só de estar perto do homem que me batera com tanta força que eu ainda tinha marcas no rosto me deixava ligeiramente enjoada.

— Depressa — insistiu ele em tom irritado. Ele se levantou e tirou o casaco ao continuar: — Tenho planos para você.

Sorri fracamente e estremeci, sem nem querer saber quais eram aqueles planos.

— Já volto — respondi em tom alegre.

Ele virou a cabeça para a esquerda. — O banheiro é no fim do corredor.

Fique longe dos outros aposentos.

— Ok — respondi fracamente ao me virar e andar pelo corredor.

Fechei a porta do banheiro com força suficiente para que ele conseguisse ouvir. Em seguida, encostei-me na porta.

Merda! Como vou a algum lugar quando ele me observa como um falcão?

— Eu consigo, eu consigo — sussurrei sem parar como se fosse um mantra.

O problema era que eu vira o lado feio e violento de Gregory Becker, o que me deixara muito assustada. Eu vira a mesma expressão quando fora brutalizada pelos sequestradores.

Sem vida.

Morta.

Sem emoção.

Onde não havia consciência, não havia hesitação em ferir, machucar ou matar.

Eu não tinha dúvidas de que, como meus carrascos no Oriente Médio, Becker gostava de causar dor e sofrimento. Na verdade, eu tinha certeza de que ele era excelente nisso.

Eu me afastei da porta do banheiro, vendo meu reflexo no espelho enquanto me movia. Minha blusa branca era quase transparente, mas, sob ela, eu usava um sutiã branco. Eu parecia uma prostituta tentando atrair um homem com camadas de maquiagem e um batom vermelho. A expressão assustada nos meus olhos não poderia continuar. Não importava o que acontecesse, eu não me abaixaria diante de Becker. Eu estava interpretando um papel que me daria o que queria.

Virei de costas para o espelho com a mente acelerada. Eu achava que tinha visto o que parecia um escritório a caminho do banheiro. Fazia sentido que ele estivesse localizado no térreo.

A casa era além de pretensiosa, com uma decoração opulenta de ouro, um fato que me disse que ele achava que tinha algo a provar. Tudo o que eu vira até o momento era espalhafatoso.

Dei descarga no vaso sanitário para parecer que eu realmente o usara e para abafar o barulho quando girei a maçaneta gentilmente, abrindo a porta do banheiro o suficiente para conseguir escapar.

Não ouvi nada da sala de estar ao sair e entrar na porta aberta que eu vira a caminho do banheiro. O luar banhava o aposento com uma luz tênue.

Corri até a mesa e acendi o abajur, escutando para ver se havia passos no corredor.

Em silêncio, abri todas as gavetas da mesa, procurando algum sinal de papéis.

Merda! Nada!

Eu estava prestes a desistir quando vi uma prateleira ao lado da mesa. Meu coração bateu com força quando vi um livro grande que parecia fora do lugar perto de alguns clássicos.

Puxei o livro sem título e abri-o sobre a mesa.

Bingo!

Era um livro de transações, dinheiro ilegal enviado por várias empresas de fachada e contas no exterior para esconder a receita dos negócios mais sombrios dele. Não pensei, só comecei a usar o pingente que Marcus me dera para obter os registros e os nomes das empresas.

Eu me movi o mais depressa possível, fotografando o máximo de informações que consegui em um tempo curto. Os valores e as datas não eram importantes como capturar os nomes das empresas e as contas.

Fiquei maravilhada com o fato de Becker nem se dar ao trabalho de esconder exatamente de onde vinha o dinheiro. Havia entradas de tráfico humano, prostituição e tráfico de drogas no livro.

Talvez ele tenha sido arrogante demais em relação a cobrir os rastros. Ele obviamente faz isso há anos. Ninguém nunca investigou fundo o suficiente para seguir o dinheiro.

Eu estava colocando o livro de volta na prateleira quando ouvi passos.

— O que caralho você está fazendo aqui? — perguntou Becker com tom furioso.

Movi a mão lentamente. — Eu só estava admirando sua coleção de livros.

Você tem alguns clássicos incríveis — menti, pensando rapidamente em

como me dar cobertura.

Merda! Eu quase conseguira sair antes de ele ir atrás de mim.

— Eu lhe disse para não ir a lugar nenhum, exceto ao banheiro — disse ele em tom sombrio.

Eu me encolhi por dentro quando ele andou até o meu lado. A fúria em sua expressão era aterradora.

— O que mais estava fazendo? Piranha, está me espionando?

— É claro que não — respondi em tom inocente. — Só gosto de livros.

— Você entrou aqui por acaso?

— Sim.

— Mentira — explodiu ele. — Odeio gente mentirosa e você não está me dizendo a verdade.

— Estou. Juro que estou — respondi em tom suplicante. — Por que mais eu estaria aqui?

— Não sei. Por que você não me diz? — exigiu ele.

Levei um susto quando ele agarrou meus cabelos, puxou minha cabeça para trás e senti o metal frio contra o rosto. Pelo canto do olho, confirmei o que já sabia. Ele segurava uma arma contra o lado da minha cabeça.

— Diga! — gritou ele. — O que diabos estava procurando?

— Nada. Só parei aqui porque vi a prateleira.

Engoli em seco, tentando não pensar na arma apontada para a minha cabeça.

Ainda segurando meus cabelos e a arma perto do alvo, ele me empurrou para que eu ficasse à sua frente. — Mexa-se — disse ele com voz ameaçadora, empurrando-me para que eu começasse a andar.

— Para onde? — perguntei, tentando não deixar o medo assumir o controle.

— Vamos dar uma volta, caralho. Não confio em você aqui.

Meu coração acelerou quando tropecei na frente dele por causa dos saltos altos. A sensação era que ele estava prestes a arrancar meus cabelos.

Marcus! Sinalize para Marcus.

Não havia como escapar de Becker. Se eu liberasse o spray de pimenta, não havia garantia de que ele não atiraria em mim imediatamente.

A única forma de obter ajuda era envolver Marcus na confusão que eu acabara de criar. Mas eu estava com medo que ele se ferisse ou acabasse morto. Eu não tinha como avisar a ele que Greg estava armado.

Hesitei quando Becker me empurrou para fora da casa e em direção ao carro, tentando pensar em como poderia me tirar daquela situação sem que Marcus se machucasse.

Como comandado, sentei no banco do passageiro passando pelo banco do motorista. Ele manteve a arma em mim o tempo inteiro.

— Você pagará por sua traição, vadia. Ninguém bisbilhota perto de mim e vive para contar a história — gabou-se ele ao sentar no banco do motorista.

— Greg, eu não estava bisbilhotando. Só estava olhando seu escritório — disse eu, tentando argumentar com um louco.

— Eu lhe disse o que fazer e você tinha que sair bisbilhotando. Eu disse para ficar longe das outras salas. Você pediu.

Meu Deus! Ele era tão paranoico que eu não conseguiria conversar.

Ele apertou o botão para ligar o carro e comecei a pensar se deveria ou não apertar o botão de pânico para pedir ajuda a Marcus.

Àquelas alturas, ele provavelmente já nos vira. A casa era recolhida, mas, se ele estava na rua, talvez já soubesse o que estava acontecendo. Se entrasse na situação sabendo que Becker tinha uma arma, talvez fosse mais cuidadoso.

Meus pensamentos se dissiparam em um instante quando as luzes dentro do carro acenderam e Becker foi distraído temporariamente por um homem parado ao lado da porta aberta do motorista. A arma que estava mirada em mim tremeu por um momento e demorei apenas alguns segundos para descobrir o motivo.

— Vou levar este carro, idiota. Saia ou explodirei sua cabeça — rosnou Marcus em tom baixo e agitado.

Como Becker, Marcus tinha uma arma que estava apontada para a cabeça de Greg.

Como se eu estivesse assistindo tudo em câmera lenta, a arma se afastou de mim e começou a virar para Marcus.

Virando uma pedra, atingi a marca com o spray de pimenta na minha pulseira. Um grito de dor escapou da boca de Becker quando tentei pegar a arma dele.

Marcus se mexeu mais depressa que eu, agarrando a camisa de Becker e puxando-o para fora do veículo. Em seguida, jogou-o no chão ao mesmo tempo em que interceptava a arma dele.

Ele pulou para o banco do motorista e acelerou, garantindo que tivesse a chave antes de deixar Becker gritando no chão.

Procurei o controle das janelas, abrindo a do meu lado o mais depressa possível por causa do spray de pimenta.

Esforcei-me para respirar, com o coração galopando ao perceber que escapara com Marcus.

— O que está fazendo? Para onde vamos? — perguntei com pânico na voz.

— Aqui perto — respondeu ele em tom direto.

Paramos a poucos quarteirões da casa de Becker. — Vamos sair?

— Entre no meu carro. Vá! — disse ele em tom urgente.

Cambaleei para fora do carro esportivo de luxo e fui para o veículo que vira Marcus dirigindo mais cedo. Eu mal fechara a porta quando ele pisou no acelerador e afastou-se em alta velocidade do veículo abandonado.

Não falei enquanto Marcus dirigia. Meu corpo ainda estava tremendo e eu ainda tentava entender o que acabara de acontecer.

Marcus aparecera do nada e eu certamente procurara algum sinal dele quando Becker me levara para fora. Tudo acontecera muito depressa. Só o que eu conseguira processar era o fato de que Becker tentara atirar em Marcus. Eu agira completamente por instinto quando liberara o spray de pimenta.

Finalmente, eu disse em um sussurro: — Você está seguro. Nós dois estamos seguros.

— Eu estava precisando de ajuda antes de você usar o spray — disse Marcus em tom tenso. — Se estava com problemas, por que não sinalizou para mim?

Era uma pergunta razoável. Eu só não sabia como responder.